Manuel Tur leva “Class Enemy” ao Teatro Aveirense para refletir sobre o ensino
Cerca de cinco décadas depois da estreia de “Class Enemy”, o encenador Manuel Tur recupera o espetáculo para o apresentar no Teatro Aveirense, na próxima sexta-feira, 13 de fevereiro. A peça, centrada numa sala de aula como metáfora da sociedade, regressa à cena por ser, segundo o encenador, “brutalmente atual”, levantando reflexões sobre o “sistema de ensino, de inclusão e de exclusão social”.
Redação
Passados 48 anos desde a estreia do espetáculo “Class Enemy”, de Nigel Williams, o encenador Manuel Tur volta a pegar na peça para a levar ao Teatro Aveirense. Em entrevista à Ria, o encenador explica que o espetáculo gira em torno da escola enquanto espaço de revolta e de reflexão sobre a sociedade. “Esta sala de aula, que é onde estas personagens passam o espetáculo todo, é realmente uma espécie de reflexo, de símbolo, do que é a sociedade que se vive cá fora”, exprimiu.
Apesar de o espetáculo partir de uma peça original inglesa, Manuel Tur referiu à Ria que houve uma preocupação em “descontextualizar” esta escola. “Não há nunca nenhuma referência de cidade nem de sítio, mas percebemos claramente que esta escola está no centro do que pode ser um lugar menos abastado”, referiu. “Eu não gosto de lhe chamar bairro social porque acho que isso é muito redutor e ao mesmo tempo faz com que se crie uma espécie de preconceito de que o bairro social vai tendencialmente criar marginais e vândalos…Mas percebemos que estas personagens nesta sala e nestas escolas estão num contexto socioeconómico mais baixo. É um bocadinho o espelho do que se passa fora”, pormenorizou.
Quanto às razões que o levaram a voltar a trazer este espetáculo a cena, o encenador sublinhou o facto de a peça ser “brutalmente atual”. “Primeiro porque eu acho e porque, principalmente, com os resultados que tivemos nas últimas eleições presidenciais e que desembocaram nesta segunda volta que esperemos que não tenha um final tão extremista e tão triste como inicialmente se previa... Acho que cada vez mais é importante que se debata e reflita a escola, a educação e o sistema. O sistema de ensino, o sistema de inclusão e de exclusão social”, refletiu.
Sem desvendar demasiado sobre o que o público poderá esperar, Manuel Tur revelou que a peça se centra em “seis personagens que estão encerrados dentro de uma sala de aula”. “A certa altura, percebemos que estão quase barricados também, ou seja, eles gritam por ajuda o tempo todo, metaforicamente, a esta figura do ensino e do conhecimento, mas cada vez que algum professor chega para os ensinar esse professor é aterrorizado, maltratado e acaba por ser expulso”, conta. “Estas personagens são muito simbólicas (…) do que é esta sociedade também”, completa.
Relativamente à estreia no Teatro Aveirense, o encenador destacou que este espetáculo assinala um regresso à cidade dos canais, onde tem apresentado regularmente o seu trabalho desde 2017, com peças como ‘Mulheres de Tráfico’ ou ‘20 de Novembro’. “Desde 2017 que me tenho debruçado um bocadinho mais sobre estas temáticas, mas principalmente sobre o facto de acreditar que o teatro ainda tem alguma função política e de alerta de consciência. Portanto, o teatro como pedra de arremesso e isto sem qualquer tipo de presunção. O Teatro Aveirense tem sido um parceiro muito regular nesse sentido”, afirmou.
O encenador mostrou-se, por fim, expectante com aquela que será a receção do público. “Como artistas temos sempre um ego para alimentar, mas temos também expectativas que são geradas à volta dos trabalhos que vamos fazendo e este trabalho é muito particular (…) porque é um trabalho de um coletivo muito especial, de um grupo de gente que se juntou num momento particular. É um espetáculo muito feliz apesar de ser violentíssimo”, referiu. “Apesar de ter 1h50, é um espetáculo que tu vês de estômago apertado o tempo todo, mas o próprio tempo vai passando muito mais rápido do que acreditamos. Isto são palavras das pessoas todas que viram aqui no Porto nestas duas últimas semanas”, refletiu.
A peça estará no Teatro Aveirense no dia 13 de fevereiro e tem o custo de 5 euros. Os bilhetes podem ser adquiridos aqui.
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