Distrital do PSD Aveiro satisfeita com resoluções do Conselho de Ministros
A Comissão Política Distrital do PSD Aveiro congratula-se com as resoluções do Conselho de Ministros apresentadas na passada segunda-feira, 10 de março, que lançam as “principais obras na área das acessibilidades que o distrito vem reivindicando há anos e colocam a modernização e eletrificação a Linha do Vouga entre as grandes prioridades estratégicas para a ferrovia”.
Redação
De acordo com uma nota de imprensa enviada à Ria, na passada terça-feira, “desde há anos” que os deputados do PSD eleitos por Aveiro e a estrutura distrital do partido “vêm pugnando pela concretização destes investimentos, dando voz às populações, que têm acompanhado de perto respeitando uma política de proximidade que vem sendo reconhecida”.
No total, o Conselho de Ministros lançou 31 obras rodoviárias em todo o país. No caso do distrito de Aveiro, foi determinado que a IP avance nos seguintes casos: - Variante EN222 – A32 (Nó Canedo) / IC2 Serrinha (Castelo Paiva); - IC35 – Ligação de Sever do Vouga / A25 (IP5); - Variante à EN326 – Ligação A32/IC2 – Santa Maria da Feira / Arouca; Troço Escariz / Mansores; - EN224-1 – Troço entre EN222 e EN224 – Requalificação e Via Lordelo-Codal / nó com a A32; - Eixo Rodoviário Aveiro-Águeda, também prioritário por integrar PRR, e que passará a designar-se como EN235 após a sua construção.
Já quanto à ferrovia, o Conselho de Ministros determinou as grandes prioridades estratégicas, com vista a afirmar a rede ferroviária, num horizonte de médio e longo prazo, assegurando uma cobertura adequada do território com ligação aos centros urbanos mais relevantes. Entre estes casos está a Linha do Vouga, sobre a qual o governo determinou à IP que promova a realização dos estudos necessários à tomada de decisão quanto à modernização e eletrificação, com ligação à Linha do Norte em condições de plena interoperabilidade.
Na nota, a distrital do PSD recordou ainda que “diversas iniciativas parlamentares foram encetadas, como resultado da auscultação das populações, pelo que é com regozijo que a Comissão Política Distrital do PSD toma conhecimento das resoluções do Conselho de Ministros, uma prova inequívoca de que o governo está a colocar o país no rumo certo”. “O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, quis deixar claro que a mobilidade é, para este executivo, um fator fundamental não só para a existência de verdadeira liberdade, individual e coletiva, mas também para reduzir custos de imobilidade maximizando o retorno socioeconómico global”, referiu. “E no que toca ao distrito de Aveiro, estão contempladas as principais reivindicações das populações, ficando claro o cumprimento do compromisso eleitoral assumido pela Aliança Democrática”, completou.
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BE da Feira já reuniu mais de 1.000 assinaturas apelando à remunicipalização da água
Lançada na passada sexta-feira à noite, a petição da referida estrutura política do distrito e Aveiro e Área Metropolitana do Porto diz que o atual modelo de gestão da rede de água e saneamento, envolvendo a concessionária Indaqua, tem resultado em preços exagerados para os munícipes, “penalizando especialmente as famílias com menores rendimentos”. “Em Santa Maria da Feira, a Indaqua pratica uma das tarifas de água mais elevadas do país e a mais cara do distrito de Aveiro. Foi recentemente noticiado que, para um consumo de 180 metros cúbicos de água, os munícipes feirenses pagam cerca de 419 euros, enquanto no concelho da Moita [no distrito de Setúbal] o mesmo volume ronda apenas os 65 euros, o que representa uma diferença absolutamente injustificável”, realça o texto da petição. O BE realça ainda que, embora a água seja “um bem público e um direito humano fundamental”, a atuação da concessionária “não garante o acesso igualitário aos serviços de água e saneamento, sendo frequentemente marcada por práticas que os munícipes consideram persecutórias e desproporcionadas” O partido quer, por isso, a remunicipalização do serviço de abastecimento de água e saneamento “durante o atual mandato autárquico” e a aplicação de um tarifário específico para famílias com quatro ou mais elementos, para que assim se assegure “o acesso à quantidade mínima indispensável de água ao menor custo possível”. Os autores da petição exigem também “o fim das taxas de ligação e de disponibilidade”, e a cobertura total do concelho pela rede de abastecimento e saneamento “no prazo máximo de dois anos”. Contactada pela Lusa, a Indaqua não fez comentários ao assunto.
Ex-autarca de Oliveira de Azeméis nega crimes de prevaricação
"Fui um presidente de câmara à pressa. Não estava preparado para isso e não cometi nenhum crime", disse o arguido, afirmando sentir-se revoltado por ver-se acusado de vários crimes que considera não lhe dizerem respeito. Isidro Figueiredo está acusado de quatro crimes de prevaricação, num processo que tem como arguidos outros três antigos autarcas, designadamente o seu antecessor Hermínio Loureiro, e os ex-vereadores Ricardo Tavares e Gracinda Leal. Os dois últimos respondem também por quatro crimes de prevaricação, cada um, enquanto Hermínio Loureiro está acusado de um crime de prevaricação. No banco dos réus estão ainda José Oliveira, que à data integrava o gabinete de apoio à presidência, dois antigos funcionários da câmara e um empresário, que estão acusados de cinco crimes de prevaricação, cada um. Perante o coletivo de juízes, Isidro Figueiredo disse que não teve nada a ver com as obras referidas na acusação do Ministério Público (MP), sustentando que as mesmas foram realizadas no mandato anterior, presidido por Hermínio Loureiro. No caso das obras da academia de música e da biblioteca Ferreira de Castro, o ex-autarca afirmou desconhecer quem as mandou fazer e em que circunstâncias. Relativamente às restantes obras, referiu que as mesmas não foram realizadas em 2017, mas sim em 2016, “se não a totalidade pelo menos a sua maioria”. Isidro Figueiredo afirmou ainda que nesse período era vereador, mas o seu pelouro não tinha nada a ver com obras. Na mesma ocasião, o então vice-presidente da câmara Ricardo Tavares, que à data dos factos tinha a seu cargo a competência das obras públicas, e a ex-vereadora Gracinda Leal, também negaram a acusação. “Não sei quando é que estas obras se realizaram. Todas essas obras realizaram-se em edifícios que eu não frequentava, nem tutelava”, afirmou Ricardo Tavares. O ex-autarca explicou que, quando era necessário executar uma obra municipal, era o presidente da câmara ou o vereador do pelouro que tutelava os edifícios onde as obras seriam realizadas que espoletava junto do serviço de divisão das empreitadas o processo, mas não conseguiu dizer quem mandou fazer as obras. A ex-vereadora Gracinda Leal também não soube explicar quem mandou realizar as obras, adiantando que limitava-se a identificar as necessidades em equipamentos que dependiam de si. O ex-presidente da Câmara Hermínio Loureiro optou por remeter-se ao silêncio, afirmando que pretendia prestar declarações durante o julgamento, posição mantida pelos restantes arguidos. A sessão foi interrompida cerca das 12:30, prosseguindo no dia 11 de março com a audição das testemunhas de acusação. Dos oito arguidos, sete estão, atualmente, a ser julgados no Tribunal de Espinho, no âmbito do processo Ajuste Secreto, num caso de corrupção centrado na Câmara de Oliveira de Azeméis e em Hermínio Loureiro, que presidiu àquela autarquia do distrito de Aveiro entre 2009 e 2016. Em causa estão cinco empreitadas de obras públicas, uma delas realizada ainda no ano de 2016 e as restantes já no ano de 2017, referentes a trabalhos de construção civil ocorridos num complexo desportivo e em quatros instalações municipais de Oliveira de Azeméis. "Tais empreitadas foram determinadas verbalmente por ordem dos arguidos titulares de cargo político e executadas pelo arguido empreiteiro, sob o acompanhamento dos restantes arguidos, sem que se lhe precedesse qualquer procedimento contratual e sem previsão e cabimentação orçamental", refere o MP. Com esta conduta, segundo o MP, os arguidos visavam "satisfazer interesses pessoais e partidários relacionados com a promoção da imagem pública dos arguidos titulares de cargos políticos e com a concessão de um benefício económico indevido à empresa de construção civil e respetivo gerente". Os investigadores concluíram que "foram adjudicados de forma ilegal" trabalhos no valor global de 72.692,89 euros, valor este que a Câmara de Oliveira de Azeméis foi condenada a pagar, na sequência de decisão do Tribunal Administrativo do Porto. O MP requereu a perda a favor do Estado deste valor, com a condenação solidária dos arguidos no respetivo pagamento.
Arouca com “hospital de proximidade” para agilizar colheitas de sangue e eletrocardiogramas
Segundo informação divulgada hoje pela autarquia serrana do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto, em causa está o projeto “Arouca - Hospital de Proximidade”, que visa evitar deslocações a Santa Maria da Feira, poupando várias horas aos utentes que até aqui só podiam realizar esses exames – de poucos minutos – no São Sebastião, sede da Unidade Local de Saúde do Entre Douro e Vouga (ULS EDV). “O hospital de proximidade contribui de forma significativa para a melhoria da acessibilidade aos cuidados de saúde, em particular a populações residentes em territórios de baixa densidade, como é o nosso. Simultaneamente, potencia uma utilização mais racional dos recursos disponíveis, favorecendo a eficiência do sistema de saúde e a redução de custos associados à mobilidade dos utentes, com maior conforto e segurança para estes”, declarou à Lusa a presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém. A parceria entre a autarquia e a ULS EDV ainda não está a funcionar em pleno, mas, desde o início de janeiro, já implicou cerca de 100 colheitas de sangue e está agora em preparação o início da realização de eletrocardiogramas. Em Arouca, ambos os procedimentos realizam-se às quintas-feiras – dia em que haverá capacidade para análises de sangue a 15 utentes e para outros tantos exames ao coração – e caberá à autarquia assegurar o transporte das colheitas até aos devidos laboratórios. O diretor clínico da ULS EDV, Carlos Carvalho, realçou que o novo hospital de proximidade de Arouca vem assim complementar a oferta já disponível da consulta de telecardiologia, realizada à distância com recursos a meios audiovisuais. “Este novo projeto enquadra-se na estratégia da ULS para um modelo de saúde de proximidade e, neste caso, aplica-se à realização de exames pré-operatórios e a doentes da região, obviando deste modo uma deslocação ao Hospital São Sebastião”, afirmou o médico, que apontou a colaboração da Câmara como “fundamental para disponibilizar a logística necessária ao transporte de amostras, devidamente validadas pelo serviço de patologia clínica”. Margarida Belém está satisfeita com os resultados que o hospital de proximidade de Arouca tem obtido até agora, mas indicou que ao fim de seis meses o projeto será alvo de uma avaliação: “Se o resultado for positivo, está previsto avançar-se também com a implementação da teleconsulta de anestesia.”
Detido suspeito de vários furtos em Aveiro e Ílhavo
Em comunicado, a GNR esclareceu que o suspeito, que circulava numa viatura de matrícula estrangeira com chapas de matrícula falsas e sem habilitação legal para conduzir, foi detido no sábado. Os militares da Guarda localizaram a viatura utilizada nos furtos a circular na Autoestrada n.º 25 (A25), tendo sido intercetada já no concelho de Estarreja. Segundo a Guarda, o primeiro furto ocorreu num posto de abastecimento de combustível na localidade de Taboeira, em Aveiro. Em seguida, o suspeito terá praticado três furtos no interior de veículos, através da quebra de vidros, com subtração de carteiras contendo dinheiro e cartões multibanco e, posteriormente, realizou um furto numa farmácia na mesma localidade, mediante arrombamento da porta, de onde foram subtraídas as caixas registadoras com dinheiro no seu interior. O detido permanece nas celas do Posto Territorial da Gafanha da Nazaré até ser presente no Tribunal Judicial de Ílhavo, para aplicação de medidas de coação.
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BE da Feira já reuniu mais de 1.000 assinaturas apelando à remunicipalização da água
Lançada na passada sexta-feira à noite, a petição da referida estrutura política do distrito e Aveiro e Área Metropolitana do Porto diz que o atual modelo de gestão da rede de água e saneamento, envolvendo a concessionária Indaqua, tem resultado em preços exagerados para os munícipes, “penalizando especialmente as famílias com menores rendimentos”. “Em Santa Maria da Feira, a Indaqua pratica uma das tarifas de água mais elevadas do país e a mais cara do distrito de Aveiro. Foi recentemente noticiado que, para um consumo de 180 metros cúbicos de água, os munícipes feirenses pagam cerca de 419 euros, enquanto no concelho da Moita [no distrito de Setúbal] o mesmo volume ronda apenas os 65 euros, o que representa uma diferença absolutamente injustificável”, realça o texto da petição. O BE realça ainda que, embora a água seja “um bem público e um direito humano fundamental”, a atuação da concessionária “não garante o acesso igualitário aos serviços de água e saneamento, sendo frequentemente marcada por práticas que os munícipes consideram persecutórias e desproporcionadas” O partido quer, por isso, a remunicipalização do serviço de abastecimento de água e saneamento “durante o atual mandato autárquico” e a aplicação de um tarifário específico para famílias com quatro ou mais elementos, para que assim se assegure “o acesso à quantidade mínima indispensável de água ao menor custo possível”. Os autores da petição exigem também “o fim das taxas de ligação e de disponibilidade”, e a cobertura total do concelho pela rede de abastecimento e saneamento “no prazo máximo de dois anos”. Contactada pela Lusa, a Indaqua não fez comentários ao assunto.
Requalificação da antiga Junta de Vera Cruz custa mais de 750 mil euros aos cofres da Câmara
A intervenção na antiga Junta de Freguesia da Vera Cruz - Escola do Adro vai abranger a totalidade do edifício e os espaços exteriores envolventes, incluindo acessos, passeios, escadas e rampas. No total, o investimento é de “763.911,42€+IVA”. A autarquia explica que empreitada surge da necessidade de corrigir um conjunto significativo de patologias construtivas que comprometem a salubridade, o conforto e a qualidade do ambiente interior. “O edifício apresenta fissuras nas paredes exteriores, alta humidade relativa provocada por infiltrações em paredes e tetos interiores, danos nas telas de impermeabilização de coberturas e terraços, humidade ascensional, degradação de carpintarias e revestimentos, bem como falta de ventilação natural em vários espaços, situação que tem originado a presença abundante de fungos”, justificam.
Reitores reclamam de “erosão orçamental” e pedem que impactos das alterações à lei sejam compensadas
De acordo com o documento, a que a agência Lusa teve acesso, a “erosão orçamental sistémica e a insegurança jurídica sem precedentes no Ensino Superior” foi o que levou o CRUP a enviar um memorando ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação. Em entrevista à Ria, Paulo Jorge Ferreira explica: “O orçamento das universidades é pré-determinado [...] em agosto. [...] Desde agosto de 2025 até hoje surgiram uma série de diplomas, alterações legislativas, aumentos salariais, jurisprudência, reinterpretações de diplomas passados, imposições legais de atualização salarial… Têm impacto sobre a despesa e isso significa que aquilo que em agosto se definiu já não é válido”. Fruto destas mudanças não previstas em orçamento, o reitor aponta que “a cada dia é mais difícil traçar um rumo, porque, muito frequentemente, somos confrontados com impactos na despesa que não tínhamos previsto”. Para fazer face a este problema, Paulo Jorge Ferreira afirma que as universidades querem que se legisle a favor da “neutralidade orçamental das alterações legislativas”. Por outras palavras, o presidente do CRUP explica que o objetivo é que “uma alteração que aumente a despesa da instituição atribua o acréscimo de X ao orçamento da instituição, para que ela o possa cumprir sem sacrificar os seus objetivos”. Na Universidade de Aveiro - como acontece também noutras IES - o atraso na devolução do IVA “diminui em 5,5 milhões de euros” a receita esperada da Universidade: “Trata-se do IVA que pagámos / adiantámos para as residências, no âmbito do PRR. Esse IVA que pagámos deve ser devolvido. Como a devolução não aconteceu no ano passado, isso cortou a receita esperada. Não por ter excedido a sua despesa prevista, mas por ausência de receita”. Da mesma forma, aponta o CRUP em comunicado, “a transferência da gestão administrativa das bolsas da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) para as universidades também transferiu para estas os custos administrativos, que não foram compensados por qualquer taxa de gestão”. No mesmo documento, os reitores das universidades portuguesas apontam que a situação se deve a “várias frentes”, entre as quais as dotações do Orçamento do Estado, que “há muito que não bastam sequer para cobrir a despesa com pessoal das universidades”, a que se somam atualizações remuneratórias e progressões na carreira que foram autorizadas “sem que tenha sido transferida qualquer verba adicional para as instituições”. Além disso, um recente acórdão do Supremo Tribunal Administrativo (STA) ordenou a abertura de concursos para integrar na carreira um “elevado número de investigadores” que eram até agora financiados por fundos europeus ou projetos de duração limitada, “ignorando a autonomia universitária e o impacto imediato e permanente na massa salarial”, alegou o CRUP. O conselho de reitores alertou ainda para o “impacto devastador” da interpretação recente dos tribunais de que o prazo de 90 dias para a “conclusão de concursos para docentes e investigadores é perentório”. “Devido à complexidade de agendar júris internacionais, exigidos por lei, o incumprimento do prazo determinaria a anulação de todo o processo, obrigando à sua repetição do zero — o que, manifestamente, dificilmente acelerará a renovação do corpo docente e de investigação”, lamentou. Perante isso, o CRUP avançou com quatro “medidas urgentes”, entre as quais a revisão imediata dos prazos de concurso, através de uma alteração legislativa para permitir a prorrogação fundamentada do prazo de 90 dias, “travando a anulação judicial em massa de procedimentos de recrutamento”. Os reitores pretendem ainda a clarificação jurídica de contratos, com a criação de normas que estabeleçam que a abertura de concursos depende da existência de dotação orçamental específica e que fixem prazos limite para as prorrogações transitórias previstas no Estatuto da Carreira de Investigação Científica. O presidente do CRUP, Paulo Jorge Ferreira, que também é reitor da Universidade de Aveiro, tem no dia 4 de março uma reunião com o ministro Fernando Alexandre para analisar o assunto.
Ex-autarca de Oliveira de Azeméis nega crimes de prevaricação
"Fui um presidente de câmara à pressa. Não estava preparado para isso e não cometi nenhum crime", disse o arguido, afirmando sentir-se revoltado por ver-se acusado de vários crimes que considera não lhe dizerem respeito. Isidro Figueiredo está acusado de quatro crimes de prevaricação, num processo que tem como arguidos outros três antigos autarcas, designadamente o seu antecessor Hermínio Loureiro, e os ex-vereadores Ricardo Tavares e Gracinda Leal. Os dois últimos respondem também por quatro crimes de prevaricação, cada um, enquanto Hermínio Loureiro está acusado de um crime de prevaricação. No banco dos réus estão ainda José Oliveira, que à data integrava o gabinete de apoio à presidência, dois antigos funcionários da câmara e um empresário, que estão acusados de cinco crimes de prevaricação, cada um. Perante o coletivo de juízes, Isidro Figueiredo disse que não teve nada a ver com as obras referidas na acusação do Ministério Público (MP), sustentando que as mesmas foram realizadas no mandato anterior, presidido por Hermínio Loureiro. No caso das obras da academia de música e da biblioteca Ferreira de Castro, o ex-autarca afirmou desconhecer quem as mandou fazer e em que circunstâncias. Relativamente às restantes obras, referiu que as mesmas não foram realizadas em 2017, mas sim em 2016, “se não a totalidade pelo menos a sua maioria”. Isidro Figueiredo afirmou ainda que nesse período era vereador, mas o seu pelouro não tinha nada a ver com obras. Na mesma ocasião, o então vice-presidente da câmara Ricardo Tavares, que à data dos factos tinha a seu cargo a competência das obras públicas, e a ex-vereadora Gracinda Leal, também negaram a acusação. “Não sei quando é que estas obras se realizaram. Todas essas obras realizaram-se em edifícios que eu não frequentava, nem tutelava”, afirmou Ricardo Tavares. O ex-autarca explicou que, quando era necessário executar uma obra municipal, era o presidente da câmara ou o vereador do pelouro que tutelava os edifícios onde as obras seriam realizadas que espoletava junto do serviço de divisão das empreitadas o processo, mas não conseguiu dizer quem mandou fazer as obras. A ex-vereadora Gracinda Leal também não soube explicar quem mandou realizar as obras, adiantando que limitava-se a identificar as necessidades em equipamentos que dependiam de si. O ex-presidente da Câmara Hermínio Loureiro optou por remeter-se ao silêncio, afirmando que pretendia prestar declarações durante o julgamento, posição mantida pelos restantes arguidos. A sessão foi interrompida cerca das 12:30, prosseguindo no dia 11 de março com a audição das testemunhas de acusação. Dos oito arguidos, sete estão, atualmente, a ser julgados no Tribunal de Espinho, no âmbito do processo Ajuste Secreto, num caso de corrupção centrado na Câmara de Oliveira de Azeméis e em Hermínio Loureiro, que presidiu àquela autarquia do distrito de Aveiro entre 2009 e 2016. Em causa estão cinco empreitadas de obras públicas, uma delas realizada ainda no ano de 2016 e as restantes já no ano de 2017, referentes a trabalhos de construção civil ocorridos num complexo desportivo e em quatros instalações municipais de Oliveira de Azeméis. "Tais empreitadas foram determinadas verbalmente por ordem dos arguidos titulares de cargo político e executadas pelo arguido empreiteiro, sob o acompanhamento dos restantes arguidos, sem que se lhe precedesse qualquer procedimento contratual e sem previsão e cabimentação orçamental", refere o MP. Com esta conduta, segundo o MP, os arguidos visavam "satisfazer interesses pessoais e partidários relacionados com a promoção da imagem pública dos arguidos titulares de cargos políticos e com a concessão de um benefício económico indevido à empresa de construção civil e respetivo gerente". Os investigadores concluíram que "foram adjudicados de forma ilegal" trabalhos no valor global de 72.692,89 euros, valor este que a Câmara de Oliveira de Azeméis foi condenada a pagar, na sequência de decisão do Tribunal Administrativo do Porto. O MP requereu a perda a favor do Estado deste valor, com a condenação solidária dos arguidos no respetivo pagamento.