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“Desconfiança no processo” de correção digital pauta arranque da segunda fase na escola José Estevão

“Dias intensos”, 40 provas suspensas e uma escola em funcionamento durante todo o fim de semana: como se viveu a primeira fase dos exames nacionais no Agrupamento de Escolas José Estevão e como se prepara agora para a segunda fase.

“Desconfiança no processo” de correção digital pauta arranque da segunda fase na escola José Estevão

“Amanhã temos outra vez exames. Volta tudo ao início”. As palavras são da diretora do Agrupamento de Escolas José Estevão, Glória Leite, à Ria, esta segunda-feira. A responsável antecipa um novo ciclo de dias duros, com o começo da segunda fase dos exames nacionais agendado para esta terça-feira.

Desde sexta-feira que a secretaria da escola está com movimento constante. Os exames nacionais do ensino secundário chegaram à escola às 21h20. A partir daquele momento seguiram-se os vários processos até que as pautas estivessem afixadas. Para que alunos e encarregados de educação pudessem consultar as classificações, a escola permaneceu aberta “até à meia-noite” de sexta-feira. No sábado, a escola abriu portas também durante todo o dia; no domingo não abriu ao público, mas permaneceu em funcionamento.

A diretora conta que foram “três dias muito intensos e complicados” e nos quais foi preciso juntar uma equipa de “à volta de 25 pessoas (mais funcionários, assistentes operacionais e assistentes técnicos)”. Sobre professores classificadores, o trabalho também se estendeu - Glória Leite relata que “alguns [estiveram a classificar exames] até sexta-feira”.

Mas o movimento na escola não passou só por estas equipas. Ao longo dos últimos dias, conta a diretora, encarregados de educação e alunos foram entrando em contacto “por e-mail, presencialmente e pelo telefone”. Na lista de preocupações elencam-se “dúvidas relativamente às datas, aos procedimentos e à classificação que obtiveram”. “«Professora, acha que o meu filho deve ir à segunda fase?», «Como é que faço agora se ele não tem o item classificado?», «Se a pauta só é afixada no dia 7, se ele tiver razão na revisão, a nota não vai ser usada para a primeira fase?»”, enumera Glória Leite as questões que lhe têm chegado.

Esta segunda-feira, Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação, durante uma conferência de imprensa, explicou que não tem sentido uma “perceção de intranquilidade” face aos atrasos dos exames nacionais. Ora, Glória Leite não só discorda desta afirmação como acrescenta que existe “alguma desconfiança no processo”. “As pessoas fazem muitas perguntas, o que significa que nós precisamos de estar bem informados com todo o reduto da informação. Respeito a opinião dele, mas também agradeço que tenham em consideração quem está aqui todos os dias a responder a questões”, apontou a diretora, à Ria.

No Agrupamento de Escolas José Estevão houve 40 provas com notas suspensas que, aos olhos da diretora, representam num “número expressivo”. Ainda sem grandes certezas quanto aos números de alunos que vão pedir a reapreciação da prova, Glória Leite explica que, pelo contacto que tem tido junto dos encarregados, há a sensação de que “em caso de dúvida pedem a reapreciação”.

Durante a conferência de imprensa prestada pelo ministro da Educação houve ainda o anúncio de uma época especial, no início de setembro, para alunos que “não disponham de toda a informação necessária para decidir se devem ir à segunda fase dos exames nacionais”. Para Glória Leite, esta solução deveria ter sido pensada de forma diferente. “Esta segunda fase que vamos iniciar devia ser realizada toda em setembro. Assim daria tempo para as coisas serem feitas com mais calma. Ter-se-ia de adiar as questões com os reitores das universidades - penso que isso não é nenhum entrave - e iniciar o primeiro ano [do Ensino Superior] mais tarde”, descreve. Assim, conclui a diretora, seria possível realizar o trabalho com “serenidade e sem a pressão de trabalhar aos fins de semana, noite e dia” não só com questões dos exames nacionais como “com tudo o que está por fazer” para o regresso às aulas.

O impacto de toda a situação em torno das provas tem deixado alunos e encarregados em sobressalto. Glória Leite conta que uma aluna da Escola Secundária José Estevão “deixou de comer estes dois últimos dias até as notas saírem” e que outros “meninos estiveram a sofrer” por causa dos exames nacionais. A diretora sublinha que “nenhum deles está desligado do mundo” e que existe um peso real associado a estas provas.

Dias duros, trabalho de regresso às aulas em segundo plano e uma segunda fase a arrancar: Glória Leite não tem dúvidas de que os exames nacionais só conseguiram estar todos prontos nestes dias devido a um grande esforço coletivo. “Se não fossem as equipas de trabalho coesas e disponíveis que abdicaram do seu fim de semana e das suas famílias, tenho algumas dúvidas que tudo isto tivesse sido possível”, ultimou a diretora.

A Ria tentou contactar outras escolas do município de Aveiro, mas sem sucesso.

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