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Sem pressas nem loucuras, mas “mais competitivo”: Como o Beira-Mar está a construir o plantel

Ao longo da última Assembleia Geral do SC Beira-Mar, Nuno Quintaneiro, presidente da direção do clube, deu algumas pistas de como está a ser construído o plantel para a temporada 2026/2027. O dirigente nota que o plantel ainda vai ficar em aberto para que possa ser reforçado por um futuro investidor, mas para já o clube está “mais competitivo” e tem seguido uma linha de “maior critério” nas contratações.

Sem pressas nem loucuras, mas “mais competitivo”: Como o Beira-Mar está a construir o plantel

Ainda sem parceiro para constituir uma sociedade desportiva, o Sport Clube Beira-Mar procurou este ano uma abordagem diferente para a construção do plantel que vai atacar a temporada 2026/2027 no Campeonato de Portugal. No decorrer da Assembleia Geral do clube, que decorreu no passado dia 17, Nuno Quintaneiro, presidente da direção do Beira-Mar, deu conta de que a estrutura está a tentar aproveitar a “aprendizagem” adquirida nos últimos anos no Campeonato de Portugal.

Idealmente, o clube teria a capacidade de não “chegar ao final da época e irem embora 17, 18 ou 19 jogadores” – para o dirigente, seria bom construir uma “espinha dorsal” no plantel que se fosse consolidando de ano para ano e que “fizesse parte de um projeto desportivo”. No entanto, explica, o contexto não se coaduna com essa visão: “Nestes contextos amadores é tudo muito volátil. Os atletas só têm contrato de um ano, chegam ao final da época e são livres de seguir as suas vidas”.

De acordo com Nuno Quintaneiro, os clubes de Campeonato de Portugal cruzam-se sobretudo com três tipos de jogadores diferentes: os jovens que se querem afirmar e que não têm tempo de jogo na Liga 3, Liga 2 e Primeira Liga, mas que ambicionam poder projetar-se para outros palcos; os jogadores em fim de ciclo, que já estiveram noutros patamares e que agora estão a aproveitar os últimos anos de futebol; e aqueles que estão “na casa dos 26, 27, 28 anos”, que já acreditou que podia ter uma carreira mais promissora e que nunca deu o salto, e que está a “tentar perceber qual é o projeto mais interessante para a vida dele”.

Exemplo deste último perfil, adiante o presidente, foi o jogador André Couto, que representou o Beira-Mar em 2024/2025, com quem o clube quis renovar contrato. Quando abordado, o atleta deu nota de que o futebol passaria a ser uma “atividade secundária” para não “prejudicar o trabalho” e, portanto, seria incompatível permanecer no Beira-Mar – acabou depois por ir parar ao Sporting de Espinho, da principal competição distrital de Aveiro, e este ano jogará no Cesarense, que alinha no mesmo campeonato.

No mesmo sentido, o médio Tiago Luís, que este ano fez 25 jogos ao serviço do Beira-Mar, recusou renovar contrato depois de comprar casa com a namorada na zona de Lisboa, de onde é natural. Quando contactado pela direção, o jogador disse que “adorou” estar no Beira-Mar, mas que agora preferia procurar um clube mais para sul – entretanto já tem contrato com o Juventude de Évora.

No capítulo dos jovens jogadores promissores, o SC Beira-Mar também perdeu os gémeos Sancho, com quem quis renovar o vínculo contratual para a presente temporada. A Diogo Sancho foi oferecido um contrato profissional pela AD Oliveirense, que este ano vai jogar a Liga 3 – algo com que, alega Nuno Quintaneiro, o Beira-Mar não pode competir. Já Francisco Sancho, que tem estado “na sombra” do lateral Tiago Melo, seguiu para a Naval 1893, que “prometeu titularidade, jogar para subir de divisão e bom dinheiro”.

Então, como está o Beira-Mar a construir o plantel?

Como Nuno Quintaneiro já tinha dito à Ria, a construção do novo plantel do SC Beira-Mar começa na tentativa de renovar com alguns jogadores que já tinham composto o plantel no ano passado. Exemplo disso são as renovações já anunciadas com Tiago Melo, Diogo Abdul, Tomás Sério, Di Matos ou Didi. Nesse capítulo, adianta o presidente, há jogadores que até tinham propostas melhores, mas que “é malta que gosta do Beira-Mar”.

Depois, mantendo o plantel em aberto para que possa haver um reforço aquando da expectável entrada de um investidor, o presidente adianta que tem sido objetivo “contratar melhor, com mais informação, mais observação e mais critério”, mas “sem loucuras” – ou seja, dentro daquele que foi o orçamento para as últimas temporadas.

Para já, prevê-se que o plantel que comece a temporada tenha cerca de 16 o u17 jogadores que deem garantias: “O processo de contratações obedeceu aqui a uma diretriz que é: nós sabemos que, como o orçamento é curto, temos que nos focar nas posições mais estratégicas […] o guarda-redes, os centrais, o médio centro, o ponta-de-lança… […] procuramos […] para cada posição ter jogadores de referência com números, com experiência, que sejam as alavancas… e depois procurarmos completar o plantel com atletas de potencial, ou seja, atletas que até podem ter tido pouco tempo de jogo nas últimas épocas, mas que nós temos a certeza que têm potencial”.

Apesar de a definição da estratégia para 2026/2027 ter ficado dependente das negociações com Marcel Boekhoorn, Nuno Quintaneiro revela que a equipa técnica liderada por Fabeta já estava a trabalhar e que já tinha jogadores identificados. O atrasar dos timings deixou que alguns jogadores ‘fugissem’ para adversários como a Ovarense ou o Salgueiros – que o dirigente aponta que estão a construir “excelentes plantéis” com “capacidade financeira notável” -, mas não por isso o trabalho foi todo desperdiçado.

Um dos jogadores que já estava “muito bem referenciado” e que os aveirenses tinham “debaixo de olho” era Eduardo Souza, médio brasileiro da União de Santarém que, entretanto, já assuntou com o Beira-Mar. O presidente conta que, para perceber a situação do jogador, Jaime Simões – que alinhou pelo Beira-Mar antes da queda aos campeonatos distritais, entre 2008 e 2014, e que hoje joga no União de Santarém – serviu de intermediário: “A primeira vez que falámos com o Jaime sobre o Eduardo Sousa, ele disse-nos: «Não, esquece, o Eduardo não sai do Santarém. De facto, ele jogou pouco na última época, mas foi porque teve uma lesão só regressou no fim da época e a equipa entretanto estava estruturada […], mas ele é um dos nossos melhores jogadores. Não acredito que a União de Santarém aceite dispensá-lo, vai querer renovar”.

No entanto, inserindo-se no terceiro perfil de jogador identificado por Nuno Quintaneiro como ‘habitual’ no Campeonato de Portugal, “o Eduardo Souza sabe que dificilmente vai chegar a contextos profissionais […] e queria encontrar um clube para jogar a norte”. “Ele casou com uma mulher que acho que é ali da zona do Porto e quer viver aqui com ela […] Quando nósmostrámos o nosso interesse, ele disse logo«Claro que sim, quero muito ir para o Beira-Mar»”, relatou Nuno Quintaneiro.

Para além destes cuidados, o presidente alerta que é importante não ter “pressas”, uma vez que as propostas que no início do mercado de transferências podem não parecer tão atrativas acabam por ser olhadas com outros olhos com o passar do tempo. Segundo Nuno Quintaneiro, os jogadores com potencial podem começar por recusar o Beira-Mar num primeiro instante, mas depois, quando “não aparece nada de interessante lá de fora, o Beira-Mar já parece o Borussia de Dortmund”.

O formato do Campeonato de Portugal – onde o mercado de transferências não fecha a 31 de agosto – também ajuda a que a aposta possa ser mais tardia. O facto de a “grande pressão competitiva” ser apenas a partir de dezembro – até dezembro o Beira-Mar só joga nove dos 26 jogos da fase regular – dá folga para que as coisas sejam feitas com mais tempo.

“Eu já vi o Salgueiros a formar tarde e a más horas a equipa e, por um ponto, não ir à fase de subida. No ano em que o Lourosa subiu, vi o Marco 09, que também andou a fazer a primeira volta ‘em pré-época’, depois até ajustou o treinador e tudo e acabou na fase de subida e subiu à Liga 3. No ano passado, o Leça também começou muito mal a primeira volta, depois a meio do campeonato engatou, foi à fase de subida e subiu. Ou seja, nada de dramas, vamos fazer as coisas bem feitas”, explicou o presidente.

Não obstante, Nuno Quintaneiro também explica que os timings da comunicação não são necessariamente os timings de contratação dos jogadores.

Presidente acredita que o plantel ainda é curto para lutar pela fase de subida, mas pode “ombrear com qualquer equipa da série”

A análise de Nuno Quintaneiro é de que, à data da reunião, o plantel ainda não era suficiente para que o clube se pudesse apresentar como “candidato” aos lugares que dão acesso à fase de subida. Conforme explica, é possível “ombrear com qualquer equipa” da série, “mas depois vem o cansaço, a fadiga muscular, as lesões, os castigos…”. “Temos boas primeiras soluções, acho que vamos ser mais competitivos do que fomos nestes últimos dois anos, mas depois acho que nos faz falta essa entourage para podermos ser afirmativos ao longo da época”, adianta.

Dando nota de que quer que a sociedade desportiva se constitua “o mais rápido possível”, o presidente explica que este plantel incompleto dá espaço para que um novo investidor “tome conta da casa” e, “nas próximas semanas ou meses”, e suprima as lacunas do plantel.

Neste momento, o plantel do SC Beira-Mar já tem 20 jogadores apresentados: Guarda-Redes - Ricardo Benjamim e Diogo Almeida; Defesas – Jorge Silva, Sana Mané, Tiago Melo, Diogo Abdul, Tomás Sério e André Motta; Médios – Eduardo Souza, Chico Leal, Lucas Ornellas, Mariano Regal, Igor Santos e Di Matos; Atacantes – Didi, Gustavo, André Mendy, Francisco Martim, David Oliveira e Flavinho.

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