Últimas
02 fev 2026
Polimedicação em idosos pode aumentar “risco de iatrogenia”, revela estudo da UA
Um estudo conduzido por Maria Teresa Herdeiro, investigadora do Departamento de Ciências Médicas e do Instituto de Biomedicina da Universidade de Aveiro (UA), revelou que o facto da população mais idosa ser frequentemente sujeita a múltiplas intervenções médicas e a um elevado consumo de medicamentos, pode “aumentar o risco de iatrogenia e comprometer a autonomia”.
Numa nota enviada
às redações, a UA começa por recordar que o envelhecimento da população é “uma
das principais tendências demográficas em Portugal, resultado da diminuição da
natalidade e do aumento da esperança média de vida”, trazendo novos desafios no
sistema de saúde, nomeadamente, na população mais idosa. “Portugal
apresenta o segundo índice de envelhecimento mais elevado da União Europeia, e
muitos idosos têm condições de saúde complexas, estão sujeitos à polimedicação
e a múltiplos tratamentos, o que aumenta o risco de doença iatrogénica [danos
causados por cuidados de saúde ou pela medicação]”, aponta a responsável”,
recorda Maria Teresa Herdeiro. Segundo a também
coordenadora do projeto STOP-IATRO na UA, as recomendações da Organização
Mundial de Saúde (OMS) e outras orientações internacionais “não estão ainda a
ser totalmente implementadas de forma eficaz pelos profissionais de saúde”. “O
ideal seria que estas recomendações fossem integradas nas guidelines do Serviço
Nacional de Saúde e nos protocolos institucionais, permitindo a sua aplicação
na prática clínica”, sublinha, defendendo ainda a importância da formação
contínua e do envolvimento de equipas multidisciplinares. De acordo com a
investigadora, muitos destes eventos iatrogénicos são “conhecidos, estudados e
podem ser evitados”. “Os profissionais de saúde de uma forma global estão
despertos para a iatrogenia, nomeadamente medicamentosa, contudo, apontam a
necessidade de instrumentos de avaliação do risco e do estado funcional dos
idosos”, alerta a coordenadora do estudo”, refere. Na nota, a
Universidade de Aveiro refere ainda que numa fase inicial participaram “64 profissionais
de saúde”, tendo a maioria dos inquiridos “mais de dez anos de experiência
profissional”. “Os resultados
revelam lacunas ao nível do conhecimento das orientações internacionais. Cerca
de 81 por cento dos profissionais desconhecem as recomendações da OMS para
prevenir, retardar ou reverter o declínio das capacidades físicas e mentais dos
idosos. Além disso, 84 por cento não conhecem recomendações publicadas para
prevenir a perda de autonomia funcional durante o internamento hospitalar de
pessoas idosas, e 82 por cento não utilizam escalas para avaliar o estado
funcional dos doentes”, refere. Questionados
ainda sobre o impacto da iatrogenia na perda de capacidade funcional dos idosos,
uma “parte significativa dos participantes” considerou que a situação afeta uma
“percentagem relevante dos doentes”. “Cerca de 34 por cento acredita que entre
11 e 25 por cento dos idosos sofre este tipo de declínio não explicável apenas
pela sua condição clínica, enquanto 24 por cento dos participantes aponta
valores entre 26 e 50 por cento”, continua. Já sobre a iatrogenia
medicamentosa, “47 por cento dos profissionais considera que entre 11 e 30 por
cento dos eventos iatrogénicos graves estão associados ao uso de alguns
medicamentos, e 24 por cento acredita que estes representam entre 41 e 60 por
cento dos eventos adversos”. “Uma parte
significativa dos inquiridos reconhece ainda que muitos destes casos poderiam
ser evitados: 41 por cento dos participantes considera que entre 41 e 60 por
cento dos eventos relacionados com medicamentos são preveníveis, e 28 por cento
estima que a mesma percentagem destes efeitos adversos pode implicar
internamento hospitalar”, completa. Na nota, a UA
destaca ainda que, apesar das lacunas identificadas, houve um dado positivo: “92
por cento dos profissionais mostraram-se disponíveis para participar em
ações-piloto de boas práticas na prevenção e gestão da iatrogenia medicamentosa”.
O trabalho
inseriu-se no projeto STOP-IATRO, financiado pelo Interreg Sudoe e desenvolvido
em parceria com instituições de Portugal, Espanha e França, com o objetivo de
prevenir a iatrogenia na população idosa. Com base nestes resultados, a UA
refere ainda que já foram “realizadas ações de formação utilizando a
metodologia de workshops dirigidas a profissionais de saúde da Unidade Local de
Saúde da Região de Aveiro, envolvendo cerca de 80 participantes de diferentes
áreas clínicas”. Ao longo deste
ano, estão ainda previstas ações de sensibilização dirigidas à população em
geral, “com foco na promoção da literacia em saúde e no envelhecimento saudável”.
A investigação teve como objetivo avaliar o conhecimento dos profissionais de saúde sobre a iatrogenia e a sua prevenção, “permitindo identificar necessidades e apoiar o desenvolvimento de estratégias inovadoras para melhorar os cuidados prestados às pessoas mais velhas”.
02 fev 2026
Mau tempo: Sever do Vouga vigia caudal do Vouga para evitar cheias de 2019
O município de Sever do Vouga está a monitorizar o caudal do rio Vouga perante a possibilidade de inundações devido a descargas na barragem de Ribeiradio, para evitar as cheias de 2019, disse hoje o presidente da Câmara.
“A barragem [de Ribeiradio] tem ainda bastante superfície para receber água e o nível do rio não está alto. Portanto, esperamos que nada aconteça”, disse à Lusa Pedro Lobo. O autarca referiu ainda que o município tem estado em contacto com a entidade gestora da barragem de Ribeiradio "para que haja um controlo nas descargas que consiga evitar o que se passou em 2019", quando ocorreu a maior cheia de sempre em Sever do Vouga, com a água a inundar casas e terrenos agrícolas. Segundo o presidente da Câmara, o principal problema do concelho é a pluviosidade, porque choveu muito, esperando-se ainda “dois dias de forte precipitação”. “O concelho tem acima de tudo bastantes derrocadas, muros caídos, estradas danificadas e passeios muito estragados”, referiu. Ao nível de habitações, Pedro Lobo disse que também há danos, nomeadamente em coberturas, mas não há situação de pessoas desalojadas. O Governo alargou no domingo a situação de calamidade a mais nove concelhos e prolongou a sua vigência até 08 de fevereiro, na sequência dos danos causados pela tempestade Kristin e do risco extremo de cheias nos próximos dias. Além dos 60 concelhos já abrangidos, passam a estar em situação de calamidade os municípios de Águeda, Albergaria-a-Velha, Alcácer do Sal, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Ovar e Sever do Vouga.
02 fev 2026
Autarcas do Município de Aveiro perdem lugar no Conselho Diretivo da ANAFRE
Os autarcas do Município de Aveiro deixaram de estar representados no Conselho Diretivo da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), na sequência das eleições realizadas no XX Congresso Nacional, que decorreu entre 30 de janeiro e 1 de fevereiro, em Portimão. Ainda assim, Catarina Barreto, presidente da Junta de Freguesia de Aradas, continuará a integrar o Conselho Geral e Carolina Santos, presidente da Junta de Freguesia de Oliveirinha, foi eleita como suplente da Mesa do Congresso desta associação.
O distrito de Aveiro será agora representado por André Vivas, presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria de Lamas, no concelho de Santa Maria da Feira. A escolha sucede ao mandato de Ângela Almeida, que integrou o Conselho Diretivo da ANAFRE nos últimos quatro anos, depois de ter sido membro do Conselho Geral entre 2013 e 2021, enquanto presidente da Junta de Freguesia de Esgueira. Segundo fontes próximas do processo, Catarina Barreto, atual presidente da Junta de Freguesia de Aradas, realizou vários contactos nos dias que antecederam o congresso com o objetivo de ocupar a vaga até então preenchida por Ângela Almeida. Apesar dessas diligências, a opção do distrito recaiu sobre André Vivas, um jovem autarca que venceu recentemente as eleições em Santa Maria de Lamas com 77,33% dos votos, garantindo oito mandatos em nove na Assembleia de Freguesia. A saída dos autarcas do Município de Aveiro do Conselho Diretivo da ANAFRE surge pouco depois de um cenário semelhante se ter verificado no Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), realizado em dezembro do último ano, onde o concelho de Aveiro também deixou de estar representado no Conselho Diretivo, com a saída de José Ribau Esteves. Nesse caso, o desfecho era considerado previsível, atendendo a que Luís Souto se encontra no primeiro mandato enquanto presidente da Câmara Municipal de Aveiro. Tal como agora na ANAFRE, também na ANMP a escolha do distrito recaiu num autarca de Santa Maria da Feira, concretamente em Amadeu Albergaria, atual presidente da Câmara Municipal. Este duplo resultado reforça a leitura, feita nos meios políticos locais, de que Santa Maria da Feira assume atualmente um papel central no contexto autárquico e político do PSD no distrito de Aveiro, algo que vários autarcas associam ao facto de o presidente da distrital de Aveiro do PSD ser o ex-presidente da Câmara da Feira e atual secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. Apesar de não integrar o Conselho Diretivo, Catarina Barreto continuará a desempenhar funções no Conselho Geral da ANAFRE, órgão para o qual foi novamente eleita. Destaca-se ainda a eleição de Carolina Santos, presidente da Junta de Freguesia de Oliveirinha, como suplente da Mesa do Congresso. A encerrar um ciclo de doze anos na ANAFRE, Ângela Almeida, ex-presidente da Junta de Freguesia de Esgueira, recorreu às redes sociais para sublinhar o significado do seu percurso, escrevendo que encerra “um ciclo de doze anos de trabalho, dedicação e empenho em prol das Freguesias de Portugal”, levando consigo “o conhecimento do Portugal profundo, com todas as suas assimetrias, as pessoas e as amizades especiais”. A ex-autarca de Esgueira considerou ainda ter sido “uma honra representar o concelho e o distrito de Aveiro na Associação Nacional de Freguesias”, desejando sucesso aos novos órgãos eleitos e, em particular, a André Vivas, a quem cabe agora “a nobre missão de representar Aveiro no Conselho Diretivo”. No mesmo congresso, Catarina Barreto viu ser aprovada por aclamação, num universo de cerca de 1300 delegados, a moção que apresentou, defendendo uma Administração Pública mais eficiente, previsível e próxima das populações. A autarca de Aradas sublinhou o papel das freguesias enquanto nível de governação mais próximo dos cidadãos e propôs medidas como a revisão do Estatuto do Eleito Local, a dignificação do mandato, o reforço da proteção social e jurídica dos eleitos, programas de formação contínua, simplificação administrativa e um maior reforço institucional e cooperação multinível. Para Catarina Barreto, a aprovação desta moção responde à necessidade de garantir “mais condições humanas, materiais e jurídicas” às juntas de freguesia, permitindo fortalecer o poder local com “regras claras, processos simples e meios ajustados” e, assim, atrair cidadãos qualificados e reforçar a credibilidade das instituições locais.
02 fev 2026
Aulas Abertas de Música gratuitas regressam à Universidade de Aveiro este mês
As ‘Aulas Abertas de Música’ gratuitas, que se dirigem, preferencialmente, a candidatos ao ensino superior nesta área, estão de regresso à Universidade de Aveiro. A iniciativa do Departamento de Comunicação e Arte (DeCA) decorrerá ao longo dos fins de semana de fevereiro e março.
Segundo uma nota
enviada às redações, os participantes terão a oportunidade de escolher entre um
conjunto de instrumentos como, por exemplo, violino, piano, clarinete, eufónio,
tuba, acordeão, flauta, bandolim, entre outros. Além destes, as aulas abertas abrangerão
também outras áreas como “composição e Direção e Teoria e Formação Musical
(DTFM)”. “O corpo docente
do DeCA, composto por músicos e professores altamente qualificados, guiará os
participantes em experiências práticas e informativas. Cada aula será uma
oportunidade única de interação com profissionais experientes, permitindo que
os alunos compreendam melhor as nuances de cada instrumento e área de estudo”,
explica a nota. A primeira aula decorrerá já no dia 14 de fevereiro,
seguindo-se nos dias 21, 22 e 28 de fevereiro e no dia 14 de março. As inscrições são ainda obrigatórias e limitadas “até à
quinta-feira anterior a cada aula”, <a href="https://forms.ua.pt/index.php?r=survey/index&sid=755463&newtest=Y&lang=pt&fbclid=IwZXh0bgNhZW0CMTAAYnJpZBExNlJZVENZeFRscDlqQlB1dHNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR5pdvFiBu3J4bWBIKkbQOZChmshdMeyDT-rjKIgmdGCi5qni6RL6BdZrEk-tw_aem_4qGDa6aORdA5u4chNen16g">aqui</a>.
02 fev 2026
Aveiro sob aviso laranja devido à agitação marítima
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou os distritos de Aveiro, Viana do Castelo, Porto, Coimbra, Braga, Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro sob aviso laranja entre as 12:00 de hoje e as 00:00 de terça-feira devido à agitação marítima, prevendo-se ondas de noroeste com cinco a seis metros, podendo atingir 11 metros de altura máxima, passando depois a amarelo.
Além destes distritos, também Viana do Castelo, Braga,
Porto, Castelo Branco, Guarda, Viseu e Vila Real vão estar sob aviso laranja
entre as 09:00 de hoje e as 18:00 de terça-feira por causa da queda de neve
acima de 800/1000 m, com acumulação que poderá ser superior a 15 centímetros
acima de 1000/1200 metros. Os distritos de Leiria, Lisboa e Setúbal estão sob aviso
amarelo até às 15:00 de hoje devido à previsão de vento forte com rajadas até
75 quilómetros por hora, sendo até 95 nas serras. O IPMA emitiu também aviso laranja para a costa norte da
ilha da Madeira e o Porto entre as 15:00 de hoje e as 03:00 de terça-feira
devido à agitação marítima, prevendo-se ondas de noroeste com 05 a 06 metros,
podendo atingir 10 metros de altura máxima, passando depois a amarelo até às
00:00 de quarta-feira. Também a costa sul da ilha da Madeira está sob aviso amarelo
por causa do estado do mar entre as 15:00 de hoje e as 03:00 de terça-feira,
prevendo-se ondas de oeste com 04 a 05 metros. O aviso laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe
"situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo quando há
uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação
meteorológica.
02 fev 2026
Universidade do Porto mostra que idosos com solidão utilizam mais recursos de saúde
Um estudo da Universidade do Porto que inquiriu mais de 300 idosos no Baixo Alentejo concluiu que os mais velhos com um nível mais elevado de solidão são quem utiliza com mais frequência os recursos de saúde.
“Quanto maior o nível de solidão, maior é a utilização de recursos de saúde”, é a conclusão resultante de um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). Esta investigação, revelou hoje à agência Lusa a FMUP, em comunicado, identifica “um maior número de consultas, mais episódios de ida às urgências e um consumo mais elevado de medicamentos entre idosos que apresentam solidão severa”. O estudo, intitulado “A solidão como determinante da utilização dos serviços de saúde em idosos” e publicado na revista European Geriatric Medicine, envolveu a realização de um inquérito a mais de 300 pessoas idosas residentes no Baixo Alentejo (correspondente ao distrito de Beja). Trata-se de “uma região predominantemente rural, envelhecida e socialmente vulnerável”, explicou a FMUP, referindo que os resultados mostram que "mais de metade dos participantes referiram solidão leve e cerca de 15% apresentaram níveis de solidão severa". “A solidão severa associou-se a uma média de quase sete medicamentos por dia, cerca de seis consultas anuais nos cuidados de saúde primários e duas visitas ao serviço de urgência, números substancialmente superiores aos observados nos participantes sem solidão”, adiantou Paulo Santos, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e um dos autores do estudo. A solidão, pode ler-se, “surge como um determinante clínico que aumenta a procura de cuidados médicos, não por agravamento da doença, mas frequentemente como forma de substituir a ausência de relações sociais, com potenciais impactos humanos e económicos relevantes”. Segundo os investigadores, “a falta de identificação da solidão como qualquer outro fator de risco contribui para a medicalização do sofrimento social e para respostas de saúde menos ajustadas às necessidades reais das pessoas idosas”. Por isso, são necessárias “mudanças estruturais na forma como a solidão é reconhecida e tratada” e é preciso reforçar o "investimento em transportes, espaços públicos, programas comunitários e estratégias de envelhecimento ativo". “A solidão é prevenível, identificável e dispõe de tratamento adequado”, lembram os autores do trabalho, que contou com a colaboração das médicas e investigadores Ângela Mira e Cristina Galvão, da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), que abrange 13 dos 14 concelhos do distrito de Beja. Integrar o rastreio sistemático da solidão nos cuidados de saúde e implementar modelos de prescrição social, como atividades comunitárias, programas intergeracionais ou grupos de vizinhança, são duas das medidas que os investigadores apontam no estudo como "uma resposta eficaz e alinhada com a evidência internacional". “A solidão afeta negativamente a saúde dos idosos e acarreta uma maior pressão sobre o sistema de saúde. A solução não pode passar pela prescrição de mais comprimidos, mas sim por reforçar este sentido de comunidade”, defendeu Paulo Santos.