Diogo Machado confirma “conversas” após ser “apanhado de surpresa” por declarações de Luís Souto
Depois de Luís Souto ter assumido que existem negociações com o Chega para conseguir ter maioria na Câmara Municipal de Aveiro (CMA), Diogo Soares Machado, vereador eleito pelo Chega, diz ter sido “surpreendido” pelas declarações do autarca. Em entrevista à Ria, lembrou não ter “100% de autonomia” e que, por isso, não fará declarações à comunicação social até “ter tudo muito bem definido e decidido no partido”. Não obstante, o vereador aponta que apenas teve “conversas” e que “não era nada definitivo”.
Gonçalo Pina
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O vereador eleito pelo Chega, que também preside à estrutura concelhia do seu partido, recebeu com “surpresa” a entrevista a Luís Souto hoje, dia 30, publicada no Jornal de Notícias.
À conversa com a Ria, Diogo Machado começou por dizer que não falaria à comunicação social sobre o assunto até que tudo esteja “muito bem definido e decidido no partido”: “Não tenho 100% de autonomia […] Há passos e hierarquias no meu partido que eu quero que sejam ouvidas - nomeadamente, já estou em conversas com o Pedro Frazão, vice-presidente com responsabilidade nesta zona - […] Aqui não é o PSD-Aveiro ou a ‘Aliança com Aveiro’ a negociar com o Diogo Soares Machado, é a coligação que eventualmente conversou com o Chega através de mim”.
Nesse sentido, o vereador recusou-se a fazer comentários sobre o teor do possível acordo a ser estabelecido, dizendo apenas que a conversa serviu apenas para “definir em que pontos e em que políticas podem convergir” as forças políticas. Segundo aponta, “um acordo não é uma fusão” e, por isso, o Chega está disponível a “flexibilizar posições”, mas não a “abdicar” das suas posições.
A possibilidade de alcançar um entendimento nasce, de acordo com o líder do Chega-Aveiro, da crença de que a decisão “pode beneficiar os aveirenses”. “O Chega chegou à conclusão que, trabalhando desde dentro, consegue influenciar e promover determinado tipo de investimentos, de alterações, de políticas… que defendeu durante a campanha, continua a defender e que são, a nosso ver, essenciais para a melhoria da qualidade de vida dos aveirenses”, assume.
Já a propósito do timing das declarações do presidente da Câmara, Diogo Machado “não quer acreditar” que Luís Souto tenha tentado “colocar algum tipo de pressão no Chega”, porque “se o fez tem que saber que não resulta”. Embora acredite que Luís Souto tenha falado “com a maior das boas-vontades”, o vereador eleito pelo Chega lembra que “há coisas que não estão acordadas, não estão decididas, não estão definidas e que só depois de estarem acordadas, decididas e definidas é que deviam ser tornadas públicas”.
Diogo Machado recusa ainda que os eleitores do Chega possam não entender um possível acordo e reforça que, se existir entendimento, é por acreditar que “conseguimos implementar políticas que nós defendemos e que, a seu tempo, a ‘Aliança’ não defendeu”. À Ria, dá ainda nota de que, em breve, “os aveirenses saberão tudo o que houver para saber em relação ao «o quê», «como», «quando» e «porquê»”, frisando que “a transparência é uma das linhas de ação inegociável do Chega e não abrimos mão dela”.
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