Livro de Ribau Esteves: Alberto Souto afirma que “difamação” vai ser tratada no “lugar próprio”
Numa publicação feita no Facebook, Alberto Souto, que encabeçou a lista do PS à Câmara Municipal de Aveiro (CMA), reagiu hoje, dia 3, à publicação do livro “Aveiro, Coragem de Mudar”, de José Ribau Esteves, ex-presidente da autarquia. Para além de criticar o “muito pouco” que o antigo autarca fez, Alberto Souto nota que as referências que lhe são feitas são do “foro da difamação” e que “serão tratadas no lugar próprio”.
Redação
No espaço em que referencia as críticas que lhe são dirigidas no livro de Ribau Esteves, Alberto Souto começa por falar sobre a “referência direta deslustrosa e pateta” que o autor lhe faz na primeira página. Com ironia, o socialista escreve que o ex-autarca foi “elegante como sempre” ao “permitir-se juízos de valor sobre a sua dedicação à AMRIA”.
Já sobre as outras vezes em que o nome de Alberto Souto é mencionado no livro, o agora vereador – embora já tenha manifestado publicamente a intenção de renunciar ao cargo – aponta que “são do foro da difamação e serão tratadas no lugar próprio”. “Ribau Esteves já tem cadastro por crime deste género e é reincidente […] Já que faz uma oração diária a Deus, Sta Joana e S. Gonçalinho, peça-lhes desculpa pelo pecado da soberba, da mentira e das malfeitorias cívicas”, acrescenta.
No entanto, no texto, que divide em 15 pontos, Alberto Souto alonga-se nas críticas ao ex-edil. O socialista começa por criticar Ribau Esteves por ter recorrido aos “cofres da Câmara” para a publicação do livro, algo que, aponta, nem o próprio Alberto Souto nem Élio Maia fizeram quando também publicaram um livro no final dos seus percursos enquanto autarcas. Recorde-se que, como noticiado pela Ria, a publicação do livro já tinha motivado a indignação da oposição, ao que Ribau Esteves respondeu tratar-se de um “investimento de solidariedade cultural”.
Depois de ler o livro, afirma que a obra se trata de um bom retrato do ex-presidente: “tem muita parra, pouca uva, muita palha, algumas mentirolas e difamações, deselegâncias bastantes para pessoas e instituições, leviandades opinativas, teorizações de pacotilha e uma infinita presunção das suas altérrimas qualidades, que só o próprio reconhece”. “O arvorado Fernão Lopes da Gafanha redige ele mesmo, com finíssimo estilo de pedregulho académico, em consonância com o seu trato pessoal de calhau, a sua versão panegírica para a História, não vá a mesma tratá-lo com menos excelência do que o Nobel da Literatura de “Relatório e Contas”, quiçá o Olimpo a que ele se considera destinado”, atira.
Alberto Souto critica desde logo os dois prefácios do livro, escritos por António Costa e Luís Montenegro, por serem “arrebatadores de hipocrisia”. Se aponta que António Costa diz mesmo não ter lido o livro à data em que escreveu o texto que nele se inscreve, Alberto Souto diz mesmo que Luís Montenegro se “presta a um cómico exercício de cinismo” ao escrever que Ribau “não disfarça gostar de (…) verbalizar “tiradas” consideradas no limite do exagero”. Segundo o socialista, “Montenegro chama desbocado ao autor que prefacia”.
De todas, a maior crítica apontada por Alberto Souto a Ribau Esteves é de que não tem “nenhuma obra estruturante”. Apesar das 465 páginas “para impressionar”, o vereador adianta que em “6 paginazinhas” é possível encontrar todo o elenco de obras dos últimos doze anos. Desse legado, para Alberto Souto, as intervenções no Rossio, na Avenida Lourenço Peixinho e na ponte-açude no Rio Novo do Príncipe são “marcas negras” que o ex-autarca deixa.
Da mesma forma, Alberto Souto também ataca as opções políticas de Ribau Esteves que vão passar para o próximo mandato. O vereador aponta que o ex-presidente deixou “armadilhado” um “mamarracho” de doze pisos com o Plano de Pormenor do Cais do Paraíso – que, afirma, está a ser investigado pelo Ministério Público -, o Pavilhão Municipal – Oficina do Desporto, a destruição do edifício que servia de sede à CERCIAV, a construção de uma nova escola Homem Cristo “no local errado e sem condições”, o plano para a Antiga Lota e a construção de um “caixote” antiga biblioteca.
O socialista destaca ainda “as derrotas que averbou” Ribau Esteves, nomeadamente: no novo Hospital de Aveiro, na ligação Aveiro-Águeda, na alta velocidade, na edificação da antiga Lota, na candidatura de Aveiro a Capital Europeia da Cultura, nas portagens na A25, na habitação social, na modernização da Linha do Vouga, na piscina municipal, no canil/gatil municipal, no ex-centro de Saúde Mental de S. Bernardo, na criação de novas zonas de localização empresarial e na gestão da ria de Aveiro pela CIRA.
A terminar, depois de Ribau Esteves já ter anunciado, durante a apresentação do seu livro, que tem o futuro traçado, Alberto Souto “parabeniza” o ex-autarca e recorda que, antes de apoiar Luís Souto, Ribau chegou mesmo a dizer que o novo presidente “não tinha perfil” para governar a Câmara Municipal. Nas palavras de Alberto Souto, “quem conhece mal a sua verticalidade ficou perplexo ao ouvi-lo desdizer o que dissera sobre o candidato da Aliança. Se na CRESAP fizessem uma ecografia à coluna vertebral, havia muita gente que nunca seria nomeada para nada”.
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Luís Souto não consultou CDS-PP sobre “negociações” com o Chega
De acordo com a vereadora Ana Cláudia Oliveira, que foi eleita nas listas da ‘Aliança com Aveiro’, e com a estrutura distrital do CDS-PP, o partido discorda do caminho assumido por Luís Souto, sendo que não foi envolvido nas “negociações” com o Chega para garantir maioria na Câmara Municipal de Aveiro (CMA). Em resposta à Ria, a vereadora centrista diz “reservar para o momento oportuno e com a devida ponderação a avaliação de quaisquer desenvolvimentos políticos”.
Diogo Machado confirma “conversas” após ser “apanhado de surpresa” por declarações de Luís Souto
Depois de Luís Souto ter assumido que existem negociações com o Chega para conseguir ter maioria na Câmara Municipal de Aveiro (CMA), Diogo Soares Machado, vereador eleito pelo Chega, diz ter sido “surpreendido” pelas declarações do autarca. Em entrevista à Ria, lembrou não ter “100% de autonomia” e que, por isso, não fará declarações à comunicação social até “ter tudo muito bem definido e decidido no partido”. Não obstante, o vereador aponta que apenas teve “conversas” e que “não era nada definitivo”.
PS-Aveiro garante que oposição não vai deixar de existir se Luís Souto chegar a acordo com o Chega
Em declarações à Ria, Paula Urbano, presidente da concelhia do PS-Aveiro, deu garantias de que, caso Luís Souto, presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), chegue a acordo com o Chega, “o que incomoda o senhor presidente, que é ser posto em causa e ter oposição, vai continuar”. A vereadora acrescenta que “não faz sentido” que o autarca diga que foi a postura de “bloqueio” dos socialistas que o empurrou para as negociações e aponta que “se calhar o Chega vai mudar de opinião” nas questões “fraturantes”.
Luís Souto assume que está a negociar com o Chega para conseguir maioria na Câmara
De acordo com uma entrevista hoje, dia 30, publicada pelo Jornal de Notícias, Luís Souto, presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), está a negociar com o vereador Diogo Soares Machado, eleito pelo Chega, para conseguir maioria na autarquia. De acordo com as palavras do presidente, o entendimento é uma forma de contornar o “bloqueio” imposto pelo PS.
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