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Nuno Quintaneiro: “Temos de virar o paradigma [do SC Beira-Mar] e procurar um de estabilidade”

Num momento em que o passivo do Sport Clube Beira-Mar (SC Beira-Mar) ascende a um milhão de euros, Nuno Quintaneiro, presidente do SC Beira-Mar defendeu, em entrevista à Ria, que a constituição de uma sociedade desportiva era a “única solução” para contornar a situação financeira do clube.

Nuno Quintaneiro: “Temos de virar o paradigma [do SC Beira-Mar] e procurar um de estabilidade”

Os pressupostos para a constituição da sociedade desportiva para o SC Beira-Mar foram aprovados, na última Assembleia Geral, no Auditório António José Bartolomeu [Estádio Municipal de Aveiro - Mário Duarte] com um voto contra e duas abstenções. Para Nuno Quintaneiro a aprovação foi um momento “bastante feliz” já que para a direção do clube não havia outra opção. “Nós fizemos esse exercício, nos últimos meses, de procurar caminhos alternativos… A grande questão aqui é que a equipa principal de futebol está na quarta divisão do futebol português. Do ponto de vista daquele que é o desejo comercial não é atrativo para as grandes marcas associarem-se a um clube que está nesse contexto competitivo e que tem, por isso, pouca visibilidade para essas marcas. Depois procuramos o caminho do mecenato… Em Aveiro, está esgotado”, explicou, realçando que as “grandes marcas” de Aveiro, cujos proprietários são cada vez menos da região, nem sempre têm interesse em apoiar as instituições locais. “Mais depressa se associam a um dos três grandes clubes de futebol do país do que dedicam qualquer migalha do seu orçamento a apoiar instituições locais… Depois o que ainda conseguimos ter são algumas (…) pequenas e médias empresas locais que ainda têm administradores com alguma ligação à comunidade e que não querem deixar cair o Beira-Mar, mas também esses estão em vias de extinção e cansados de ajudar…”, lamentou.

Para o presidente do SC Beira-Mar o clube aveirense “não é sustentável” e as diferentes direções acabaram por agravar o passivo. “Andaram constantemente em esforço à espera de um dia melhor… É sempre pior, porque um problema adiado é um problema agravado e a dívida do Beira-Mar tem-se vindo a agravar. O Beira-Mar, neste momento, tem cerca de um milhão e meio de euros de passivo… A maioria das pessoas não sonha com isto porque o clube em 2017 aprovou um plano de recuperação judicial e a imagem que as pessoas têm é que o clube ficou com o seu passivo controlado… Mas de 2017 a 2024, o passivo ascende a um milhão de euros. Todos os anos o clube esteve a somar dívida”, expôs. “Portanto ou nós interrompemos este ciclo negativo – e que nos conduz naturalmente para o abismo novamente - ou é mesmo o abismo que nos espera. Temos de virar o paradigma e procurar um de estabilidade”, sustentou. Para Nuno Quintaneiro só através deste “instrumento jurídico” [sociedade desportiva] é que será possível dar a volta a esta realidade. “Todos nós quando circulamos nas ruas ou passamos os olhos pelas redes sociais percebemos que Aveiro e a comunidade aveirense reclama um Beira-Mar de regresso aos campeonatos profissionais. Querem ver um Beira-Mar de Primeira Liga de Futebol, de uma Segunda Liga, querem que o Beira-Mar volte a ter um pavilhão, querem que volte a ter o esplendor que teve noutros tempos, mas na estrutura atual é absolutamente impossível”, recordou.

Potenciais investidores não devem ser da região de Aveiro

Até 15 de dezembro está a decorrer assim o período de apresentação de propostas [que devem ser endereçadas para direccao@beiramar.pt] de potenciais investidores para o projeto societário beiramarense - as quais deverão respeitar os pressupostos aprovados na reunião magna. Apesar da confiança de que haverá interessados, o presidente do SC Beira-Mar não escondeu a descrença de que os investidores sejam de Aveiro. “Eu digo isto porque da auscultação que fomos fazendo a empresários de referência da região não sentimos disponibilidade para o futebol”, lamentou, adiantando que até ao momento ainda não foi entregue qualquer proposta ao clube.

Questionado pela Ria sobre os pressupostos das propostas, Nuno Quintaneiro destacou que estes se subdividem em pressupostos de “desenvolvimento desportivo, social e financeiros”. Relativamente ao primeiro, o presidente do SC Beira-Mar explicou que os mesmos se prendem com a “defesa do projeto formativo do clube”; no que toca aos de desenvolvimento social com a “ligação do clube com os seus sócios e a sociedade desportiva” e os financeiros “com a salvaguarda do passivo do clube”. “Também temos os pressupostos de infraestruturas que são necessários para o desenvolvimento do negócio de futebol e também do projeto formativo do clube que está relacionado com a questão do Centro de Alto Rendimento. Temos também um objetivo estratégico que é o de chegar com a equipa principal a uma primeira liga de futebol”, prosseguiu.

Interpelado ainda sobre a possibilidade do clube preservar a maioria da sociedade desportiva, o presidente do SC Beira-Mar disse que “em teoria seria excelente, mas que sendo pragmático e indo à realidade: não”. “A única forma que temos de captar investimento passa por abrir a maioria do nosso capital a investidores... Isto por uma razão simples: quem investe quer ter algum controlo de decisão sobre o investimento que está a fazer”, realçou. Nuno Quintaneiro garantiu ainda à Ria que o clube terá um papel importante no controlo da SAD, salientando que o mesmo está salvaguardado com a “aprovação destes pressupostos”. “Por exemplo, nos instrumentos de gestão nós temos aprovado um mecanismo que permite aos administradores do clube na sociedade desportiva (…) ter uma palavra decisiva na votação dos orçamentos anuais da sociedade desportiva. (…) O que significa que o clube vai ter aqui instrumentos à sua disposição para controlar a tal boa gestão”, esclareceu.

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