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Estudo da UA mostra que antidepressivos reprogramam a personalidade dos peixes

Um estudo liderado por investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), da Universidade de Aveiro (UA), revela que a exposição embrionária a um antidepressivo comum pode alterar de forma duradoura a personalidade de peixes-zebra. De acordo com uma nota de imprensa enviada à Ria, os resultados levantam sérias preocupações sobre os impactos de fármacos no ambiente e na saúde.

Estudo da UA mostra que antidepressivos reprogramam a personalidade dos peixes
Redação

Redação

20 mar 2026, 14:05

A investigação, conduzida por Miguel Oliveira e Carla Melo, do Departamento de Biologia da UA, contou com a colaboração do Instituto de Diagnóstico Ambiental e Estudos da Água (IDAEA-CSIC) e do Institut Químic de Sarrià. Publicado na revista científica Journal of Hazardous Materials, o estudo demonstra, pela primeira vez, que a exposição a níveis ambientais de paroxetina — um fármaco amplamente usado no tratamento da depressão em humanos — pode modificar traços de personalidade e a forma como os peixes lidam com o stress.

Os investigadores verificaram que estas alterações comportamentais persistem até à fase juvenil, o que indica que comportamentos fundamentais podem ser reprogramados muito cedo na vida. Esta descoberta é particularmente relevante uma vez que o peixe-zebra é um modelo amplamente utilizado em investigação biomédica.

Na nota enviada à redação, os autores alertam que mudanças individuais na personalidade podem ter consequências para toda a população, afetando a capacidade de adaptação das espécies a ambientes em mudança. O estudo sugere ainda possíveis implicações para a saúde humana, especialmente em períodos sensíveis do desenvolvimento, reforçando a necessidade de avaliar o impacto de medicamentos neuroativos nos ecossistemas.