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03 fev 2026
Aveiro: Autarquia ativa dispositivo para acompanhar a situação climatérica e encerra estradas
O Município de Aveiro ativou um “dispositivo de segurança e prevenção permanente” para acompanhar a evolução da situação climatérica dos próximos dias. Por uma questão de segurança, algumas estradas já foram encerradas. A informação foi avançada ontem, 2 de fevereiro, através de uma nota de imprensa.
De acordo com o
comunicado, o “dispositivo de segurança e prevenção permanente” será composto
pelos serviços de “Proteção Civil, Polícia Municipal e Serviços Urbanos” e
contará com o apoio dos bombeiros e demais autoridades. A autarquia recomenda
ainda à população para que “evite circular junto aos canais e rios, bem como em
zonas inundadas”, face à previsão de chuva e ventos fortes. Alerta ainda para a
“máxima atenção” para o risco de queda de árvores e estruturas. Segundo a nota,
por segurança, algumas estradas já foram encerradas durante a 00h00 desta
terça-feira, 3 de fevereiro, nomeadamente, a Rua do Sal e Avenida Dr. David
Cristo.
02 fev 2026
Equipas da UA garantem fase final nacional em basquetebol feminino, andebol masculino e feminino
Na segunda Jornada Concentrada dos Campeonatos Nacionais Universitários, os estudantes da Universidade de Aveiro (UA) garantiram a passagem à fase final nas modalidades de basquetebol feminino, andebol masculino e feminino. Na sequência dos jogos disputados entre 26 e 29 de janeiro, em Aveiro, os treinadores de todas as equipas ambicionam ser campeões ou, pelo menos, fazer “mais e melhor” do que no último ano.
Com a qualificação para a fase final, a equipa de basquetebol feminino da UA dá um passo rumo ao heptacampeonato universitário na modalidade. De acordo com o treinador João Balseiro, o balanço desta segunda jornada concentrada é “positivo” e o foco agora passa pela revalidação do título nacional. O responsável aponta que o histórico recente da equipa universitária de Aveiro traz um “acréscimo de responsabilidade” para as atletas, mas salienta que, como já estão habituadas a estar nestes palcos, “torna-se mais fácil”. Não obstante, João Balseiro não deixa de ser cauteloso: “Não podemos pensar nesse objetivo se não abordarmos cada jogo como uma final”. No andebol masculino, o treinador Fernando Leite também deu nota de uma boa jornada, que começou com um embate difícil contra os estudantes da Universidade de Coimbra (UC). Depois de estar a perder por cinco golos, o técnico explica que alterou o sistema defensivo e a equipa acabou a ganhar por apenas um golo. Após vencer também os estudantes da Universidade da Beira Interior (UBI), a equipa da UA garantiu a passagem à próxima fase. Fernando Leite acredita que “se conseguir juntar todos os atletas que fazem parte da UA e que têm qualidade para participar na fase final”, o título é uma possibilidade. Recordando que os aveirenses já estiveram em duas finais sucessivas, mas sempre saíram vencidos, o técnico afirma que, desta vez, a equipa pode ser mesmo candidata ao título. José Rodrigues, técnico do andebol feminino, conta que a sua equipa chegou a esta jornada com uma “missão ingrata” e “sem margem de erro”. Para chegar à fase final, a equipa teria de vencer a UBI e a UC, antevendo que o confronto com as atletas da Universidade do Minho (UM) ainda não estivesse ao alcance das aveirenses. Se, contra a equipa da UBI, a partida foi mais acessível, contra as atletas da UC o jogo foi decidido “no último segundo”, com a vitória a sorrir à turma liderada por José Fernandes. Com estes resultados, beneficiando de um alargamento de equipas que acedem à fase final da competição, a equipa da UA carimbou o passaporte para Viseu e volta a tentar lutar pelas medalhas. O técnico recorda que, no último ano, a fase final foi “gratificante” e que a UA acabou em terceiro lugar. Agora, José Fernandes afirma que pode haver duas ou três jogadoras que ainda “podem aparecer” na fase final e, se o grupo estiver completo, o objetivo é fazer “mais e melhor”. José Fernandes deu ainda uma nota de apreço pela organização da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), que rapidamente conseguiu arranjar uma alternativa ao Aristides Hall. O pavilhão, segundo explica, esteve indisponível devido à humidade, pelo que a competição teve de passar para o Centro Desportivo de São Bernardo.
02 fev 2026
Aveiro: AM aprova GOP e Orçamento, mas oposição aponta “muita continuidade e muito pouca inovação”
A Assembleia Municipal de Aveiro (AMA) aprovou na passada sexta-feira, dia 30, as Grandes Opções do Plano (GOP) e o Orçamento para 2026. Com o voto contra do Livre, os votos a favor do PSD e CDS e a abstenção do PS, IL e Chega, o documento recebeu muitas críticas dos opositores por estar demasiado “refém” da ação da anterior governação da Câmara Municipal.
A última sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Aveiro decorreu com apenas um ponto na Ordem de Trabalhos: “<a href="https://radioria.pt/noticias/Cidade/orcamento-de-aveiro-para-2026-atinge-200-milhoes-e-avanca-com-abstencao-do-chega-e-do-ps">Apreciação e votação das Grandes Opções do Plano</a>, Orçamento, Mapa de Pessoal e Mapa Anual Global Consolidado de Recrutamentos Autorizados 2026”. Na apresentação dos documentos, Luís Souto de Miranda, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, destacou a aposta no setor cultural, que, afirma, corresponde a “10%” do Orçamento, e na habitação, para onde diz estar previsto “30 vezes mais” do que no último ano. O autarca destaca, no campo da educação, a intenção de fazer avançar a EB 23 São Bernardo, que “está já a caminho do Tribunal de Contas”, as obras de ampliação do Conservatório de Música de Aveiro e a Escola Homem Cristo, bem como a aposta nas obras na Alumieira, em Leirinhas, em Sarrazola, em Esgueira e em Oliveirinha. Já na área da saúde, Luís Souto referiu-se à conclusão do Centro de Saúde de Nossa Senhora de Fátima, à reabilitação de outras unidades de saúde e à criação do programa “Aveiro em Movimento”, que junta também desporto e educação. O único partido representado na Assembleia que acabou por votar contra os documentos apresentados foi o Livre, que esteve presente pela primeira vez numa sessão do órgão. Recorde-se que Bruno Fonseca, deputado único do partido, ainda <a href="https://radioria.pt/noticias/aveiro/livre-aveiro-lamenta-recusa-de-posse-por-videochamada-a-deputado-municipal">não tinha tomado posse</a> por estar “em comissão de serviço oficial no estrangeiro”. Na sua intervenção, o representante do Livre falou de um “orçamento de fantasia” e considerou que o documento “desmente” o que constava do programa eleitoral da ‘Aliança com Aveiro’. Depois da promessa de um maior investimento na habitação, Bruno Fonseca afirma que a habitação representa “apenas 3% do esforço financeiro garantido”. “66% desse valor [11,5 milhões de euros, a verba prevista para o programa “Habitação Mais”] tem financiamento não definido, ou seja, está dependente de fundos externos”, aponta. Outra “grande falha” referida pelo deputado prende-se com a “emergência climática”. Segundo defende, “um orçamento que destina 1% à proteção do ambiente e que investe 40 vezes mais na construção de novas estradas do que na limpeza das nossas florestas não é verde, é cinzento”. Como Bruno Fonseca, também Diogo Gomes, da Iniciativa Liberal, critica que apenas sejam destinados “61 mil euros para resolver as alterações climáticas”. O mesmo deputado parabenizou a autarquia pela criação da “Aveiro Investe”, embora tenha pedido uma maior concretização sobre o que será a iniciativa. Da mesma forma, questionou o executivo municipal sobre a dimensão pensada para a nova piscina municipal, alertou para a necessidade de mais estacionamento em Esgueira, defendeu a implementação de políticas de redução de resíduos na autarquia, - e não “lutar pela redução dos valores da Taxa de Redução de Resíduos e das tarifas pagas da ERSUC”, como dizem os documentos – e perguntou se, conforme escrevem os documentos, a Câmara quer “valorizar o Rossio” ou “consertar a porcaria que lá está”. Mais tarde, no momento dedicado às respostas aos deputados, Luís Souto não se adiantou relativamente às dimensões da futura piscina municipal, mas disse que a CMA está a trabalhar “num modelo que pode ser surpreendente”. Apesar de não estar referido, o autarca concordou com as palavras do liberal e disse que o estacionamento em Esgueira está a ser tido em conta. Sobre a obra do Rossio, Luís Souto defendeu o trabalho dos anteriores executivos e disse que o largo está “esplêndido”, embora “precise de melhorias”. Cláudia Rocha, também da Iniciativa Liberal, criticou as Grandes Opções do Plano por estarem “sobredimensionadas” para aquele que é o Orçamento apresentado. Na sua ótica, as opções dos últimos executivos municipais têm levado a que “o Município esteja a acumular dívida escondida para o futuro”. O líder da bancada parlamentar do Chega, Armando Grave, também fala de “orçamentos gigantes” para uma “execução anémica”. Para o deputado, falta definir “prioridades claras” para a autarquia e o orçamento está excessivamente assente naquilo que foi herdado do passado. No que concerne a questões concretas, Armando Grave mencionou o projeto de expansão do Hospital de Aveiro, de que não se conhecem novidades. Rosa Aparício, do Partido Socialista, recorda que em 2024 foi lançado o concurso para o Hospital, mas que, desde aí, nos últimos Orçamentos de Estado não houve qualquer referência a investimento. Por “acreditar” que este executivo tem “algum peso junto do Governo”, a deputada questionou Luís Souto se já teve a oportunidade de interrogar o executivo liderado por Luís Montenegro sobre possíveis avanços neste processo. Recorde-se que, no lançamento da candidatura do presidente da Câmara, o primeiro-ministro disse esperar que, quando Luís Souto tomasse posse, o Hospital “já estivesse mesmo em fase de obra”. Como em relação ao Eixo Aveiro-Águeda, Luís Souto disse que o Hospital devia ser um tema para “unir” os aveirenses, independentemente da cor política. Nesse tema, o autarca sublinha que não cabe à CMA avançar com as obras e lembra que os últimos executivos disponibilizaram terrenos para que os “sucessivos Governos” pudessem avançar – algo que nunca aconteceu. Segundo explica, a Câmara Municipal está a fazer o que pode, que é manter conversas com as várias entidades para ter novidades sobre a “novela”, e diz que é a “litigância que está a atrasar” o processo. Ainda do lado dos socialistas, Fernando Nogueira deixou críticas à autarquia por não ter tido em conta os contributos do PS e também considerou que as GOP e o Orçamento para 2026 estão “carregadas de esqueletos” e que “quase não há propostas novas”. Nas suas palavras, os documentos são “reféns da iniciativa de quem os antecedeu” e transparecem “muita continuidade” e “pouca inovação”. Sobre a habitação – área que também mereceu muitas críticas de Catarina Feio, deputada do PS -, Fernando Nogueira criticou a intenção da Câmara Municipal de avançar com um estudo depois de já ter sido elaborada a Estratégia Local de Habitação. “Das duas, uma: ou a estratégia aprovada é má e mesmo assim o executivo diz que vai segui-la, ou a estratégia é boa e os estudos não prestam”, critica. Relativamente aos contributos dados para a construção dos documentos, Luís Souto desmentiu o deputado e garantiu que ideias dos socialistas foram consideradas, embora algumas tenham ficado de fora. A título de exemplo, o autarca aponta que a CMA não tenciona dar “500 euros a cada bebé” nascido em Aveiro porque, apesar de ser uma medida popular, “não resolve nada”. Na habitação, Rui Santos, vice-presidente da Câmara Municipal com o pelouro da Habitação, defendeu que há várias ideias plasmadas nas GOP e orçamento para a área: recuperar casas devolutas, criar uma bolsa de terrenos prontos a construir em todo o concelho ou envolver os privados com políticas que promovam que os seus ativos regressem ao mercado. Neste domínio, o vereador apontou o dedo ao PS por não ter apresentado propostas para a habitação e recusou subarrendar casas no mercado para dar resposta às listas de espera e aos pedidos de habitação social. Recorde-se que esta última era uma proposta defendida pela candidatura de Alberto Souto <a href="https://radioria.pt/noticias/aveiro/habitacao-ps-propoe-subarrendamento-be-critica-modelo-e-aponta-responsabilidades-a-luis-souto">nas últimas eleições autárquicas</a>. Os deputados do PSD e do CDS, que fizeram com que o Orçamento fosse aprovado, salientaram alguns dos que consideraram ser os méritos da documentação. Entre os destaques, está a prioridade dada à educação e o regresso da Feira de Artesanato da Região de Aveiro (FARAV), enaltecida pela centrista Ana Maria Oliveira, o estreitar de relações com a Universidade de Aveiro, referido pela deputada do CDS Carlota Braga, ou o estímulo ao investimento privado em residências universitárias, conforme apontou Leonardo Maio, deputado do PSD. Os sociais-democratas não deixaram, no entanto, de ter uma postura crítica sobre os documentos. Joaquim Marques, líder da bancada parlamentar do PSD, afirma que os documentos “padecem de algumas maleitas”, nomeadamente pela “dependência de projetos herdados” – o deputado nota mesmo que “podia haver mais iniciativas” – e pela “limitada explicitação de métricas de desempenho”. Cristina Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia de São Jacinto, alertou ainda para a importância de intervir nos transportes públicos, com especial atenção para os transportes marítimos, dada a natureza da freguesia a que preside. Na mesma senda, a autarca frisou que há terrenos em São Jacinto que “podiam ser usados para habitação a custos controlados”. Chamado a responder, Luís Souto disse acompanhar as preocupações da colega relativamente aos transportes, embora tenha salientado o investimento que já tem foi feito com o ferry ‘Salicórnia’. Finda a discussão, PS, IL e Chega abstiveram-se na votação e PSD e CDS votaram a favor. Bruno Fonseca foi o único a votar contra.
02 fev 2026
Luís Souto deverá avançar para a liderança da secção local do PSD-Aveiro
Segundo várias fontes ouvidas pela Ria, o atual deputado à Assembleia da República e presidente da secção local do PSD-Aveiro, Firmino Ferreira, deverá recuar na candidatura à liderança da estrutura local do partido, apesar de a ter anunciado publicamente no passado dia 23 de dezembro. A decisão surge num contexto de crescente tensão interna e abre caminho a uma solução de unidade liderada por Luís Souto de Miranda, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, com o objetivo de evitar uma nova divisão no seio do partido.
Recorde-se de
que <a href="https://radioria.pt/noticias/aveiro/firmino-ferreira-anuncia-candidatura-a-presidente-da-comissao-politica-do-psd-aveiro">no dia em que Firmino Ferreira anunciou a sua candidatura</a>, a Ria avançou também
que Nelson Santos, atual presidente da Junta de Freguesia de Cacia, se
encontrava no terreno a recolher apoios para uma eventual candidatura à
liderança da secção local.
Nas semanas seguintes, ambos intensificaram contactos junto de militantes e
começaram a desenhar-se listas concorrentes. Do lado de
Firmino Ferreira, apontavam-se como apoios relevantes Óscar Ratola, presidente
da Junta de Freguesia de Santa Joana, e Leonardo Maio, atual presidente da
JSD-Aveiro. Já do lado de Nelson Santos, ganhava particular relevância o apoio
de Catarina Barreto, presidente da Junta de Freguesia de Aradas, que até então
era considerada uma das principais aliadas de Firmino Ferreira no contexto
local do partido. Este cenário de
divisão iminente fez soar os alarmes na distrital de Aveiro do PSD. Segundo
fontes do partido, várias figuras com responsabilidades distritais promoveram
contactos informais nos últimos dias, alertando para os riscos de uma disputa
interna num período ainda marcado pelo desgaste do recente processo autárquico. Nesse contexto,
vários dirigentes terão apelado a Luís Souto para a
importância de assumir a liderança da secção local como forma de desbloquear o
impasse e evitar uma fratura exposta entre os presidentes de Junta de Freguesia
do partido. Para além de
figuras relevantes da distrital do partido, também Rui Santos, vice-presidente
da Câmara Municipal de Aveiro, terá sublinhado junto de Luís Souto a
necessidade de uma candidatura agregadora capaz de preservar a coesão interna
do PSD-Aveiro. Nos bastidores do partido já é dado como garantido que Rui
Santos pretende tratar da sua transferência de militante do concelho de Vagos
para Aveiro, assumindo gradualmente uma posição de destaque na estrutura local
do partido. De acordo com as
mesmas fontes, Luís Souto deverá mesmo avançar para a liderança da secção local
do PSD-Aveiro, sendo o anúncio esperado para os próximos dias. Nos bastidores
do partido fala-se numa lista de consenso, na qual Firmino Ferreira e Nelson
Santos deverão participar em lugares de destaque, sendo provável que Catarina
Barreto mantenha o seu lugar como presidente da Mesa da Assembleia de Secção. Apesar de alguns
militantes, ouvidos pela Ria, reconhecerem que esta poderá ser a melhor solução
no imediato para o partido, outros manifestam reservas quanto à estabilidade
interna do PSD-Aveiro nos próximos anos. No entendimento destes militantes, com
a aproximação de novos ciclos eleitorais, nomeadamente legislativas e
autárquicas, poderão reabrir-se disputas internas e novas movimentações
políticas no momento de preparação das listas. Estas reservas são
reforçadas pelo facto de Nelson Santos e Catarina Barreto se encontrarem no
último mandato enquanto presidentes de Junta de Freguesia, mantendo, por isso,
ambições políticas para o futuro. Entre estes autarcas do PSD no concelho de
Aveiro existe a perceção de que o peso político que têm vindo a assumir - e o
contributo eleitoral que representam - deve ser reconhecido pelo partido nos
próximos processos de decisão interna. Nesse sentido,
recordam recentes indicações do PSD para cargos relevantes, como a nomeação de
José Ribau Esteves para a presidência da Comissão de Coordenação e
Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) ou a integração de Rogério Carlos no
Conselho de Administração do Porto de Aveiro. Os autarcas esperam agora um
tratamento semelhante, sublinhando que sempre estiveram ao lado do partido e
defendendo que esse percurso deve ser tido em conta nas decisões futuras. As eleições na
secção local do PSD-Aveiro estão marcadas para dia 28 de fevereiro e a Ria
continuará a acompanhar todos os desenvolvimentos. A Ria tentou ainda
contactar esta segunda-feira, 2 de fevereiro, Firmino Ferreira, Nelson Santos e Luís Souto de Miranda, mas até ao
momento não obteve resposta.
02 fev 2026
Polimedicação em idosos pode aumentar “risco de iatrogenia”, revela estudo da UA
Um estudo conduzido por Maria Teresa Herdeiro, investigadora do Departamento de Ciências Médicas e do Instituto de Biomedicina da Universidade de Aveiro (UA), revelou que o facto da população mais idosa ser frequentemente sujeita a múltiplas intervenções médicas e a um elevado consumo de medicamentos, pode “aumentar o risco de iatrogenia e comprometer a autonomia”.
Numa nota enviada
às redações, a UA começa por recordar que o envelhecimento da população é “uma
das principais tendências demográficas em Portugal, resultado da diminuição da
natalidade e do aumento da esperança média de vida”, trazendo novos desafios no
sistema de saúde, nomeadamente, na população mais idosa. “Portugal
apresenta o segundo índice de envelhecimento mais elevado da União Europeia, e
muitos idosos têm condições de saúde complexas, estão sujeitos à polimedicação
e a múltiplos tratamentos, o que aumenta o risco de doença iatrogénica [danos
causados por cuidados de saúde ou pela medicação]”, aponta a responsável”,
recorda Maria Teresa Herdeiro. Segundo a também
coordenadora do projeto STOP-IATRO na UA, as recomendações da Organização
Mundial de Saúde (OMS) e outras orientações internacionais “não estão ainda a
ser totalmente implementadas de forma eficaz pelos profissionais de saúde”. “O
ideal seria que estas recomendações fossem integradas nas guidelines do Serviço
Nacional de Saúde e nos protocolos institucionais, permitindo a sua aplicação
na prática clínica”, sublinha, defendendo ainda a importância da formação
contínua e do envolvimento de equipas multidisciplinares. De acordo com a
investigadora, muitos destes eventos iatrogénicos são “conhecidos, estudados e
podem ser evitados”. “Os profissionais de saúde de uma forma global estão
despertos para a iatrogenia, nomeadamente medicamentosa, contudo, apontam a
necessidade de instrumentos de avaliação do risco e do estado funcional dos
idosos”, alerta a coordenadora do estudo”, refere. Na nota, a
Universidade de Aveiro refere ainda que numa fase inicial participaram “64 profissionais
de saúde”, tendo a maioria dos inquiridos “mais de dez anos de experiência
profissional”. “Os resultados
revelam lacunas ao nível do conhecimento das orientações internacionais. Cerca
de 81 por cento dos profissionais desconhecem as recomendações da OMS para
prevenir, retardar ou reverter o declínio das capacidades físicas e mentais dos
idosos. Além disso, 84 por cento não conhecem recomendações publicadas para
prevenir a perda de autonomia funcional durante o internamento hospitalar de
pessoas idosas, e 82 por cento não utilizam escalas para avaliar o estado
funcional dos doentes”, refere. Questionados
ainda sobre o impacto da iatrogenia na perda de capacidade funcional dos idosos,
uma “parte significativa dos participantes” considerou que a situação afeta uma
“percentagem relevante dos doentes”. “Cerca de 34 por cento acredita que entre
11 e 25 por cento dos idosos sofre este tipo de declínio não explicável apenas
pela sua condição clínica, enquanto 24 por cento dos participantes aponta
valores entre 26 e 50 por cento”, continua. Já sobre a iatrogenia
medicamentosa, “47 por cento dos profissionais considera que entre 11 e 30 por
cento dos eventos iatrogénicos graves estão associados ao uso de alguns
medicamentos, e 24 por cento acredita que estes representam entre 41 e 60 por
cento dos eventos adversos”. “Uma parte
significativa dos inquiridos reconhece ainda que muitos destes casos poderiam
ser evitados: 41 por cento dos participantes considera que entre 41 e 60 por
cento dos eventos relacionados com medicamentos são preveníveis, e 28 por cento
estima que a mesma percentagem destes efeitos adversos pode implicar
internamento hospitalar”, completa. Na nota, a UA
destaca ainda que, apesar das lacunas identificadas, houve um dado positivo: “92
por cento dos profissionais mostraram-se disponíveis para participar em
ações-piloto de boas práticas na prevenção e gestão da iatrogenia medicamentosa”.
O trabalho
inseriu-se no projeto STOP-IATRO, financiado pelo Interreg Sudoe e desenvolvido
em parceria com instituições de Portugal, Espanha e França, com o objetivo de
prevenir a iatrogenia na população idosa. Com base nestes resultados, a UA
refere ainda que já foram “realizadas ações de formação utilizando a
metodologia de workshops dirigidas a profissionais de saúde da Unidade Local de
Saúde da Região de Aveiro, envolvendo cerca de 80 participantes de diferentes
áreas clínicas”. Ao longo deste
ano, estão ainda previstas ações de sensibilização dirigidas à população em
geral, “com foco na promoção da literacia em saúde e no envelhecimento saudável”.
A investigação teve como objetivo avaliar o conhecimento dos profissionais de saúde sobre a iatrogenia e a sua prevenção, “permitindo identificar necessidades e apoiar o desenvolvimento de estratégias inovadoras para melhorar os cuidados prestados às pessoas mais velhas”.
02 fev 2026
Mau tempo: Sever do Vouga vigia caudal do Vouga para evitar cheias de 2019
O município de Sever do Vouga está a monitorizar o caudal do rio Vouga perante a possibilidade de inundações devido a descargas na barragem de Ribeiradio, para evitar as cheias de 2019, disse hoje o presidente da Câmara.
“A barragem [de Ribeiradio] tem ainda bastante superfície para receber água e o nível do rio não está alto. Portanto, esperamos que nada aconteça”, disse à Lusa Pedro Lobo. O autarca referiu ainda que o município tem estado em contacto com a entidade gestora da barragem de Ribeiradio "para que haja um controlo nas descargas que consiga evitar o que se passou em 2019", quando ocorreu a maior cheia de sempre em Sever do Vouga, com a água a inundar casas e terrenos agrícolas. Segundo o presidente da Câmara, o principal problema do concelho é a pluviosidade, porque choveu muito, esperando-se ainda “dois dias de forte precipitação”. “O concelho tem acima de tudo bastantes derrocadas, muros caídos, estradas danificadas e passeios muito estragados”, referiu. Ao nível de habitações, Pedro Lobo disse que também há danos, nomeadamente em coberturas, mas não há situação de pessoas desalojadas. O Governo alargou no domingo a situação de calamidade a mais nove concelhos e prolongou a sua vigência até 08 de fevereiro, na sequência dos danos causados pela tempestade Kristin e do risco extremo de cheias nos próximos dias. Além dos 60 concelhos já abrangidos, passam a estar em situação de calamidade os municípios de Águeda, Albergaria-a-Velha, Alcácer do Sal, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Ovar e Sever do Vouga.