Empresa de Ovar cria lanchas de autor para atenuar dilema ambiental de barcos abandonados
Uma empresa de Ovar está a criar lanchas de autor a partir de cascos de embarcações abandonadas ou inutilizadas, num projeto de economia circular que disse este domingo direcionado para nichos de mercado que valorizam peças únicas e consciência ambiental.
Redação
Instalada em Esmoriz, no referido município do distrito de Aveiro, a Ohnos resulta de um conceito desenvolvido por João Gonçalves e Cátia Rebelo, dois engenheiros eletrotécnicos e de computadores que, tendo atividade profissional noutros setores, se lançaram na náutica artesanal para dar resposta a um “grande problema ambiental da atualidade”.
“O fim de vida da maioria das embarcações é um problema muito complicado de resolver, porque, mesmo com uma lancha pequena, o abate é tão caro e tão complicado que os proprietários optam simplesmente por abandoná-la ou então afundam-na de propósito para a darem como perdida”, declara à Lusa o fundador e gestor de projetos da marca, João Gonçalves.
Mesmo que o barco esteja numa zona de atracagem permitida, “fica mais barato ao proprietário pagar uns tostões por ano à marina do que desfazer-se dele em definitivo, porque não há quem trate devidamente do assunto” e descarte peças e materiais de acordo com as “complicadas” normas de reciclagem do setor.
Para Cátia Rebelo, cofundadora e diretora de estratégia da Ohnos, é isso que explica a presença de “tantos barcos abandonados nas margens do rio Douro ou nas praias da Torreira, todos cheios de ferrugem, fugas de óleo” e com fibra de vidro “impossível de decompor”, o que gera um problema ambiental crescente que “a atual legislação portuguesa não está a saber tratar”.
Para lidar com isso, o processo produtivo da empresa começa pela identificação de embarcações sem utilização cujos cascos sejam viáveis e, após um diagnóstico positivo, a respetiva compra. A partir daí, o casco é libertado de todos os elementos supérfluos e, uma vez limpa essa carcaça “mesmo até à fibra”, ela começa a ser adaptada ao novo desenho de João Gonçalves – no caso dos barcos por ele idealizados – ou às especificações indicadas pelo cliente – quando há uma encomenda prévia.
Além de “sistemas de combustível topo de gama”, as embarcações ganham assim decks e solários de cortiça criados a partir de moldes próprios, mobiliário exclusivo como cadeiras de skipper com orientação variável para proa ou popa, dupla hélice para maior estabilidade e propulsão, motores de última geração em termos de consumo e desempenho ambiental, âncoras em aço inoxidável 316L, luzes LED subaquáticas, comandos digitais, diários de bordo, etc.
Face a características como essas e a determinadas certificações, os preços finais são desta ordem: uma lancha com seis metros de comprimento custará cerca de 60.000 euros, uma de 10 metros pode chegar aos 280.000 e aquela em que a Ohnos está a trabalhar atualmente, com 14 metros e duas cabines, ainda não tem custo definido, mas será de valor bem mais elevado.
“Uma embarcação destas não é aquele artigo de luxo produzido em massa, com vários exemplares iguais para todas as pessoas que tenham capacidade financeira de os comprar”, realça Cátia Rebelo. “É um artigo único, irrepetível, para quem aprecia verdadeira exclusividade e valoriza trabalho artesanal exigente”, defende.
João Gonçalves afirma que “não há ninguém na Península Ibérica a produzir assim, com este nível de customização e de design próprio,” e, embora confiante de que “há mercado em Portugal” para o tipo de barco em causa, confia no potencial da Ohnos para também atrair clientes de outros países, sobretudo aqueles “onde há mais prática náutica e cultura da água” devido à proximidade a grandes rios e lagos.
A expectativa de Cátia Rebelo é que a empresa apoiada pelo Programa de Recuperação e Resiliência no âmbito da medida “Vouchers para Startups - Novos Produtos Verdes e Digitais” possa criar duas a três embarcações por ano, com recurso a uma equipa que, além dos engenheiros fundadores, também envolve carpinteiros, eletricistas, designers, técnicos de programação CNC e outros especialistas em transporte náutico.
O prazo de entrega será de oito meses e João Gonçalves justifica: “Não é trabalho que se possa apressar, porque muitas das peças que utilizamos nem sequer existem em Portugal e outras são concebidas por encomenda a partir de desenhos nossos, com especificações definidas caso a caso, barco a barco”.
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Incêndios: Suspeito de atear dois fogos em Castelo de Paiva fica em silêncio
O arguido, que se encontra em prisão preventiva, optou por não prestar declarações durante a audiência de julgamento em que responde por dois crimes de incêndio florestal, por factos ocorridos em julho de 2025. Durante a sessão, foram ouvidas as declarações prestadas pelo arguido em primeiro interrogatório judicial, quando foi detido em 16 de julho de 2025. Na altura, perante a juíza de instrução criminal, o arguido começou por dizer que, após o jantar, esteve num café, com uns amigos, a beber umas cervejas, afirmando não se lembrar de nada, desde que saiu do café até chegar a casa. Após insistência da magistrada, acabou por admitir que praticou os factos descritos na acusação, agindo sob o efeito do álcool. “Já não bebia há dois anos e meio e nesse sábado exagerei (…). Estava muito calor e caí na tentação de beber cerveja”, declarou o arguido, afirmando não ter uma explicação para o sucedido. O arguido já foi condenado a quatro anos de prisão, suspensa por igual período, por um crime idêntico. Os incêndios ocorreram na madrugada de 13 de julho de 2025, na localidade de Raiva, Castelo de Paiva e terão sido provocados com recurso a um isqueiro. Os dois fogos consumiram uma área de cerca de 800 metros quadrados de mancha florestal e colocaram em perigo uma mancha florestal significativa, bem como várias habitações e indústrias instaladas na área das ocorrências. Em ambos os locais, a vegetação circundante à ateada pelo arguido encontrava-se seca e, naquele dia, registava-se um nível elevado de risco de incêndio.
BE da Feira já reuniu mais de 1.000 assinaturas apelando à remunicipalização da água
Lançada na passada sexta-feira à noite, a petição da referida estrutura política do distrito e Aveiro e Área Metropolitana do Porto diz que o atual modelo de gestão da rede de água e saneamento, envolvendo a concessionária Indaqua, tem resultado em preços exagerados para os munícipes, “penalizando especialmente as famílias com menores rendimentos”. “Em Santa Maria da Feira, a Indaqua pratica uma das tarifas de água mais elevadas do país e a mais cara do distrito de Aveiro. Foi recentemente noticiado que, para um consumo de 180 metros cúbicos de água, os munícipes feirenses pagam cerca de 419 euros, enquanto no concelho da Moita [no distrito de Setúbal] o mesmo volume ronda apenas os 65 euros, o que representa uma diferença absolutamente injustificável”, realça o texto da petição. O BE realça ainda que, embora a água seja “um bem público e um direito humano fundamental”, a atuação da concessionária “não garante o acesso igualitário aos serviços de água e saneamento, sendo frequentemente marcada por práticas que os munícipes consideram persecutórias e desproporcionadas” O partido quer, por isso, a remunicipalização do serviço de abastecimento de água e saneamento “durante o atual mandato autárquico” e a aplicação de um tarifário específico para famílias com quatro ou mais elementos, para que assim se assegure “o acesso à quantidade mínima indispensável de água ao menor custo possível”. Os autores da petição exigem também “o fim das taxas de ligação e de disponibilidade”, e a cobertura total do concelho pela rede de abastecimento e saneamento “no prazo máximo de dois anos”. Contactada pela Lusa, a Indaqua não fez comentários ao assunto.
Ex-autarca de Oliveira de Azeméis nega crimes de prevaricação
"Fui um presidente de câmara à pressa. Não estava preparado para isso e não cometi nenhum crime", disse o arguido, afirmando sentir-se revoltado por ver-se acusado de vários crimes que considera não lhe dizerem respeito. Isidro Figueiredo está acusado de quatro crimes de prevaricação, num processo que tem como arguidos outros três antigos autarcas, designadamente o seu antecessor Hermínio Loureiro, e os ex-vereadores Ricardo Tavares e Gracinda Leal. Os dois últimos respondem também por quatro crimes de prevaricação, cada um, enquanto Hermínio Loureiro está acusado de um crime de prevaricação. No banco dos réus estão ainda José Oliveira, que à data integrava o gabinete de apoio à presidência, dois antigos funcionários da câmara e um empresário, que estão acusados de cinco crimes de prevaricação, cada um. Perante o coletivo de juízes, Isidro Figueiredo disse que não teve nada a ver com as obras referidas na acusação do Ministério Público (MP), sustentando que as mesmas foram realizadas no mandato anterior, presidido por Hermínio Loureiro. No caso das obras da academia de música e da biblioteca Ferreira de Castro, o ex-autarca afirmou desconhecer quem as mandou fazer e em que circunstâncias. Relativamente às restantes obras, referiu que as mesmas não foram realizadas em 2017, mas sim em 2016, “se não a totalidade pelo menos a sua maioria”. Isidro Figueiredo afirmou ainda que nesse período era vereador, mas o seu pelouro não tinha nada a ver com obras. Na mesma ocasião, o então vice-presidente da câmara Ricardo Tavares, que à data dos factos tinha a seu cargo a competência das obras públicas, e a ex-vereadora Gracinda Leal, também negaram a acusação. “Não sei quando é que estas obras se realizaram. Todas essas obras realizaram-se em edifícios que eu não frequentava, nem tutelava”, afirmou Ricardo Tavares. O ex-autarca explicou que, quando era necessário executar uma obra municipal, era o presidente da câmara ou o vereador do pelouro que tutelava os edifícios onde as obras seriam realizadas que espoletava junto do serviço de divisão das empreitadas o processo, mas não conseguiu dizer quem mandou fazer as obras. A ex-vereadora Gracinda Leal também não soube explicar quem mandou realizar as obras, adiantando que limitava-se a identificar as necessidades em equipamentos que dependiam de si. O ex-presidente da Câmara Hermínio Loureiro optou por remeter-se ao silêncio, afirmando que pretendia prestar declarações durante o julgamento, posição mantida pelos restantes arguidos. A sessão foi interrompida cerca das 12:30, prosseguindo no dia 11 de março com a audição das testemunhas de acusação. Dos oito arguidos, sete estão, atualmente, a ser julgados no Tribunal de Espinho, no âmbito do processo Ajuste Secreto, num caso de corrupção centrado na Câmara de Oliveira de Azeméis e em Hermínio Loureiro, que presidiu àquela autarquia do distrito de Aveiro entre 2009 e 2016. Em causa estão cinco empreitadas de obras públicas, uma delas realizada ainda no ano de 2016 e as restantes já no ano de 2017, referentes a trabalhos de construção civil ocorridos num complexo desportivo e em quatros instalações municipais de Oliveira de Azeméis. "Tais empreitadas foram determinadas verbalmente por ordem dos arguidos titulares de cargo político e executadas pelo arguido empreiteiro, sob o acompanhamento dos restantes arguidos, sem que se lhe precedesse qualquer procedimento contratual e sem previsão e cabimentação orçamental", refere o MP. Com esta conduta, segundo o MP, os arguidos visavam "satisfazer interesses pessoais e partidários relacionados com a promoção da imagem pública dos arguidos titulares de cargos políticos e com a concessão de um benefício económico indevido à empresa de construção civil e respetivo gerente". Os investigadores concluíram que "foram adjudicados de forma ilegal" trabalhos no valor global de 72.692,89 euros, valor este que a Câmara de Oliveira de Azeméis foi condenada a pagar, na sequência de decisão do Tribunal Administrativo do Porto. O MP requereu a perda a favor do Estado deste valor, com a condenação solidária dos arguidos no respetivo pagamento.
Arouca com “hospital de proximidade” para agilizar colheitas de sangue e eletrocardiogramas
Segundo informação divulgada hoje pela autarquia serrana do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto, em causa está o projeto “Arouca - Hospital de Proximidade”, que visa evitar deslocações a Santa Maria da Feira, poupando várias horas aos utentes que até aqui só podiam realizar esses exames – de poucos minutos – no São Sebastião, sede da Unidade Local de Saúde do Entre Douro e Vouga (ULS EDV). “O hospital de proximidade contribui de forma significativa para a melhoria da acessibilidade aos cuidados de saúde, em particular a populações residentes em territórios de baixa densidade, como é o nosso. Simultaneamente, potencia uma utilização mais racional dos recursos disponíveis, favorecendo a eficiência do sistema de saúde e a redução de custos associados à mobilidade dos utentes, com maior conforto e segurança para estes”, declarou à Lusa a presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém. A parceria entre a autarquia e a ULS EDV ainda não está a funcionar em pleno, mas, desde o início de janeiro, já implicou cerca de 100 colheitas de sangue e está agora em preparação o início da realização de eletrocardiogramas. Em Arouca, ambos os procedimentos realizam-se às quintas-feiras – dia em que haverá capacidade para análises de sangue a 15 utentes e para outros tantos exames ao coração – e caberá à autarquia assegurar o transporte das colheitas até aos devidos laboratórios. O diretor clínico da ULS EDV, Carlos Carvalho, realçou que o novo hospital de proximidade de Arouca vem assim complementar a oferta já disponível da consulta de telecardiologia, realizada à distância com recursos a meios audiovisuais. “Este novo projeto enquadra-se na estratégia da ULS para um modelo de saúde de proximidade e, neste caso, aplica-se à realização de exames pré-operatórios e a doentes da região, obviando deste modo uma deslocação ao Hospital São Sebastião”, afirmou o médico, que apontou a colaboração da Câmara como “fundamental para disponibilizar a logística necessária ao transporte de amostras, devidamente validadas pelo serviço de patologia clínica”. Margarida Belém está satisfeita com os resultados que o hospital de proximidade de Arouca tem obtido até agora, mas indicou que ao fim de seis meses o projeto será alvo de uma avaliação: “Se o resultado for positivo, está previsto avançar-se também com a implementação da teleconsulta de anestesia.”
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Tribunal de Aveiro declara ilegal norma que limitava construção no Plano de Pormenor de Cacia
A decisão, a que a Ria teve acesso, julga a ação parcialmente procedente e declara ilegal - com efeitos apenas para os autores do processo - o n.º 2 do artigo 11.º do regulamento do PPPZIC, que determinava que, na chamada “parcela 2” (onde se inserem as quatro moradias), apenas eram admitidas obras de conservação, alteração e reconstrução. Na prática, o plano mantinha as habitações, mas congelava o seu potencial construtivo. É esse “congelamento” que o Tribunal agora afasta. Para perceber o alcance da decisão, é preciso recuar a 2012, ano em que a Câmara Municipal de Aveiro iniciou o procedimento para elaborar o Plano de Pormenor de Parte da Zona Industrial de Cacia. O objetivo era reestruturar aquela área da freguesia e criar condições para reforçar a expansão industrial da Portucel instalada há décadas em Cacia. O plano foi aprovado em 2013 e enquadrava a expansão da zona industrial, reorganizando também os acessos e a estrutura viária. Os lotes habitacionais da Rua José Estêvão ficaram dentro da área de intervenção. À luz do plano aprovado em 2013, durante o último ano de mandato de Élio Maia na liderança da autarquia aveirense, aquela zona podia vir a integrar a expansão industrial, num contexto em que se discutia a reestruturação da área e a sua compatibilização com a unidade fabril existente. Em 2015 surge um novo elemento decisivo. O Grupo Portucel Soporcel apresenta um investimento estimado em 420 milhões de euros, com projeção de criação de cerca de 300 postos de trabalho. Perante a dimensão do projeto, a Câmara Municipal de Aveiro, já liderada pelo presidente José Ribau Esteves, avança com uma alteração ao Plano de Pormenor. A alteração é aprovada no final de 2015 e publicada em Diário da República no início de 2016. Essa revisão introduz mudanças relevantes nos parâmetros urbanísticos, aumentando a altura máxima das edificações industriais e o índice de ocupação do solo, ajustando o desenho urbano às exigências do novo layout fabril e reorganizando a estrutura viária. Mas há uma alteração que viria a estar no centro da polémica. A parcela onde se situam as moradias deixa de estar classificada como industrial e passa a ser reconhecida como habitacional. À primeira vista, tratava-se de uma salvaguarda para os moradores. Contudo, o regulamento passou a prever que naquela parcela apenas seriam admitidas obras de conservação, alteração e reconstrução. Ou seja, os proprietários não podiam ampliar significativamente as suas casas nem desenvolver nova edificabilidade. Foi essa limitação que levou quatro casais, proprietários dos lotes 2, 3, 5 e 6 da Rua José Estêvão, a avançar para tribunal. Na ação intentada contra o Município de Aveiro, os autores sustentavam que a alteração ao plano, apesar de manter as suas habitações, lhes retirava na prática o direito de construir, configurando uma restrição desproporcional ao direito de propriedade. Pediam a declaração de ilegalidade de várias normas do plano e uma indemnização superior a 200 mil euros. O processo arrastou-se durante vários anos. Agora, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro, numa sentença datada do dia 4 de fevereiro de 2026, dá-lhes razão de forma parcial. A decisão declara ilegal a norma que limitava a edificabilidade na parcela 2, mas apenas com efeitos circunscritos ao caso concreto, ou seja, apenas para os proprietários que recorreram aos tribunais. O Plano de Pormenor mantém-se em vigor na generalidade e não há, nesta fase, qualquer condenação do Município ao pagamento de indemnização. Na prática, a restrição absoluta à construção deixa de poder ser aplicada a estes lotes, abrindo a porta a que os proprietários possam exercer o seu direito de construir dentro dos limites legalmente admissíveis. Este caso de Cacia expõe uma tensão recorrente no planeamento urbano no concelho de Aveiro e que recorda o caso do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso: de um lado, um investimento industrial considerado estratégico para o Município; do outro, os direitos urbanísticos de pequenos proprietários. Em 2013, o plano apontava para a expansão industrial. Em 2016, manteve as casas, mas limitou fortemente a sua edificabilidade. Em 2026, o Tribunal entende que essa limitação não podia subsistir nos termos em que foi aprovada. A decisão agora conhecida não trava o investimento da Navigator nem altera o modelo industrial da zona. Mas introduz um sinal claro de que os instrumentos de gestão territorial não podem restringir direitos de forma desproporcional ou insuficientemente fundamentada.
VIC recebe hoje o lançamento do álbum Randomizer, de I ERROR
Os responsáveis explicam que “se, no projeto I ERROR, as ideias, fragmentos sonoros e experiências surgem como resultado da prática contínua com instrumentos e equipamentos electrónicos, Randomizer nasce de um lugar essencial na vida de qualquer músico: a prática quotidiana”. Este álbum tenta “refletir a abordagem singular” do artista, cuja formação em música clássica “evoluiu para uma linguagem pessoal que percorre contextos clássicos, conceptual, experimental e improvisado”. Também de acordo com a nota de imprensa, “o ambiente íntimo do Cinema Secreto da VIC irá propiciar uma aproximação singular ao processo artístico de Randomizer, oferecendo ao público a oportunidade de vivenciar não apenas o resultado final, mas também os vestígios de estudos, esboços e experiências que moldaram a obra”. O bilhete tem o custo de seis euros.
Teatro Aveirense: Mirror People dá início ao Ciclo Novas Quintas em 2026 com “concerto para curtir”
De alguma forma, é um regresso a casa para Rui Maia. Ou a uma das casas. Depois da Maia, onde cresceu, e de Lisboa, onde vive, o artista confessa que Aveiro é a sua “terceira cidade” e que, com o projeto Mirror People, ainda não tinha oportunidade de atuar no concelho. Na sala do Teatro Aveirense apenas tinha atuado uma vez, “já há uma data de anos”, com X-Wife, a “praticamente” a primeira banda que integrou. À espera de um concerto “divertido [...] para curtir”, recheado de caras conhecidas, Rui Maia conta que, ao vivo, o álbum que vem apresentar é muito diferente da versão de estúdio. “Sendo Mirror People um projeto de estúdio, há muitos sons que são impossíveis de reproduzir ao vivo. A partir de uma certa altura no percurso de Mirror People eu optei por fazer um concerto mais virado para o club, ou seja, virado mais para a música de dança [...] A sonoridade é mais despida. [...] Muitas vezes os temas têm bateria real, mas ao vivo eu optei pela caixa de ritmos, com consequências mais simples e não tão confusas e mais diretas. Em palco estou eu, nos sintetizadores e a eletrónica, e a Maria do Rosário, que canta alguns temas que ela escreveu”, explica. “Desert Island Broadcast”, disco lançado no último ano que fecha a trilogia de Mirror People, conta com oito temas e foi escrito ao longo dos últimos dois anos. Embora siga a sonoridade do projeto, Rui Maia revela que procurou “incluir mais elementos orgânicos e mais gravações de objetos caseiros”. O lado mais “tropical” vem do tema que dá nome ao álbum: uma ilha deserta imaginária de que se captam os sons e transformam em música. “Muito contente com o resultados final”, Rui Maia continua sem saber qual o futuro de Mirror People: “Não sei se vão acontecer mais discos ou se os discos vão ter outros títulos sugestivos. Para mim, pensar assim na trilogia, no fechar de um ciclo, parece-me bem”. O concerto acontece esta noite, pelas 22h00, na Sala Estúdio do Teatro Aveirense.
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