RÁDIO UNIVERSITÁRIA DE AVEIRO

Corrida Solidária - 5ª edição: 2026
Região

Miquel Salom no Arouca Film Festival para elogiar fotografia artesanal como arma contra o falso

Segundo a agência Lusa, o espanhol Miquel Salom estará a 11 e 12 de setembro em São João da Madeira e Porto para, no âmbito do Arouca Film Festival, enaltecer o valor da fotografia artesanal numa atualidade marcada por imagens falsas e voláteis.

Miquel Salom no Arouca Film Festival para elogiar fotografia artesanal como arma contra o falso

Convidado de honra da 24.ª edição do certame cuja atividade principal decorre em Arouca, de 09 a 19 de setembro, o artista dará a conhecer o seu trabalho com placas húmidas de colódio – método criado em 1851 que implica a manipulação de químicos poucos minutos antes da captura da imagem, exigindo grande destreza e rapidez, mas garantindo também superior nitidez e detalhe.

“Atualmente vivemos num mundo ilusório onde tudo é consumido e desaparece com um toque no ecrã. Interessa-me refletir sobre a necessidade de regressarmos a objetos que possuem substância, química e peso, e falar sobre a fotografia não como um registo rápido, mas sim como um objeto com alma”, disse Miquel Salom em entrevista à Lusa.

O autor reconhece que a fotografia digital “democratizou o ato de tirar fotografias”, mas defende que essa tecnologia também tornou as imagens “voláteis e invisíveis”.

“Antes construíamos objetos físicos; hoje gerimos ficheiros de dados”, explica. “O conceito de fotógrafo quebrou-se e ele deixou de ser um alquimista da luz para se converter num gestor de imagens imediatas, o que, para mim, é algo regressivo e, para alguém que ame o processo, representa a destruição da sua essência”, refere.

Com obra exposta em países como os Estados Unidos, México, Alemanha, Singapura e China, o artista espanhol usa há 16 anos o colódio húmido para toda a sua obra pessoal porque o considera “um processo vivo, exigente e profundamente poético”.

“Se tudo correr bem, são cerca de 23 passos desde o início do processo; se me enganar num desses passos, a física ou a química recordam-mo de imediato. Este aborrecido e longo caminho ensina paciência, humildade e amor ao erro imprevisível, mas belo que a luz deixa sobre a prata, oferecendo uma imagem irretocável, com um caráter único”, declara.

Miquel Salom admite que é possível conciliar na mesma carreira a fotografia comercial com a artística e terapêutica, mas argumenta que isso exige compartimentação e um olhar diferenciado: “Um tipo de fotografia alimenta o ofício e o outro alimenta o espírito. A chave é saber que terreno se pisa a cada momento”.

Quanto ao rumo que a fotografia deverá seguir nas próximas décadas, o espanhol antecipa grandes contrastes. “Por um lado, imagino uma massa incalculável de imagens sintéticas e intangíveis feitas por algoritmos — muitos milhares de milhões todos os dias. Por outro, vejo uma corrente de resistência que valorizará a estética e o uso de processos artesanais mais do que nunca, porque, quanto mais virtual for o mundo, mais valor terá o que se pode tocar com as mãos. As técnicas históricas e o analógico não desaparecerão – irão converter-se no refúgio da autenticidade”.

Nesse contexto, o cinema manter-se-á como “uma continuação natural da fotografia – a luz em movimento” – mas Miquel Salom lamenta que as “incríveis possibilidades técnicas” introduzidas pela Inteligência Artificial (IA) destruam com frequência elementos como “a textura orgânica e a imperfeição que davam caráter aos filmes clássicos”.

O equilíbrio possível passará por introduzir mecanismos legais que permitam ao observador distinguir o virtual do analógico, deixando claro que “uma fotografia histórica ou documental é um rasto da realidade, uma forma de ver sem possibilidade de repetição, enquanto uma imagem gerada por IA é uma ilustração matemática”.

Como uma e outra “não são a mesma coisa e não deveriam ser confundidas”, o fotógrafo afirma: “Apoio firmemente que exista uma marca ética ou um símbolo claro e inviolável que identifique as imagens sintéticas de forma incorruptível. Se perdermos a fronteira entre o real e o inventado, não colocamos apenas em risco o jornalismo ou a verdade histórica, mas também a própria confiança naquilo que os nossos olhos e a nossa mente veem e sentem todos os dias”.

Recomendações

Incêndios: Em Arouca já arderam 700 hectares desde segunda-feira à noite
Região
19 ago 2026, 12:31

Incêndios: Em Arouca já arderam 700 hectares desde segunda-feira à noite

De acordo com a agência Lusa, o incêndio que está a lavrar em Arouca desde segunda-feira à noite e que hoje às 12h00 era combatido por 503 operacionais, 161 veículos e nove aeronaves já consumiu 700 hectares de terreno florestal, revelou a autarquia.

Azeméis vai ter apoios até 5.000 euros para lojas históricas e outro comércio local
Região
18 ago 2026, 10:27

Azeméis vai ter apoios até 5.000 euros para lojas históricas e outro comércio local

De acordo com a agência Lusa, Oliveira de Azeméis vai lançar dois programas de incentivo ao comércio local, um para classificar lojas históricas, com apoios até 5.000 euros para investimento, e outro para valorizar os restantes estabelecimentos, com 1.500 euros para rendas ou modernização.

Casal detido por tráfico de droga em São João da Madeira
Região
14 ago 2026, 15:05

Casal detido por tráfico de droga em São João da Madeira

De acordo com a Agência Lusa, a PSP deteve, em flagrante delito, um casal por suspeita de tráfico de droga, em São João da Madeira, no distrito de Aveiro, que estava a causar preocupação na comunidade, informou aquela força de segurança, esta sexta-feira.

Primeira edição do Ganda Day com balanço “muito positivo”
Região
14 ago 2026, 13:35

Primeira edição do Ganda Day com balanço “muito positivo”

A primeira edição do Ganda Day decorreu na passada quarta-feira e integra a programação Viver o Verão, do Município de Vagos.