RÁDIO UNIVERSITÁRIA DE AVEIRO

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BE critica Governo por preterir ligação ferroviária de alta velocidade Aveiro-Salamanca

O Bloco de Esquerda (BE) criticou hoje o Governo por ter preterido a ligação ferroviária Aveiro-Salamanca no projeto de alta velocidade.

BE critica Governo por preterir ligação ferroviária de alta velocidade Aveiro-Salamanca
Redação

Redação

13 mar 2025, 15:35

"Na reunião do Conselho de Ministros de segunda-feira, na véspera da discussão da moção de confiança, o Governo pediu estudos para ligações ferroviárias de alta velocidade a Espanha, dando prioridade a duas ligações: Porto-Vila Real-Bragança e outra no Algarve. Já a ligação Aveiro-Viseu-Guarda-Salamanca aparece preterida", refere um comunicado do BE. Os bloquistas lamentam que o Governo liderado por Luís Montenegro tenha tido como uma das suas últimas iniciativas "abandonar novamente a região de Aveiro, afetando drasticamente as populações e a economia da região".

"Esta é, em poucos dias, a segunda decisão danosa do Governo PSD para com os interesses da região de Aveiro, depois de também abandonar a expansão do Hospital de Aveiro", refere a mesma nota. O Bloco promete ainda continuar a lutar pela construção desta linha ferroviária de Aveiro a Espanha, que permitirá dar centralidade a Aveiro, dinamizar o respetivo porto e descarbonizar a mobilidade.

O Governo mandatou a Infraestruturas de Portugal (IP) para avançar com estudos para vários investimentos ferroviários, incluindo na linha do Vouga, linha do Oeste e reforço de ligações a Espanha, segundo um comunicado divulgado na terça-feira. Estes estudos são anunciados depois de o Governo ter aprovado, na segunda-feira, em Conselho de Ministros, o Plano Ferroviário Nacional.

De acordo com a nota do Ministério das Infraestruturas e Habitação, o executivo deu conta de que mandatou a Infraestruturas de Portugal “para que promova a realização dos estudos necessários à tomada de decisão" relativamente a vários investimentos neste domínio. Estes projetos passam pela “modernização e eletrificação a Linha do Vouga, com ligação à Linha do Norte em condições de plena interoperabilidade”, e pela “avaliação das opções para uma ligação direta da Linha do Oeste a Lisboa, nomeadamente à Linha de Cintura”.

Será ainda estudado o “reforço das ligações transfronteiriças a Espanha, incluindo a ligação de Alta Velocidade entre Porto/Vila Real/Bragança/Espanha, a ligação entre Aveiro/Viseu/Salamanca e a ligação de Alta Velocidade entre Faro/Huelva”. Além disso, a resolução do Conselho de Ministros aprovada na segunda-feira “confirma também as prioridades de desenvolvimento da rede ferroviária de Alta Velocidade atualmente em curso (Porto-Lisboa, Porto-Vigo e Lisboa-Madrid), bem como da rede ferroviária convencional”.

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Governo apresentará nova proposta sobre prémio salarial em breve
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Governo apresentará nova proposta sobre prémio salarial em breve

Questionado pelo deputado do PS, António Mendonça Mendes, numa audição no parlamento, sobre o ponto de situação do prémio salarial, o ministro referiu que "quem se inscreveu em 2024 teve o pagamento em 2024 e 2025, o Governo está a rever a questão do prémio salarial e apresentará uma nova proposta em breve". Perante a insistência sobre este apoio, cuja lei está ainda em vigor, o ministro disse apenas que "o Governo tomou a decisão de rever o prémio salarial". O prémio salarial representa uma devolução das propinas aos jovens até aos 35 anos, sendo pago todos os anos pelas Finanças, mediante pedido de acesso pelos jovens, durante o número de anos equivalente ao ciclo de estudos que levou à atribuição do grau académico. A legislação prevê que as candidaturas decorrem anualmente até 31 de maio, mas o Governo não abriu as candidaturas. O incentivo foi criado pelo Governo de António Costa em 2023 para permitir que os jovens trabalhadores, até ao ano em que fazem 35 anos, possam pedir ao Estado a devolução das propinas como reconhecimento da conclusão da licenciatura ou do mestrado. No caso de uma licenciatura, o montante pago é de 697 euros e, no do mestrado, de 1.500 euros (num mestrado integrado, os anos correspondentes à licenciatura dão direito a 697 euros e os referentes ao mestrado aos mesmos 1.500 euros).

Portugal ultrapassou a meta de 2,5 milhões de pessoas vacinadas contra a gripe
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Portugal ultrapassou a meta de 2,5 milhões de pessoas vacinadas contra a gripe

De acordo com o documento, 2.507.573 pessoas foram vacinadas contra a gripe desde o início da campanha de vacinação sazonal, em 23 de setembro, das quais 1.341.224 em unidades do Serviço Nacional de saúde e 1.163.852 em farmácias. Contra a covid-19, foram vacinadas mais 3.418 pessoas nos últimos sete dias, elevando para 1.327.218 o total de vacinados, refere o relatório, indicando que 698.859 receberam a vacina no SNS e 627.155 nas farmácias, A campanha de vacinação sazonal outono-inverno 2025-2026 decorre até 30 de abril de 2026, em unidades de saúde do SNS e em 2.500 farmácias comunitárias, e o objetivo da DGS é vacinar cerca de 2,5 milhões contra a gripe e 1,5 milhão contra a covid-19. Os dados indicam que a cobertura vacinal contra a gripe nas pessoas com mais de 85 anos está nos 86,98%, no grupo etário entre os 80 e os 84 anos está nos 78,11%, no grupo entre os 70 e os 79 anos situa-se nos 74,47% e nos maiores de 65 anos nos 72,69%. A cobertura vacinal da covid-19 é mais baixa do que a da gripe, atingindo os 59,15% nos maiores de 85 anos, os 47,82% entre os 80 e os 84 anos, os 42,90% entre os 70 e os 79 anos, e 42,94% nos maiores de 65 anos. As autoridades de saúde têm reforçado o apelo à vacinação devido ao aumento das infeções respiratórias agudas e dos casos de gripe que têm causado um aumento da procura das urgências, do INEM e da Linha SNS 24. A DGS recomenda a vacinação contra a gripe e a covid-19 a todos os maiores de 60 anos, aos doentes crónicos de todas as idades e aos profissionais de saúde, recordando a importância da imunização contra estes vírus.

Acidentes rodoviários na época festiva de Natal e Ano Novo causaram 38 mortes
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Acidentes rodoviários na época festiva de Natal e Ano Novo causaram 38 mortes

De acordo com informação hoje remetida em separado à Lusa por GNR e PSP, as duas forças de segurança registaram em 18 dias um total de 6.083 acidentes, dos quais resultaram 38 mortos, 127 feridos graves e 1.643 ligeiros. Vinte e oito das mortes foram causadas por acidentes em vias patrulhadas pela GNR, incluindo autoestradas, e dez por sinistros em centros urbanos, fiscalizados pela PSP. Os números são superiores aos da anterior operação de Natal e Ano Novo, quando a GNR registou 20 mortes entre 18 de dezembro de 2024 e 02 de janeiro de 2025, e a PSP contabilizou cinco no período homólogo à ação da época festiva mais recente. Globalmente, houve também mais 12 feridos graves e menos 48 feridos ligeiros do que na operação de 2024/2025. No total, entre 18 de dezembro de 2025 e 04 de janeiro de 2026 foram fiscalizados pelas duas forças de segurança, incluindo por radar, 233.937 condutores, tendo sido detetadas 25.928 infrações rodoviárias, a maioria por excesso de velocidade (3.828), falta de inspeção periódica (3.625) e seguro (1.121) obrigatório, e condução sob o efeito do álcool (876). Outras 1.103 pessoas foram detidas por conduzirem com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l e 506 por não terem carta de condução válida.

CGTP-IN convoca manifestação contra o pacote laboral para 13 de janeiro
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CGTP-IN convoca manifestação contra o pacote laboral para 13 de janeiro

"Depois da grande greve geral do passado dia 11 de dezembro, onde os trabalhadores se fizeram ouvir e afirmaram bem alto a sua rejeição ao pacote laboral e a exigência da sua retirada, a CGTP-IN decidiu marcar para o próximo dia 13 de janeiro de 2026 uma manifestação, com início pelas 14:30 no Camões seguindo para S. Bento", lê-se no comunicado divulgado ontem. Num compromisso com os trabalhadores e no âmbito das ações de luta contra o pacote laboral, "a CGTP-IN desenvolveu ao longo destes últimos meses um abaixo-assinado onde milhares de trabalhadores foram contactados, esclarecidos, informados e mobilizados". "São dezenas de milhares os trabalhadores que, com a sua assinatura, expressaram a rejeição deste assalto aos direitos e às condições de trabalho que serão, no próximo dia 13 de janeiro, entregues ao primeiro-ministro", sublinha o comunicado. O primeiro-ministro vai receber a CGTP no dia 07 de janeiro, depois de na segunda-feira a CGTP ter solicitado uma reunião com Luís Montenegro, reafirmando a exigência de retirar o pacote laboral, expressa, "de forma inequívoca". Em causa, está a rejeição da proposta, designada "Trabalho XXI", apresentada em 24 de julho pelo Governo e que mereceu o 'rotundo não' das centrais sindicais, que argumentam que é "um ataque" aos direitos dos trabalhadores e que realizaram uma greve geral no passado dia 11. As medidas deste pacote visam desde a área da parentalidade, passando pelos despedimentos e até ao alargamento dos prazos dos contratos ou dos setores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de grave. Perante as críticas das duas centrais sindicais, o Governo entregou à UGT uma nova proposta com algumas cedências, deixando, por exemplo, cair a simplificação dos despedimentos nas médias empresas, mas mantendo o regresso do banco de horas individual ou revogação da norma que prevê restrições ao 'outsourcing' em caso de despedimento, bem como a medida que visa dificultar a reintegração de trabalhadores, após despedimento ilícito ou as alterações à lei da greve. Na véspera da greve geral de dia 11 de dezembro, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira afirmou que o Governo está "a querer retirar o direito a ter uma vida estável, uma vida digna com perspetiva de futuro". Já secretário-geral da UGT, Mário Mourão, foi recebido terça-feira pela ministra do Trabalho sobre a reforma laboral e adiantou que a central sindical vai apresentar uma contraproposta, incluindo com medidas que não constam do anteprojeto. No final do encontro com Rosário Palma Ramalho, no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, em Lisboa, Mário Mourão não esclareceu os contornos do que lhe foi apresentado pela ministra do Trabalho, mas fez questão de sublinhar que viu espírito negocial do lado do executivo.

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PS mostra “preocupação” com buscas à CMA e acusa Luís Souto de “falta de lealdade com os aveirenses”
Cidade

PS mostra “preocupação” com buscas à CMA e acusa Luís Souto de “falta de lealdade com os aveirenses”

Depois de, em conversa com a Ria, o presidente da Câmara Municipal ter afastado as responsabilidades sobre o que motivou as buscas desta manhã na autarquia, o PS vem agora apontar o dedo ao autarca. Recorde-se que, esta tarde, Luís Souto não revelou qual o motivo da investigação, afirmando que estava sob “segredo de justiça”, mas garantiu que o processo não tem nada a ver com a nossa [do atual executivo] atuação”. Apesar de não ter sido confirmado nem pela Câmara Municipal de Aveiro nem pela PJ, a Ria apurou que as buscas estarão relacionadas com o processo do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso. No comunicado divulgado pela Polícia Judiciária, é referido apenas que “estão em causa decisões e procedimentos adotados em alterações de instrumentos de ordenamento do território" e que a investigação incide sobre a "eventual prática de crimes de prevaricação e violação de regras urbanísticas". O PS considera que, caso as buscas estejam relacionadas com a aprovação do Plano de Pormenor, então Luís Souto tem “tudo a ver com elas”, uma vez que era presidente da Assembleia Municipal aquando da sua aprovação. Por outro lado, se tiverem relação com a revogação do documento – aprovada em reunião de Câmara por proposta do PS e posteriormente chumbada na Assembleia -, então, dizem os socialistas, Luís Souto continua a ser responsável, uma vez que já era presidente da autarquia. “Foi alertado pelo PS para o facto de este Plano de Pormenor pretender, sobretudo, legitimar a viabilização de um projeto privado de hotelaria, desproporcionado face à escala da cidade e incompatível com o carácter urbano, paisagístico e ambiental da frente lagunar. Não se trata de um plano de requalificação urbana, mas de uma operação de licenciamento travestida de plano, concebida para legitimar um investimento privado, ignorando a envolvente, as dinâmicas urbanas e a capacidade de carga da zona”, escrevem os vereadores do PS na nota enviada aos jornalistas. Os responsáveis recordam que Luís Souto foi “alertado pelo PS” acerca deste plano e recordam os argumentos utilizados para o rebater, nomeadamente: a não realização de uma Avaliação Ambiental Estratégica apesar de o Ministério Público ter referido a sua necessidade; a existência de processos judiciais em curso que envolvem o documento; e os “pareceres condicionados e reservas institucionais” de várias entidades. Os socialistas notam ainda que Luís Souto “está aqui há 2 meses e 8 anos com responsabilidades políticas” e que, por isso, “todo o processo de aprovação e de não revogação do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso aconteceu sob a sua batuta”. Por ter atirado as responsabilidades do para “processos do passado”, o PS afirma que Luís Souto “mostrou que não quer ser responsável pela continuidade da qual se diz herdeiro”. “A falta de solidariedade, neste momento, com o seu antecessor talvez não surpreenda. A falta de lealdade com os aveirenses revelada na defesa do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso é que já surpreende mais”, apontam. Recorde-se que o Plano de Pormenor do Cais do Paraíso tem sido um dos processos urbanísticos mais controversos no concelho de Aveiro nos últimos meses, tendo gerado forte contestação pública, política e cívica. Em causa está a proposta de requalificação daquela zona da cidade, junto ao Canal Central, que prevê a possibilidade de construção de um hotel até 12 andares, bem como alterações significativas ao uso do solo e à frente lagunar. O plano tem sido alvo de críticas quanto ao impacto ambiental, à compatibilidade com instrumentos superiores de ordenamento do território e à ausência de Avaliação Ambiental Estratégica. A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal de Aveiro, então liderada por Ribau Esteves, permanecendo desde então no centro do debate público local. Mais recentemente, já no novo mandato autárquico de Luís Souto, o tema voltou à reunião de Câmara, com a apresentação de uma proposta de revogação do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso pelos vereadores do Partido Socialista. A proposta contou com os votos contra dos vereadores da coligação ‘Aliança com Aveiro’ (PSD/CDS) e com o voto favorável do vereador do Chega. Como a coligação ‘Aliança com Aveiro’ não dispõe de maioria no atual mandato, arevogaçãoacabou por ser aprovada em reunião de Câmara, mas não passou no último e decisivo teste - aAssembleia Municipalde Aveiro - onde PSD e CDS detêm maioria.

São Gonçalinho: ex-estudantes da UA estreiam documentários sobre mordomos e mordomas no CETA
Universidade

São Gonçalinho: ex-estudantes da UA estreiam documentários sobre mordomos e mordomas no CETA

17h30. Estamos no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), na Universidade de Aveiro. É aqui que Luís Filipe Borges trabalha há pelo menos um ano. Está responsável pela comunicação da atividade do CESAM. Para a conversa, subimos até ao quarto andar, onde o também ex-estudante da UA nos convida a entrar no seu gabinete. Uma sala branca, onde se destacam os “guiões” que deve seguir para ir de encontro à escrita pretendida, mas também um quadro branco que, naquele momento, se encontrava repleto de apontamentos a marcador azul. Pede que nos sentemos. Tiramos o bloco de notas, a caneta e pousamos o gravador na mesa. Luís senta-se à nossa direita, no seu local habitual de trabalho. Antes de começarmos a conversa, o ex-estudante abre o documentário no seu computador do trabalho que havia produzido sobre a festa de São Gonçalinho. Vai ‘picando’ aqui ou ali com o rato, enquanto reconhece alguns “defeitos”. Vemos imagens dos mordomos, do Bairro da Beira-Mar e até das cavacas. Entre as músicas que íamos escutando estavam o Barco de Aveiro, da Tuna Universitária de Aveiro (TUA), e a marcha de São Gonçalinho. “Mudava muita coisa. Eu não consigo vê-lo do início até ao fim. Primeiro porque é muito visceral e depois porque conta a minha história. Estás a ver a tua vida à tua frente, como ela passou, com tudo aquilo que concordaste ou discordaste”, confessa. Após cerca de dez minutos, iniciamos a conversa propriamente dita. Começamos por lhe perguntar de onde era, já que o documentário havia denunciado que não seria natural de Aveiro. Luís responde-nos que nasceu na Figueira da Foz e que veio para cá há 21 anos. Atualmente, com 41 anos, faz “contas simples” e brinca ao dizer que já está na cidade dos canais “há mais tempo do que esteve na terra onde nasceu”. “No entanto, algo que eu digo neste documentário é que (…) aquilo que nos torna de um lugar tem muito mais a ver com o sentimento, não por laços sanguíneos, mas por aquilo que sentimos e fazemos, do que puramente o facto de nascer”, exprime. Sobre o seu percurso na UA, vai repetindo, vez após vez, que foi um estudante com um “percurso errante”, uma expressão que admite até gostar. Inicialmente, entrou no curso de Engenharia de Materiais, mas mais tarde acabaria por desistir, ao aperceber-se de que esta não era a sua área. Pelo meio, haveria ainda de integrar a TUA, uma ligação que mantém há cerca de 20 anos. “Eu tenho duas doutrinas na minha vida: uma vez tuno, para sempre tuno, e uma vez mordomo, para sempre mordomo”, comenta entre risos. Luís admite mesmo que a tuna foi a “ponte” para São Gonçalinho. “[As festas] são algo surreal, porque acontecem em janeiro. Nelas acontece tudo aquilo que é descrito neste documentário… Desde os licores, aos abraços, aos amassos, às cavacas, às cabeças partidas”, aponta. “Quem não olha não leva com a cavaca, não é? E quem não é verdadeiramente devoto vai levar com a cavaca em cima”, assegura com uma gargalhada. Mais tarde, na UA, acabaria por entrar no curso então designado Novas Tecnologias da Comunicação (NTC), no Departamento de Comunicação e Arte (DeCA). Primeiro frequentou a licenciatura e, posteriormente, o mestrado. Foi durante esse percurso académico que, explica, a vontade de trabalhar no audiovisual começou a “crescer”, sempre aliada a um gosto pelo “natural”. Ao longo de sete a oito anos, começou a captar momentos das festas de São Gonçalinho- inicialmente através da fotografia e, mais tarde, em vídeo- sem imaginar que esse material viria a integrar o documentário que acabaria por produzir. “Começou pelas fotos, depois por um bocado de vídeo, para depois, de repente, surgir a ideia da vida de uma cavaca, que é uma curta-metragem sobre essa metáfora da vida: ‘a vida é dura tal como uma cavaca’”, conta. Na altura, gravava sem saber também que viria a ser convidado para integrar a mordomia. O convite surgiu pela mão do amigo Artur, na passagem de ano de 2018 para 2019. “Estava completamente fora. A grande diferença é tu gostares muito de uma festa, outra coisa é seres mordomo… Eu gosto da festa”, reage. Ainda assim, no dia seguinte acabou por aceitar e recebeu o ramo em 2020. Nesse mesmo ano, por ironia do destino, surgiu outro convite, desta vez no âmbito do mestrado, feito pelo professor Rui Raposo. “Sabendo que eu ia receber o ramo, manda-me para o ar, por mensagem, o que é que eu achava de um documentário”, recorda. Luís aceitou o desafio, embora reconheça que, devido à Covid-19, chegou a ponderar desistir do projeto. Acabaria, porém, mais tarde, por retomá-lo face à insistência do orientador. Assim nascia, oficialmente em 2023, o documentário “O nosso menino”: uma obra narrada pelo próprio, com 28 minutos, que conta a sua história na primeira pessoa. “O título vem daí, porque era um ano de mordomo a fazer um documentário sobre um ano de mordomo”, explica. “Quem me dera ter conseguido premeditar, há sete anos, que iria fazer isto teria sido completamente diferente”, acrescenta, enquanto observa, novamente, o trabalho final e sublinha, várias vezes, que a “qualidade de imagem” de hoje já não é a mesma. Sobre a duração, admite ainda que o filme deveria ter “27 minutos”, numa referência ao facto de São Gonçalinho ser também conhecido como “27”. Luís conta que o documentário passou por um crivo “muito grande”, sobretudo por ter vivido a festa enquanto mordomo, assistindo tanto ao seu lado positivo como negativo. “O bom não é o que se vê. São as ações, são os miúdos a brincarem, são as crianças que vivem aquilo, são os velhotes que vão para a capela, as pessoas a brindar e não as que vão tirar uma selfie porque vão mandar cavacas”, assinala, ressalvando que “todos os documentários vivem de texturas e de camadas”. No seguimento da conversa, volta a repetir que já não consegue ver o documentário do início ao fim, por ser demasiado crítico consigo próprio. Ainda assim, a verdade é que “O nosso menino” será exibido já este domingo, dia 11, integrado na programação das festas de São Gonçalinho, no Círculo Experimental de Teatro de Aveiro. Apesar de até agora o ter mostrado apenas em contexto “privado”, o ex-estudante da UA não tem dúvidas de que esta “era a altura certa para o mostrar”. “Tenho as costas largas e, de certeza, que ninguém vai mandar facas, nem nada disso”, brinca. Luís Borges não foi o único a optar por fazer um documentário sobre as Festas de São Gonçalinho no seu projeto final de mestrado, nem vai ser o único a ser exibido. O mesmo aconteceu com Ana Rita Ricardo que, curiosamente, era também da turma do estudante com quem havíamos conversado anteriormente, tendo partilhado também o orientador, o professor Rui Raposo. No entanto, havia uma diferença entre os dois: a Ana Rita optou por produzir um documentário sobre as mordomas. Mal nos apercebemos do sucedido, tentámos também marcar uma conversa com a mesma. Entre trocas de agendas, acabámos por nos encontrar apenas no primeiro dia das Festas de São Gonçalinho, num café perto da Universidade de Aveiro. Comentamos que o tempo não estava muito “famoso”, já que caía uma chuva miúda lá fora e o céu estava escuro e nublado. Num riso discreto, Rita não se mostra surpreendida e partilha que já aprendeu que, nas festas, chover é tradição. Durante a conversa, a ex-estudante da UA partilha que é natural de Oliveira de Azeméis e que veio para Aveiro para estudar, inicialmente, Design, no DeCA. Foi aí que começou a descobrir o gosto pelo vídeo, interesse que a levaria mais tarde ao Mestrado em Comunicação e Multimédia. “O meu projeto [final], já antecipo que, no fundo, é um brunch do dele, porque há uma lista de projetos que podemos escolher para fazer a dissertação e depois existe ali uma seriação; escolhemos por ordem de prioridade… E o projeto dele estava listado lá e eu nem sabia que era dele”, conta. Na altura, explica, foi o professor Rui Raposo quem lançou a ideia de um documentário sobre as mordomas. “A mim captou-me a atenção porque eu não sabia que havia mordomas e, logo por aí, achei giro. Eu vivia cá, estudava cá já há três ou quatro anos, mas nem sabia que havia mordomas e nunca vivi muito a festa. Ia lá um dia, via as pessoas a atirar cavacas, sabia que era giro e vinha-me embora”, exprime. Em 2021, Ana Rita Ricardo apresentava, então, o documentário “Ó meu rico São Gonçalinho”. Conta à Ria que o gravou, na íntegra, durante a Covid-19 e que o processo foi marcado por várias dificuldades. “Primeiro, por ser um documentário e por ter de fazer tudo sozinha. (…) Depois, porque eu não tinha assim tanto à vontade com câmaras e com pessoas”, partilha. Com a pandemia, a ex-estudante diz que optou por começar pelo enquadramento teórico, com a esperança de que a situação melhorasse. No entanto, nada mudou até à altura da festa. “Foi uma festa muito pouco festa… As ruas estavam vazias, havia muito pouca gente e a própria decoração da capela, que é uma das principais funções que as mordomas fazem, estava quase vazia… Elas estavam em casa”, recorda. Com as pessoas fechadas em casa, pelo menos até abril, Ana partilha que chegou ao contacto destas mulheres por telefone ou mesmo pelo bater de porta em porta. Acabou por falar com cerca de 20 mordomas, mas admite que, para o documentário, utilizou menos testemunhos. “Acabei por começar a gravar muito mais tarde por esta questão do confinamento adicional. Não se podia estar na rua… (…) Só que eu tinha um prazo… Houve pessoas que se calhar eram importantes terem aparecido e não apareceram”, reflete. Ainda assim, entre máscaras e luzes improvisadas, acabou por conseguir gravar algumas mordomas. Das que entrevistou, partilha que não consegue recordar um momento em concreto, já que todas falam “com paixão” sobre o santo. “Falam como se fosse uma pessoa que está ali ao lado delas…. ‘O nosso menino’, ‘É o São Gonçalinho’. As histórias de antigamente, para mim, também foram das coisas mais marcantes… Como a festa era muito mais pequena, como as pessoas entram na casa uma das outras, a forma como vivem isto como se fosse o Natal. É quase como se fosse um feriado nacional para elas”, compara com uma gargalhada. Passados cinco anos desde a apresentação, Rita confessa que viu o documentário completo apenas “uma ou duas vezes”. O que mudava? A ex-estudante aponta imediatamente para a duração. “Acho que tem 57 minutos e, originalmente, o plano era ser mais curto. Logo por aí, se calhar, se fosse hoje, fazia mais curto. Mas, ao mesmo tempo, não me arrependo porque, quando estava a fazer os cortes, havia tanta coisa que eu achava… ‘Eu não posso cortar isto, porque a história está tão conectada, do início ao fim, é como se fossem fases’”, conta. Em relação à exibição do documentário, no CETA, este domingo, Ana Rita partilha que este era um dos “objetivos” desde que aceitou o desafio. “Isto foi feito num período em que a festa estava candidata a Património Cultural Imaterial. A ideia é que isto também pudesse integrar a candidatura e poder levar a concursos e trazer mais visibilidade à festa, às mordomas e, obviamente, à cultura da Beira-Mar”, reflete destacando que, desde então, foi tentando estabelecer alguns contactos. “Fiquei muito contente agora que isto se esteja a realizar porque acho que é complicado. Existem vários envolvidos… a mordomia, tentei falar com o museu, etc. É um processo difícil conseguirem arranjar locais, tempo, tudo junto, para fazer uma mostra. (…) É um alívio, de certa forma, porque eu carrego este trabalho comigo”, sublinha. A poucos dias de o poder mostrar, a ex-estudante mostra-se expectante quanto à reação das mordomas, algo que confessa ter sido sempre uma preocupação, até pela idade avançada de algumas delas. “Uma coisa que eu achei sempre muito triste foi deixar passar tanto tempo e não lhes mostrar algo para o qual se disponibilizaram. Espero que ainda estejam cá todas”, deseja. “Estou com muita antecipação para viver a sala e curiosidade sobre como vai ser e, principalmente, com muita ansiedade para saber se as pessoas vão gostar, porque há sempre um medo… Será que as representei bem? Acho que isso é a parte que me preocupa até mais”, remata. Rui Raposo, docente no DeCA, foi a ponte de ligação de ambos os ex-estudantes a São Gonçalinho. Este domingo, vai também marcar presença no Círculo Experimental de Teatro de Aveiro, participando numa tertúlia após as exibições dos documentários. Conseguimos chegar até ele através de uma chamada telefónica. Enquanto orientador de ambos, explica à Ria que um dos aspetos que mais recorda são as diferentes envolvências de cada um com o tema. “O Luís, que já foi mordomo, obviamente tem uma vivência e uma experiência do São Gonçalinho completamente distinta da Rita. No caso da Rita, apoiou-se muito mais na parte feminina, que são as mordomas. Muita gente fala dos mordomos porque são a face mais visível, mas há também muito trabalho feito pelas mordomas para que a festa se realize. (…) Como conheço algumas mordomas, pensei: porque é que não vemos também falar sobre a parte delas? Porque é que não devemos ter alguém a retratar aquilo que elas fazem?”, lembra. Apesar de não ser aveirense de gema, Rui partilha que já se considera como tal, uma vez que vive na cidade “há cerca de 30 anos”. Na altura, veio para Aveiro para estudar. Sobre a exibição pública dos documentários, o docente destaca, sobretudo, a proximidade. “Penso que é um passo fundamental, até porque vamos ter um cenário completamente diferente daquele que seria exibir estes documentários apenas online, em que cada um os veria em sua casa… É quase um espírito de comunidade. Com certeza vai ser interessante, porque vamos ter pessoas a fazer comentários em tempo real sobre o que estão a ver, algumas situações em que as próprias pessoas que assistem ao documentário estiveram lá e fazem parte dele sem saber. Acho que essa reação vai ser muito interessante. É fundamental esta questão da proximidade”, salienta. “As festas de São Gonçalinho já são parte integrante de Aveiro e é incontornável pensar que, se calhar, até muita gente que faz parte da cidade tem alguma ansiedade para que passem as festas da passagem de ano, porque já sabem que é o São Gonçalinho. Já sabem que as festas em Aveiro, nesta época natalícia, não ficam ali pelo dia 1 de janeiro… Continuam quase até ao meio do mês”, conclui Rui Raposo.

ULS da Região de Aveiro afirma que Urgência do Hospital de Aveiro é das mais sobrecarregadas do país
Cidade

ULS da Região de Aveiro afirma que Urgência do Hospital de Aveiro é das mais sobrecarregadas do país

Em nota enviada à Lusa, o conselho de administração da Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro adiantou ter tomado “medidas preventivas” face ao “pico” da Urgência no Hospital de Aveiro. Aquele órgão reconhece que, “de acordo com os dados fornecidos pela Direção-Geral da Saúde, o Serviço de Urgência da Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro, nos últimos 10 dias, e de forma consistente, tem sido o segundo Serviço de Urgência com maior sobrecarga, a nível nacional”. “Antes, porém, desta sobrecarga começar a ser evidente, já o Conselho de Administração tinha adotado medidas preventivas, tendo ativado, desde o dia 10 de dezembro, o nível 3 do seu Plano de Contingência de Saúde Sazonal – Módulo Inverno”, salienta. Esse nível do plano, conforme esclarece, contempla a suspensão da atividade cirúrgica programada e adicional, à exceção de casos urgentes, muito prioritários e oncológicos. A decisão foi tomada “de forma a permitir o reforço da capacidade de internamento, com a disponibilização de mais vagas para resposta aos doentes do Serviço de Urgência”. “Foram, ainda, tomadas medidas adicionais como a abertura de uma enfermaria de contingência, no Hospital de Águeda, e a contratualização com entidades externas de 30 camas extra”. O conselho de administração garante que foi feito o reforço da equipa de enfermagem e dos técnicos auxiliares de saúde do Serviço de Urgência, durante as 24 horas, alocando enfermeiros da área cirúrgica, cuja atividade programada foi suspensa, e foi igualmente reforçada a equipa médica do Serviço de Urgência no período noturno. “Por sermos um dos Serviços de Urgência mais sobrecarregados a nível nacional, o conselho de administração reconhece a pressão a que os profissionais têm estado sujeitos nos últimos tempos e agradece a sua dedicação e profissionalismo, que permitem responder adequadamente aos doentes que procuram a Urgência”, lê-se na nota. A Secção Regional Centro da Ordem dos Enfermeiros emitiu hoje um comunicado alertando que o Serviço de Urgência do Hospital de Aveiro está com uma ocupação superior à capacidade instalada. “A ocupação registada foi muito superior à capacidade instalada, verificando-se claros défices de enfermeiros e de técnicos auxiliares de saúde para as necessidades de vigilância clínica”, descreve, após visita ao local. Segundo a Ordem dos Enfermeiros, “a visita confirmou um cenário de elevada pressão assistencial, com sobrelotação persistente e tempos de permanência excessivos para os doentes que aguardam vaga de internamento”.

Ordem dos enfermeiros alerta para sobreocupação da urgência de Aveiro
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Ordem dos enfermeiros alerta para sobreocupação da urgência de Aveiro

O aviso consta de um comunicado hoje emitido por aquela estrutura profissional, após visitar quinta-feira a unidade hospitalar de Aveiro, na sequência de queixas de profissionais sobre as atuais condições de funcionamento. “A ocupação registada foi muito superior à capacidade instalada, verificando-se claros défices de enfermeiros e de técnicos auxiliares de saúde para as necessidades de vigilância clínica”, descreve. Segundo a Ordem dos Enfermeiros, “a visita confirmou um cenário de elevada pressão assistencial, com sobrelotação persistente e tempos de permanência excessivos para os doentes que aguardam vaga de internamento”. “A equipa apresenta sinais de desgaste e potencial "burnout", exigindo-se medidas sérias e protetoras do bem-estar dos colaboradores, para viabilizar uma prática profissional segura no hospital”, diz a Ordem dos Enfermeiros. De acordo com orelato, “foram identificadas limitações na resposta noturna de algumas especialidades e dificuldades na referenciação clínica, que fragilizam o trabalho em equipa e agravam os riscos assistenciais”. A estrutura regional sublinha que “as responsabilidades pelas soluções estruturais cabem à direção do serviço à direção clínica e ao conselho de administração da Unidade Local de Saúde”. No comunicado, a Ordem dos Enfermeiros enaltece “o profissionalismo e a resiliência dos enfermeiros e auxiliares”. A Agência Lusa solicitou ao conselho de administração da Unidade local de Saúde da Região de Aveiro o esclarecimento da situação, aguardando pela posição daquela entidade.