Universidade
Entrevista: Mariana Dixe traz “Obrigada por terem vindo” ao GrETUA para pensar o teatro “a brincar”
Encenado por Mariana Dixe e interpretado por Mariana Lobo Vaz, o monólogo “Obrigada por terem vindo” é, de acordo com uma nota de imprensa enviada à Ria pelo GrETUA, um espetáculo que “assume o fingimento como estratégia: finge não responder a nada, enquanto pensa em tudo” sobre a experiência teatral. Na antecâmara da passagem pelo GrETUA, Mariana Dixe - que também estará no próximo sábado, dia 14, a dar uma Oficina de Escrita no âmbito do Kit de Sobrevivência e de Criação Teatral do GrETUA - esteve à conversa com a Ria sobre o texto que agora apresenta. Rádio Universitária de Aveiro (Ria): A programação deste quadrimestre do GrETUA baseia-se um bocadinho na ideia de jogo. Daquilo que estive a pesquisar sobre esta peça que vão apresentar, parece que assenta quase que nem uma luva, não? Mariana Dixe (MD): Sim, acho que sim. O jogo, se calhar, é um jogo diferente, um jogo mais metafórico, mas acho que o nosso espetáculo “Obrigada por terem vindo” tem muito do chamado jogo teatral, que, se calhar, mais do que jogar, também pode ser brincar. Nós usamos muitas referências da infância. Aliás, o cartaz do espetáculo são fotografias de toda a equipa nas primeiras infâncias, todos nós em pequeninos, porque o jogo do “faz de conta”, ou em inglês, ‘make-believe’ - que é uma expressão que eu ainda prefiro, fazer acreditar - esteve muito presente na criação do espetáculo. Eu acho que está muito presente também no espetáculo, porque nos interessa pensar o teatro, qual o papel que ele tem, porque é que eu fiz estes dois espetáculos, porque é que uma atriz sobe a cena para fazer um monólogo... mas pensar em teatro, sobretudo, com este caráter lúdico, de entretenimento (embora haja um preconceito com essa palavra no meio cultural) e de brincadeira, de jogo, de fazer teatral, de experimentar, de alguma liberdade, portanto, de fazer de conta e de fazer acreditar. Então sim, acho que este jogo encaixa que nem uma luva, acho que sim. Ria: Para além do “brincar” e do problematizar um bocadinho toda a ideia do teatro, há alguma intenção? Esta peça quer respostas? MD: Eu acho que ela lança mais perguntas para que cada elemento do público possa ter as suas próprias respostas. Depois nós temos sempre muito prazer em falar com as pessoas do público e perceber quais é que foram as respostas a que cada pessoa chegou. Mas ela não é uma resposta universal, nem nós tentamos que seja, nem nós temos a pretensão de achar que sabemos qual é a resposta certa. Eu disse ainda agora estas perguntas de «Porque é que o público vê espetáculos? Porque é que uma atriz sobe a palco para fazer um monólogo?», mas eu própria não sei a resposta para essas perguntas. Às vezes acho que sei, tenho uma teoria, mas passados uns meses a teoria já pode ser outra. Com este espetáculo também vou descobrindo novas possibilidades de resposta a essas questões. Eu acho que para nós também é mais divertido - e encaixa mais nessa ideia de jogo - lançar as perguntas e deixar que cada pergunta possa ter múltiplas respostas, que cada pessoa possa ter as suas e que isso depois também seja gerador de conversa pós-espectáculo, pós-evento, muitas vezes depois, pós-digressão. Então, mais do que responder, não deixa de ser uma intenção... mais a de fazer perguntas do que a de encontrar as respostas. Ria: Nós aqui estamos a falar deste “fingimento lúdico” - a expressão que tens usado - um bocadinho no abstrato. Como é que isto depois se concretiza quando estamos a ver a peça? MD: Olha, eu acho que para não fazer grandes spoilers, posso dar um exemplo do que acontece logo no início. A Mariana, que é a atriz do espetáculo, entra em cena dizendo que se chama Isabel, ou Leonor, já aconteceu as duas versões. Ela às vezes improvisa e pode ser uma das duas. Tem 45 anos e tem uma filha. Na verdade, o que nós queremos com essa proposta é que o público perceba que, no teatro, num lugar de palco onde essa proposta acontece, isso é possível, não é? Porque nós vemos constantemente atrizes a dizer que são Ofélia ou atores a dizer que são Hamlet, que vivem não sei onde e que fazem não sei o quê, e acreditamos, porque o pacto entre um espectador e um ator é esse, é o de acreditar. Portanto, logo, uns segundos a seguir, a Mariana diz «Ah, não. Eu chamo-me Mariana, tenho 27 anos, sou atriz e sou de Lisboa». Mas há qualquer coisa nesse jogo em que ela dizer a verdade é menos credível do que ela mentir e dizer que é a Isabel ou o Leonardo. E o público tende a ter essa desconfiança de «Ok, porque é que ela viria para aqui dizer a verdade? Isto é um palco, eu vou ver um espetáculo para ser enganado. Se eu quiser ouvir a verdade vou ao café ou vou ver um jornal». Então nós criamos todo o espetáculo a partir dessa premissa: “O que é que é verdade, mas tem um lugar num palco?; O que é que é mentira, mas também tem um lugar num palco?”. Porque enquanto fazíamos o processo de criação íamos encontrando a mentira na esfera pública, também na política, no jornalismo... E quisemos também de alguma maneira reivindicar o palco como um lugar em que a mentira possa ser lúdica e menos consequente, porque não estamos a enganar ninguém, nem a espalhar fake news. O público só acredita em nós até um determinado ponto, porque está dentro de uma caixa mágica que nos permite mentir. Então, o que é que pode ser verdade, o que é que pode ser mentira, e o que é que, mesmo sendo mentira, é mais credível porque dissemos a verdade antes? Ou, então, o que é que sendo perto da verdade para nós, é tão inverosímil que o público não acredita? Nós divertimos-nos muito com esse jogo de, depois, no final, tentar perceber o que é que as pessoas reconhecem como sendo verdade e de que é que as pessoas desconfiam. Lá no fundo nós sabemos que aquilo ou é verdade ou até poderia ser, mas as pessoas acham que não, e pronto, andamos sempre assim dentro dessas duas linhas... e a mesma coisa às vezes pode ser verdade e mentira, mas isso pronto, terão de ver o espetáculo para perceber que tipo de coisas são essas. Ria: Nas entrevistas que tens dado, tens dito que tentaste inverter um bocadinho a lógica do teatro. Portanto, em vez de começar pelo texto para depois ir para a cena, começas na cena para depois ir para o texto. Como é que se começa a desenhar o texto a partir de uma cena que não tinha texto ‘a priori’? MD: O “Obrigada por terem vindo” tem duas versões de texto, na verdade. Tem uma versão original, também escrita por mim, que foi publicada por uma companhia de teatro chamada “Lendas de Encantar”, numa coleção nova de dramaturgia portuguesa que eles lançam anualmente e onde eu fui colocada no oitavo volume. Depois, quando fui para a sala de ensaio com a Mariana [Lobo Vaz] e com a restante equipa, voltámos a esse texto como base, mas editámo-lo muito e construímos por cima dele. Ele está praticamente irreconhecível, porque, também neste jogo do verdade e mentira, interessava-me que muitas coisas fossem verdade para a própria equipa. Seria praticamente impossível ficarmos a trabalhar com um texto que tinha sido escrito há alguns anos, que eu tinha estado sozinha numa sala e depois a escrever só com a minha verdade, sem as perspetivas das várias pessoas em coletivo. Essa versão original que foi publicada surgiu precisamente, como dizes, de uma “verborreia” tida num palco e que depois foi transcrita para o papel. Basicamente, com essa intenção primária e única de saber se era possível inverter a ordem normal de escrever teatro, o desafio a que me propus foi ir para uma ‘black box’ vazia e, enfim, pôr um cronómetro para uma hora e durante esta hora falar, falar, falar e ter um telemóvel a gravar aquilo que eu ia dizendo. Eu tinha algumas ideias que sabia que queria abordar que, mais do que outra coisa, eram pensamentos que eu ia tendo ao longo dos dias e que achava que valia a pena guardar para dissecar mais tarde... mas não sabia se “mais tarde” ia ser uma conversa com amigos, num texto, sei lá, para um blog, ou se ia ser naquele lugar, naquele momento, que foi o que acabou por acontecer. E então, como acontece frequentemente, às vezes até no duche, quando estamos em silêncio, as ideias que temos tido nos últimos dias começam a aparecer todas de repente. Como eu ali estava em silêncio, sem estímulos, sem um telemóvel para fazer scroll ou sem o meu trabalho de escritório, as ideias que eu ia tendo nesses dias anteriores começaram a surgir e fui falando, falando, falando sobre elas. Quando cheguei umas horas depois a casa, ouvi a gravação e transcrevi o texto para papel, sendo o mais fiel possível àquelas que tinham sido as pausas, as hesitações, as correções do discurso oral, que às vezes tem falhas, e tentei mantê-las a todas. Foi esse texto que depois foi publicado. Agora, isso já não é exatamente assim, porque, como disse, esse texto foi reescrito e muito, muito editado. Foi editado também em sala de ensaios, a partir daquilo que a atriz, a Mariana Lobo Vaz, fazia em ensaio, em improvisação, das conversas que íamos tendo - não só com ela, como com a própria equipa - porque foi um processo muito coletivo. Portanto, o processo repete-se, porque continua a passar da realidade para o papel, mas agora de uma perspetiva mais de grupo e menos individual, como tinha sido a primeira. Mas, nos dois casos, isso acabou por ser verdade. Primeiro as coisas foram ditas e depois é que foram escritas. Ria: Este é um exercício que me parece, nesta primeira instância, nesta versão original, mesmo muito pessoal. Como é que isto deixa de ser pessoal para passar a ser um produto coletivo? MD: Olha, porque uma coisa que me interessa muito, como autora e como artista, é encontrar uma espécie de chão comum. Eu acredito, e tenho toda esta experiência no meu quotidiano, que não há muitas experiências que sejam verdadeiramente singulares. Claro que sim, claro que há coisas de outro mundo que só acontecem uma vez na vida, uma pessoa em cada mil, um milhão, leva com o raio. Aquelas coisas que se dizem do “arco da velha”, não é toda a gente que já levou com o raio. Aliás, o que ganhou o Euromilhões... dizem que é mais provável levar com o raio do que ganhar o Euromilhões. Claro que há estatística envolvida, mas há coisas muito do dia-a-dia que achamos que só nos acontecem a nós e que nos sentimos até às vezes solitárias por isso. Depois descobrimos que é uma experiência partilhada com muita gente, mas porque não falamos sobre essas coisas, elas acabam por nos deixar mais sozinhas do que realmente estamos. Então, na verdade, embora o primeiro texto fosse muito autobiográfico, esta versão não deixa de o ser, só que passa a ser tão autobiográfica para mim, como é para a Mariana, como é se calhar para outros elementos da equipa que se reconhecem naquilo que está escrito e que é dito em cena. Ao mesmo tempo, também se fosse possível encontrar pontos em comum entre as coisas que já estavam na primeira versão e as coisas que iam surgindo em equipa e até coisas que iam surgindo em referência... Sei lá, nós partilhávamos uma série que achávamos que tinha a ver com esta fronteira entre realidade e ficção e depois analisávamos essa série e encontrávamos coisas que já estavam lá na primeira versão, ou que já estavam nas nossas conversas em residência. Ou íamos ver um espetáculo todas juntas e havia pontos em comum, sem que ninguém pudesse prever, porque o espetáculo estava em criação exterior a nós e nós estávamos em criação exterior a esse espetáculo. De repente, dois artistas com geografias diferentes e percursos diferentes tinham ali raciocínios que se tocavam em determinados pontos, sem terem conversado sobre isso. Fomos encontrando esse chão comum e foram essas ideias que foram sendo preservadas até ao objeto final do espetáculo, porque eram aquelas com que mais nos identificávamos e que eram menos particulares, digamos assim, eram mais esse chão comum, mais partilhadas. Ria: A tua passagem pelo GrETUA não vai ser só aqui. Também vais estar presente a dar uma Oficina de Escrita no Kit de Sobrevivência e de Criação Teatral, onde, segundo a descrição, vais fazer exercícios de escrita criativa a partir da oralidade. Há um cruzamento aqui entre aquilo que foi a produção deste espetáculo e aquilo que tu vais também, de alguma forma, ensinar nesta oficina? MD: Sim, a ideia é mesmo essa. Nós na Maratona - Associação Cultural, que é a associação que eu co-fundei e co-dirijo com a Belisa Branças, que é quem produz o espetáculo, fazemos sempre atividades paralelas aos nossos espetáculos, que dialogam precisamente com os mecanismos de criação do próprio espetáculo. Neste caso em específico, a ideia é mesmo essa, vemos que o texto foi criado desta forma e a ideia é propor também que as pessoas que façam a oficina experimentem essa forma de o fazer. Com essa ordem invertida das coisas, primeiro dito e depois escrito, primeiro em cena e depois em papel. [A ideia é] também falarmos de uma autobiografia parcial, ou seja, as pessoas escrevem sobre si, mas escrevem em coletivo porque é uma oficina de grupo. Podem depois encontrar nas leituras e nas vozes das outras pessoas experiências comuns, que também são as suas. Espero que também seja possível, nessa oficina no dia 14, encontrar essas experiências partilhadas e ficarmos um bocadinho menos sozinhos no decorrer dessa partilha. Ria: Não sei qual é a tua experiência em Aveiro e com o público aveirense, mas quais é que são as tuas expectativas para o que vais encontrar aqui? MD: Eu tento criar o mínimo de expectativas possível, porque às vezes posso ficar desiludida ou, pelo contrário, ser surpreendida. Tento não criar grandes expectativas no que diz respeito ao público. Nós temos sempre a intenção de fazer um bom espetáculo, montá-lo, ensaiá-lo e apresentá-lo bem. Depois as pessoas lidarão como lidarem e terão a reação que tiverem. Eu gosto de que seja sempre uma surpresa. Assim, em particular, pela ligação do GrETUA à Universidade, pode aparecer, acho eu, como consequência disso, um público mais jovem. Tenho curiosidade de perceber como é que um público à partida mais jovem poderá relacionar-se mais ou menos com o espetáculo, mas é uma questão quase demográfica e não tanto de expectativa. Nós somos uma equipa jovem, uma associação emergente, então tenho curiosidade de perceber se as pessoas que vão assistir, por serem mais jovens, se relacionam mais ou menos, ou se nós já somos velhas demais para o público da Universidade. Diverte-me pensar assim nesse sentido, mas não tenho expectativas. Gostava muito que as pessoas aparecessem e fossem sinceras na sua opinião. O resto, pronto, nós cá estamos para ouvir qualquer reação que tenham. Os bilhetes para o espetáculo podem ser adquiridos aqui e têm um custo de seis euros para estudante e de oito euros para não estudante.
UA: Coordenações dos 23 Núcleos Alumni tomam posse
Segundo uma nota enviada às redações, considerando a existência de listas únicas para cada um dos 23 núcleos coube à direção presidida por Pedro Oliveira fazer a proposta para as novas coordenações. No discurso de abertura, o presidente da AAAUA começou por recordar a importância das estruturas e das iniciativas que promovem ao contribuírem para a “dinamização da comunidade alumni e para que os antigos alunos regressem à universidade”. Aos empossados desafiou-os ainda a encontrarem “soluções, a não soçobrar na força e determinação para o que é justo, a manter a serenidade, a distinguir o que é adequado do que é impróprio, a separar o que é bom do que alimenta o mal, nas fontes e nas consequências da ação”. Também presente na cerimónia, Pedro Almeida, vereador na Câmara de Aveiro, começou por recordar o seu percurso enquanto antigo aluno da Universidade de Aveiro e dirigente da AAAUA. No seguimento, felicitou a iniciativa da direção e demonstrou “disponibilidade do executivo municipal para cooperar com a AAAUA nos domínios em que esta desenvolve a sua atuação”. Artur Silva, vice-reitor da UA, marcou também presença tendo parabenizado a estrutura por se fortalecer com “praticamente uma centena de elementos disponíveis” e por manifestar interesse em “mapear os alumni e as suas redes”. Desejou ainda que estes mantenham a ligação à “alma mater que é a Universidade de Aveiro”. De acordo com a nota, os coordenadores dos Núcleos Alumni, para o mandato 2026-28, são: Núcleo Alumni de Futebol - Secção Autónoma: Coordenador: Nelson Correia Martins Núcleo Alumni de Business Lab: Coordenador: César Augusto Bártolo Ribeiro da Rocha Lopes Núcleo Alumni de Rugby: Coordenador: Ivan Alexandre Oliveira Portela Núcleo Alumni da ESAN: Coordenador: Frederico Ribeiro Martins Núcleo Alumni da Escola Superior de Saúde: Coordenador: Jenifer Adriana Domingues Guedes Núcleo Alumni do ISCA-UA: Coordenador: Fábio André Gaspar dos Santos Núcleo Alumni de Ambiente e Ordenamento: Coordenador: Liliana Maria Ferreira Santos Núcleo Alumni de Biologia: Coordenador - Pedro Vasco Soares Dias de Sá Núcleo Alumni de Ciências Sociais, Políticas e do Território: Coordenador: Elisa Maria da Silva Santos Ferreira Núcleo Alumni de Comunicação e Arte: Coordenador: João Nunes Núcleo Alumni de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo: Coordenador: Jorge Daniel Menino de Barros Castro Núcleo Alumni de Educação e Psicologia: Coordenador: Maria Teresa Cabral Figueiredo Rebocho Christo Vaz Franco Núcleo Alumni de Engenharia de Materiais e Cerâmica: Coordenadora: Marta Ascenção Carmona Ferro Núcleo Alumni de Engenharia Civil: Coordenadora: Ana Rita Vieira de Castro Núcleo Alumni de Física: Coordenador: Pedro Manuel Mendes Correia Núcleo Alumni de Geociências: Coordenador - António José Ferreira da Silva Núcleo Alumni de Línguas e Culturas: Coordenador: Isabel Cristina Rodrigues Núcleo Alumni de Matemática: Coordenador: Ricardo Pereira Núcleo Alumni de Química: Coordenador: Maria Conceição Silva Oliveira “Os Núcleos Alumni do DETI, DEM, DCM e ESTGA serão oportunamente apresentados, em articulação com as respetivas direções de UO”, remata o comunicado.
Eduardo Anselmo: “O concelho de Aveiro tem uma votação acima da média para António José Seguro”
António José Seguro venceu as eleições presidenciais no passado domingo, 8 de dezembro, depois de ter defrontado André Ventura na segunda volta. Tal como avançado pela Ria, também no distrito e no concelho de Aveiro, Seguro foi o mais votado com “67.50%” dos votos e “71.01%” dos votos, respetivamente. De um ponto de vista geral, Eduardo Anselmo de Castro mostrou-se pouco surpreendido com o desfecho dos resultados. À Ria, lembrou que as presidenciais já não dependem das estruturas locais dos partidos. “Havia dois partidos típicos disso, o PCP e o PSD, que tinham uma implantação no terreno muito forte. Era feita através de militantes e de uma tradição local. (…) Isto agora já não é assim”, afirmou. Na perspetiva do docente, essa “tradição” foi substituída por uma “mensagem publicitária” que chega agora através das redes sociais. “É uma mensagem que passa pelas redes e que torna a votação praticamente igual em todo o país”, exprimiu, dando como exemplo o partido Chega. “É assim no Chega e no André Ventura… É uma mensagem que passa com uma certa homogeneidade, ao contrário, por exemplo, da Iniciativa Liberal, que atinge determinados grupos, mas não atinge outros e, portanto, tem uma votação muito menos homogénea territorialmente”, atentou. Apesar de o Chega ter essa homogeneidade, Eduardo Anselmo alertou que a receptividade ainda “não é a mesma em todos os grupos sociais”. “As pessoas com maior formação académica votam menos no Chega. (…) A freguesia no país onde eu vi que André Ventura teve a votação mais baixa foi em Santo António dos Olivais, em Coimbra. Os concelhos onde tem claramente a votação mais baixa são Lisboa, Porto e Coimbra”, notou. No caso de Aveiro, o professor considerou que, apesar de se tratar de um território “tendencialmente de direita”, o concelho seguiu igualmente essa tendência nacional. “Tem uma formação muito acima da média. Significa que o concelho de Aveiro tem uma votação acima da média para António José Seguro”, expôs. Ao analisar os resultados por freguesia, Eduardo Anselmo de Castro destacou a União das Freguesias de Glória e Vera Cruz. “A votação nesta freguesia é muito superior ao resto do distrito de Aveiro. Quando vamos para o sul do distrito de Aveiro, que é a zona mais rural, vai-se aproximando dos sítios onde André Ventura até já ganhou na primeira volta e onde o Seguro tem uma votação mais baixa que é, por exemplo, em Requeixo, Nossa Senhora de Fátima e Nariz”, analisou. “Aí a votação de André Ventura é o dobro daquela que é em Glória e Vera Cruz”, continuou. O docente sublinhou ainda que esta tendência se repetiu a nível distrital. “Para o que seria de esperar no Sul, onde o PS é fraquíssimo como por exemplo em Vagos, Oliveira do Bairro, etc, (…) ganha porque há uma transferência maciça do PSD para António José Seguro”, relembrou. “O PSD do distrito de Aveiro tem uma transferência muito grande, se calhar maior do que a média para Seguro”, acrescentou. Eduardo Anselmo referiu também que uma das razões para o voto em Seguro passou pela “rejeição” do Chega. “Essa rejeição é muito forte, por razões variadas, por parte do eleitorado do PSD. (…) Nestes sítios como o sul do concelho de Aveiro acontece duas coisas contraditórias… Por um lado, é o sítio onde tem mais apoio, mas por outro lado é o sítio onde o PSD tem muita força e manifesta a rejeição no Ventura”, admitiu. Relativamente à segunda volta, o professor alertou ainda para o facto de os votos brancos e nulos serem agora “bastante elevados”. “É mais uma vez, o voto de quem rejeita André Ventura, mas não quer votar, nem aceitar, António José Seguro”, relacionou.
Estudo da UA aponta cidades mais compactas como opção mais sustentável e com melhor qualidade do ar
Partindo da premissa de que o crescimento das populações urbanas está a transformar profundamente as cidades, investigadores da Universidade de Aveiro procuraram analisar de que forma a forma das cidades - mais compactas ou mais dispersas - influencia a sustentabilidade urbana e a qualidade do ar. Nesse sentido, os investigadores da Universidade de Aveiro (UA) Bruno Augusto, Ana Filipa Ascenso, Joana Ferreira, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar e do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) da UA, e Margarida Coelho, do Centro de Tecnologia Mecânica e Automação e do DAO, e Sandra Rafael, secretário-geral do Instituto do Ambiente e Desenvolvimento (IDAD) desenvolveram um ecoindicador, uma ferramenta que permite medir a sustentabilidade de uma área urbana através de um único valor. “À medida que as cidades crescem, podem expandir-se de forma dispersa, ocupando grandes áreas, ou desenvolver-se de forma mais concentrada. Cada modelo tem vantagens e desvantagens, com a investigação mostra que a morfologia urbana tem um papel determinante na vulnerabilidade das cidades às alterações climáticas. Por isso, mudar a forma como as cidades são planeadas pode contribuir para torná-las mais resilientes e sustentáveis”, refere a nota de imprensa. O estudo conclui que, de forma clara, os cenários de cidade compacta revelaram-se mais sustentáveis, por oposição ao cenário de cidade dispersa, que apresentou o pior desempenho global. O estudo sublinha a importância de analisar múltiplos fatores em conjunto quando se avaliam políticas urbanas e ambientais, em particular no que diz respeito à mobilidade. As conclusões reforçam a ideia de que cidades mais compactas, com distâncias mais curtas e menor dependência do automóvel, são mais sustentáveis e resilientes.
Paulo Jorge Ferreira diz que “nunca” poderia assinar apoio a Seguro enquanto presidente do CRUP
Tal como noticiou o Público esta quinta-feira, 5 de fevereiro, nove dos 16 líderes das universidades portuguesas assinaram a carta de apoio ao candidato presidencial, António José Seguro. À iniciativa juntaram-se ainda antigos reitores e presidentes de institutos politécnicos. Em entrevista à Ria, Paulo Jorge Ferreira explicou que a sua decisão não foi uma “escolha”, mas sim uma opção enquanto também presidente do CRUP. “Eu não poderia assinar nunca porque o presidente do CRUP representa o conselho de reitores e eu não sei qual é a posição, nem preciso de saber, nem vou perguntar a posição de cada reitor quanto a isto”, justificou. Questionado sobre se assinaria a declaração caso não fosse presidente do CRUP, mas apenas reitor da Universidade de Aveiro, Paulo Jorge Ferreira afirmou, novamente, que “nunca assinaria uma declaração de apoio política”. “Nem aceitaria ser mandatário de uma candidatura, nem entraria nas comissões de honra das mesmas, nem tomaria qualquer tipo de outra posição política fosse de que cor fosse”, frisou, sublinhando que essa postura “não é novidade para ninguém, uma vez que, nos anos em que fui reitor nunca o fiz”. A título pessoal, o reitor comentou ainda o momento em que a declaração foi tornada pública, considerando-a tardia no atual contexto eleitoral. “Fazem-se declarações de apoio em alturas mais precoces ou em alturas onde o desfecho é incerto. (...) Essa declaração pode ter um efeito consequente… A meio de um caminho e estando já a trabalhar-se numa segunda volta de eleições acho que é demasiado tarde para se fazer uma declaração de apoio ou de rejeição seja do que for”, opinou. A segunda volta das eleições presidenciais está marcada para este domingo, 8 de fevereiro, e terá como candidatos António José Seguro e André Ventura.
UA organiza webinar para empresas sobre desafios e oportunidades do recrutamento inclusivo
Segundo uma nota de imprensa enviada à Ria, esta iniciativa, que já vai na segunda edição, destina-se a empresas e tem como objetivo “promover a adoção de práticas de recrutamento inclusivo”. Ao longo do webinar, serão apresentadas “ferramentas práticas, vantagens de processos mais equitativos e a partilha do testemunho de uma entidade parceira que apresentará a sua experiência na implementação de processos mais equitativos e inclusivos”. Apesar da participação ser gratuita é ainda necessária a inscrição até segunda-feira, 9 de fevereiro, aqui. Esta é uma iniciativa da Valor T IES, Universidade de Aveiro/GUIA – Gabinete de Apoio ao Estudante e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Universidade de Aveiro desenvolve substitutos ósseos a partir de impressão 3D
Segundo uma nota de imprensa da Universidade, os investigadores recorreram à técnica de fotopolimerização em cuba, para produzir peças à medida de cada paciente, utilizando uma resina líquida que solidifica com a ação da luz. O objetivo é criar “peças à medida de cada paciente, tendo em conta as características específicas do osso a substituir, com uma estrutura sólida que tenha uma forma muito próxima da prótese óssea necessária para cada caso clínico”. O projeto utilizou hidroxiapatite suspensa numa resina de base aquosa, para mimetizar o mineral do osso humano e permitir a produção de estruturas complexas, adaptadas a cada caso clínico. A utilização da base aquosa reduziu em cerca de 80% o uso de compostos orgânicos e diminuiu o tempo da fase final de produção em cerca de 60%. “Os próximos passos do processo envolvem a avaliação do comportamento biológico do material e a realização de testes avançados para garantir a segurança e eficácia das soluções antes da aplicação clínica”, explica a nota. O trabalho contou com a participação de Simão Santos e Manuel Alves, estudantes de doutoramento, e das professoras Susana Olhero e Georgina Miranda do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica.