RÁDIO UNIVERSITÁRIA DE AVEIRO

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Estagiário

OE27: Governo esquece ‘Enterro’ pelo 49° ano seguido; Três jovens da JCP pedem cabeça de Montenegro

É unânime entre os jovens aveirenses que a omissão do ‘Enterro’ no Orçamento de Estado (OE) para 2027 é um “escândalo intolerável” que “não deve passar impune”. As juventudes partidárias já reagiram: para além de uma das maiores manifestações de sempre da JCP em Aveiro, com três alunos em frente à reitoria, as candidatas à JSD-Aveiro também se posicionaram sobre o OE nas redes sociais e a JS-Aveiro suspeita que a culpa será de Luís Souto.

OE27: Governo esquece ‘Enterro’ pelo 49° ano seguido; Três jovens da JCP pedem cabeça de Montenegro

O Campus de Santiago estremeceu na tarde desta quinta-feira, dia 8, com a apresentação da proposta de Orçamento de Estado para 2027 apresentada pelo Governo de Luís Montenegro. Se o descongelamento das propinas não mexeu com o âmago da maioria dos estudantes, que rapidamente fizeram as contas à quantidade de maços de tabaco de que terão de prescindir para fazer face ao aumento da despesa, foi a omissão da Semana Académica das contas de Miranda Sarmento que deixou a comunidade académica revoltada.

Recorde-se que esta situação não é inédita, já que no último ano (e no anterior a esse, e no anterior ao anterior, e no anterior ao anterior ao anterior, e etc.) a Semana do Enterro também não tinha sido contemplada no Orçamento de Estado. A primeira reação, emitida em direto no éter da Rádio Ria, veio de João Luís, tesoureiro da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) e um dos principais responsáveis pelo evento: “Uma coisa é esquecerem-se de nós uma vez, duas, três ou quarenta e oito. Mas à quadragésima nona a gente começa a perder a paciência, não é?”

À semelhança do que se tem passado em França, onde a política de educação tem desencadeado uma mobilização que faz lembrar a revolta de Maio de 68, também em Aveiro esta opção governamental motivou mobilizações sem precedentes: à frente do Edifício Central e da Reitoria, três estudantes da Juventude Comunista Portuguesa (JCP) – um record na Cidade dos Canais – tem feito com que se sinta a sua fúria relativamente ao Governo de Luís Montenegro.

“Esta situação insustentável que hoje vivemos tem raízes profundas no subfinanciamento crónico do Ensino Superior. A doença neoliberal de que padece o nosso primeiro-ministro tem-lhe toldado a vista e, ao invés de apostar na cultura e na construção social dos nossos jovens, prefere atirar milhões para a indústria da guerra, a mando da NATO, de Trump e da União Europeia. Quando quiserem beber um fino na barraquinha do Núcleo de Estudantes de AP [Administração Pública] e não puderem, lembrem-se que acabou de ser disparado um míssel a pensar em vocês”, atirou Leonor Lopes, que no último ano se candidatou à direção da AAUAv.

Distraída em tricas políticas, a JSD-Aveiro esqueceu-se de reagir ao flagelo. Confrontadas pela Ria, ambas as candidatas à liderança da estrutura concelhia lembraram que “não têm currículo académico em Aveiro” e que, por isso, “não sabem o que é um ‘Enterro’”. Não obstante, numa feroz troca de posts de Facebook, Marta Lopes e Ana Miguel Monteiro dissertaram sobre os méritos deste Orçamento de Estado “que só o PSD era capaz de desenhar” – a candidata da Lista I sugere que o Governo “está praticamente a oferecer casas aos jovens”; a candidata pela Lista C adivinha que, ao ritmo que o país está a crescer sob a batuta de Luís Montenegro, “a pobreza deve desaparecer a qualquer minuto”.

Por seu lado, a JS-Aveiro pediu à Ria que aguardasse até que Alberto Souto acabasse de redigir o seu posicionamento, mas garantiu que, de alguma maneira, Ribau Esteves e Luís Souto são os obreiros desta tragédia.

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