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Aveirenses “Alboys” transformam tapetes em peças de arte “únicas e exclusivas”

Pimentos padrón, os típicos azulejos tradicionais ou até mesmo uma águia foram algumas das particularidades que Francisco e Cláudio, dois jovens aveirenses, já transpuseram em arte têxtil através do projeto SQE Rugs. Uma marca que nasceu há cerca de dois anos e que pretende transformar tapetes em peças de arte “únicas e exclusivas”.

Aveirenses “Alboys” transformam tapetes em peças de arte “únicas e exclusivas”

É num estúdio improvisado, junto ao Jardim do Alboi, em Aveiro, que, nos dias de hoje, dois amigos e aveirenses de gema, Francisco de 24 anos e Cláudio de 23 anos [também conhecidos como “Alboys”] se dedicam a produzir e a transformar tapetes em peças de arte. “Nós fazemos parte do mesmo grupo de amigos há cerca de cinco anos. Tudo isto começou porque queríamos fazer alguma coisa para ocupar o tempo livre. Achamos que era interessante fazer algo para empreender…. Ao Cláudio já lhe tinha aparecido alguns conteúdos nas redes sociais relacionados com os tapetes e achamos que era uma boa ideia para se apostar. O pessoal lá fora já faz isso há algum tempo, nomeadamente, na América, mas a ideia ainda não era muito explorada em Portugal”, começou por explicar Francisco à Ria. “No fundo é sempre um tapete, mas nós tentamos sempre que as pessoas os coloquem na parede ou que fique quase como um quadro (…)”, completou.

Sem qualquer experiência pelo mundo têxtil, ainda que ambos tenham familiares no mundo da costura, foi através das diferentes pesquisas pela internet, nomeadamente através de vídeos, que os dois jovens começaram a pôr a mão na massa e a fazer as primeiras experiências. “(…) Eu só fiz desporto na minha vida. Nunca me dediquei muito a nada de especial. Tenho algum gosto pela arte e pelo design, mas background em termos de têxtil não tenho nenhum”, confidenciou o jovem de 24 anos. Por exemplo, “recordo-me que a reação dos meus pais não foi grande coisa. Disse que ia começar um projeto e eles desconfiaram como todos os pais ao início…”, completou Cláudio com uma gargalhada.

Após várias tentativas, no ano de 2023 nascia, oficialmente, a marca SQE Rugs [“Talvez Tapetes”]. “Sempre andamos a meio gás porque eu tinha outros trabalhos e tinha muito pouco tempo a despender. A partir de março do ano passado demos um refresh à nossa linguagem visual (na maneira como nos apresentamos) e decidimos dar um bocadinho mais e foi aí que se calhar tivemos um boom em termos de seguidores e encomendas. Até tínhamos um outro colega - o Zé -, mas ele, entretanto foi para o Catar trabalhar como hospedeiro de bordo (…) e nós ficamos a segurar o barco”, partilhou Francisco. Relativamente ao significado da marca, os jovens explicaram que o “SQE” significa talvez e que é uma analogia para os mais novos. “Era uma palavra que nós usávamos muito enquanto grupo (…) O SQE Rugs é porque nós fazemos um pouco mais do que tapetes (…)”, confidenciaram.

Neste momento, o projeto está unicamente disponível através das redes sociais [no instagram e no tik tok] e, “em breve”, estará também num website próprio. “A maioria das pessoas nunca traz um design pronto e muito menos um tamanho definido [para o tapete] o que também acaba por ser mais decisivo para dar um orçamento em concreto (…) Normalmente, as pessoas enviam-nos mensagem [através do instagram] e nós pedimos a essa pessoa para fazer 50% do depósito antes de começarmos para salvaguardarmos que a pessoa vai ficar com o tapete”, realçou Francisco. De seguida, segue-se a distribuição do trabalho por ambos. “Normalmente, eu projeto para a tela o design e com uma caneta decalco, depois vou com a pistola específica [a pistola pneumática, mais conhecida como tufting gun] para fazer este tipo de trabalhos. Depois de fazer tudo o Cláudio mete cola para fixar o ponto à tela para ele não sair mais e tem de se cortar os detalhes, retirar-lhe o excesso, embalar, carimbar…”, enumerou.

Ainda que o processo pareça intuitivo [pelo menos, para os jovens], Francisco não negou que os tapetes “têm vários segredos” e que os mais demorados podem chegar a levar até cerca de semana e meia a ficarem concluídos. Sobre o preço, os jovens realçaram que um metro quadrado pode custar entre os “315 e os 350 euros” e que as peças que produzem são “únicas e exclusivas”. “Já rejeitamos até alguns pedidos porque as pessoas querem o tapete para pôr na porta de casa (…) Não é um tapete para limpar os pés, é para decorar…”, contou o jovem.

Apesar do projeto ainda não ser lucrativo o suficiente para conseguirem dedicar-se a tempo inteiro ao mesmo, os jovens reconheceram que o SQE Rugs tem vindo a crescer. “Nós antes produzíamos quatro tapetes em mês e meio. Hoje em dia produzimos quatro tapetes numa semana. Efetivamente, agora é mais do que um hobbie (…)”, partilhou. “Acho que as pessoas nos olham com bons olhos. Tenho tido sempre feedbacks positivos (…) Gosto que as pessoas olhem para os nossos tapetes como arte (…)”, confidenciou Francisco.

Sobre o futuro do projeto, os jovens gostavam de ter a oportunidade de entrar no “mundo das artes e das galerias” para exporem as suas peças. “Nós temos a consciência que a maioria dos negócios falham e demoram muito tempo a singrar. Nós nunca começamos a fazer isto por causa do dinheiro, mas sim porque queríamos ter alguma coisa que fazer durante os tempos livres… Não há muito a fazer e em Aveiro ainda há menos. Estamos aqui bem e tranquilos a fazer uma coisa que gostamos e se algum dia correr bem, perfeito, se não correr bem aprendemos bastante e está a ser super enriquecedor”, reconheceu Francisco.

Entretanto, os jovens estão agora numa fase de criação e desenvolvimento de uma arte mais pessoal e vão começar, brevemente, a deslocar-se também a hotéis e a restaurantes “que queiram ter uma peça grande para decorar o seu espaço”. “Estamos a tentar todas as possibilidades”, garantiram os jovens.

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