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Governo vai criar grupo de trabalho para valorizar Calçada Portuguesa

O Governo vai criar um grupo de trabalho para a Calçada Portuguesa, com o objetivo de estudar a situação desta prática profissional e artística e propor medidas que a valorizem, anunciou hoje o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto.

Governo vai criar grupo de trabalho para valorizar Calçada Portuguesa
Redação

Redação

16 jan 2026, 12:32

“O Governo prepara-se para criar um Grupo de Trabalho para a Valorização dos Calceteiros e da Calçada Portuguesa. A iniciativa pretende proteger, dignificar e assegurar a continuidade deste património cultural imaterial que é único no mundo e candidato à classificação pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade”, indicou à Lusa fonte oficial do ministério de Margarida Balseiro Lopes.

O grupo de trabalho vai ser formado por representantes nomeados pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto e pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, tendo um prazo de seis meses para apresentar um relatório final, a contar a partir da entrada em vigor do despacho do Governo.

Segundo o Governo, "este grupo “terá como missão analisar a realidade dos calceteiros, apresentar propostas concretas e fazer recomendações legislativas que assegurem a salvaguarda, a valorização e a sustentabilidade da profissão e da Calçada Portuguesa”.

Inscrita no inventário nacional do Património Cultural Imaterial desde 2021 com necessidade de salvaguarda urgente, por proposta da Associação da Calçada Portuguesa, esta prática foi alvo de uma resolução da Assembleia da República, de 2018, que recomendava a adoção pelo Governo, “em parceria com o poder local, [de] políticas de conservação da calçada portuguesa que minimizem a sua degradação, sem prejuízo da incorporação de materiais que melhorem a sua mobilidade, aderência e conforto, tanto nas zonas históricas como nas zonas recentes”.

Essa recomendação incluía, já, a proposta de promoção da “candidatura da calçada portuguesa a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, atenta a sua singularidade, internacionalmente reconhecida”.

Em março do ano passado, a candidatura à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) foi entregue à Comissão Nacional, envolvendo a Associação da Calçada Portuguesa, com mais de 50 calceteiros, a colaboração de oito municípios – Braga, Estremoz, Faro, Funchal, Lisboa, Ponta Delgada, Porto de Mós e Setúbal -, e o apoio de mais de 20 instituições nacionais públicas e privadas.

“A Calçada Portuguesa traduz-se numa forma de produção e manutenção de pavimentos por meio de um saber-fazer tradicional que está em forte declínio, devido à idade avançada dos detentores deste património imaterial. A arte de calcetar é milenar, mas a produção de Calçada Portuguesa inicia-se como uma técnica específica na primeira metade do séc. XIX, em Lisboa, […] expandindo-se por todo o país e por vários continentes”, pode ler-se na documentação patente no inventário nacional do Património Cultural Imaterial.

Com uma matéria-prima fornecida por extratores e transformadores de pedra, esta é executada no chão pelos calceteiros “com a sua mestria, por tradição viva, transmitida de pais para filhos ou adquirida, enquanto aprendiz, no exercício da profissão com outros calceteiros”.

“A dureza do trabalho, que é realizado em qualquer altura do ano, a baixa remuneração e algum estigma social associados a quem a produz, tem, contudo, afastado os mais jovens de se iniciarem nesta atividade, ao mesmo tempo que os mestres calceteiros vão desaparecendo. Assim, urge a valorização dos saberes ligados à Calçada Portuguesa, através do reforço da valorização dos donos de tais saberes: os calceteiros”, refere o mesmo texto no inventário nacional.

“Se Lisboa chegou a ter 400 calceteiros no ativo, em 1927, passaria para menos de 30, em 1979 e tem hoje pouco mais de uma dúzia (além de 4 cantoneiros de arruamento), todos em idade já avançada, além de enorme desgaste rápido das suas condições físicas, o que revela uma clara tendência para a extinção eminente desta técnica tradicional”, segundo o mesmo documento, datado de 2020 e muito focado em Lisboa.

Além de Portugal, a calçada portuguesa está presente em locais de Espanha, Gibraltar, Bélgica, Chéquia, China, com particular incidência no território de Macau, Malásia, Timor-Leste, Angola, Moçambique, África do Sul, Brasil, Estados Unidos e Canadá.

Recomendações

Setor da distribuição afasta problemas no abastecimento de produtos
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Setor da distribuição afasta problemas no abastecimento de produtos

“Não há, neste momento, nenhum constrangimento no país no abastecimento da cadeia de valor dos produtos”, assegurou o diretor geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier, em declarações à agência Lusa. Apesar de “alguns atrasos em chegadas às lojas”, face à necessidade de alterar rotas de transporte devido às várias estradas cortadas, em particular a autoestrada A1, a associação salientou que as empresas envolvidas, quer ao nível da distribuição, quer do transporte, assim como as autoridades, como a Proteção Civil, “têm sido inexcedíveis a encontrar rotas alternativas”. “Portanto, a verdade é que, mesmo com estes constrangimentos, há alternativas e não há nenhum problema logístico de abastecimento de lojas”, reiterou. Relativamente à disponibilidade de produtos, o dirigente da APED referiu que “não há peixe fresco” da costa portuguesa nas lojas “porque os pescadores não têm saído” devido à agitação do mar, mas salientou que não é por isso que “se deixa de ter peixe nas bancas”. “O que estamos é a ir buscá-lo a outras geografias, temos peixe congelado e temos peixe de viveiro de várias origens”, explicou, avançando que se está “a ir buscar bastante peixe ao norte da África”, por exemplo, mas tal “não vai ter impacto nenhum nos preços, porque já eram rotas de fornecedores habituais”. No que diz respeito a produtos agrícolas, sobretudo hortofrutícolas, Gonçalo Lobo Xavier manifestou “preocupação com os fornecedores” das regiões mais afetadas pelo mau tempo, “que viram as suas produções dizimadas e que é preciso ajudar para que recuperem rapidamente”. Já quanto à eventual escassez destes produtos nas lojas, lembrou que “Portugal não é autossuficiente, de maneira nenhuma, em produtos agrícolas, portanto cada retalhista já tem os seus fornecedores habituais de outras geografias”, podendo reforçar as encomendas do exterior em caso de necessidade. “O mercado está a funcionar, é preciso ter alguma serenidade”, enfatizou o dirigente associativo, garantindo ainda que “não há razão imediata para achar que os preços vão aumentar”. Explicando que “há muitas dinâmicas que estão a acontecer”, o diretor-geral da APED admitiu que “o mercado tem vindo, realmente, a pressionar alguns produtos, mas não é por causa destas situações” relacionadas com o mau tempo. Como exemplos, avançou o cacau e a carne, notando que esta última “tem vindo a aumentar consecutivamente de preço nos últimos tempos, ou por via de processos regulatórios ou de obrigações de legislação que obrigam a outro tipo de investimento ou porque as rações têm vindo a aumentar sucessivamente”.

Mau tempo: Suspensa circulação de Alfa Pendular e Intercidades na Linha do Norte
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Mau tempo: Suspensa circulação de Alfa Pendular e Intercidades na Linha do Norte

"Na Linha do Norte, e até informação em contrário, não se efetuam comboios Alfa Pendular”, indicou a CP - Comboios de Portugal, num ponto de situação às 13:00, referindo que durante todo o dia de hoje não se prevê também a realização de comboios Intercidades, devido ao mau tempo. Segundo a transportadora, na Linha do Norte realizam-se os serviços Regionais entre Entroncamento e Soure, entre Coimbra–Aveiro-Porto e entre Tomar e Lisboa. Em resultado dos efeitos do mau tempo, a circulação ferroviária está também suspensa na Linha da Beira Baixa, realizando-se apenas os comboios regionais entre Castelo Branco e Guarda. A circulação de comboios continua igualmente com constrangimentos na Linha de Cascais, na qual há alterações nos horários, pelo que se recomenda a sua consulta no ‘site’ cp.pt, e na Linha da Beira Alta, em que o serviço Intercidades entre Coimbra B e Guarda se realiza com recurso a material circulante diferente do habitual. Está também suspensa a circulação na Linha do Douro entre Régua e Pocinho, na Linha do Oeste e nos Urbanos de Coimbra, informou a CP, acrescentando que não se prevê o funcionamento do serviço de Comboio Internacional Celta. Também num ponto de situação pelas 13:00 de hoje, a Infraestruturas de Portugal (IP) indicou que a circulação ferroviária está suspensa em troços nas linhas da Beira Baixa, Vouga, Sintra, Cascais, Norte, Douro e Oeste, na sequência do mau tempo. Como novos condicionamentos na circulação ferroviária, segundo a IP, regista-se a suspensão dos troços entre Ródão e Sarnadas, na Linha da Beira Baixa, e entre Oliveira Azeméis e Pinheiro da Bemposta, na Linha do Vouga. Mantém-se suspensa a circulação na Linha de Sintra na via descendente externa entre Cacém e Monte Abraão; na Linha de Cascais na via ascendente entre Algés e Caxias; na Linha do Norte entre Alfarelos e Formoselha; na Linha do Douro entre Régua e Pocinho; na Linha do Oeste entre Mafra e Amieira; e na Concordância de Xabregas entre Lisboa Santa Apolónia e a Bifurcação Chelas. Estas perturbações na circulação ferroviária resultam das condições meteorológicas adversas das últimas semanas, em particular desde 28 de janeiro, devido à depressão Kristin, “com impacto na infraestrutura devido a inundações, à queda de árvores e detritos”, realçou a IP. De acordo com a empresa pública que gere as infraestruturas rodoviárias e ferroviárias, estas ocorrências estão a afetar a normal exploração ferroviária em vários troços, exigindo intervenções técnicas para a reposição das condições de segurança e regularidade do serviço. Por isso, as equipas da IP encontram-se no terreno a desenvolver “todos os esforços” para resolver a situação e repor, com a maior brevidade possível, as condições de circulação e de segurança. Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

Mau tempo: Depressão Nils traz chuva e vento fortes apesar de não afetar diretamente Portugal
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Mau tempo: Depressão Nils traz chuva e vento fortes apesar de não afetar diretamente Portugal

Num comunicado, o IPMA refere que o continente português “não será influenciado diretamente pela depressão Nils”, que “tem associado um sistema frontal que transporta uma massa de ar quente e húmido para a Península Ibérica”. “Assim, para dia 11 está prevista chuva persistente e por vezes forte nas regiões Norte e Centro, sendo menos intensa na região Sul”, acrescenta o instituto. De acordo com o IPMA, o vento irá soprar por vezes forte, com rajadas até 75 km/h, podendo atingir 100 km/h nas terras altas, em particular nas regiões a norte do rio Mondego. Quanto à agitação marítima, “continua forte na costa ocidental”, prevendo-se ondas de noroeste com 4 a 6 metros de altura significativa, podendo atingir 11 metros de altura máxima a norte do Cabo Mondego. O IPMA já emitiu avisos amarelo e laranja para chuva, vento e agitação marítima. Estão com aviso laranja devido à previsão de chuva “persistente e por vezes forte” os distritos de Coimbra, Viseu, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro e Braga. Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.

António José Seguro ganhou no distrito de Aveiro
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André Ventura obteve 32,50%, segundo os dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna - Administração Eleitoral.

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Universidade de Aveiro recebe 1.º Fórum de Investigação no Oceano
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Universidade de Aveiro recebe 1.º Fórum de Investigação no Oceano

O encontro é promovido pelo Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro (CESAM) e terá lugar no Anfiteatro Renato Araújo, no Edifício Central e da Reitoria da UA. O objetivo passa por promover uma visão estratégica comum sobre áreas centrais da investigação marinha, incluindo observação do oceano, alterações climáticas, gestão de recursos e biodiversidade, poluição e impactos costeiros, aquacultura, biotecnologia, governação do mar, ordenamento do espaço marinho, educação e financiamento da investigação. Entre os oradores convidados encontram-se vários investigadores de instituições nacionais, entre os quais Ana Colaço, Isabel Iglésias, Paula Chainho, Bernardo Duarte, Newton Gomes, Luís Menezes Pinheiro, Adelaide Ferreira, Rute Martins, Ricardo Salgado e Susana Moreira. A sessão de abertura contará com intervenções de Amadeu Soares, diretor do CESAM, e de Artur Silva, vice-reitor da Universidade de Aveiro. Segue-se uma apresentação de José Guerreiro sobre as opções estratégicas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para a investigação e monitorização do oceano. No final do encontro será apresentado um documento com as conclusões gerais do fórum, por Adelino Canário. A sessão de encerramento contará com a participação de Helena Canhão, secretária de Estado da Ciência e Inovação, e por Paulo Jorge Ferreira, reitor da UA. O programa inclui ainda uma mesa-redonda gravada para transmissão na TSF, moderada pelo jornalista Marco António, com a participação de representantes da investigação, da administração pública e de entidades do setor do mar. O evento é organizado pelo CESAM em parceria com o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto e Instituto Politécnico do Porto; Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve; Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) e Instituto de Ciências Marinhas (OKEANOS) da Universidade dos Açores.

Arrancam trabalhos de pavimentação na Avenida Marginal do Porto de Pesca do Largo
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Arrancam trabalhos de pavimentação na Avenida Marginal do Porto de Pesca do Largo

Segundo informação divulgada pela Administração do Porto de Aveiro, a obra insere-se num projeto mais amplo de valorização desta zona portuária, com o objetivo de aumentar a resiliência da infraestrutura face às alterações climáticas. No âmbito da empreitada foi já construído um muro de contenção ao longo da linha de água, solução que permitiu mitigar as inundações que ocorriam durante períodos de marés vivas. A intervenção representa um investimento de cerca de 4,5 milhões de euros e deverá estar concluída em meados de julho deste ano. Entre os principais trabalhos previstos destacam-se a construção de um muro de betão armado ao longo da retenção marginal, a requalificação do pavimento da avenida, a criação de uma ciclovia partilhada, o reforço da retenção marginal, a intervenção na iluminação pública e a implementação de uma rede de combate a incêndios. Nesta fase, a área intervencionada terá uma extensão aproximada de 1300 metros. A zona já foi também dotada de novos cabeços de amarração, parque de estacionamento e lugares individuais ao longo da via, no âmbito da mesma empreitada. A Avenida Marginal do Porto de Pesca do Largo desempenha um papel relevante na atividade portuária ligada à pesca do largo, servindo atualmente 17 pontes-cais utilizadas por empresas dedicadas à pesca, processamento, congelamento e distribuição de pescado.

Jovens Trabalhadores Socialistas de Aveiro criticam Governo nas negociações do pacote laboral
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Jovens Trabalhadores Socialistas de Aveiro criticam Governo nas negociações do pacote laboral

Em comunicado enviado às redações, a estrutura critica diretamente a atuação da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, considerando que tem revelado “pouca abertura para acolher contributos que reforcem os direitos laborais, combatam a precariedade e promovam maior estabilidade nas relações de trabalho”. Segundo os Jovens Trabalhadores Socialistas de Aveiro, a concertação social deve constituir um espaço de diálogo e compromisso entre empregadores, trabalhadores e Estado. No entanto, defendem que as negociações das últimas semanas têm sido marcadas por uma postura governativa “excessivamente rígida” e por uma aproximação às posições das confederações patronais. A estrutura sublinha que esta realidade pode ter impactos particularmente negativos para os jovens trabalhadores, lembrando que Portugal continua a apresentar níveis elevados de precariedade laboral entre os mais jovens, caracterizados por contratos a termo, vínculos instáveis, baixos salários e reduzidas perspetivas de progressão profissional. No entendimento da federação, o direito do trabalho não deve ser encarado apenas como um instrumento de competitividade económica, mas antes como um pilar do Estado Social e da justiça laboral. O comunicado critica ainda a posição das confederações patronais, acusadas de insistirem numa visão centrada na flexibilização do mercado de trabalho “muitas vezes em detrimento da segurança e da dignidade do trabalho”. Os Jovens Trabalhadores Socialistas de Aveiro defendem que o país precisa de políticas públicas que promovam emprego estável, salários dignos e trajetórias profissionais previsíveis para as novas gerações. Nesse sentido, apelam às confederações patronais para que permitam retomar negociações “sérias” e à ministra do Trabalho para que abandone o que consideram ser uma postura de inflexibilidade, reassumindo o papel de garante de um processo de concertação social equilibrado. O comunicado é assinado por Gabriel Maia, coordenador federativo da estrutura e membro do secretariado nacional dos Jovens Trabalhadores Socialistas.

PS-Aveiro prepara nova disputa interna com eleições da concelhia previstas para maio ou junho
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PS-Aveiro prepara nova disputa interna com eleições da concelhia previstas para maio ou junho

O Partido Socialista tem eleições diretas para secretário-geral marcadas para os dias 13 e 14 de março. Segue-se o congresso nacional do partido, que se realiza em Viseu, nos dias 27, 28 e 29 de março. Dentro do partido existe a perspetiva de que, após a realização do congresso, os órgãos nacionais se reúnam para aprovar um novo calendário eleitoral interno, onde deverão ficar definidas as datas das eleições para as concelhias e federações distritais. Entre dirigentes socialistas é generalizada a convicção de que as eleições para as estruturas concelhias deverão ocorrer entre maio e junho. Tal como a Ria noticiou após as eleições autárquicas, o melhor resultado eleitoral do PS-Aveiro nos últimos vinte anos não foi suficiente para reconquistar a Câmara Municipal, mantendo-se o partido na oposição após seis eleições autárquicas consecutivas sem vencer no concelho. Internamente, o partido continua dividido em duas principais fações. De um lado encontra-se o grupo liderado por Alberto Souto, Eduardo Feio e Filipe Neto Brandão, onde se insere também a atual presidente da concelhia do PS-Aveiro, Paula Urbano Antunes. Do outro lado está o grupo liderado por Manuel Sousa, antigo presidente da concelhia socialista e atualmente vice-presidente da estrutura distrital, onde se integra também João Sarmento, atual presidente da Juventude Socialista (JS) de Aveiro, e Mário Costa, ex-deputado socialista na Assembleia Municipal até às últimas eleições autárquicas. As disputas entre estes dois blocos têm marcado a vida interna do partido nos últimos anos. Um dos exemplos mais recentes ocorreu nas eleições internas de outubro de 2022, quando Paula Urbano Antunes venceu Manuel Sousa por 116 votos contra 85. A diferença foi curta: bastaria que 16 militantes tivessem invertido o sentido de voto para o resultado final ser diferente. Com a aproximação de novas eleições internas começam também a surgir os primeiros nomes. Do lado da fação ligada a Manuel Sousa, o nome mais falado para liderar uma candidatura à concelhia é o de Mário Costa, antigo deputado na Assembleia Municipal de Aveiro, ex-gerente bancário e ex-presidente do SC Beira-Mar, considerado um dos homens de maior confiança do antigo líder da concelhia. Já no grupo político associado a Alberto Souto não é descartada a possibilidade de uma recandidatura de Paula Urbano Antunes, embora também seja apontado o nome do atual vereador socialista na Câmara Municipal de Aveiro, Leonardo Costa. Outras fontes socialistas recordam ainda que Eduardo Feio terminou recentemente o seu percurso na liderança do Conselho de Administração do Porto de Aveiro, o que poderá permitir um regresso a uma participação mais ativa na vida interna do partido, depois de um período em que a sua intervenção política esteve mais limitada pelas funções que desempenhava. Entre militantes próximos da atual liderança concelhia existe também a convicção de que o grupo de Manuel Sousa demonstrou falta de solidariedade durante a campanha autárquica de 2025. Segundo estes socialistas, Manuel Sousa e alguns dos seus aliados não terão colaborado nem demonstrado entusiasmo com a candidatura de Alberto Souto. Para este grupo de militantes, a situação torna-se ainda mais difícil de compreender tendo em conta que Manuel Sousa ocupa atualmente o cargo de vice-presidente da distrital do partido e terá tido uma presença pouco visível na campanha socialista. Neste campo político também se questiona a capacidade de Mário Costa para liderar a concelhia, argumentando que não ocupa atualmente qualquer posição de combate político direto ao executivo municipal, uma vez que não integrou candidaturas do partido aos órgãos autárquicos nas últimas eleições. Entre estes socialistas defende-se que poderá ser uma vantagem que a liderança do partido seja assumida por alguém que tenha presença na Câmara Municipal ou na Assembleia Municipal, garantindo maior capacidade de intervenção política. Do lado oposto, os militantes próximos de Manuel Sousa apresentam uma leitura diferente da história recente do partido. Segundo estes socialistas, a fação liderada por Alberto Souto também demonstrou falta de colaboração em eleições anteriores, nomeadamente nas autárquicas de 2017 e 2021, quando era necessário enfrentar politicamente a liderança de José Ribau Esteves. Neste grupo existe a convicção de que o setor político de Alberto Souto evitou assumir diretamente esse combate eleitoral, ao mesmo tempo que mantinha posições relevantes ligadas ao partido ou ao Estado. Entre os exemplos apontados estão o mandato de Filipe Neto Brandão como deputado à Assembleia da República, as funções desempenhadas por Eduardo Feio na liderança do Instituto da Mobilidade e dos Transportes e, posteriormente, do Porto de Aveiro, ou ainda a passagem de Alberto Souto pelo Governo de António Costa como secretário de Estado. Manuel Sousa também não esquece um artigo de opinião publicado por Alberto Souto no Diário de Aveiro dias depois das eleições autárquicas de 2021, onde o antigo autarca criticou duramente a estratégia seguida pela direção concelhia nessas eleições. Entre os apoiantes de Manuel Sousa, esse episódio é frequentemente recordado como um exemplo de deslealdade interna, por levar para a esfera pública assuntos que, defendem, deveriam ter sido discutidos nos órgãos do partido. Apesar de ter suspendido o mandato como vereador na Câmara Municipal de Aveiro após as eleições autárquicas de 2025, Alberto Souto continua a ter uma presença relevante na vida interna do partido. Segundo vários militantes socialistas, o antigo autarca mantém um papel ativo na definição de posições políticas e estratégias de oposição ao executivo municipal liderado por Luís Souto. Entre setores críticos dentro do PS-Aveiro, esta influência é vista como um sinal da forte dependência do partido em relação à sua figura, sendo apontada por alguns militantes como um dos fatores que tem dificultado a renovação interna da estrutura concelhia. Entre os militantes próximos desta fação existe ainda a convicção de que a atual liderança concelhia está politicamente esgotada e sem capacidade para renovar os quadros do partido. Como exemplo, apontam o facto de pessoas do círculo pessoal e político mais próximo de Eduardo Feio ocuparem atualmente cargos autárquicos pelo PS, nomeadamente na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal. Para estes militantes, esta situação revela não apenas dificuldades na renovação interna, mas também uma tendência para o grupo se fechar sobre si próprio, privilegiando círculos de proximidade em detrimento da abertura a novos protagonistas. Outra incógnita prende-se com o posicionamento de militantes socialistas com tradição no partido. Nomes como Pedro Pires da Rosa, ex-presidente da concelhia e ex-deputado na Assembleia Municipal, e Francisco Picado, ex-líder da bancada socialista na Assembleia Municipal, que nos últimos anos tiveram intervenção ativa no debate político local, parecem atravessar atualmente um período de maior afastamento dos órgãos partidários. Segundo militantes socialistas ouvidos pela Ria, o PS-Aveiro terá atualmente cerca de 150 militantes ativos com quotas em dia, números considerados reduzidos para um partido que pretende recuperar o poder autárquico perdido em Aveiro em 2005. Num cenário de nova disputa interna, acredita-se que a diferença entre candidatos possa voltar a ser reduzida, com valores semelhantes aos registados nas últimas eleições internas. Com um novo cenário de divisão que se perspetiva para os próximos meses no PS-Aveiro, Luís Souto, atual presidente da Câmara Municipal de Aveiro, esfrega neste momento as mãos. As divisões internas no PS-Aveiro e a falta de quadros, as soluções encontradas pelo partido para satisfazer Ribau Esteves e Rogério Carlos (novo presidente da CCDR-Centro e novo vogal do Conselho de Administração do Porto de Aveiro), somadas à lista única apresentada à liderança da secção local do PSD-Aveiro, são ingredientes essenciais para a serenidade e estabilidade que Luís Souto procura para governar a Câmara Municipal de Aveiro. Ainda assim, entre militantes socialistas existe a convicção de que é cedo para antecipar o futuro político no concelho. Alguns defendem mesmo que Luís Souto ainda não demonstrou preparação suficiente para o cargo que ocupa, apontando como exemplo posições recentes assumidas pelo PS em comunicados públicos. Entre estes socialistas acredita-se também que a chamada “lista de união” apresentada no PSD poderá representar apenas um adiamento de tensões internas, que poderão surgir quando se aproximarem as decisões sobre a composição de futuras listas autárquicas e os equilíbrios entre os vários presidentes de junta ligados ao partido. Independentemente dos nomes que venham a avançar, uma coisa parece certa: os próximos meses serão decisivos para o futuro do PS-Aveiro, num processo interno que poderá redefinir lideranças, equilíbrios e estratégias no principal partido da oposição no concelho.