Luís Souto diz que “as portas estão abertas” com a oposição e não descarta entregar pelouros
À margem da instalação da Assembleia Municipal de Aveiro, que aconteceu na noite de ontem, dia 31, Luís Souto, em conversa com a Ria, depois de várias vezes questionado sobre a possibilidade de entregar pelouros a vereadores da oposição, em nenhuma das respostas descartou essa solução. Por seu lado, no final da cerimónia de tomada de posse dos órgãos autárquicos, Diogo Soares Machado, vereador eleito pelo Chega, garantiu aos jornalistas que “há governabilidade em Aveiro” se as propostas do seu partido forem atendidas. Os próximos dias poderão marcar novas rondas negociais.
Redação
O novo presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), Luís Souto, garante “não ter preconceitos de falar com uns e com outros” no sentido de encontrar soluções para Aveiro. Na sua opinião, “a comunicação [com a oposição] é fundamental para que a Câmara possa funcionar com uma atitude construtiva”, sendo que diz ser também “muito fácil” falar com os opositores. “São pessoas que conhecemos há muitos anos e com quem tivemos sempre cordialidade no trato”, assume.
Apesar das declarações públicas de Luís Souto evidenciarem que a sua estratégia passa por governar em minoria, em permanente diálogo e com disponibilidadade para consensos, a Ria sabe que esta narrativa não está a colar no PS-Aveiro. Os socialistas definiram a sua estratégia para os próximos dias e optaram por fazer um teste inicial à liderança do novo edil aveirense, como forma de confirmar se as palavras de Luís Souto tinham algum fundamento.
Foi com esse objetivo que a nova bancada do Partido Socialista (PS) na Assembleia Municipal apresentou uma proposta para a Mesa deste órgão ser constituída por um secretário indicado pelos socialistas. Mas a coligação 'Aliança com Aveiro' bloqueou esta iniciativa e nem o apoio da bancada do PS à eleição de Miguel Capão Filipe como presidente da Assembleia Municipal mudou essa posição.
Recorde-se que a composição da CMA, anteriormente governada em maioria pelos eleitos da coligação ‘Aliança com Aveiro’ – em 2021, a ‘Aliança’ elegeu seis vereadores contra três eleitos do PS -, passou a não ter nenhuma força política maioritária – tal como a ‘Aliança’, o PS conquistou quatro assentos na Câmara, enquanto o Chega tem agora um vereador. Neste cenário, a que Luís Souto diz que a ‘Aliança’ “tem de se adaptar”, o novo presidente assinala que tem de “acompanhar os desenvolvimentos e ver até que ponto há uma atitude colaborativa e um espírito construtivo no relacionamento com os vários parceiros”.
Questionado sobre se este acompanhamento se pode traduzir na atribuição de pelouros, Luís Souto não negou a possibilidade, mas também não a confirmou, repetindo as mesmas ideias: “Não temos preconceitos nenhuns. Vamos acompanhar qual é a postura de uns e de outros nos próximos tempos”.
Se Paula Urbano, líder da concelhia do PS, já afirmou, em entrevista à Ria, que o partido não se quer constituir como “força de bloqueio”, mas que também não vai aceitar pelouros, a posição do Chega não fecha por completo a porta. Na sequência da noite eleitoral, o vereador eleito disse à Agência Lusa que estava disposto a ajudar à “estabilidade governativa”, mas assinalava que ainda era “prematuro” falar em pelouros.
À conversa com os jornalistas no final da tomada de posse dos órgãos autárquicos do Município, Diogo Soares Machado preferiu não adiantar novidades sobre possíveis negociações e disse que, durante a próxima semana, iam existir desenvolvimentos. Nesse sentido, garantindo que o Chega não abdica das suas propostas, o responsável indica que, se estas forem bem recebidas, então “Aveiro é governável”.
Não obstante, o novo vereador deixou alguns reparos ao discurso de Luís Souto que, recorde-se, disse que a oposição devia “acatar a decisão popular”. Segundo diz, da mesma forma que a oposição “respeita” a vitória da ‘Aliança’, também o presidente deve “respeitar” os aveirenses que não deram a maioria à coligação.
Sobre a distribuição de pelouros dentro do executivo, Luís Souto preferiu não revelar detalhes sobre aquilo que já tem programado. O autarca deixou apenas a nota de que vai assumir as pastas da cultura, do desporto e do ambiente.
Presidente está “confiante” de que impasse em Aradas se vai resolver
Das quatro freguesias em que quem ganhou as eleições não conseguiu ter maioria – o PS em Glória e Vera Cruz e a ‘Aliança’ em Esgueira, Eixo e Eirol e Aradas -, apenas Aradas não viu o executivo a ser aprovado na primeira tentativa. Lembre-se que Catarina Barreto, presidente da Junta de Freguesia reeleita, suspendeu os trabalhos da sessão de instalação dos novos órgãos autárquicos após ter sido reprovada a eleição do primeiro vogal do futuro executivo.
Luís Souto afirma que foi dada “bastante autonomia” aos autarcas para terem “margem de manobra” na negociação dentro de cada freguesia. Em Aradas, o presidente afirma que o processo ainda está a decorrer e que terá um “bom desenlace”, até porque, no seu entender, “a população não iria entender uma situação de bloqueio total da gestão da freguesia”. “Isso depois repercute na qualidade de vida do dia-a-dia da população”, aponta.
Nos bastidores da política local, acredita-se que a postura de maior recato de Catarina Barreto ao longo dos últimos dias evidencia que está a ser preparada uma solução de governabilidade para a Junta de Freguesia de Aradas. A confiança de Luís Souto, preconizada na perspetiva de um "bom deselance" para breve, reforça essa teoria.
Mas a Ria sabe que Catarina Barreto, desde o dia em que o seu executivo foi reprovado, não voltou a estabelecer contactos com o movimento independente 'Sentir Aradas' e com o Partido Socialista. Pelo que, existindo boas perspetivas para breve, isso poderá antever que a estratégia passará por um entendimento com o Chega. Os próximos dias serão decisivos e uma negociação com Diogo Soares Machado nunca será fácil sem um acordo de entendimento alargado que envolva também a governação na CMA.
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