JSD-Aveiro: Leonardo Maio reage a crise interna, rejeita “inércia” e acusa oposição de “amadorismo”
Em comunicado enviado à Ria, Leonardo Maio, presidente demissionário da JSD-Aveiro, rejeitou as acusações de “inércia” feitas por Marta Lopes, sua vice-presidente e atual candidata à presidência da estrutura, e garantiu que o processo que conduziu à convocação de novas eleições foi conduzido dentro da normalidade e sem a “tentativa de impedir candidaturas”.
Gonçalo Pina
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A demissão do presidente Leonardo Maio fez estalar o verniz na Comissão Política concelhia da Juventude Social Democrata (JSD) de Aveiro. Conforme noticiou a Ria na passada sexta-feira, dia 25, a saída do dirigente levou à convocação de eleições – recorde-se que, para isso, de acordo com o ponto 1 do artigo 79º dos Estatutos Nacionais da estrutura, “perdem o mandato os órgãos relativamente aos quais se verifique a exoneração [que é decidida através de uma moção de censura em Assembleia Geral] […], a perda do mandato da maioria dos seus titulares em efetividade de funções […] ou do presidente e dos vice-presidentes, no caso dos órgãos executivos” – sem que, de acordo com uma das vice-presidentes, Marta Lopes, tivesse sido dado nota internamente de quem se tinha demitido.
A demissão do presidente levou a que a estrutura se partisse ao meio, com duas candidaturas no horizonte das atuais vice-presidentes: Marta Lopes, que já assumiu formalmente e intenção de se candidatar, e de Ana Miguel Monteiro, que ainda não respondeu às tentativas de contacto da Ria.
Com estas acusações em cima da mesa e tendo sido colocada em causa a regularidade da convocação de eleições, Leonardo Maio decidiu quebrar o silêncio e, em comunicado enviado à Ria durante o passado fim-de-semana, prestar esclarecimentos sobre o processo.
Segundo explica, a Comissão Política era, até aqui, composta por 13 elementos, ao passo que, na Mesa da Assembleia, havia três eleitos. No total, 11 membros da Comissão Política e dois membros da Mesa pediram a demissão, o que constitui a maioria exigida – como tinha sido garantido à Ria pela atual presidente da Mesa. Neste sentido, perante a acusação de que tentou esconder a sua demissão de forma a impedir a mobilização de uma lista de oposição, Leonardo Maio garante que “não houve qualquer tentativa de impedir candidaturas”.
“Houve exatamente o contrário. Criámos as condições para que qualquer militante que queira liderar a JSD Aveiro possa apresentar-se a eleições, escolher a sua própria equipa e assumir plenamente a responsabilidade pelos seus resultados […] Custa compreender a insinuação de que este processo foi pensado para impedir uma candidatura alternativa. Se esse fosse o objetivo, convocar eleições seria uma forma particularmente estranha de o alcançar”, replica.
Sobre a forma como o assunto foi trazido para a praça pública, Leonardo Maio acusa Marta Lopes de “amadorismo”, questionando: “Como é possível considerar uma boa ideia fazer uma denúncia a um jornal local? Se, de facto, tivéssemos praticado alguma ilegalidade, não deveriam ser a estrutura e o partido os primeiros a ter conhecimento da situação?”.
O presidente demissionário abordou também a denúncia feita à Ria de um membro da JSD-Aveiro, afirmando que “toda a gente na JSD-Aveiro sabe quem é esta fonte interna. É alguém que nunca apareceu para trabalhar e que surge essencialmente em períodos eleitorais, para fazer recados e deixar algumas frases soltas”.
Leonardo Maio recusa “inércia” durante o mandato: “Se a candidata for capaz de identificar dez concelhias da JSD que tenham desenvolvido mais atividade que a JSD-Aveiro, que as enumere”
As duas premissas mais fortes de que parte a candidatura de Marta Lopes à liderança da JSD-Aveiro são de que o anterior mandato foi pautado por alguma “inércia” da estrutura e de que assumiu um “modelo de uma só voz”. Enaltecendo que, há um ano e meio, não herdou uma JSD-Aveiro “ativa, recursos ou uma equipa preparada para assumir funções”, Leonardo Maio rejeita por completo a ideia de que tenha sido um período de inércia.
“Organizámos um Torneio de Padel, promovemos uma visita ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, desenvolvemos um Roteiro Associativo, apresentámos o manifesto jovem “Crescer com Aveiro”, com propostas concretas e exequíveis para o futuro do município, e promovemos uma formação dedicada a descomplicar o Poder Local. Ao mesmo tempo, atravessámos um período de enorme intensidade política, com sucessivos atos eleitorais […], conseguimos eleger jovens para a JSD-Nacional, para a JSD-Distrital, para o PSD-Concelhio, para a Câmara Municipal, para a Assembleia Municipal e para mais de metade das Assembleias de Freguesia”, enumera o presidente demissionário.
Assim sendo, dirigindo-se à cabeça-de-lista da oposição, Marta Lopes, ou a “algum membro da sua lista”, Leonardo Maio pede que enumere “dez concelhias da JSD […] que tenham desenvolvido mais atividade do que a JSD-Aveiro durante este período”.
Leonardo Maio afirma ainda que se orgulha de que as duas listas que agora se apresentam sejam presididas pelas duas vice-presidentes que o acompanharam e lembra que, quando assumiu funções, isso seria impensável: “Quando começámos, construímos a JSD Aveiro praticamente do zero […] Foi necessário contactar mais de uma centena de jovens para conseguir constituir uma lista de 16 pessoas”.
Já no que diz respeito à ideia de que a JSD se construiu segundo um “modelo de uma só voz”, o agora ex-presidente aponta que sempre “procurou dizer aquilo em que acreditava, mesmo quando isso significava manifestar posições diferentes dentro do próprio partido” e que tentou criar mecanismo para que essa liberdade se estendesse a toda a estrutura – nomeadamente, através de plenários “abertos a militantes e simpatizantes, divulgados publicamente nas redes sociais e realizados regularmente”.
Presidente demissionário confirma que será candidato ao lado de Ana Miguel Monteiro; Responsável acusa adversários de integrar na lista um membro que “há menos de meio ano estava filiado na Iniciativa Liberal”
Durante o seu esclarecimento, Leonardo Maio confirmou o rumor de que integraria a lista de Ana Miguel Monteiro à liderança da JSD-Aveiro, desta feita como candidato à Mesa da Assembleia, “o órgão mais representativo dos militantes”. O objetivo é, conforme explica, “ajudar na transição e colocar a experiência adquirida neste mandato ao serviço da próxima geração de dirigentes da JSD Aveiro”.
O esclarecimento serviu também para que Leonardo Maio deixasse uma bicada aos oponentes, afirmando que, “do outro lado”, vai estar Pedro Jorge Almeida, que “há menos de meio ano estava filiado na Iniciativa Liberal”.
Por fim, o dirigente demissionário esclarece que sai da estrutura por uma “razão exclusivamente profissional” e, no que à disputa eleitoral diz respeito, reitera que “é legítimo querer fazer diferente”, mas que “não é necessário, para afirmar um projeto novo, é diminuir o trabalho daqueles que vieram antes”.
As eleições para a JSD-Aveiro estão marcadas para o próximo dia 10 de outubro.
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