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10 jan 2026
AAUAv aprova RAC preliminar com resultado líquido positivo de cerca de 72 mil euros
A Assembleia Geral de Alunos (AGA) da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) aprovou na passada quinta-feira, dia 8, sem votos contra, o Relatório de Atividades e Contas (RAC) preliminar de 2025. O documento prevê um resultado líquido positivo de “71.989,29” euros e, com este valor, o capital social da associação passa a ser de “180.419,95” euros negativos.
No exercício do mandato anterior, a AAUAv conseguiu
contrariar a tendência de endividamento da associação e, de acordo com o RAC
preliminar, conseguiu um resultado líquido positivo no valor de “71.989,29”.
Daquilo que diz respeito ao trabalho da direção, o saldo chega mesmo aos
“131.363,38” euros, mas o resultado das atividades dos vários núcleos, que se
estabelece nos “59.374,09” euros negativos, acaba por fazer com que o valor não
seja tão elevado. O investimento na
Rádio Ria, que este ano representou uma quebra de “27.944,51” euros nos cofres
da AAUAv, também pesou nestes valores. No entanto, depois de em 2024 ter
representado um resultado líquido positivo de “24.793,67” euros, Pedro Rocha,
tesoureiro da AAUAv, sublinha que os números são também eles “muito positivos”,
tendo em conta que se tratam dos dois primeiros anos do projeto. Os resultados não chegam, no entanto, para que o capital
social da AAUAv deixe de ser negativo. Neste momento, conta-se que a dívida a
fornecedores esteja estabelecida nos “504.130,77” euros e que o passivo da
associação ronde os 640.324,21” euros. Por outro lado, o ativo da AAUAv é de
“459.904,26” euros. Feitas as contas, os estudantes têm neste momento
“180.419,95” euros negativos de fundos próprios. Na nota introdutória dada ao apresentar os documentos, Joana
Regadas, presidente da direção AAUAv, lembra que começou o mandato com
“ambição”, mas que foi desde logo afetada por “alguns percalços associados”. As
dificuldades obrigaram a uma “reformulação” dentro dos serviços logo no
primeiro mês de mandato, de forma a “garantir a estabilidade financeira a longo
prazo”. Em conversa com a Ria, a dirigente explica que foram estas
mudanças que permitiram um resultado mais positivo no Relatório de Contas,
embora assegure que a estratégia não pode ser replicada. Segundo explica, o
caminho de “cortar gorduras” não pode ir mais além, pelo que será difícil ter
resultados tão positivos nos próximos anos.
A partir de agora, deve haver a preocupação de não inverter
o sentido daquilo que já tem sido feito e o caminho deve passar pela atração de
novas fontes de financiamento. Embora, de acordo com a dirigente, não tenha
havido espaço para este trabalho ao longo do mandato, a nova direção tem agora
outra folga para o começar a fazer, até porque tem um conhecimento mais
aprofundado do tecido empresarial e institucional da região. Se é verdade que, no ano passado, o Relatório de Atividades
e Contas preliminar apresentava resultados muito diferentes daqueles que depois
se vieram a conhecer no documento definitivo – o relatório preliminar,
apresentado em janeiro, dava nota de um saldo negativo de cerca de 80 mil
euros; em março, o RAC dava nota de um saldo negativo superior a 250 mil euros
-. Joana Regadas descarta que isso possa vir a acontecer de novo. Conforme
sustenta, o documento agora apresentado é “muito mais pormenorizado” e, portanto,
os valores devem aproximar-se mais da realidade. No momento da discussão não foram levantadas quaisquer
questões pelos estudantes presentes na sala. Dos 34 votos, apenas três pessoas
se abstiveram e as restantes votaram a favor do documento. Uma vez que o RAC preliminar foi à Assembleia Geral de
Alunos sem conhecer o parecer do Conselho Fiscal e de Jurisdição (CFJ), a
decisão está condicionada. Caso o parecer seja positivo, o documento é dado
como aprovado, ao contrário do que acontece se o parecer for negativo. A Assembleia Geral serviu também para que fossem votados e
aprovados os Relatórios de Atividades e Contas das Secções Autónomas da AAUAv:
o Nexus e o Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro (GrETUA). Por
seu lado, o Nexus garantiu um saldo líquido positivo de “7.600,83” euros. Já o
GrETUA tem um balanço positivo de “24.410,89” euros, que se junta aos
“1.908,84” euros que transitaram do RAC de 2024. Assim sendo, o grupo terminou
o ano com “26.319,73” euros na conta. Os documentos de ambos os organismos
foram aprovados por unanimidade. Foram aprovados ainda os Relatórios de Atividades e Contas e
os Planos de Atividades e Orçamentos do Núcleo de Xadrez (NX), do Núcleo da
Bicicleta (NBicla) e da Tuna da Universidade de Aveiro (TUA). Os três
organismos apresentaram um saldo que esteve perto de ser nulo e todos os
documentos foram aprovados por unanimidade sem questões dos estudantes.
09 jan 2026
PS mostra “preocupação” com buscas à CMA e acusa Luís Souto de “falta de lealdade com os aveirenses”
Em comunicado enviado à Ria, os vereadores eleitos pelo Partido Socialista para a Câmara Municipal de Aveiro (CMA) manifestaram “preocupação” relativamente às buscas que a Polícia Judiciária (PJ) realizou hoje, dia 9, na autarquia. Em reação à resposta dada por Luís Souto, presidente da CMA, à comunicação social, os socialistas responsabilizam o autarca pelo seu papel no processo do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso e acusam-no de “falta de lealdade com os aveirenses”.
Depois de, em conversa com a Ria,
o presidente da Câmara Municipal ter <a href="https://radioria.pt/noticias/aveiro/buscas-luis-souto-nao-assume-relacao-com-cais-do-paraiso-e-garante-tranquilidade-e-boa-disposicao">afastado</a> as responsabilidades sobre o que
motivou as <a href="https://radioria.pt/noticias/Cidade/pj-faz-buscas-na-camara-de-aveiro-por-suspeitas-de-prevaricacao-e-violacao-de-regras-urbanisticas">buscas</a> desta manhã na autarquia, o PS vem agora apontar o dedo ao
autarca. Recorde-se que, esta tarde, Luís Souto não revelou qual o motivo da
investigação, afirmando que estava sob “segredo de justiça”, mas garantiu que o
processo não tem nada a ver com a nossa [do atual executivo] atuação”. Apesar de não ter sido confirmado
nem pela Câmara Municipal de Aveiro nem pela PJ, a <a href="https://radioria.pt/noticias/aveiro/buscas-da-pj-na-camara-de-aveiro-relacionadas-com-o-plano-de-pormenor-do-cais-do-paraiso">Ria</a> apurou que as buscas
estarão relacionadas com o processo do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso. No
comunicado divulgado pela Polícia Judiciária, é referido apenas que “estão em
causa decisões e procedimentos adotados em alterações de instrumentos de
ordenamento do território" e que a investigação incide sobre a "eventual
prática de crimes de prevaricação e violação de regras urbanísticas". O PS considera que, caso as
buscas estejam relacionadas com a aprovação do Plano de Pormenor, então Luís
Souto tem “tudo a ver com elas”, uma vez que era presidente da Assembleia
Municipal aquando da sua aprovação. Por outro lado, se tiverem relação com a <a href="https://radioria.pt/noticias/aveiro/cais-do-paraiso-ps-e-chega-aprovam-revogacao-e-decisao-vai-a-assembleia-municipal-esta-quinta-feira">revogação</a>
do documento – aprovada em reunião de Câmara por proposta do PS e posteriormente
<a href="https://radioria.pt/noticias/aveiro/cais-do-paraiso-deputados-acusaram-se-de-nao-pensar-pela-sua-cabeca-e-levaram-posicoes-ate-ao-fim">chumbada</a> na Assembleia -, então, dizem os socialistas, Luís Souto continua a
ser responsável, uma vez que já era presidente da autarquia. “Foi alertado pelo PS para o
facto de este Plano de Pormenor pretender, sobretudo, legitimar a viabilização
de um projeto privado de hotelaria, desproporcionado face à escala da cidade e
incompatível com o carácter urbano, paisagístico e ambiental da frente lagunar.
Não se trata de um plano de requalificação urbana, mas de uma operação de
licenciamento travestida de plano, concebida para legitimar um investimento
privado, ignorando a envolvente, as dinâmicas urbanas e a capacidade de carga
da zona”, escrevem os vereadores do PS na nota enviada aos jornalistas. Os responsáveis recordam que Luís
Souto foi “alertado pelo PS” acerca deste plano e recordam os argumentos
utilizados para o rebater, nomeadamente: a não realização de uma Avaliação Ambiental
Estratégica apesar de o Ministério Público ter referido a sua necessidade; a
existência de processos judiciais em curso que envolvem o documento; e os “pareceres
condicionados e reservas institucionais” de várias entidades. Os socialistas notam ainda que
Luís Souto “está aqui há 2 meses e 8 anos com responsabilidades políticas” e
que, por isso, “todo o processo de aprovação e de não revogação do Plano de
Pormenor do Cais do Paraíso aconteceu sob a sua batuta”. Por ter atirado as
responsabilidades do para “processos do passado”, o PS afirma que Luís Souto “mostrou
que não quer ser responsável pela continuidade da qual se diz herdeiro”. “A
falta de solidariedade, neste momento, com o seu antecessor talvez não
surpreenda. A falta de lealdade com os aveirenses revelada na defesa do Plano
de Pormenor do Cais do Paraíso é que já surpreende mais”, apontam. Recorde-se que o Plano de
Pormenor do Cais do Paraíso tem sido um dos processos urbanísticos mais
controversos no concelho de Aveiro nos últimos meses, tendo gerado forte
contestação pública, política e cívica. Em causa está a proposta de
requalificação daquela zona da cidade, junto ao Canal Central, que prevê a
possibilidade de construção de um hotel até 12 andares, bem como alterações
significativas ao uso do solo e à frente lagunar. O plano tem sido alvo de
críticas quanto ao impacto ambiental, à compatibilidade com instrumentos
superiores de ordenamento do território e à ausência de Avaliação Ambiental
Estratégica. A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal de Aveiro, então
liderada por Ribau Esteves, permanecendo desde então no centro do debate público
local. Mais recentemente, já no novo
mandato autárquico de Luís Souto, o tema voltou à reunião de Câmara, com a
apresentação de uma proposta de revogação do Plano de Pormenor do Cais do
Paraíso pelos vereadores do Partido Socialista. A proposta contou com os votos
contra dos vereadores da coligação ‘Aliança com Aveiro’ (PSD/CDS) e com o voto
favorável do vereador do Chega. Como a coligação ‘Aliança com Aveiro’ não
dispõe de maioria no atual mandato, arevogaçãoacabou
por ser aprovada em reunião de Câmara, mas não passou no último e decisivo
teste - aAssembleia
Municipalde Aveiro - onde PSD e CDS detêm maioria.
09 jan 2026
São Gonçalinho: ex-estudantes da UA estreiam documentários sobre mordomos e mordomas no CETA
Pela primeira vez, as Festas de São Gonçalinho vão integrar na programação oficial dois documentários produzidos por ex-estudantes da Universidade de Aveiro (UA). As obras, realizadas por Luís Filipe Borges e Ana Rita Ricardo no âmbito do mestrado, serão exibidas este domingo, 11 de janeiro, pelas 15h00, no Círculo Experimental de Teatro de Aveiro (CETA). Cada documentário oferece um olhar distinto sobre a festa: um sobre a experiência de um mordomo e o outro sobre o papel das mordomas. A Ria foi conhecer os estudantes por trás dos filmes.
17h30. Estamos no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), na Universidade de Aveiro. É aqui que Luís Filipe Borges trabalha há pelo menos um ano. Está responsável pela comunicação da atividade do CESAM. Para a conversa, subimos até ao quarto andar, onde o também ex-estudante da UA nos convida a entrar no seu gabinete. Uma sala branca, onde se destacam os “guiões” que deve seguir para ir de encontro à escrita pretendida, mas também um quadro branco que, naquele momento, se encontrava repleto de apontamentos a marcador azul. Pede que nos sentemos. Tiramos o bloco de notas, a caneta e pousamos o gravador na mesa. Luís senta-se à nossa direita, no seu local habitual de trabalho. Antes de começarmos a conversa, o ex-estudante abre o documentário no seu computador do trabalho que havia produzido sobre a festa de São Gonçalinho. Vai ‘picando’ aqui ou ali com o rato, enquanto reconhece alguns “defeitos”. Vemos imagens dos mordomos, do Bairro da Beira-Mar e até das cavacas. Entre as músicas que íamos escutando estavam o Barco de Aveiro, da Tuna Universitária de Aveiro (TUA), e a marcha de São Gonçalinho. “Mudava muita coisa. Eu não consigo vê-lo do início até ao fim. Primeiro porque é muito visceral e depois porque conta a minha história. Estás a ver a tua vida à tua frente, como ela passou, com tudo aquilo que concordaste ou discordaste”, confessa. Após cerca de dez minutos, iniciamos a conversa propriamente dita. Começamos por lhe perguntar de onde era, já que o documentário havia denunciado que não seria natural de Aveiro. Luís responde-nos que nasceu na Figueira da Foz e que veio para cá há 21 anos. Atualmente, com 41 anos, faz “contas simples” e brinca ao dizer que já está na cidade dos canais “há mais tempo do que esteve na terra onde nasceu”. “No entanto, algo que eu digo neste documentário é que (…) aquilo que nos torna de um lugar tem muito mais a ver com o sentimento, não por laços sanguíneos, mas por aquilo que sentimos e fazemos, do que puramente o facto de nascer”, exprime. Sobre o seu percurso na UA, vai repetindo, vez após vez, que foi um estudante com um “percurso errante”, uma expressão que admite até gostar. Inicialmente, entrou no curso de Engenharia de Materiais, mas mais tarde acabaria por desistir, ao aperceber-se de que esta não era a sua área. Pelo meio, haveria ainda de integrar a TUA, uma ligação que mantém há cerca de 20 anos. “Eu tenho duas doutrinas na minha vida: uma vez tuno, para sempre tuno, e uma vez mordomo, para sempre mordomo”, comenta entre risos. Luís admite mesmo que a tuna foi a “ponte” para São Gonçalinho. “[As festas] são algo surreal, porque acontecem em janeiro. Nelas acontece tudo aquilo que é descrito neste documentário… Desde os licores, aos abraços, aos amassos, às cavacas, às cabeças partidas”, aponta. “Quem não olha não leva com a cavaca, não é? E quem não é verdadeiramente devoto vai levar com a cavaca em cima”, assegura com uma gargalhada. Mais tarde, na UA, acabaria por entrar no curso então designado Novas Tecnologias da Comunicação (NTC), no Departamento de Comunicação e Arte (DeCA). Primeiro frequentou a licenciatura e, posteriormente, o mestrado. Foi durante esse percurso académico que, explica, a vontade de trabalhar no audiovisual começou a “crescer”, sempre aliada a um gosto pelo “natural”. Ao longo de sete a oito anos, começou a captar momentos das festas de São Gonçalinho- inicialmente através da fotografia e, mais tarde, em vídeo- sem imaginar que esse material viria a integrar o documentário que acabaria por produzir. “Começou pelas fotos, depois por um bocado de vídeo, para depois, de repente, surgir a ideia da vida de uma cavaca, que é uma curta-metragem sobre essa metáfora da vida: ‘a vida é dura tal como uma cavaca’”, conta. Na altura, gravava sem saber também que viria a ser convidado para integrar a mordomia. O convite surgiu pela mão do amigo Artur, na passagem de ano de 2018 para 2019. “Estava completamente fora. A grande diferença é tu gostares muito de uma festa, outra coisa é seres mordomo… Eu gosto da festa”, reage. Ainda assim, no dia seguinte acabou por aceitar e recebeu o ramo em 2020. Nesse mesmo ano, por ironia do destino, surgiu outro convite, desta vez no âmbito do mestrado, feito pelo professor Rui Raposo. “Sabendo que eu ia receber o ramo, manda-me para o ar, por mensagem, o que é que eu achava de um documentário”, recorda. Luís aceitou o desafio, embora reconheça que, devido à Covid-19, chegou a ponderar desistir do projeto. Acabaria, porém, mais tarde, por retomá-lo face à insistência do orientador. Assim nascia, oficialmente em 2023, o documentário “O nosso menino”: uma obra narrada pelo próprio, com 28 minutos, que conta a sua história na primeira pessoa. “O título vem daí, porque era um ano de mordomo a fazer um documentário sobre um ano de mordomo”, explica. “Quem me dera ter conseguido premeditar, há sete anos, que iria fazer isto teria sido completamente diferente”, acrescenta, enquanto observa, novamente, o trabalho final e sublinha, várias vezes, que a “qualidade de imagem” de hoje já não é a mesma. Sobre a duração, admite ainda que o filme deveria ter “27 minutos”, numa referência ao facto de São Gonçalinho ser também conhecido como “27”. Luís conta que o documentário passou por um crivo “muito grande”, sobretudo por ter vivido a festa enquanto mordomo, assistindo tanto ao seu lado positivo como negativo. “O bom não é o que se vê. São as ações, são os miúdos a brincarem, são as crianças que vivem aquilo, são os velhotes que vão para a capela, as pessoas a brindar e não as que vão tirar uma selfie porque vão mandar cavacas”, assinala, ressalvando que “todos os documentários vivem de texturas e de camadas”. No seguimento da conversa, volta a repetir que já não consegue ver o documentário do início ao fim, por ser demasiado crítico consigo próprio. Ainda assim, a verdade é que “O nosso menino” será exibido já este domingo, dia 11, integrado na programação das festas de São Gonçalinho, no Círculo Experimental de Teatro de Aveiro. Apesar de até agora o ter mostrado apenas em contexto “privado”, o ex-estudante da UA não tem dúvidas de que esta “era a altura certa para o mostrar”. “Tenho as costas largas e, de certeza, que ninguém vai mandar facas, nem nada disso”, brinca. Luís Borges não foi o único a optar por fazer um documentário sobre as Festas de São Gonçalinho no seu projeto final de mestrado, nem vai ser o único a ser exibido. O mesmo aconteceu com Ana Rita Ricardo que, curiosamente, era também da turma do estudante com quem havíamos conversado anteriormente, tendo partilhado também o orientador, o professor Rui Raposo. No entanto, havia uma diferença entre os dois: a Ana Rita optou por produzir um documentário sobre as mordomas. Mal nos apercebemos do sucedido, tentámos também marcar uma conversa com a mesma. Entre trocas de agendas, acabámos por nos encontrar apenas no primeiro dia das Festas de São Gonçalinho, num café perto da Universidade de Aveiro. Comentamos que o tempo não estava muito “famoso”, já que caía uma chuva miúda lá fora e o céu estava escuro e nublado. Num riso discreto, Rita não se mostra surpreendida e partilha que já aprendeu que, nas festas, chover é tradição. Durante a conversa, a ex-estudante da UA partilha que é natural de Oliveira de Azeméis e que veio para Aveiro para estudar, inicialmente, Design, no DeCA. Foi aí que começou a descobrir o gosto pelo vídeo, interesse que a levaria mais tarde ao Mestrado em Comunicação e Multimédia. “O meu projeto [final], já antecipo que, no fundo, é um brunch do dele, porque há uma lista de projetos que podemos escolher para fazer a dissertação e depois existe ali uma seriação; escolhemos por ordem de prioridade… E o projeto dele estava listado lá e eu nem sabia que era dele”, conta. Na altura, explica, foi o professor Rui Raposo quem lançou a ideia de um documentário sobre as mordomas. “A mim captou-me a atenção porque eu não sabia que havia mordomas e, logo por aí, achei giro. Eu vivia cá, estudava cá já há três ou quatro anos, mas nem sabia que havia mordomas e nunca vivi muito a festa. Ia lá um dia, via as pessoas a atirar cavacas, sabia que era giro e vinha-me embora”, exprime. Em 2021, Ana Rita Ricardo apresentava, então, o documentário “Ó meu rico São Gonçalinho”. Conta à Ria que o gravou, na íntegra, durante a Covid-19 e que o processo foi marcado por várias dificuldades. “Primeiro, por ser um documentário e por ter de fazer tudo sozinha. (…) Depois, porque eu não tinha assim tanto à vontade com câmaras e com pessoas”, partilha. Com a pandemia, a ex-estudante diz que optou por começar pelo enquadramento teórico, com a esperança de que a situação melhorasse. No entanto, nada mudou até à altura da festa. “Foi uma festa muito pouco festa… As ruas estavam vazias, havia muito pouca gente e a própria decoração da capela, que é uma das principais funções que as mordomas fazem, estava quase vazia… Elas estavam em casa”, recorda. Com as pessoas fechadas em casa, pelo menos até abril, Ana partilha que chegou ao contacto destas mulheres por telefone ou mesmo pelo bater de porta em porta. Acabou por falar com cerca de 20 mordomas, mas admite que, para o documentário, utilizou menos testemunhos. “Acabei por começar a gravar muito mais tarde por esta questão do confinamento adicional. Não se podia estar na rua… (…) Só que eu tinha um prazo… Houve pessoas que se calhar eram importantes terem aparecido e não apareceram”, reflete. Ainda assim, entre máscaras e luzes improvisadas, acabou por conseguir gravar algumas mordomas. Das que entrevistou, partilha que não consegue recordar um momento em concreto, já que todas falam “com paixão” sobre o santo. “Falam como se fosse uma pessoa que está ali ao lado delas…. ‘O nosso menino’, ‘É o São Gonçalinho’. As histórias de antigamente, para mim, também foram das coisas mais marcantes… Como a festa era muito mais pequena, como as pessoas entram na casa uma das outras, a forma como vivem isto como se fosse o Natal. É quase como se fosse um feriado nacional para elas”, compara com uma gargalhada. Passados cinco anos desde a apresentação, Rita confessa que viu o documentário completo apenas “uma ou duas vezes”. O que mudava? A ex-estudante aponta imediatamente para a duração. “Acho que tem 57 minutos e, originalmente, o plano era ser mais curto. Logo por aí, se calhar, se fosse hoje, fazia mais curto. Mas, ao mesmo tempo, não me arrependo porque, quando estava a fazer os cortes, havia tanta coisa que eu achava… ‘Eu não posso cortar isto, porque a história está tão conectada, do início ao fim, é como se fossem fases’”, conta. Em relação à exibição do documentário, no CETA, este domingo, Ana Rita partilha que este era um dos “objetivos” desde que aceitou o desafio. “Isto foi feito num período em que a festa estava candidata a Património Cultural Imaterial. A ideia é que isto também pudesse integrar a candidatura e poder levar a concursos e trazer mais visibilidade à festa, às mordomas e, obviamente, à cultura da Beira-Mar”, reflete destacando que, desde então, foi tentando estabelecer alguns contactos. “Fiquei muito contente agora que isto se esteja a realizar porque acho que é complicado. Existem vários envolvidos… a mordomia, tentei falar com o museu, etc. É um processo difícil conseguirem arranjar locais, tempo, tudo junto, para fazer uma mostra. (…) É um alívio, de certa forma, porque eu carrego este trabalho comigo”, sublinha. A poucos dias de o poder mostrar, a ex-estudante mostra-se expectante quanto à reação das mordomas, algo que confessa ter sido sempre uma preocupação, até pela idade avançada de algumas delas. “Uma coisa que eu achei sempre muito triste foi deixar passar tanto tempo e não lhes mostrar algo para o qual se disponibilizaram. Espero que ainda estejam cá todas”, deseja. “Estou com muita antecipação para viver a sala e curiosidade sobre como vai ser e, principalmente, com muita ansiedade para saber se as pessoas vão gostar, porque há sempre um medo… Será que as representei bem? Acho que isso é a parte que me preocupa até mais”, remata. Rui Raposo, docente no DeCA, foi a ponte de ligação de ambos os ex-estudantes a São Gonçalinho. Este domingo, vai também marcar presença no Círculo Experimental de Teatro de Aveiro, participando numa tertúlia após as exibições dos documentários. Conseguimos chegar até ele através de uma chamada telefónica. Enquanto orientador de ambos, explica à Ria que um dos aspetos que mais recorda são as diferentes envolvências de cada um com o tema. “O Luís, que já foi mordomo, obviamente tem uma vivência e uma experiência do São Gonçalinho completamente distinta da Rita. No caso da Rita, apoiou-se muito mais na parte feminina, que são as mordomas. Muita gente fala dos mordomos porque são a face mais visível, mas há também muito trabalho feito pelas mordomas para que a festa se realize. (…) Como conheço algumas mordomas, pensei: porque é que não vemos também falar sobre a parte delas? Porque é que não devemos ter alguém a retratar aquilo que elas fazem?”, lembra. Apesar de não ser aveirense de gema, Rui partilha que já se considera como tal, uma vez que vive na cidade “há cerca de 30 anos”. Na altura, veio para Aveiro para estudar. Sobre a exibição pública dos documentários, o docente destaca, sobretudo, a proximidade. “Penso que é um passo fundamental, até porque vamos ter um cenário completamente diferente daquele que seria exibir estes documentários apenas online, em que cada um os veria em sua casa… É quase um espírito de comunidade. Com certeza vai ser interessante, porque vamos ter pessoas a fazer comentários em tempo real sobre o que estão a ver, algumas situações em que as próprias pessoas que assistem ao documentário estiveram lá e fazem parte dele sem saber. Acho que essa reação vai ser muito interessante. É fundamental esta questão da proximidade”, salienta. “As festas de São Gonçalinho já são parte integrante de Aveiro e é incontornável pensar que, se calhar, até muita gente que faz parte da cidade tem alguma ansiedade para que passem as festas da passagem de ano, porque já sabem que é o São Gonçalinho. Já sabem que as festas em Aveiro, nesta época natalícia, não ficam ali pelo dia 1 de janeiro… Continuam quase até ao meio do mês”, conclui Rui Raposo.
09 jan 2026
ULS da Região de Aveiro afirma que Urgência do Hospital de Aveiro é das mais sobrecarregadas do país
De acordo a agência Lusa, a Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Aveiro, o serviço de urgência do Hospital de Aveiro tem sido o segundo, a nível nacional, com maior sobrecarga nos últimos 10 dias. A informação foi hoje, dia 9, revelada hoje o conselho de administração da ULS da Região de Aveiro.
Em nota enviada à Lusa, o conselho de administração da
Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro adiantou ter tomado “medidas
preventivas” face ao “pico” da Urgência no Hospital de Aveiro. Aquele órgão reconhece que, “de acordo com os dados
fornecidos pela Direção-Geral da Saúde, o Serviço de Urgência da Unidade Local
de Saúde da Região de Aveiro, nos últimos 10 dias, e de forma consistente, tem
sido o segundo Serviço de Urgência com maior sobrecarga, a nível nacional”. “Antes, porém, desta sobrecarga começar a ser evidente, já o
Conselho de Administração tinha adotado medidas preventivas, tendo ativado,
desde o dia 10 de dezembro, o nível 3 do seu Plano de Contingência de Saúde
Sazonal – Módulo Inverno”, salienta. Esse nível do plano, conforme esclarece, contempla a
suspensão da atividade cirúrgica programada e adicional, à exceção de casos
urgentes, muito prioritários e oncológicos. A decisão foi tomada “de forma a permitir o reforço da
capacidade de internamento, com a disponibilização de mais vagas para resposta
aos doentes do Serviço de Urgência”. “Foram, ainda, tomadas medidas adicionais como a abertura de
uma enfermaria de contingência, no Hospital de Águeda, e a contratualização com
entidades externas de 30 camas extra”. O conselho de administração garante que foi feito o reforço
da equipa de enfermagem e dos técnicos auxiliares de saúde do Serviço de
Urgência, durante as 24 horas, alocando enfermeiros da área cirúrgica, cuja
atividade programada foi suspensa, e foi igualmente reforçada a equipa médica
do Serviço de Urgência no período noturno. “Por sermos um dos Serviços de Urgência mais sobrecarregados
a nível nacional, o conselho de administração reconhece a pressão a que os
profissionais têm estado sujeitos nos últimos tempos e agradece a sua dedicação
e profissionalismo, que permitem responder adequadamente aos doentes que
procuram a Urgência”, lê-se na nota. A Secção Regional Centro da Ordem dos Enfermeiros emitiu
hoje um comunicado alertando que o Serviço de Urgência do Hospital de Aveiro
está com uma ocupação superior à capacidade instalada. “A ocupação registada foi muito superior à capacidade
instalada, verificando-se claros défices de enfermeiros e de técnicos
auxiliares de saúde para as necessidades de vigilância clínica”, descreve, após
visita ao local. Segundo a Ordem dos Enfermeiros, “a visita confirmou um
cenário de elevada pressão assistencial, com sobrelotação persistente e tempos
de permanência excessivos para os doentes que aguardam vaga de internamento”.
09 jan 2026
Ordem dos enfermeiros alerta para sobreocupação da urgência de Aveiro
A Secção Regional Centro da Ordem dos Enfermeiros alertou hoje que o Serviço de Urgência do Hospital de Aveiro está com uma ocupação superior à capacidade instalada.
O aviso consta de um comunicado hoje emitido por aquela estrutura profissional, após visitar quinta-feira a unidade hospitalar de Aveiro, na sequência de queixas de profissionais sobre as atuais condições de funcionamento. “A ocupação registada foi muito superior à capacidade instalada, verificando-se claros défices de enfermeiros e de técnicos auxiliares de saúde para as necessidades de vigilância clínica”, descreve. Segundo a Ordem dos Enfermeiros, “a visita confirmou um cenário de elevada pressão assistencial, com sobrelotação persistente e tempos de permanência excessivos para os doentes que aguardam vaga de internamento”. “A equipa apresenta sinais de desgaste e potencial "burnout", exigindo-se medidas sérias e protetoras do bem-estar dos colaboradores, para viabilizar uma prática profissional segura no hospital”, diz a Ordem dos Enfermeiros. De acordo com orelato, “foram identificadas limitações na resposta noturna de algumas especialidades e dificuldades na referenciação clínica, que fragilizam o trabalho em equipa e agravam os riscos assistenciais”. A estrutura regional sublinha que “as responsabilidades pelas soluções estruturais cabem à direção do serviço à direção clínica e ao conselho de administração da Unidade Local de Saúde”. No comunicado, a Ordem dos Enfermeiros enaltece “o profissionalismo e a resiliência dos enfermeiros e auxiliares”. A Agência Lusa solicitou ao conselho de administração da Unidade local de Saúde da Região de Aveiro o esclarecimento da situação, aguardando pela posição daquela entidade.
09 jan 2026
Buscas: Luís Souto não assume relação com Cais do Paraíso e garante “tranquilidade e boa disposição”
Após as buscas realizadas esta manhã, dia 9, pela Polícia Judiciária (PJ) na Câmara Municipal de Aveiro (CMA), Luís Souto, presidente da autarquia, deu nota de que o processo decorreu num clima de “tranquilidade e boa disposição”. À conversa com a Ria durante as comemorações das festas de São Gonçalinho, o autarca não confirmou a relação do processo com o Plano de Pormenor do Cais do Paraíso e apontou que a investigação está sob “segredo de justiça”.
Foi durante uma reunião sobre a prática de surf na freguesia
de São Jacinto que, de acordo com Luís Souto, começaram as <a href="https://radioria.pt/noticias/Cidade/pj-faz-buscas-na-camara-de-aveiro-por-suspeitas-de-prevaricacao-e-violacao-de-regras-urbanisticas">buscas</a> da Polícia
Judiciária na Câmara Municipal "por suspeitas de prevaricação e violação de regras urbanísticas". Nas suas palavras, os investigadores “quiseram recolher
pastas de processos do passado”. “Não faria sentido de outra maneira, só
estamos há dois meses”, acrescenta. Questionado se o processo em causa estava relacionado com o
Plano de Pormenor do <a href="https://radioria.pt/noticias/aveiro/buscas-da-pj-na-camara-de-aveiro-relacionadas-com-o-plano-de-pormenor-do-cais-do-paraiso">Cais do Paraíso</a>, Luís Souto preferiu não adiantar pormenores:
“Isso é que eu já não posso [dizer], porque me foi transmitido que este
processo está em segredo de justiça. A única coisa [que posso dizer] é que não
tem nada a ver com a nossa atuação”. Quanto ao decorrer das buscas, o presidente assegurou que
foi tudo “muito natural” e que esteve “tudo bem disposto, tranquilo e a
colaborar”, uma vez que “ninguém estava ali em causa”. O autarca nota apenas o "inusitado da situação”, mas diz que o processo foi encarado “sem stress”. Conforme já tinha sido adiantado pelo gabinete de imprensa
da Câmara Municipal de Aveiro, Luís Souto afirma que em breve será emitido um
comunicado pela autarquia. Também José <a href="https://radioria.pt/noticias/aveiro/ribau-esteves-tranquilo-com-buscas-na-cma-relacionadas-com-o-plano-de-pormenor-do-cais-do-paraiso">Ribau Esteves</a>, ex-presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), já reagiu à realização de buscas na autarquia. Em conversa com a Ria, o antigo autarca disse estar “absolutamente tranquilo com a dimensão jurídica e política de tudo o que fez”. Recorde-se que o Plano de Pormenor do Cais do Paraíso tem
sido um dos processos urbanísticos mais controversos no concelho de Aveiro nos
últimos meses, tendo gerado forte contestação pública, política e cívica. Em
causa está a proposta de requalificação daquela zona da cidade, junto ao Canal
Central, que prevê a possibilidade de construção de um hotel até 12 andares,
bem como alterações significativas ao uso do solo e à frente lagunar. O plano
tem sido alvo de críticas quanto ao impacto ambiental, à compatibilidade com
instrumentos superiores de ordenamento do território e à ausência de Avaliação
Ambiental Estratégica. A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal de Aveiro,
então liderada por Ribau Esteves, permanecendo desde então no centro do debate
público local. Mais recentemente, já no novo mandato autárquico de Luís
Souto, o tema voltou à reunião de Câmara, com a apresentação de uma proposta de
revogação do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso pelos vereadores do Partido
Socialista. A proposta contou com os votos contra dos vereadores da coligação
‘Aliança com Aveiro’ (PSD/CDS) e com o voto favorável do vereador do Chega.
Como a coligação ‘Aliança com Aveiro’ não dispõe de maioria no atual mandato, a
<a href="https://radioria.pt/noticias/aveiro/cais-do-paraiso-ps-e-chega-aprovam-revogacao-e-decisao-vai-a-assembleia-municipal-esta-quinta-feira">revogação</a> acabou por ser aprovada em reunião de Câmara, mas não passou no
último e decisivo teste - a <a href="https://radioria.pt/noticias/aveiro/cais-do-paraiso-deputados-acusaram-se-de-nao-pensar-pela-sua-cabeca-e-levaram-posicoes-ate-ao-fim">Assembleia Municipal</a> de Aveiro - onde PSD e CDS
detêm maioria.