Alberto Souto entrega listas do PS no Tribunal de Aveiro com várias caras novas
A candidatura do Partido Socialista (PS) entregou hoje, 13 de agosto, as listas de candidatos para a Câmara Municipal (CM), Assembleia Municipal (AM) e para as Juntas de Freguesia do Município de Aveiro. Neste ato eleitoral, o partido aposta em vários independentes em lugares elegíveis. À conversa com os jornalistas, Alberto Souto, cabeça-de-lista à Câmara Municipal, garante que é “fácil e possível conseguir consensos entre pessoas de diferentes sensibilidades quando estamos a falar de defender os interesses da nossa terra”.
Redação
De acordo com o candidato, é um sinal de que a candidatura é agregadora e conseguiu juntar pessoas que não têm militância partidária. É o caso de Rui Castilho Dias e Marta Ferreira Dias, terceiro e quarto candidatos à CMA, que aparecem nas listas sem experiência política. Alberto Souto afirma que não é um problema, uma vez que “não é preciso tirar um curso” para estar na política. Por outro lado, enaltece a importância de ter candidatos com diferentes competências e percursos, o que até torna o processo mais fácil se os eleitos tiverem de assumir diferentes pelouros. De acordo com Alberto Souto, fica a mensagem de que os consensos são “fáceis e possíveis” quando diferentes aveirenses discutem a sua terra.
Embora a intenção tenha sido levar a cabo uma “renovação profunda”, Alberto Souto dá destaque também a um “sinal de continuidade”. O candidato recusa algum tipo de afastamento em relação à anterior concelhia do partido, liderada por Manuel Sousa, ex-candidato socialista à CMA nas eleições autárquicas de 2017 e 2021, e dá o exemplo de Fernando Nogueira e Rosa Venâncio, que dão o salto da vereação para a lista de candidatos à Assembleia Municipal, como pessoas que garantem a continuidade.
A candidatura à Assembleia Municipal é liderada pela ex-deputada à Assembleia da República (AR), Cláudia Cruz Santos, também presente na entrega das listas de candidatos no Tribunal de Aveiro. À Ria, a cabeça-de-lista diz que aceitou o convite para integrar as listas do PS por se rever na proposta liderada por Alberto Souto e por acreditar que tem algo a acrescentar. Cláudia Cruz Santos, que nasceu e reside em Aveiro, relembra que presidiu à Comissão Eventual para acompanhamento da Agenda Anticorrupção e que foi vice-presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais na AR, o que considera que deu-lhe uma “útil experiência em contextos de conflitualidade e de opinião diversa”. Nesse sentido, a candidata afirma ter competências para mudar o “estilo autoritário e pouco atento que se tem cultivado” na Assembleia Municipal de Aveiro.
Alberto Souto promete que “não volta a acontecer” o que se passou no seu último mandato
Vinte anos volvidos desde que deixou de ser presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Alberto Souto afirma que “se não sentisse energia e vontade de fazer diferente” não voltava a entrar na corrida à autarquia. Contudo, considera-se hoje “mais prudente” e “sem ilusões” em relação à “capacidade do Estado de ajudar a resolver problemas”. Nesse sentido, o candidato critica a “inércia confrangedora” do Estado, que deixou parados alguns projetos durante 20, 30 ou 40 anos, conforme diz já ter vindo a apresentar na sua rubrica de Facebook “Rota das Oportunidades”.
No que diz respeito à gestão das contas públicas, Alberto Souto promete que “o que aconteceu há 20 anos não volta a acontecer”, numa referência direta à sua gestão financeira. De acordo com o ex-presidente da autarquia aveirense, o que desequilibrou a tesouraria foi a construção do Estádio Municipal de Aveiro, um processo em que considera ter sido duplamente “defraudado” pelo Estado. Primeiro, porque os pressupostos financeiros segundo os quais a CMA se candidatou não foram cumpridos, ou seja, o valor do Estádio foi muito superior àquilo que tinha sido apontado pela Federação Portuguesa de Futebol. Depois, porque o envelope de apoio financeiro teve de ser dividido pela construção de dez estádios, mais quatro do que os inicialmente previstos. Não obstante, Alberto Souto “não esquece” que a decisão da construção do Estádio foi aprovada por unanimidade numa Câmara com maioria de vereadores do PSD e do CDS (três vereadores eleitos pelos sociais-democratas e dois centristas, contra quatro socialistas). Apesar dos problemas, Alberto Souto lembra que a Câmara “tinha muitas obras em curso e alterou a realidade de Aveiro”. “Das mil coisas que fizemos, houve uma que correu mal, à qual fomos alheios”, conclui.
A “prudência” não é sinónimo de fazer menos, garante o candidato, que se propõe a cumprir com aquilo que constar do seu programa, ao qual chama um “guião” para o próximo mandato. No entanto, Alberto Souto entende que, antes de fazer promessas, precisa de avaliar a situação financeira da CMA. O ex-autarca recorda que “houve muitos concursos a serem abertos” no último ano que podem ter impacto nas contas da autarquia, deixando no ar aquilo que já vários candidatos autárquicos apontam como uma certeza: a subida significativa da dívida da autarquia no ano de 2025 – até porque representa o ano do investimento de mais de 22 milhões de euros na construção do Pavilhão ‘Oficina do Desporto’, uma obra integralmente suportada por via de uma empréstimo bancário contraído pela autarquia.
Embora confie na seriedade dos serviços financeiros da Câmara, acredita que só depois de falar com eles é que poderá avaliar a necessidade de uma auditoria às contas do município (uma proposta que, recorde-se, o Chega já apresentou). Alberto Souto aponta algumas “situações estranhas” no urbanismo, mas assume que também não está interessado em fazer uma “caça às bruxas” pós-eleitoral.
Como principais preocupações, Alberto Souto volta a destacar a habitação, os espaços verdes e a mobilidade, campos em que diz que o Município de Aveiro tem ficado para trás ao longo dos últimos anos.
PS aposta em renovação total da lista à Câmara com independentes e figuras ligadas à Universidade de Aveiro
Alberto Souto já tinha prometido e acabou por se confirmar: a lista do Partido Socialista à Câmara Municipal apresenta-se numa lógica de renovação profunda. Depois do partido ter sofrido uma dos piores resultados eleitorais da sua história, nas eleições autárquicas de 2021, o atual candidato socialista – um dos maiores críticos da estratégia seguida nessas eleições – opta agora por muitas caras novas, com uma maioria significativa de candidatos independentes, sem qualquer filiação partidária.
Alberto Souto está consciente do desafio eleitoral que tem pela frente e a ausência total de candidatos repetentes na lista à Câmara, bem como a integração de independentes de perfil técnico e académico, indicam da melhor forma a preocupação do candidato socialista em alargar a base eleitoral do PS-Aveiro e conquistar setores fora do aparelho partidário. Uma espécie de único caminho para a vitória.
Nenhum dos candidatos que integram a lista à Câmara Municipal transita da lista apresentada nas últimas eleições autárquicas, sendo que apenas Alberto Souto e Paula Urbano Antunes já ocuparam anteriormente funções como autarcas. Esta última, tal como a Ria já tinha avançado, era um dos nomes mais falados para integrar a equipa de Alberto Souto. A atual presidente da concelhia do PS-Aveiro foi sempre vista como um ‘braço direito’ do candidato socialista e acaba, sem surpresas, por ser escolhida como número dois à Câmara Municipal. É licenciada em Psicologia pela Universidade de Coimbra e desde 1997 que o seu percurso profissional tem sido no Centro de Emprego de Aveiro (IEFP), onde ainda no início de 2024 viu a sua comissão de serviço ser renovada, por mais três anos, como subdelegada Regional do Centro.
Logo de seguida, entre os nomes em destaque, estão dois independentes: Rui Castilho Dias e Marta Ferreira Dias – ambos com ligação à Universidade de Aveiro. O primeiro é licenciado em Administração Pública pela Universidade de Aveiro e é atualmente manager na Minsait, uma consultora da área da tecnologia, inovação e modernização digital. No seu percurso profissional, disponível no Linkedin, para além de passagens pela Deloitte e pela PT Inovação, encontram-se várias experiências em projetos europeus, como o Aveiro Tech City, e uma experiência na Agência para a Modernização Administrativa, onde participou na implementação do “Espaço do Cidadão” e da “Loja do Cidadão”. Destaca-se ainda o seu cargo na atual direção da Ciclaveiro, uma associação aveirense promotora do uso de bicicleta que se tem afirmado ao longo dos últimos anos como muito crítica da estratégia seguida pelo Município de Aveiro na área da mobilidade.
Já Marta Ferreira Dias, uma das maiores surpresas, é doutorada em Economia pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, e mais um elemento que entra nas listas de Alberto Souto com ligação direta à Universidade de Aveiro, onde tem feito carreira ao longo dos últimos 25 anos. Atualmente é professora associada no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT-UA), investigadora na Unidade de Investigação em Governação, Competitividade e Políticas Públicas (GOVCOPP) e ainda diretora da Licenciatura em Economia.
A candidatura à Câmara é ainda composta por mais três pessoas ligadas à Universidade de Aveiro: Susana Sardo e Óscar Mealha, ambos professores catedráticos no Departamento de Comunicação e Arte (DECA-UA), e ainda Leonardo Costa – um jovem que tem sido visto por diversas vezes ao lado de Alberto Souto, sento atualmente gestor de projetos na agência de publicidade aveirense Amazing Factory e ainda professor adjunto convidado da Licenciatura em Gestão Pública da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA-UA). Leonardo Costa, segundo informações recolhidas pela Ria, é uma escolha exclusiva de Alberto Souto, não tendo sido indicado pela concelhia da Juventude Socialista (JS).
Já na lista à Assembleia Municipal, Alberto Souto opta por um equilíbrio entre a renovação e a manutenção de quadros com experiência em órgãos municipais. Tal como anunciado em primeira mão pela Ria, a lista será liderada por Cláudia Cruz Santos, ex-deputada à Assembleia da República, eleita como independente nas listas do PS, e professora associada da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Seguem-se Fernando Nogueira e Rosa Venâncio, ambos a transitar de vereadores da oposição, e João Ribeiro, independente e diretor delegado dos Serviços de Ação Social da UA. A lista inclui também Rosa Aparício, líder das Mulheres Socialistas da concelhia PS-Aveiro, e nomes que repetem presença na lista, face a 2021, como Jorge Gonçalves, Sara Tavares e João Sarmento (líder da JS-Aveiro), mas agora em lugares elegíveis.
Por último, a fechar a lista à Câmara Municipal destaca-se ainda a escolha de Vasco Sacramento, neto do histórico aveirense Mário Sacramento e atualmente proprietário de uma das maiores agências de agenciamento e produção cultural, em Portugal, com escritórios em Aveiro – a Sons em Trânsito. Também a fechar a lista à Assembleia Municipal pode-se encontrar Pedro Pires da Rosa. Visto como um dos melhores elementos da bancada do PS na Assembleia Municipal de Aveiro, o também ex-presidente da concelhia do PS-Aveiro acaba por, surpreendentemente, não continuar nas mesmas funções, mas não quis deixar de dar um sinal simbólico de apoio a Alberto Souto com a sua participação a fechar a lista à Assembleia Municipal.
A Ria sabe que nos bastidores do partido vive-se um clima de grande otimismo em relações às próximas eleições autárquicas. Vários militantes socialistas, abordados pela Ria, afirmam que este é o ano do "tudo ou nada" e apontam como grandes vantagens competitivas nesta disputa eleitoral a saída de José Ribau Esteves, a "desunião que se sente no PSD-Aveiro com várias demissões na concelhia" e a "inexperiência" que apontam a Luís Souto e que, recordam, foi também uma das críticas dirigidas ao candidato social-democrata pelo próprio Ribau Esteves. Apesar disso, o aparelho socialista está muito expectante relativamente ao resultado do Chega, apesar de acreditarem que o crescimento deste partido terá mais impacto no eleitorado da coligação 'Aliança Mais Aveiro'.
A lista de candidatos à Câmara Municipal
Paula Urbano Antunes
Rui Castilho Dias
Marta Ferreira Dias
Leonardo Costa
Isabel Vila-Chã
Pedro Roseiro
Susana Sardo
Óscar Mealha
Nuno Marques Pereira
Ana Rita Cunha
Vasco Sacramento
A lista de candidatos à Assembleia Municipal
Cláudia Cruz Santos
Fernando Nogueira
Rosa Venâncio
João Ribeiro
Rosa Maria Aparício
Jorge Gonçalves
Sara Tavares
João Sarmento
Catarina Feio
Nuno Baptista
Sílvia Martins
João Amaral
Cláudia Oliveira Santos
Miguel Araújo
Francisca Nicolau
Duarte Ferreira Dias
Miriam Coelho
Tiago Nunes
Ana Cristina Diniz
André Mesquita
Marta Maia Santos
Regina Alves
Diogo Carqueijo
Ivone Lopes
Nuno Simões de Oliveira
Isabel Velada
Pedro Pires da Rosa
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Antiga Capitania recebe exposição “Portugal Triste: Fotografia Vernacular no século XIX e XX”
A exposição propõe uma reflexão sobre a memória visual de Portugal ao longo do século XX, recorrendo à fotografia vernacular e amadora. Trata-se de um retrato construído a partir de imagens produzidas sem ambição artística, originalmente destinadas ao uso privado, ao álbum familiar ou ao registo casual do quotidiano. Reunindo fotografias datadas entre o final do século XIX e a década de 1980, adquiridas por Nuno Resende em feiras e alfarrabistas, a mostra confronta a ideia de uma contemporaneidade “limpa e progressiva” com a “materialidade crua do quotidiano”. Segundo a organização, as imagens revelam um país de gestos repetidos, trabalho árduo, “modernidades tímidas” e persistências sociais, expondo o absurdo e a escala humana face à arquitetura e à paisagem. Organizada em nove núcleos temáticos, a exposição constrói uma narrativa onde o trabalho, a cidade e a identidade se cruzam através de um “olhar atento”. Entre o espólio apresentado, destacam-se várias imagens inéditas sobre Aveiro, que oferecem uma nova perspetiva documental sobre a história e o quotidiano da cidade e da região. A exposição ficará patente no Edifício da Antiga Capitania até ao dia 12 de abril. A visita tem entrada livre e pode ser feita no horário normal de funcionamento do edifício.
PSP anuncia vários investimentos em instalações no Comando Distrital de Aveiro
Durante a sessão solene do 139.º aniversário do Comando Distrital de Aveiro da PSP, que decorreu no município de Ovar, Virgínia Cruz destacou o esforço conjunto da direção nacional e dos municípios na reabilitação de instalações deste comando distrital. Entre as intervenções previstas está a construção da nova esquadra da PSP de Ovar, num investimento de 2,4 milhões de euros, cujo concurso ficou deserto por falta de interessados. Virgínia Cruz referiu que a autarquia lançou um novo concurso público, manifestando-se otimista quanto à sua adjudicação e início da obra, uma vez que, poucos minutos antes, o presidente da Câmara tinha anunciado que a autarquia estava "a dias de fazer a adjudicação". Para além desta obra, a responsável disse que está a decorrer atualmente a reabilitação da esquadra de São João da Madeira, com o apoio da Câmara Municipal, estando previstas para o corrente ano intervenções de reabilitação na sede do comando distrital e na sede da Divisão Policial de Aveiro. A diretora nacional adjunta referiu ainda que foi apresentada uma proposta à tutela para a relocalização da esquadra de Santa Maria da Feira, tendo sido inscrita a reabilitação da divisão policial de Espinho no próximo quadro da Lei de Programação de Infraestruturas e Equipamentos das Forças e Serviços de Segurança, do Ministério da Administração Interna. No seu discurso, Virgínia Cruz sublinhou ainda o papel da PSP durante e após a passagem da depressão Kristin, lembrando que o comando de Aveiro foi um dos primeiros a responder ao pedido de reforço dos comandos mais afetados, em especial o comando distrital de Leiria. “No meio destas crises esquecemos que as mesmas também afetam os polícias não só na esfera profissional, mas também na esfera pessoal. Ainda assim, nada demove o espírito dos profissionais da PSP que continuaram e continuam a dar o seu melhor todos os dias”, observou. O comandante do Comando Distrital de Aveiro da PSP, António Monteiro, também evidenciou a forma como os polícias desempenharam a sua missão durante este período. “Obrigado por terem instintivamente dito presente quando foram chamados a reforçar aqueles que estiveram no centro do furacão e mesmo perdendo grande parte do seu património continuaram a ser polícias”, afirmou. António Monteiro, que assumiu o comando distrital a 20 de outubro, disse que o maior objetivo continua a ser aumentar a proximidade da polícia aos cidadãos e incrementar a sua visibilidade na via pública, nos estabelecimentos de ensino e nos estabelecimentos comerciais. Nesse sentido, o responsável defendeu que se revela de extrema importância a implementação de sistemas de videovigilância como complemento à atividade policial, adiantando que espera dar continuidade a todos os projetos iniciados e se possível alargar os sistemas a todas as cidades na área de responsabilidade da PSP. De acordo com o balanço anual apresentado, o Comando Distrital de Aveiro da PSP realizou, em 2025, 1.200 detenções, sendo 994 em flagrante delito e 206 mandados de detenção. Na área da prevenção e segurança rodoviária, foram realizadas 814 operações de fiscalização de trânsito, 11.604 testes de despiste de álcool, tendo sido controladas 142.434 viaturas por radar e fiscalizadas 45.046 viaturas. A PSP processou 32.444 infrações ao código da estrada, sendo 978 muito graves, 4.742 graves e 26.724 leves. Em termos de sinistralidade, foram participados 2.336 acidentes, dos quais resultaram cinco vitimas mortais, 24 feridos graves e 677 feridos ligeiros. O comando distrital da PSP de Aveiro, que conta este ano com quase 500 polícias, encontra-se implementado numa área de responsabilidade de 188 quilómetros quadrados, abrangendo os municípios de Aveiro, Espinho, Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Ovar, e serve uma população residente de 153 mil habitantes.
JS ataca Luís Souto e insiste pela criação do Conselho Municipal da Juventude
A solução apresentada pelo executivo, de acordo a JS-Aveiro, “não substitui [o Conselho Municipal da Juventude] nem cumpre o que está legalmente previsto”. Na nota, os socialistas recordam que, há cinco anos, Luís Souto, à época presidente da Assembleia Municipal, votou ao lado de PSD e CDS para barrar a criação do órgão, proposta pelo PS - “uma proposta que visava apenas cumprir a Lei n.º 8/2009, que determina a criação dos Conselhos Municipais de Juventude”, sublinham. No comunicado assinado por João Sarmento, presidente da concelhia da JS-Aveiro, os jovens socialistas vão mais longe e apontam que “o Conselho Consultivo da Juventude foi uma solução improvisada para contornar a lei”. Na ótica da JS, o órgão “não tem enquadramento equivalente ao Conselho Municipal de Juventude previsto na legislação, não assegura a representatividade exigida e não garante os mecanismos formais de participação juvenil que a lei consagra”. A JS considera ainda que o Conselho atualmente existente tem sido “totalmente inoperante”, com apenas três reuniões em quatro anos. Para além das poucas reuniões, a juventude partidária acusa ainda a autarquia por nunca ter convidado a Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) a participar.
PSD-Aveiro: Luís Souto vence concelhia, Emídio Sousa renova mandato na distrital
Na concelhia de Aveiro do PSD, até agora presidida por Firmino Ferreira, deputado à Assembleia da República, Luís Souto foi eleito com 81 votos, tendo-se registado ainda oito nulos e quatro brancos. O autarca aparece neste cargo como solução de consenso entre as duas fações que já se perfilavam para lutar pela presidência da concelhia. Recorde-se que, em dezembro, Firmino Ferreira chegou a anunciar a sua candidatura e que Nelson Santos, presidente da Junta de Freguesia de Cacia, também se perfilava para assumir a disputa. Os dois sociais-democratas integram agora os órgãos da concelhia, que são também reforçados com a presença de quase todos os presidentes de Junta do PSD no concelho: Nelson Santos (Cacia), Catarina Barreto (Aradas), Óscar Ratola (Santa Joana), Rui Cordeiro (Esgueira), Cristina Gonçalves (São Jacinto), Carolina Santos (Oliveirinha) e Miguel Silva (Requeixo, Nossa Senhora de Fátima e Nariz). Ficam de fora apenas Sara Rocha (Eixo e Eirol) e Pedro Mónica (São Bernardo). Na distrital do PSD, Emídio Sousa renovou a liderança do partido com 88% dos votos, de acordo com uma nota enviada à Ria. Segundo afirma, depois de um ciclo de preparação, o também deputado à Assembleia da República antevê que este seja um mandato para “executar”. Depois de reeleito, o presidente realça a mobilização dos militantes do partido e aponta que, “quando há uma lista única, costuma verificar-se uma desmobilização”. “O distrito de Aveiro mostrou a sua força, capacidade de organização e uma profunda ligação às comunidades”, refere.
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Incêndios: Cinco anos e meio de prisão para homem que ateou dois fogos em Castelo de Paiva
O arguido, que se encontra em prisão preventiva, foi condenado a quatro anos de prisão por cada um dos dois crimes de incêndio florestal de que estava acusado, tendo-lhe sido aplicada uma pena única de cinco anos e meio de prisão, em cúmulo jurídico. Durante o julgamento, o arguido remeteu-se ao silêncio, mas o coletivo de juízes teve em conta as declarações prestadas pelo mesmo em primeiro interrogatório judicial, quando foi detido em 16 de julho de 2025. Na altura, perante a juíza de instrução criminal, o arguido começou por dizer que, após o jantar, esteve num café, com uns amigos, a beber umas cervejas, afirmando não se lembrar de nada, desde que saiu do café até chegar a casa. Após insistência da magistrada, acabou por admitir que praticou os factos descritos na acusação, agindo sob o efeito do álcool. “Já não bebia há dois anos e meio e nesse sábado exagerei (…). Estava muito calor e caí na tentação de beber cerveja”, declarou o arguido, afirmando não ter uma explicação para o sucedido. O arguido já foi condenado a quatro anos de prisão, suspensa por igual período, por um crime idêntico. Os incêndios ocorreram na madrugada de 13 de julho de 2025, na localidade de Raiva, Castelo de Paiva e terão sido provocados com recurso a um isqueiro. Os dois fogos consumiram uma área de cerca de 800 metros quadrados de mancha florestal e colocaram em perigo uma mancha florestal significativa, bem como várias habitações e indústrias instaladas na área das ocorrências. Em ambos os locais, a vegetação circundante à ateada pelo arguido encontrava-se seca e, naquele dia, registava-se um nível elevado de risco de incêndio.
UA garante que pagamentos de bolsas de investigação estão regularizados desde o início de fevereiro
A UA detalha que o atraso inicial se deveu ao facto de a FCT apenas ter comunicado os resultados dos concursos no final de novembro. Logo no início de dezembro, a UAteve de solicitar aos bolseiros documentação que anteriormente era entregue à FCT, mas que a Fundação não disponibilizou às instituições, como dados pessoais, habilitações e IBAN. Devido ao tempo necessário para a validação destes elementos, foi “tecnicamente impossível”processar os pagamentos no primeiro dia útil de janeiro, tendo a situação sido regularizada no início de fevereiro.Recorde-se que, numa reportagem publicada pela Ria na passada segunda-feira, dia 2, alguns dos bolseiros entrevistados no decorrer do mês de fevereiro diziam ainda não ter recebido e não ter informação de quando iriam receber. Atualmente, a gestão de “159”processos está a ser assegurada por uma equipa de três técnicos. Segundo a Universidade, não existem pagamentos em atraso desde o primeiro dia útil de fevereiro e os “22”processos ainda não concluídos aguardam apenas a receção de documentação obrigatóriajá solicitada aos bolseiros, produzindo efeitos financeiros a partir de abril. Relativamente às críticas sobre a comunicação e organização do processo, a UA faz notar que a sua equipa técnica tem assegurado o esclarecimento de dúvidas “inclusive fora do horário normal de expediente e durante o fim de semana”. A instituição lamenta o que descreve como “ruído alheio à realidade factual” e reafirma o seu compromisso com o respeito pelos direitos dos bolseiros.
Antiga Capitania recebe exposição “Portugal Triste: Fotografia Vernacular no século XIX e XX”
A exposição propõe uma reflexão sobre a memória visual de Portugal ao longo do século XX, recorrendo à fotografia vernacular e amadora. Trata-se de um retrato construído a partir de imagens produzidas sem ambição artística, originalmente destinadas ao uso privado, ao álbum familiar ou ao registo casual do quotidiano. Reunindo fotografias datadas entre o final do século XIX e a década de 1980, adquiridas por Nuno Resende em feiras e alfarrabistas, a mostra confronta a ideia de uma contemporaneidade “limpa e progressiva” com a “materialidade crua do quotidiano”. Segundo a organização, as imagens revelam um país de gestos repetidos, trabalho árduo, “modernidades tímidas” e persistências sociais, expondo o absurdo e a escala humana face à arquitetura e à paisagem. Organizada em nove núcleos temáticos, a exposição constrói uma narrativa onde o trabalho, a cidade e a identidade se cruzam através de um “olhar atento”. Entre o espólio apresentado, destacam-se várias imagens inéditas sobre Aveiro, que oferecem uma nova perspetiva documental sobre a história e o quotidiano da cidade e da região. A exposição ficará patente no Edifício da Antiga Capitania até ao dia 12 de abril. A visita tem entrada livre e pode ser feita no horário normal de funcionamento do edifício.
Tratores marcham até Aveiro em alerta para riscos de “machadada final” na agricultura
Embora com menos veículos no arranque da iniciativa comparativamente a protestos anteriores, a marcha promovida pela União de Agricultores e Baldios do Distrito de Aveiro (UABDA) teve como destino a sede aveirense da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), onde os participantes entregaram uma lista de reclamações incentivando o Governo a uma intervenção mais incisiva no setor. Realçando que só em 2022 fecharam no distrito 200 explorações agrícolas, com base nos dados mais recentes da UABDA, o presidente dessa estrutura, Carlos Alves, explicou que em causa está a anunciada descida no preço do leite pago ao produtor, a subida dos custos de produção – entre os quais o aumento dos combustíveis devido à guerra no Médio Oriente – e a concorrência desleal introduzida no mercado nacional pela carne e outros produtos provenientes da América Latina – devido ao chamado acordo “Mercosul”, cujos efeitos práticos se deverão fazer sentir a partir do verão. “Tendo em conta toda esta conjuntura, as perspetivas de futuro não são boas”, declara Carlos Alves, receando a incapacidade dos agricultores para manterem aos seus negócios viáveis. “Este ano vai ser decisivo (…) e o Mercosul será a machadada final”, defende. A perspetiva do presidente da UABDA é que, se os agricultores portugueses “já têm dificuldade em escoar os seus produtos” e enfrentam suficiente concorrência por parte de outros mercados europeus, pior ficará a sua situação quando começarem a competir com bens provenientes da América Latina, onde a produção não está sujeita aos mesmos requisitos legais e sanitários da Europa, o que se reflete em preços finais mais baixos. É por isso que Carlos Alves reclama “fiscalização muito mais intensa” ao que antecipa como “uma enxurrada de carne, leite e galinhas” cuja criação não passou pelo mesmo controlo de qualidade que existe na Europa. O presidente da UABDA nota, aliás, que “a situação em Aveiro começa a ser dramática”, porque, ao nível do leite, a previsão é que em maio se comece a pagar menos aos produtores por cada litro – o que não os compensará pelos custos de produção e deixará ainda maior margem nas mãos dos distribuidores – e, ao nível da carne, a entrada em Portugal de produtos latinos tornará o negócio mais incomportável para o criador português – aumentando o seu risco de insolvência. António Tavares é produtor de carne e disse hoje que a sua unidade agrícola, com 40 vacas leiteiras e também produção de carne, é uma das que está ameaçada. “Está a minha e também a de outros colegas meus. Podemos fechar portas porque, até aqui a receita ainda cobria os custos, mas, agora, já andamos a acumular dívida”, revela. Carlos Alves argumenta que, se a agricultura é de facto estratégica, como o ministro da tutela defende, então ele deve intervir eficazmente no setor e zelar pela preservação das pequenas e médias explorações. “Que venha ao terreno apoiar os agricultores, que precisam de auxílio técnico, de ajuda na legalização e de apoio financeiro para poderem continuar a sua atividade e deixar o seu negócio aos filhos”, afirma. Do documento que a UABDA entregou à CCDRC consta uma lista de oito reivindicações, começando pela “garantia de condições para escoamento de leite, carne, fruta e hortícolas a preços justos, através de uma lei que proíba a venda a valores abaixo do custo de produção”. Os agricultores exigem também: fiscalização da atividade da grande distribuição e do agronegócio, com controlo fronteiriço das importações; regulação que imponha limites máximos no preço dos fatores produtivos para travar a especulação; reforço de meios do Ministério da Agricultura para resposta a problemas estruturais; e acesso dos pequenos e médios agricultores a apoios nacionais e comunitários com majorações que permitam pôr fim a uma “injustiça histórica”. O mesmo documento reivindica ainda o aumento dos descontos para o gasóleo agrícola, a implementação definitiva do Estatuto da Agricultura Familiar, a disponibilização de apoio técnico e financeiro da tutela ao desenvolvimento de pequenas e médias explorações familiares, resposta célere aos prejuízos causados pelas recentes intempéries e pelos incêndios de 2024 e 2025, e linhas de crédito “altamente bonificado, de longo prazo e com carência inicial” para reestruturação de dívidas.