RÁDIO UNIVERSITÁRIA DE AVEIRO

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Ponte em São Jacinto: Alberto Souto antecipa evento do PSD-Aveiro com secretários de estado

A poucos dias da Jornada de Reflexão "Pensar Aveiro", organizada pelo PSD-Aveiro, o candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal de Aveiro, Alberto Souto, veio a público contestar um possível anúncio do Governo sobre a construção de uma ponte entre Aveiro e S. Jacinto. Numa publicação no Facebook, Alberto Souto considera o eventual anúncio uma jogada de "propaganda ostensiva e inconsistente" e lançou uma série de condições para que o projeto avance de forma sustentável.

Ponte em São Jacinto: Alberto Souto antecipa evento do PSD-Aveiro com secretários de estado
Redação

Redação

13 mar 2025, 14:16

"A ser verdade, é uma notícia bombástica. Mas como o Governo já morreu, parece mais uma bombinha de Carnaval. Começou a campanha eleitoral!", escreveu o candidato socialista, aludindo à atual conjuntura política nacional e ao impacto que tal anúncio poderia ter na corrida autárquica.

Alberto Souto admite que a ponte pode ser um fator de desenvolvimento para São Jacinto, mas alerta que, sem um planeamento adequado, pode transformar-se "num desastre ambiental". Como solução, apresentou quatro condições fundamentais que considera indispensáveis antes da execução da infraestrutura.

A limitação de estacionamento: para o candidato São Jacinto deve funcionar como um parque de estacionamento com lotação controlada, restringindo a entrada de veículos para além dos residentes, trabalhadores e serviços de emergência, privilegiando o transporte coletivo; planos estratégicos e urbanísticos: antes da construção da ponte, Alberto Souto defende que seja aprovado um plano que proteja a localidade da especulação imobiliária, garantindo baixa densidade populacional e o respeito pelo património ambiental; compromisso ambiental: o candidato socialista defende como contrapartida à construção da ponte um financiamento robusto para a preservação da Reserva Natural e para a reabilitação de estruturas essenciais na defesa contra a subida do nível do mar; por último, Alberto Souto defende um traçado adequado: o candidato propõe um trajeto específico para a ponte, incluindo um pequeno troço levadiço, de forma a minimizar o impacto na atividade portuária e na própria malha urbana de S. Jacinto.

"Se decidiram fazer a ponte, que seja nos termos acima. De outra forma, será um desastre", reforçou Alberto Souto, acrescentando que, se o anúncio for apenas "teatro", será uma forma "lamentável" de tratar os eleitores.

Com estas declarações, Alberto Souto pretende antecipar o evento do PSD-Aveiro, previsto para o próximo sábado em São Jacinto, que contará com a presença de Emídio Sousa, secretário de Estado do Ambiente, e de Silvério Regalado, secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território. O que se esperava ser um encontro de reflexão para os sociais-democratas já se transformou num dos primeiros momentos de confronto da campanha para as autárquicas em Aveiro, com Alberto Souto a afirmar que o candidato do PSD-Aveiro, Luís Souto, "ainda não fez prova de vida".

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SC Beira-Mar quer continuar invicto em 2026: Clube procura ser o primeiro a ganhar ao Rebordosa
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No novo ano civil, o Beira-Mar ainda não sabe o que é perder. O 1-0 frente ao Anadia em fim-de-semana de São Gonçalinho embalou os aurinegros para uma série de cinco jogos sem perder, atingindo o seu melhor momento no último fim-de-semana: a turma de Aveiro deslocou-se à freguesia de Torno, em Lousada, para golear o Aparecida por cinco bolas a uma. Trabalhar em cima de bons resultados é mais fácil e tem deixado os jogadores “mais motivados, animados e de sorriso no lábio”. Quem o diz é Fábio Barros, Fabeta no mundo do futebol, técnico da equipa principal do SC Beira-Mar: “Não vou dizer que estão mais empenhados, porque felizmente temos um grupo que se empenha sempre [...] [Mas] acreditamos que isto nos dá mais forças para encarar os próximos jogos”. Tiago Melo, o homem que normalmente enverga a braçadeira de capitão, corrobora as palavras do treinador. Conforme explica, “respira-se confiança” no balneário e os treinos têm sido um espaço “mais feliz” e de “maior alegria”. O próximo alvo é o Rebordosa, a quem o jogador diz que os beiramarenses “vão dar a primeira derrota”. Em primeiro lugar na Série B do Campeonato de Portugal, o adversário do SC Beira-Mar na partida deste domingo soma já 42 pontos: são 12 vitórias, seis empates e zero derrotas em 2025/2026. Na mesma frequência que o capitão, Fabeta garante que o clube vai lutar para que os três pontos fiquem no Mário Duarte. “Acredito que vai ser um um grande jogo [...] Tenho assistido a muitas das equipas que vêm a Aveiro com uma estratégia de baixar linhas, muitas vezes não jogam o jogo pelo jogo e tentam apostar mais na transição. Acredito que o Rebordosa não vai fazer isso, até porque não são as características deles”, explica, ciente de que a missão é “muito dura”. O diagnóstico de Nuno Quintaneiro, presidente do clube, dita que o elemento crucial na mudança de paradigma tem sido a melhoria da eficácia da equipa. Ao invés do que estava acontecer até dezembro, em que a equipa saía recorrentemente prejudicada por uma “pontinha de azar”, agora pode falar-se numa “pontinha de sorte” de um conjunto mais mortífero na hora do frente-a-frente com o guarda-redes. Embora ainda sem estar no momento ideal - Quintaneiro aponta que jogadores como Panda, Sérgio Silva, Pedra e Tomás Sério ainda estão entregues ao departamento médico -, o presidente dá nota de que a equipa também já não está tão condicionada pelas indisponibilidades como esteve noutros momentos da época. Para Fabeta, é mesmo o alargar do plantel, que vê jogadores a regressar física e mentalmente de lesões complicada, que justifica a boa fase. Na ótica do treinador não há nenhum jogador do plantel com lugar cativo no 11 titular: “Não há um jogador que se sinta confortável a dizer «Eu tenho neste momento o lugar agarrado por indisponibilidade do colega concorrente de posição». Todos obrigam com que o nível competitivo interno aumente”. Não tão feliz foi o mercado de inverno, onde, devido às restrições financeiras que o clube enfrenta, o SC Beira-Mar não foi capaz de se reforçar como ambicionava. Só integraram o clube Givon e Finisterra, dois jovens jogadores que já tinham passado pelas quadros do clube. Fabeta lembra que já ambos lhe tinham passado pelas mãos e fala numa aposta pessoal “para duas posições em que [o Beira-Mar] precisa de mais competitividade”, mas reconhece que “as mexidas não foram tão cirúrgicas como gostaria”. O que continua a pesar é a falta de um investidor que consiga dar outra folga ao clube, nota o presidente. Recorde-se que, para a direção do SC Beira-Mar, tem sido prioritária a constituição de uma Sociedade Desportiva por Quotas (SDQ). Depois de uma primeira tentativa de acordo com Breno Dias Silva, que acabou por sair gorada, o SC Beira-Mar assumiu em finais de outubro que já tinha novo parceiro. No entanto, contactado pela Ria em janeiro, o presidente do clube afirmou que o processo estava “atrasado” e não deu garantias de que se fosse concretizar. Mês e meio depois, Quintaneiro afirma que as coisas não evoluíram e diz “continuar na expectativa de encontrar soluções rápidas”. Para isso, afirma, é importante que o Beira-Mar garanta a manutenção, de forma a que o foco possa voltar-se para fora das quatro linhas. A passar um momento particularmente positivo da sua vida, Tiago Melo não só está há cinco jogos sem perder como foi herói na receção ao Resende, onde marcou o golo solitário da partida. Depois do tento, colocou a bola por dentro da camisola e apontou para a bancada - era a dedicatória à filha que viria a nascer poucos dias depois. Apesar de as coisas estarem a correr bem, o jogador é cauteloso em relação ao futuro próximo: “O Beira-Mar olha jogo a jogo e quer ganhar todos os jogos. O nosso objetivo definido no início da época era a manutenção, mas jogo a jogo”. A oito jogos do fim, com 24 pontos por disputar, os aurinegros estão a apenas seis pontos dos lugares que atiram o clube para os distritais e a nove pontos do segundo classificado, que vai disputar a fase de acesso à Liga 3. “Primeiro garantir o primeiro objetivo e a seguir poderemos olhar para cima”, atira Tiago Melo. Apesar de estar focado no próximo desafio, frente ao Rebordosa, o jogador não esconde que os dois primeiros lugares estão sempre na mente da equipa. No seu entendimento, num clube como o Beira-Mar, é “obrigação” do plantel ter em vista uma possível subida de divisão. Tiago Melo reconhece que “não foram competentes” para depender apenas de si mesmos, mas salienta que “no futebol tudo é possível”. A fazer contas por alto, Nuno Quintaneiro afirma que devem faltar cerca de seis pontos para que o Beira-Mar garanta a manutenção, sendo que a principal prioridade é alcançar o objetivo “o mais rapidamente possível”. Questionado sobre a possibilidade de, após conquistados estes seis pontos, o clube ainda procurar outros objetivos, o presidente cita António Gedeão: “O sonho comanda a vida”. “Nunca seremos candidatos, não somos minimamente favoritos. Portanto, é acreditar sempre que a equipa, pela ambição que tem, pelo caráter que tem, pela sua personalidade, vai querer sempre lutar pelos três pontos. No final fazemos as contas”, remata. Da mesma maneira, Fabeta também diz que o mais urgente é garantir que o clube não fica abaixo da linha de água. Mas, embora a distância seja de nove pontos para os lugares cimeiros e já não existam muitos jogos para disputar, o técnico afirma que, “se der algo mais, fantástico”. O jogo entre o SC Beira-Mar e o Rebordosa, que se joga este domingo, pelas 15h00, pode ser acompanhado com transmissão e relato no YouTube da Ria.

Espetáculo de dança propõe “entrega à fragilidade” esta noite no Teatro Aveirense
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Espetáculo de dança propõe “entrega à fragilidade” esta noite no Teatro Aveirense

Nas palavras de Hugo Calhim Cristóvão, um dos diretores, coreógrafos, dramaturgos e formadores do espetáculo, “Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil” apresenta a transição de “qualquer coisa que nos dá uma sensação de impotência, como a velhice, a guerra ou o genocídio”, para, a partir daí, “uma entrega ao presente e à fragilidade”. “Eu acho que o público pode esperar sentir-se bastante tocado, de certa maneira confrontado e comovido”, explica. Segundo afirma, o próprio espetáculo foi pensado para “reagir” ao que existe em torno da dança, mesmo do ponto de vista político, nomeadamente a “movimentos que não nos agradam e que podem pôr em causa a nossa liberdade de criar, de estar alegres, vivos e de ter esperança”. A ideia de presente frágil vive, para os responsáveis, entre a urgência de acontecer e a necessidade da pausa. Hugo reflete que, para que haja uma “pausa real”, é necessário ter bastante movimento antes: “Temos que ter bastante vida e, aí, a pausa cria-se sozinha”. Nesse sentido, defende que “a pausa é uma necessidade orgânica do corpo, que precisa de compreender aquilo que lhe aconteceu [...] Na coreografia acontece isso. Há momentos de extremo movimento, só que depois não é movimento por movimento. É qualquer coisa que toca às bailarinas, que nos toca a nós. Isso obriga a uma pausa para compreender”. Como tem sido hábito no trajeto dos coreógrafos, o espetáculo é envolvido numa série de referências relacionadas com a filosofia portuguesa, com a poesia, com a literatura e com a pintura - tanto assim é que contam com a colaboração do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto há dez anos para “fazer a ponte entre a filosofia e a dança”. Se, normalmente, o foco costuma estar em figuras femininas, Hugo conta que para este espetáculo a inspiração esteve em “figuras de sobrevivência” ou então em “figuras a que a Taciturna [a tal figura sombria que representa a impotência] ganhou”. Algumas das principais inspirações são Jacqueline du Pré, violinista britânica que, após perder a sensibilidade nas mãos, continuou a tocar, ou Paul Celan, poeta romeno sobrevivente do Holocausto. Dentro da cultura portuguesa, o espetáculo toma como referência intelectuais como Camilo Pessanha, Venceslau de Morais e Herberto Helder.  Nesta que é a primeira experiência em Aveiro, Hugo Calhim Cristóvão conta que a relação tem sido “bastante boa”. A masterclass que os coreógrafos ministraram na passada quarta-feira, dia 18, contou com a presença de “15, 16 pessoas”, o que “não é tão comum assim”, e Hugo tem sentido “carinho” da parte do Teatro, o que também é “raro” num ramo “não discursivo” da cultura. No que diz respeito à sala, o responsável afirma que a relação “é um bocadinho demasiado próxima” em relação que estava à espera, mas não considera que seja necessariamente um ponto negativo: “Vai permitir ao público ter uma proximidade cinestésica e tátil com as bailarinas e com a dança [...] Vai ser um privilégio, de certa forma”. Para além do espetáculo de dança “Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil”, que é hoje apresentado pelas 21h30, a programação do fim-de-semana do Teatro Aveirense conta também amanhã com um concerto de Camané, pelas 21h30.

Aveirense Dinis Mota é o primeiro a subir a palco na meia-final do Festival da Canção deste sábado
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Aveirense Dinis Mota é o primeiro a subir a palco na meia-final do Festival da Canção deste sábado

O jovem natural de Aveiro, - que, recorde-se, é o primeiro a representar a cidade dos canais no Festival da Canção desde a atuação de mema., em 2021 - começa a sua participação no concurso já este sábado, dia 21, com a subida a palco na primeira meia-final da competição. O artista, que apresenta o tema “Jurei”, ocupa a posição nº 1 e é, por isso, o primeiro a atuar. De acordo com a nota de imprensa, a música “tem ocupado os lugares cimeiros nos rankings dos sites da especialidade”. Dinis Mota chega ao Festival da Canção depois de ter sido escolhido como representante da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) para concorrer na “Prova de Acesso” – fase em que competiam alunos de cinco escolas de música do país -, tendo sido votado pelo público para estar na fase final do Festival da Canção. Em entrevista concedida à Ria após ter sido selecionado, o autor e intérprete de apenas 23 anos explicava que a presença na competição “foi sempre algo que quis ter no seu horizonte, mas que teria de trabalhar para isso e não que seria uma coisa do acaso”. Entretanto, o aveirense já comunicou que não irá participar na Eurovisão se vencer o Festival e se Israel se mantiver enquanto participante do concurso europeu. Em comunicado enviado às redações no passado mês de dezembro, Dinis Mota garantiu que, “enquanto cidadão, músico, ser humano […], nunca poderia estar do lado do agressor” e associou-se aos outros 11 concorrentes que também já anunciaram o boicote à Eurovisão.

Porto de Aveiro conclui implementação de Portarias Digitais após investimento de quase cinco milhões
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Porto de Aveiro conclui implementação de Portarias Digitais após investimento de quase cinco milhões

Segundo avançam os responsáveis, o projeto “marca um passo decisivo na modernização e digitalização do controlo de acessos terrestres aos terminais norte, granéis sólidos e líquidos do Porto de Aveiro”. Integradas com o Cartão Único Portuário (CUP) e com a Janela Única Logística (JUL), as Portarias servem para que seja possível o reconhecimento, validação e registo de pessoas, veículos e mercadorias, “permitindo a automatização integral dos processos de entrada e saída nos terminais”. Com esta modernização, procedimentos anteriormente realizados de forma manual passam a ser automatizados, possibilitando igualmente a monitorização do tempo de estadia nas instalações portuárias. De acordo com a nota, o novo sistema de controlo de acessos promove uma maior fluidez das cadeias logísticas, reforça a segurança das infraestruturas e permite a gestão do acesso aos terminais com base no prévio agendamento das operações portuárias, contribuindo para a redução de congestionamentos, sobretudo no início dos turnos de carga e descarga dos navios. Para além do reforço da eficiência operacional, a implementação das Portarias Digitais contribuirá ainda para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, através da otimização dos fluxos de veículos pesados, promovendo uma maior sustentabilidade ambiental e económica das cadeias logísticas que utilizam o porto. O Porto de Aveiro adianta ainda que o investimento “ascendeu a 4,6 milhões de euros”, tendo sido financiado pelo Programa Temático para a Ação Climática e Sustentabilidade – Sustentável 2030, através do Fundo de Coesão, com uma taxa de cofinanciamento de 85% do valor de investimento elegível.

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Não tão feliz foi o mercado de inverno, onde, devido às restrições financeiras que o clube enfrenta, o SC Beira-Mar não foi capaz de se reforçar como ambicionava. Só integraram o clube Givon e Finisterra, dois jovens jogadores que já tinham passado pelas quadros do clube. Fabeta lembra que já ambos lhe tinham passado pelas mãos e fala numa aposta pessoal “para duas posições em que [o Beira-Mar] precisa de mais competitividade”, mas reconhece que “as mexidas não foram tão cirúrgicas como gostaria”. O que continua a pesar é a falta de um investidor que consiga dar outra folga ao clube, nota o presidente. Recorde-se que, para a direção do SC Beira-Mar, tem sido prioritária a constituição de uma Sociedade Desportiva por Quotas (SDQ). Depois de uma primeira tentativa de acordo com Breno Dias Silva, que acabou por sair gorada, o SC Beira-Mar assumiu em finais de outubro que já tinha novo parceiro. No entanto, contactado pela Ria em janeiro, o presidente do clube afirmou que o processo estava “atrasado” e não deu garantias de que se fosse concretizar. Mês e meio depois, Quintaneiro afirma que as coisas não evoluíram e diz “continuar na expectativa de encontrar soluções rápidas”. Para isso, afirma, é importante que o Beira-Mar garanta a manutenção, de forma a que o foco possa voltar-se para fora das quatro linhas. A passar um momento particularmente positivo da sua vida, Tiago Melo não só está há cinco jogos sem perder como foi herói na receção ao Resende, onde marcou o golo solitário da partida. Depois do tento, colocou a bola por dentro da camisola e apontou para a bancada - era a dedicatória à filha que viria a nascer poucos dias depois. Apesar de as coisas estarem a correr bem, o jogador é cauteloso em relação ao futuro próximo: “O Beira-Mar olha jogo a jogo e quer ganhar todos os jogos. O nosso objetivo definido no início da época era a manutenção, mas jogo a jogo”. A oito jogos do fim, com 24 pontos por disputar, os aurinegros estão a apenas seis pontos dos lugares que atiram o clube para os distritais e a nove pontos do segundo classificado, que vai disputar a fase de acesso à Liga 3. “Primeiro garantir o primeiro objetivo e a seguir poderemos olhar para cima”, atira Tiago Melo. Apesar de estar focado no próximo desafio, frente ao Rebordosa, o jogador não esconde que os dois primeiros lugares estão sempre na mente da equipa. No seu entendimento, num clube como o Beira-Mar, é “obrigação” do plantel ter em vista uma possível subida de divisão. Tiago Melo reconhece que “não foram competentes” para depender apenas de si mesmos, mas salienta que “no futebol tudo é possível”. A fazer contas por alto, Nuno Quintaneiro afirma que devem faltar cerca de seis pontos para que o Beira-Mar garanta a manutenção, sendo que a principal prioridade é alcançar o objetivo “o mais rapidamente possível”. 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GrETUA lança podcast e abre livraria a conversa sobre jogos e literatura
Universidade

GrETUA lança podcast e abre livraria a conversa sobre jogos e literatura

Nesta edição, a conversa parte do mote do quadrimestre para explorar o tema do jogo. Em debate estarão tanto o jogo na literatura como os jogos enquanto objeto de leitura artística e cultural. A proposta passa por refletir sobre este ritual lúdico que acompanha a humanidade desde sempre, questionando o significado dos seus mecanismos na contemporaneidade, sem ignorar as possibilidades criativas abertas pelos videojogos e por novas formas de jogo. Os convidados desta sessão são João Paulo Guimarães, doutorado pela Universidade de Buffalo e investigador nas áreas da poesia experimental e da literatura comparada, e Inês Cardoso, investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa e membro do conselho editorial da revista Skhema. A moderação estará a cargo de David Calão e Vítor Alves Silva. A conversa nasce do armário-livraria dinamizado pelo GrETUA em parceria com a Livraria Snob. Para cada edição é preparado um pequeno lote de livros dedicado ao tema em destaque, estando a partir deste domingo disponível uma seleção dedicada ao jogo nas suas múltiplas ramificações. Esta é a segunda sessão do ciclo “Fora do Armário”, que ficará igualmente disponível em podcast. O primeiro episódio, já publicado, foi dedicado à figura do flâneur e à deambulação, contando com a participação de Diogo Marques. A entrada é livre.

Deputados do PS eleitos por Aveiro querem situação de calamidade para Castelo de Paiva e Anadia
Região

Deputados do PS eleitos por Aveiro querem situação de calamidade para Castelo de Paiva e Anadia

Numa nota enviada à Lusa, os deputados do PS/Aveiro referem que questionaram o ministro da Presidência sobre os danos provocados pela tempestade Kristin nos concelhos de Castelo de Paiva e Anadia e pedem que se avalie a declaração da situação de calamidade naqueles municípios. Os deputados socialistas dizem que estes dois municípios do distrito de Aveiro remeteram ao Governo uma exposição formal dando conta da dimensão dos estragos sofridos, solicitando a declaração de situação de calamidade, enquanto instrumento essencial para agilizar mecanismos excecionais de resposta e apoio. Recordam ainda que a ausência de enquadramento formal neste regime poderá limitar o acesso a instrumentos financeiros e logísticos indispensáveis à reposição da normalidade, colocando estes concelhos numa situação de particular vulnerabilidade. Os deputados do PS pretendem obter esclarecimentos do ministro da Presidência sobre qual a razão pela qual os concelhos de Castelo de Paiva e Anadia não foram incluídos entre os concelhos em situação de calamidade e que avaliação foi realizada relativamente aos danos provocados pela tempestade Kristin naqueles municípios. Perguntam, portanto, se o Governo tem conhecimento da extensão dos danos sofridos naqueles concelhos e se, nesse sentido, tenciona alargar aos mesmos a declaração de situação de calamidade. Para além disso, questionaram sobre que medidas de apoio foram ou estão a ser mobilizadas para apoiar as populações e as atividades económicas afetadas, que mecanismos de financiamento poderão ser acionados para apoiar a recuperação de infraestruturas e a reposição da normalidade e de que forma está a ser assegurada a articulação com estes dois municípios no levantamento de necessidades e na implementação de respostas. Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas. A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.

Espetáculo de dança propõe “entrega à fragilidade” esta noite no Teatro Aveirense
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