Metrobus: Luís Souto afirma que “grandes fluxos de mobilidade” justificam foco no centro urbano
À margem da última reunião ordinária da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), que aconteceu na passada quinta-feira, dia 1, Luís Souto, presidente da autarquia, explicou à Ria que a ideia de um metrobus focado no centro urbano serve para dar resposta aos “grandes fluxos de mobilidade”, embora sem descartar que possam vir a ser acrescentadas novas linhas no futuro. Questionado sobre o porquê de Aveiro ter pensado num projeto tão distante daquele que foi feito em Coimbra – onde se estima terem sido gastos cerca de 220 milhões de euros, quase quatro vezes mais do que os 60 milhões previstos para Aveiro -, o autarca atirou: “Em Coimbra gastam tudo à tripa forra. Nós somos muito económicos”.
Gonçalo Pina
Últimas
Ainda a pensar na mais recente proposta do executivo municipal para Aveiro e Ílhavo – a ideia do metrobus foi apresentada no passado dia 16 de setembro, na “Conferência da Semana Europeia da Mobilidade 2026” –, a Ria interrogou Luís Souto sobre o tema à margem da última reunião de Câmara, na passada quinta-feira, dia 1. Recorde-se que, depois de a proposta ter sido tornada pública, o presidente aveirense já detalhou que o investimento deve rondar os 60 milhões de euros e que o traçado deve partir da Estação Ferroviária, passar pelo centro de Aveiro, pelo Hospital, pela Universidade, pelo Parque de Ciência e Inovação (PCI) e terminar a sua rota no centro de Ílhavo.
À Ria, Luís Souto justificou que este traçado – que já está desenhado, mas cujo esboço não é público – se baseia nos “grandes fluxos de mobilidade” dos dois concelhos. Tendo em consideração a chegada da Alta Velocidade a Aveiro através da Estação Ferroviária – o autarca enaltece que o terminal deve fazer parte do desenho entre o Porto e Lisboa, mas também pode vir a servir para ligar Aveiro e Salamanca -, o presidente considera que “aquilo é um centro nevrálgico de transportes” e que “é evidente que um eixo teria de partir dali”.
“E quais são os outros grandes polos? É a área hospitalar e universitária. Ílhavo faz sentido para estender e para dar aqui um desenvolvimento. Ílhavo também, obviamente, será muito beneficiada com a existência desse transporte, porque hoje em dia também já há muita movimentação. Aveiro e Ílhavo, nós já sabemos, em termos reais, são uma e uma só, praticamente”, aponta.
Nesta visão, o metrobus acaba por só passar pela União de Freguesias da Glória e Vera Cruz e, possivelmente, pode beliscar a freguesia de Aradas. Questionado sobre a possibilidade de também procurar servir as freguesias mais periféricas, Luís Souto não afastou a possibilidade de, caso se justifique, criar mais do que uma linha, mas lembrou que o veículo “não pode andar aos «S’s»”: “Ele não pode andar sempre às curvinhas pela Rua da Maria, pela Rua do Zé Manel e por aí fora. Não pode. Tem de ser sempre a direito! Ora, você olha para o nosso Município [e pensa]: «É pá, sempre a direito… Por onde é que ele vai?» Não há muitas hipóteses”.
No espaço público também se tem colocado a hipótese de, do lado de Ílhavo, estender a linha até às praias – algo que, aliás, recorde-se, constava da proposta eleitoral do Bloco de Esquerda para as últimas eleições autárquicas de Aveiro, embora os bloquistas preferissem o modelo de metro de superfície. O presidente da Câmara Municipal de Aveiro afirma que “a definição da rede tem de ser sempre justificada pela procura” – os estudos de procura são para começar “já”, de forma que o projeto possa ser apresentado ao Governo com o maior grau de detalhe possível, mas Luís Souto ainda não adianta uma data para poder apresentar resultados.
Ao passo que o metrobus de Coimbra teve um investimento global de cerca de 220 milhões de euros – quase 350 milhões de euros se for contabilizado também o investimento feito no anterior projeto do metro de superfície, que acabou por nunca avançar e foi substituído pelo sistema Bus Rapid Transit (BRT) -, os valores adiantados para Aveiro são bem mais modestos: a expectativa é de que o metrobus custe cerca de 60 milhões de euros. Também interrogado sobre o porquê de não ter sido estudado um projeto mais ambicioso, Luís Souto desviou-se à questão: “Em Coimbra gastam tudo à tripa forra. Nós somos muito económicos”.
Últimas
Recomendações
PS-Aveiro critica demolição da antiga sede da CERCIAV: “É possível progresso sem eliminar memória”
Os eleitos do Partido Socialista na concelhia de Aveiro reagiram na passada quarta-feira, dia 30, através das redes sociais, ao início da demolição do edifício que serviu de sede da CERCIAV. Depois de Alberto Souto, ex-candidato socialista e antigo presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), ter tentado impedir a demolição por via judicial – sem sucesso -, o PS-Aveiro lamenta o caminho escolhido.
Aprovada a abertura de candidaturas para residência artística em Aveiro no âmbito do CreArt 3.0
De acordo com uma nota de imprensa enviada à Ria, o executivo municipal de Aveiro aprovou a abertura de uma Open Call para a realização de uma Residência Artística na cidade, promovida no âmbito da Rede de Cidades para a Criação Artística (CreArt 3.0). A iniciativa garante apoio à deslocação e estadia dos criativos selecionados, sendo a edição de 2026 orientada para o projeto municipal "Boas Festas em Aveiro".
Câmara de Aveiro e AdRA articulam obras de saneamento e repavimentação na Rua Dr. Tomás de Aquino
A Câmara Municipal de Aveiro vai celebrar um protocolo com a AdRA – Águas da Região de Aveiro para articular a renovação da rede de saneamento com a repavimentação da Rua Dr. Tomás de Aquino, em Cacia, segundo nota enviada à Ria. A intervenção contempla a substituição de cerca de 454 metros de conduta e envolve um investimento municipal até 52.005,08 euros na reposição integral do pavimento.
Aveiro aprova concurso para recolha e transporte de resíduos por 36,2 milhões
Conforme escreve a agência Lusa, a Câmara de Aveiro (PSD/CDS-PP/PPM) aprovou esta quinta-feira, dia 1, a abertura do concurso público internacional para a prestação dos serviços de recolha e transporte de resíduos urbanos e limpeza urbana no concelho, com um valor base de 36,2 milhões de euros.