Universidade de Aveiro desenvolve substitutos ósseos a partir de impressão 3D
De acordo com a agência Lusa, uma equipa de investigação da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um projeto de medicina regenerativa focado na criação de substitutos ósseos personalizados, através de tecnologia de impressão tridimensional (3D), revelou hoje fonte académica.
Redação
Segundo uma nota de imprensa da Universidade, os investigadores recorreram à técnica de fotopolimerização em cuba, para produzir peças à medida de cada paciente, utilizando uma resina líquida que solidifica com a ação da luz.
O objetivo é criar “peças à medida de cada paciente, tendo em conta as características específicas do osso a substituir, com uma estrutura sólida que tenha uma forma muito próxima da prótese óssea necessária para cada caso clínico”.
O projeto utilizou hidroxiapatite suspensa numa resina de base aquosa, para mimetizar o mineral do osso humano e permitir a produção de estruturas complexas, adaptadas a cada caso clínico.
A utilização da base aquosa reduziu em cerca de 80% o uso de compostos orgânicos e diminuiu o tempo da fase final de produção em cerca de 60%.
“Os próximos passos do processo envolvem a avaliação do comportamento biológico do material e a realização de testes avançados para garantir a segurança e eficácia das soluções antes da aplicação clínica”, explica a nota.
O trabalho contou com a participação de Simão Santos e Manuel Alves, estudantes de doutoramento, e das professoras Susana Olhero e Georgina Miranda do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica.
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Paulo Jorge Ferreira garante que a UA paga melhor, contrata mais e está preparada para o pós-PRR
Desde a centralização do atendimento aos estudantes no edifício da Reitoria até à revisão do quadro remuneratório dos trabalhadores, Paulo Jorge Ferreira assinala que a “estrutura de serviços, (…) não é nada semelhante ao que vigorava no passado”. A mesma visão também é subscrita por Mário Pelaio, para quem as mudanças na Universidade também justificam a evolução: “Os serviços de 2015, 2016, 2018, 2019… não respondem às necessidades de uma universidade de 2025”. O crescimento da UA e do investimento nos serviços não foi acompanhado, no entanto, pelo financiamento público à instituição, segundo o reitor. “As dificuldades de financiamento são permanentes. Se nós estamos à espera de um ano em que haja financiamento abundante para fazer investimentos, não fazemos coisa alguma”, sublinha. Paulo Jorge Ferreira diz que o ano de 2025 terminou com a Universidade a ter ainda “13,5” milhões de euros a receber do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o que “deixará um saldo negativo importante” nas contas da instituição. Não obstante, afirma que, apesar de “ficar sempre muito aquém do que gostaria de fazer”, a UA tem conseguido fazer os seus investimentos e seguido um plano “agressivo” de desenvolvimento e crescimento. Nesta manobra de crescimento, que se fez sentir nos vários setores da UA, destaca-se o aumento da aposta na investigação, cujo orçamento foi “dobrado” em relação a 2019. Mário Pelaio reflete que os efeitos desse aumento “têm de ser acompanhados por um aumento de recursos - não só recursos materiais, mas também recursos humanos”. Nesse sentido, explica, cerca de “2/3” das contratações efetuadas foram “para fazer face a necessidades transitórias e, portanto, com recurso a meios precários”. “Mas as preocupações com o pessoal não se circunscrevem às questões quantitativas”, assinala o administrador, que acrescenta que “houve necessidade de adaptar os recursos a essas novas necessidades”. Por isso, segundo aponta, a UA teve a preocupação também de “aumentar a formação” e a “criação de uma lógica que respondesse aos novos desafios”. Essa preocupação, “alinhada com os objetivos estratégicos da UA”, passou por “aumentar as condições de bem-estar dos trabalhadores”. De acordo com o administrador, uma parte significativa das contratações serviu para responder às exigências do PRR. Diz Paulo Jorge Ferreira que, “depois de terminado o programa, vai ser preciso manter a funcionar a máquina maior que montámos” e, por isso, “muitas das contratações que foram realizadas terão de se manter no futuro”. “Por exemplo, as residências, só no Crasto, têm cinco novos blocos. Isso determina uma dimensão para os Serviços de Ação Social diferente daquela que havia no passado. E quem diz ação social diz limpeza, segurança, jardinagem…”, explica o reitor. Com isto em mente, Paulo Jorge Ferreira garante que a instituição “está muito bem preparada para o futuro”. Os desafios, no entanto, como já tinha afiançado Mário Pelaio, não se colocam apenas no número de pessoas que trabalham nos serviços, mas também na qualidade. “A despesa com o pessoal é evidente que aumentou, porque houve mais contratações. Mas aumentou também porque pagamos melhor. (…) Há sinais óbvios de que nós estamos a manter a estrutura humana da Universidade de Aveiro, atendendo não só a novas pessoas, mas também a cuidar daqueles que já cá estão. E isso, para mim, dentro dos limites que a lei nos concede, é a principal prioridade”, assegura. De acordo com os dados indicados pelo reitor, “a mediana das remunerações do pessoal técnico subiu 50% nos últimos seis anos”. Da mesma forma, “baixou o tempo médio de permanência na mesma categoria, (…) de mais de uma década para quatro anos”, o que indica que a UA “está a fazer progressões de forma mais ágil”. Estas melhorias conduzem a que, de acordo com o reitor, a idade média e mediana não se tenha agravado. “Em seis anos cresceram, no pior dos casos, entre três e seis meses”, indica. No mesmo tema, o administrador da UA elencou algumas das medidas tomadas pela universidade para conseguir destacar-se. Mário Pelaio recorda que “temos mais de 64% dos trabalhadores em regime de direito privado. Portanto, ao abrigo do Código de Trabalho e da regulamentação, estão abrangidos pela regulamentação interna e já não são diretamente dependentes da função pública”. “Isso permite alguma flexibilidade na oferta do sistema remuneratório da Universidade”, acrescenta. O responsável adianta que a Universidade fez, em 2023, uma alteração ao regulamento de carreiras, “eliminando algumas posições remuneratórias de base e, portanto, passando a contratar em posições mais acima, no que toca aos técnicos superiores”. Entre outras notas, destaca ainda que a UA tem um sistema de avaliação de desempenho que “não é totalmente coincidente com o sistema de avaliação de desempenho na função pública” e que a instituição assumiu uma opção gestionária que vai resultar numa “progressão atípica na carreira de mais de 270 trabalhadores”. O facto de pagar melhor é uma forma de atrair “os melhores” para a instituição, mas não chega, diz o reitor: “Pagamos melhor e por isso temos mais facilidade em reter talento, mas também se paga melhor noutros lados e, por isso, não ganhamos uma vantagem competitiva significativa ou, pelo menos, não a ganhamos face àqueles sítios com que interessa realmente competir”. Nas palavras de Mário Pelaio, o facto de a comunidade da UA poder beneficiar do acesso a atividades desportivas e de recreação a preços muito competitivos nas instalações desportivas da instituição, bem como de oportunidades de mobilidade interna e das boas práticas laborais implementadas, contribui para o aumento dos níveis de satisfação e retenção dos profissionais. Na mesma linha, o responsável destaca ainda que o acesso facilitado ao regime de teletrabalho funciona como um importante fator de motivação, permitindo aos trabalhadores manter uma maior proximidade com as suas famílias. Embora os cargos dirigentes na função pública não sejam tão bem remunerados como no privado, Mário Pelaio afirma que não tem existido falta de interesse. Conforme explica, “o plano de capacitação de trabalhadores para o exercício de funções dirigentes tem vindo a ser extremamente concorrido” e existe “um conjunto de trabalhadores altamente qualificado e muito motivado para o exercício das suas funções e também para o exercício das funções dirigentes”. Da mesma opinião, o reitor assinala que a forte adesão aos concursos não é vista como um problema: “Preocupado ficaria eu se ficasse vazio o concurso”. Apesar disso, a realidade é que nestes cargos tem-se verificado alguma rotatividade nos últimos anos, algo que não é visto com maus olhos pelo reitor Paulo Jorge Ferreira. O responsável afirma que “é um fator natural no crescimento institucional e, quando as coisas não estão bem, a gente tem a obrigação de as mudar e de não manter tudo a funcionar mal, sabendo que está mal”.
UA celebra este mês os 60 anos do programa ‘Cinco Minutos de Jazz’ de José Duarte
“São os 60 anos do programa do programa ‘Cinco Minutos de Jazz’ que começou em 1966, exatamente, no dia 21 de fevereiro. Foi o programa de rádio mais longo da história da rádio em Portugal. Teve algumas interrupções, nomeadamente, na altura do 25 de abril. (…) Começou na Rádio Renascença e acabou na Antena 2”, começou por contextualizar à Ria Susana Sardo, docente no Departamento de Comunicação e Arte (DeCA) da UA. No seguimento, Susana recordou ainda que José Duarte- que faleceu em 2023- foi o responsável pela criação do Centro de Estudos de Jazz na UA. “Nós criamos o Centro de Estudos de Jazz, após a doação do cervo dele à Universidade de Aveiro. Achamos que era muito importante fazer-lhe esta homenagem”, frisou. Sem antecipar aquele que será o programa do dia 21 de fevereiro, Susana Sardo adiantou apenas que a conversa contará com personalidades que “continuam a ter um papel importante na divulgação do jazz em Portugal”. “[Vamos contar com a presença de] alguns críticos de jazz como o António Curvelo que foi o único crítico de jazz contratado pelo jornal, o Leonel Santos que é o diretor de um grande blog de divulgação de jazz, o Ivo Martins que é o curador da exposição que está, neste momento, no Centro de Estudos de Jazz que se chama “Corpo e Alma”, o Nuno Catarino que é o diretor da jazz.pt, o Pedro Tadeu que é um vice-diretor do Diário de Notícias, músicos de jazz como Carlos Azevedo, Paulo Perfeito…”, revelou. Recorde-se que, tal como noticia a UA, José Duarte mantinha uma relação próxima com a Universidade onde foi também docente. A instituição acolheu a coleção de “fonogramas, filmes, vídeos, imagens fotográficas, manuscritos, entre outros documentos de José Duarte, coleção que foi determinante na fundação do Centro de Estudos de Jazz, em 2007”.
“Ainda estamos sem luz”: Comunidade UA relata dificuldades e Universidade e AAUAv unem-se no apoio
João Martim é atualmente estudante de Engenharia Biomédica na UA. Conversámos com ele através de uma chamada telefónica. Estava em Aveiro. Optou por ficar cá, em vez de regressar à sua terra natal [Leiria], não por opção, mas por ser a única alternativa possível dadas as circunstâncias. “A rede rodoviária em Leiria foi completamente destruída. Só agora é que estão a montar um centro rodoviário rápido para permitir o acesso à cidade. Além disso, se fosse de autocarro, chegaria a Leiria sem conseguir comunicar com os meus pais, porque não há rede móvel. Não teria quem me fosse buscar nem forma de falar com eles”, contou João, acrescentando que também não há eletricidade, nem água, onde reside. “Por isso, faz sentido ficar em Aveiro, não teria lógica ir para casa”, reforçou. O estudante revelou ainda que tem acompanhado a situação através das redes sociais. “Tem sido a minha fonte de informação…. Falar com os meus pais só passado dois dias e de uma forma muito breve”, admitiu. Ainda assim, nos últimos dias, tem conseguido estabelecer contacto com estes, já que ambos trabalham fora da área de residência e têm ainda a ‘sorte’ de morar perto da “base aérea”. “Os meus pais passados uns dias souberam que havia rede e falaram de lá [base aérea] comigo também”, lembrou. Sem previsão de quando poderá regressar a Leiria, João Martim afirmou estar à espera do restabelecimento da eletricidade. Demonstrou ainda preocupação por não poder vir a exercer o seu direito de voto na segunda volta das eleições presidenciais, marcada para este domingo, 8 de fevereiro, caso a situação não seja resolvida até lá. “Nem essa situação sei como vai ser porque há pessoas desalojadas… O sítio onde ia votar acho que foi destruído, por isso, não sei muito bem como vai decorrer o processo”, admitiu, realçando que não se inscreveu no voto antecipado “por não contar que isto acontecesse”. “Gostava de ir a casa este fim de semana para ver como as coisas estão e ajudar no que pudesse… Felizmente, a minha casa não teve muitos prejuízos, mas tenho colegas que chove dentro do quarto, da sala, e que estão em situações piores. Queria ir lá para tentar perceber, mas, por outro lado, também me custa”, admitiu João. Longe de casa, o estudante lamentou ainda a falta de notícias nos primeiros dias, considerando que a informação disponibilizada 'ficou muito aquém' das necessidades da população. “Quando consegui falar com os meus pais eles disseram-me que não havia notícias nenhumas na rádio… Não sabiam onde se tinham de dirigir, o que é que tinham de fazer e que a informação não foi disseminada. É como se tivesse sido uma coisa normal, mas foi uma tempestade muito grande. (…) Tenho colegas que, possivelmente, vão ficar desempregados porque as empresas em que eles trabalhavam vão fechar e muitas casas estão completamente destruídas… Há muitas pessoas que vão ter de começar do zero”, lamentou. Inês Silva, estudante do curso de Línguas e Relações Empresariais e vogal da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro, falou connosco também por telefone. Ao longo da conversa, por vezes, entre pergunta e resposta, a rede falhava. Encontrava-se em casa, em Pombal, naquele momento, prestes a preparar o almoço. Inicialmente, começou por descrever à Ria que vive a cerca de dez a 15 quilómetros da cidade, entre Pombal e Soure, e que continua sem eletricidade. “Uma semana depois ainda estamos sem luz e a rede é escassa… Por algum milagre estou a conseguir estar no telefone. O meu pai conseguiu arranjar um gerador e, mais ó menos, quatro ou cinco horas por dia conseguimos ligar o gerador graças ao gasóleo e vamos tendo luz para, pelo menos, aquecer o cilindro da água e tomar banho com água morna”, descreveu. Enquanto estudante, Inês admitiu que a dinâmica tem sido “desafiante”. “Principalmente agora estando dentro da direção da AAUAv porque existem muitas reuniões… Há muita coisa para orientar e para organizar, tendo em conta que ainda estou a tentar entrar dentro do ritmo, porque é o primeiro ano, dentro da AAUAv, e é um bocadinho difícil acompanhar esta mudança”, apontou, reconhecendo ainda o apoio da Associação Académica. “Mandaram-me logo mensagem a perguntar se precisava de alguma coisa, se estava tudo bem, se me conseguia deslocar… Estamos todos disponíveis uns para os outros e isso também é bonito de se ver”, refletiu. Sobre o seu ‘novo’ dia-a-dia, Inês Silva apontou que tem vivido com “muitas restrições”, passando grande parte do tempo em casa. “Os meus pais já estão a trabalhar, retomaram o trabalho na segunda-feira, porque, na semana passada ainda não havia luz para retomarem a atividade laboral. Neste momento, estou em casa a sós com a minha irmã e o nosso dia-a-dia limita-se a isto…”, descreve. “De manhã, a gente entretém-se a ler, com os animais, ao almoço fazemos o comer, e depois quando há necessidade tentamos limitar as viagens à cidade porque estamos a tentar poupar para o gasóleo para o gerador e como a minha mãe já se desloca mais para a zona de Pombal ela é que trata de fazer as compras uma ou duas vezes por semana”, continuou. Tal como João Martim, a estudante apontou críticas à informação que chegou às populações, considerando que esta foi “insuficiente”. “Os avisos da tempestade não foram levados a sério o suficiente e acho que agora era importante não nos focarmos só na cidade. Por exemplo, as mobilizações até Leiria, à beira do estádio é tudo muito bonito, mas acho que é importante as pessoas não se esquecerem das pessoas que ficam sozinhas e que estão muito limitadas nas aldeias, idosos, principalmente, ficarmos todos um bocadinho sensibilizados e ter um bocadinho de noção daquilo que é o impacto”, atentou. “Se esta tempestade tivesse acontecido na hora de ponta, durante o dia, as pessoas não estavam preparadas para aquilo que iria ser”, opinou. Foi a partir da casa dos sogros- uma moradia situada numa zona mais central- que Pedro Almeida, professor do Departamento de Comunicação e Arte na UA, falou com a Ria. Residente também em Leiria, conta que só na manhã de segunda-feira, 2 de fevereiro, voltou a ter abastecimento de água. “Estamos sem luz. (…) Não tenho comunicações. Mesmo com as baterias carregadas também tenho de recorrer aos meus sogros que só tiveram luz na passada sexta-feira”, relatou. Quanto aos prejuízos provocados pela passagem da depressão, o docente adiantou que, felizmente, a sua habitação não sofreu danos materiais significativos. “A minha casa não tem telhado de telha e, nesse sentido, preservou. Vivo numa zona mais rural e, portanto, muitas árvores à volta foram abaixo, mas nenhuma sobre a casa. Posso dizer que para além de ter ficado sem água, luz, (…) não tive coisas significativas, mas à volta há muitos estragos”, descreveu. Também o acesso a bens essenciais foi condicionado. “Há alguns supermercados que já têm geradores… Já quando foi do apagão mantiveram-se a funcionar. Havendo um stock básico em casa deu para gerir… No primeiro e segundo dia eram filas gigantes. Não havia comunicações, portanto, não se podia pagar com o cartão”, recordou. “Fui comprar pão e tinha umas ‘moeditas’ e foi o que deu para comprar”, partilhou entre risos. Enquanto docente, Pedro Almeida referiu que a última deslocação à Universidade de Aveiro aconteceu na passada quinta-feira. “Na quarta-feira não pude ir (…) porque estive a resolver as coisas de casa e dos familiares. Havia também dificuldades em me deslocar com muitas estradas cortadas…. Na quinta-feira, acabei por conseguir ir parte do tempo… Tinha umas apresentações”, explicou, admitindo que aproveitou também para carregar o carro elétrico. No seu caso, a nível profissional, reconheceu ainda que a sua situação acabou por ser mais flexível, uma vez que já trabalha habitualmente em regime híbrido. “Como vivo na zona de Leiria já faço uma parte relevante do meu trabalho à distância. Nesse sentido, e agora como estamos em altura de avaliações, de exames, de preparação do segundo semestre, não há aulas… As coisas tornam-se um bocadinho mais fáceis”, admitiu. “Desde que tenha luz e comunicações…”, acrescentou. Relativamente ao apoio do Departamento no qual leciona, Pedro Almeida sublinhou a disponibilidade demonstrada pelos colegas. “Houve o contacto da diretora do meu departamento, conversámos e, naturalmente, mostraram disponibilidade para ajudar no que fosse necessário”. Apesar de ainda não ter eletricidade em casa, o docente afirmou que previa regressar a Aveiro já esta terça-feira, 3 de fevereiro. “As coisas estão mais ó menos estabilizadas apesar de não ter luz”. Pedro Lages mora na Marinha Grande. Na hora em que o contactámos, também por telefone, partilhou que se encontrava “em regime de voluntariado” a ajudar na limpeza e na reconstrução de algumas das “telhas” que se partiram na pré-escola dos seus filhos. Segundo relata, “as escolas foram afetadas, não está a haver aulas, e a previsão é que não existam aulas esta semana”. Ao contrário do docente, o atual provedor do estudante da Universidade de Aveiro revelou que, até ao momento, a situação do abastecimento de água continua por resolver. “No centro da Marinha, em determinadas zonas, temos eletricidade e as comunicações foram restabelecidas, provisoriamente, através de antenas que foram colocadas pelas empresas de telecomunicações. (…) Não há é água, nem existe nenhuma forma. As casas não estão a ser abastecidas para banhos, nem para máquinas de lavar, etc. Tudo tem de ser feito de forma provisória e de forma arcaica”, sublinhou. No que diz respeito à alimentação, Pedro Lages garantiu que, no seu caso, a situação tem decorrido de forma “normal”. “No meu caso, em particular, e das pessoas que nos rodeiam, tínhamos alimentos em casa para algum tempo. Sem eletricidade nós vemos essa função comprometida porque as casas hoje têm essas matérias todas eletrificadas. Ainda há algumas casas que não e que recorrem a gás, mas no meu caso particular foi aí que tive algum apoio da casa de familiares. (…) Em termo de disponibilidade alimentar ainda não se sente falta. (…) Os supermercados também estão a abastecer, de forma condicionada, a alimentação”, explicou. Pedro Lages acrescentou ainda que, até ao momento, não conseguiu deslocar-se nem à empresa onde exerce funções, nem à Universidade de Aveiro. “Na quarta e na quinta-feira tive de me deslocar para conseguir ter comunicações e reportar a situação que estava a acontecer e para dar cumprimento a temas urgentes. (…) Tento manter contacto com os estudantes por via email”, reparou. No que toca à UA, em declarações à Ria, Alexandra Queirós, vice-reitora para a Cultura e Vida nos Campi, admitiu estar a acompanhar a situação e a avaliar soluções em conjunto com a AAUAv. Uma das propostas em cima da mesa passa pela criação de um plano de reabilitação de casas nas zonas mais afetadas, em articulação com o Departamento de Engenharia Civil, à semelhança do que aconteceu com o projeto “Habitação Solidária VIDA”, no verão passado. Também em entrevista, Sandra Soares, vice-reitora para a Inovação Pedagógica, referiu que está a ser equacionada a prorrogação dos prazos de inscrição para a “escolha de horário e das opções livres”. “Como a primeira fase da escolha de horários decorreu simultaneamente com a situação de calamidade que ocorreu e porque sabemos que vários estudantes não se encontram em Aveiro, e vários deles estão nas zonas afetadas, o nosso entendimento é que a segunda fase devia ser estendida”, notou. Nesse sentido, Sandra Soares adiantou que a universidade ia avançar com um despacho ainda esta segunda-feira. “Mesmo com essa indicação, vamos ter de adiar um pouco o início da alteração do calendário da escolha de opções livres porque elas não podem decorrer em simultâneo”, explicou. “Vamos também, junto das unidades orgânicas, apelar à possibilidade de poderem abrir mais vagas”, continuou. No seguimento, acrescentou ainda que, “dos dados da primeira fase” da escolha de horários, a comparação feita com os anos anteriores indica que os números não deverão ter sido significativamente mais baixos. “São equivalentes, mas ainda assim achamos que, na eventualidade de alguém não ter conseguido fazer este ajuste, era importante dar este sinal à comunidade”, adiantou. Também do lado da AAUAv, Joana Regadas, presidente da direção, frisou estar a par da situação. À Ria, apontou que está, neste momento, a decorrer uma recolha, integrada no movimento estudantil nacional, na Casa do Estudante e no Café da Universidade de Aveiro (CUA), de “material de construção e de material médico”. Segundo a dirigente, “dos relatos que vamos conhecendo dos estudantes que estão nas zonas afetadas é o que consideram ser mais essencial e também do material médico dado aquilo que tem sido uma tentativa da população de alguma forma de arranjar os estragos de uma forma preliminar e que tem resultado em bastantes ferimentos”. A entrega do material recolhido será feita em articulação com os municípios mais afetados. Relativamente ao prazo da recolha, Joana Regadas esclareceu que a AAUAv não definiu um dia para a data máxima de entrega, estando “dependente das necessidades identificadas pelos municípios mais afetados já que iremos trabalhar a par com eles”. Contudo, adiantou que “pelo menos, nas próximas duas semanas estaremos a fazer recolha dos diversos materiais”. Tal como Alexandra Queirós, a presidente da AAUAv reiterou ainda que, a “longo prazo”, estão a ser pensados “programas de ação” para o período do verão, focados na reconstrução de residências. O objetivo passa por “possibilitar que os estudantes, de forma voluntária, possam ajudar na reconstrução das habitações e nos edifícios que são de domínio público”.
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PJ deteve três suspeitos de tráfico de droga em Aveiro e Porto
Em comunicado, a PJ esclareceu que os suspeitos, dois homens e uma mulher, com idades entre os 30 e 37 anos, foram detidos durante uma operação policial realizada nas zonas de Aveiro e do Porto. Segundo a Judiciária, a investigação visava uma rede organizada de abastecimento de droga em vários pontos de venda nos concelhos de Aveiro, Ílhavo, Albergaria-a-Velha e Estarreja, bem como a introdução de produto estupefaciente no estabelecimento prisional de Aveiro. A PJ refere que em causa estava o abastecimento de vários pontos de venda direta de haxixe, praticada em larga escala. Durante a operação, de acordo com a Judiciária, foram realizadas diversas buscas que culminaram na apreensão de nove quilogramas de haxixe, de elevado grau de pureza, cerca de seis mil euros em dinheiro e uma réplica de arma de fogo de "elevada qualidade e parecença com a real". A PJ refere ainda que os detidos, que não têm qualquer ocupação profissional conhecida, vão ser presentes às autoridades judiciais na comarca de Aveiro para aplicação das adequadas medidas de coação.
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Nesse sentido, explica, cerca de “2/3” das contratações efetuadas foram “para fazer face a necessidades transitórias e, portanto, com recurso a meios precários”. “Mas as preocupações com o pessoal não se circunscrevem às questões quantitativas”, assinala o administrador, que acrescenta que “houve necessidade de adaptar os recursos a essas novas necessidades”. Por isso, segundo aponta, a UA teve a preocupação também de “aumentar a formação” e a “criação de uma lógica que respondesse aos novos desafios”. Essa preocupação, “alinhada com os objetivos estratégicos da UA”, passou por “aumentar as condições de bem-estar dos trabalhadores”. De acordo com o administrador, uma parte significativa das contratações serviu para responder às exigências do PRR. Diz Paulo Jorge Ferreira que, “depois de terminado o programa, vai ser preciso manter a funcionar a máquina maior que montámos” e, por isso, “muitas das contratações que foram realizadas terão de se manter no futuro”. “Por exemplo, as residências, só no Crasto, têm cinco novos blocos. Isso determina uma dimensão para os Serviços de Ação Social diferente daquela que havia no passado. E quem diz ação social diz limpeza, segurança, jardinagem…”, explica o reitor. Com isto em mente, Paulo Jorge Ferreira garante que a instituição “está muito bem preparada para o futuro”. Os desafios, no entanto, como já tinha afiançado Mário Pelaio, não se colocam apenas no número de pessoas que trabalham nos serviços, mas também na qualidade. “A despesa com o pessoal é evidente que aumentou, porque houve mais contratações. Mas aumentou também porque pagamos melhor. (…) Há sinais óbvios de que nós estamos a manter a estrutura humana da Universidade de Aveiro, atendendo não só a novas pessoas, mas também a cuidar daqueles que já cá estão. E isso, para mim, dentro dos limites que a lei nos concede, é a principal prioridade”, assegura. De acordo com os dados indicados pelo reitor, “a mediana das remunerações do pessoal técnico subiu 50% nos últimos seis anos”. Da mesma forma, “baixou o tempo médio de permanência na mesma categoria, (…) de mais de uma década para quatro anos”, o que indica que a UA “está a fazer progressões de forma mais ágil”. Estas melhorias conduzem a que, de acordo com o reitor, a idade média e mediana não se tenha agravado. “Em seis anos cresceram, no pior dos casos, entre três e seis meses”, indica. No mesmo tema, o administrador da UA elencou algumas das medidas tomadas pela universidade para conseguir destacar-se. Mário Pelaio recorda que “temos mais de 64% dos trabalhadores em regime de direito privado. Portanto, ao abrigo do Código de Trabalho e da regulamentação, estão abrangidos pela regulamentação interna e já não são diretamente dependentes da função pública”. “Isso permite alguma flexibilidade na oferta do sistema remuneratório da Universidade”, acrescenta. O responsável adianta que a Universidade fez, em 2023, uma alteração ao regulamento de carreiras, “eliminando algumas posições remuneratórias de base e, portanto, passando a contratar em posições mais acima, no que toca aos técnicos superiores”. Entre outras notas, destaca ainda que a UA tem um sistema de avaliação de desempenho que “não é totalmente coincidente com o sistema de avaliação de desempenho na função pública” e que a instituição assumiu uma opção gestionária que vai resultar numa “progressão atípica na carreira de mais de 270 trabalhadores”. O facto de pagar melhor é uma forma de atrair “os melhores” para a instituição, mas não chega, diz o reitor: “Pagamos melhor e por isso temos mais facilidade em reter talento, mas também se paga melhor noutros lados e, por isso, não ganhamos uma vantagem competitiva significativa ou, pelo menos, não a ganhamos face àqueles sítios com que interessa realmente competir”. Nas palavras de Mário Pelaio, o facto de a comunidade da UA poder beneficiar do acesso a atividades desportivas e de recreação a preços muito competitivos nas instalações desportivas da instituição, bem como de oportunidades de mobilidade interna e das boas práticas laborais implementadas, contribui para o aumento dos níveis de satisfação e retenção dos profissionais. Na mesma linha, o responsável destaca ainda que o acesso facilitado ao regime de teletrabalho funciona como um importante fator de motivação, permitindo aos trabalhadores manter uma maior proximidade com as suas famílias. Embora os cargos dirigentes na função pública não sejam tão bem remunerados como no privado, Mário Pelaio afirma que não tem existido falta de interesse. Conforme explica, “o plano de capacitação de trabalhadores para o exercício de funções dirigentes tem vindo a ser extremamente concorrido” e existe “um conjunto de trabalhadores altamente qualificado e muito motivado para o exercício das suas funções e também para o exercício das funções dirigentes”. Da mesma opinião, o reitor assinala que a forte adesão aos concursos não é vista como um problema: “Preocupado ficaria eu se ficasse vazio o concurso”. Apesar disso, a realidade é que nestes cargos tem-se verificado alguma rotatividade nos últimos anos, algo que não é visto com maus olhos pelo reitor Paulo Jorge Ferreira. O responsável afirma que “é um fator natural no crescimento institucional e, quando as coisas não estão bem, a gente tem a obrigação de as mudar e de não manter tudo a funcionar mal, sabendo que está mal”.
Mau tempo: Distrito de Aveiro com 31 vias interditas ou condicionadas
De acordo com a última atualização feita hoje, às 09:30, pela GNR sobre o estado das estradas no distrito de Aveiro, encontram-se 31 vias interditas e algumas condicionadas, devido a inundações, desmoronamentos e abatimentos de via. A situação mais grave regista-se no concelho de Águeda, que tem atualmente sete vias interditas devido à inundação do rio Águeda, nomeadamente a Rua da Pateira (Fermentelos), a Estrada do Campo (Espinhel e Recardães), a Rua do Campo (Segadães), a Rua do Covão (Valongo do Vouga), a Rua Ponte da Barca (Serém) e a EM577 (no lugar da Fontinha e em Alquerubim). Em Estarreja, a GNR dá conta da interdição de vários arruamentos na freguesia de Canelas, nomeadamente a Rua da Estação, a Rua General Artur Beirão e a Estrada paralela à linha férrea (BIORIA), para além da interdição da Rua do Vale (Fermelã) e da Rua do Feiro (Salreu). Ainda segundo a GNR, em Ovar, encontram-se interditas, devido a desmoronamentos, a Avenida da Praia e a Rua do Rombo (Esmoriz) e a Rua de Baixo (Maceda), enquanto no concelho da Murtosa estão interditas várias ruas e travessas. Em Aveiro, a GNR dá conta da interdição da Rua Direita e da Rua da Pateira, em Requeixo, e da Rua Marquês de Pombal em Cacia, devido a inundação. Ainda neste concelho está interdita a Rua Pero André (Eirol) devido ao risco de derrocada de uma habitação e, em Ílhavo, está cortada a Rua do Sul (Gafanha de Aquém). Mais a sul, em Oliveira do Bairro, está interdita a Rua Frei Gil (Bustos), devido ao abatimento do piso da estrada, no concelho de Anadia estão interditas a Rua São Simão (Espairo) e a Rua da ETAR (Avelãs de Caminho), devido a inundação, e na Mealhada está interdita a Rua de Aveiro (Pampilhosa). Ainda segundo a GNR, às 09:30, estavam condicionados o IC2 ao quilómetro 239, em Águeda, no sentido norte/sul, e a EN222, ao quilómetro 25,570, em Canedo, Santa Maria da Feira, devido a desmoronamentos. Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também algumas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal. Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos. O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.