RÁDIO UNIVERSITÁRIA DE AVEIRO

Região

Ovos fazem subir preço do pão-de-ló de Ovar, mas quase não afetam doces de Arouca

O aumento do custo dos ovos fez aumentar 10 a 15% o preço do pão-de-ló de Ovar, mas terá menos repercussão nas variedades desse bolo e nos doces conventuais do concelho vizinho de Arouca.

Ovos fazem subir preço do pão-de-ló de Ovar, mas quase não afetam doces de Arouca
Redação

Redação

15 abr 2025, 14:36

É a própria presidente da Associação de Produtores de Pão-de-Ló de Ovar, Alda Almeida, a explicar à Lusa: “Os preços já aumentaram em março, quando começámos a receber os ovos muito mais caros. Cada produtor gere a sua casa como bem entende, sem influência da associação, mas, no geral, o quilo vai aumentar dois ou três euros”.

No seu próprio estabelecimento, que não atualizou os preços no Natal, Alda cobra agora 20 euros pelo que antes custava 18. Noutras casas, o pão-de-ló cremoso enformado em papel passou de 19 para 21 euros, e há ainda aquelas onde a iguaria “agora chega aos 22 e 23”.

Expectativas de diminuição do preço não há: “Depois da Páscoa, a caixa de 360 ovos pode descer um ou dois euros, mas, isso não se vai repercutir no pão-de-ló. Só em termos técnicos, uma mudança de preço custa tanto a alterar no sistema de faturação que não se justifica o trabalho por tão pouco”.

Já no outro concelho do distrito de Aveiro, a casa “Pão-de-ló de Arouca”, fundada por Angelina Teixeira Pinto e agora gerida por Tiago Brandão, admite que atualizou os preços, mas garante que os que está a praticar na Páscoa “não refletem o aumento real do custo dos ovos” porque, caso contrário, “ia vender muito menos”.

Dos doces com mais saída nesta época, a casa destaca três: a variedade chamada “bôla” de pão-de-ló, que tem a forma tradicional, mas, cozida em forno a lenha, exibe uma camada superior de açúcar; a típica “fatia” de pão-de-ló, que se apresenta como um bloco mais húmido encharcado em calda açucarada; e, de criação mais recente, o “pão-de-ló cremoso”, que, maciço e redondo, parece um queijo da serra, tem uma superfície central esbranquiçada e, logo sob essa camada de açúcar, revela um topo cremoso e uma base consistente, que lhe permite que seja cortado à fatia em vez de comido à colher como o seu congénere vareiro – e que, por encomenda, também está disponível em chocolate.

O quilo da bôla mais simples custa agora 18,5 euros por quilo, o que Tiago diz que é pouco. “Só aumentou 85 cêntimos quando, no mínimo, devia custar mais 1,80 euros, porque não é só o preço dos ovos que está em causa: são também os aumentos salariais, o custo da eletricidade, da água” e até da lenha.

Sujeito à mesma inflação está o gás, que não se usa no fabrico do pão-de-ló, mas se aplica na confeção de outros doces locais como os melindres e até as cavacas, que alguns comem duras como são e “a maioria gosta de molhar no vinho”, seja o de mesa, como fazem alguns seniores, ou o do Porto, como preferem gerações mais jovens.

Em todo o caso, as reservas já começaram a chegar há semanas e, se tudo correr bem, até domingo Tiago Brandão conta vender “umas 6.000 bôlas de pão-de-ló”. Mas são muito milhares mais os melindres, por exemplo, que as senhoras vão confecionando nessa casa, onde, por estes dias, há sete pessoas ao serviço de cozinha e balcão, e outras oito só para embalar produtos.

“Isto não pára”, afirma Tiago. “Começamos às três da manhã e não temos hora para parar”, acrescenta, em referência a uma labuta que tanto se destina a satisfazer os pedidos entregues em mão como as encomendas online.

Na “Loja dos Doces Conventuais”, de Jorge Bastos, também há mais azáfama por estes dias, com oito funcionários na cozinha e 16 ao balcão, dispersos pelos estabelecimentos fixos de Arouca e Porto, e pelo sazonal de Gaia. Cheira bem logo à entrada, a amêndoas e ovos, e há uma mesa inteira forrada a pasta granulada cor-de-laranja, que senhoras exímias moldam em linha: uma faz da massa um rolo, outra desfaz o rolo em pequenos cubos e enfarinha-o, e as seguintes transformam cada cubo numa bolinha ovalada que dispõem sobre os tabuleiros e marcam com um garfo no topo, para lhe dar uns risquinhos de textura.

Essas castanhas doces que vão depois a assar na brasa são das iguarias mais procuradas em Arouca, cumprindo a mesma receita que as freiras do mosteiro local da Ordem de Cister criaram há séculos, mas para as mesas pascais também se procuram os tradicionais charutos e morcelas, a que se juntam agora receitas contemporâneas como pedras parideiras, ovos de pega e doce de chila.

Só de castanhas doces, por exemplo, Jorge conta vender nesta Páscoa umas 2.000 caixas de 24 unidades, cada uma a 11 euros. O preço dessas delícias já foi atualizado em janeiro, antes do aumento dos ovos, e não vai sofrer mais alterações.

“É uma opção nossa, para o preço não ficar muito elevado”, explica, “mas ficamos prejudicados porque, além de estes produtos envolverem um processo manual de fabrico muito mais delicado, têm ainda a desvantagem do IVA: à mesa servimos os doces a 13%, mas, mal os embalamos para o cliente levar para casa, a caixa já tem que ser taxada a 23%, pelo que é difícil competir com as outras pastelarias”.

Recomendações

Câmara de Sever do Vouga suspende atividade florestal para Rali de Portugal
Região
15 abr 2026, 16:21

Câmara de Sever do Vouga suspende atividade florestal para Rali de Portugal

Segundo a agência Lusa, a Câmara de Sever do Vouga decidiu suspender a atividade florestal em determinados troços, devido ao Rali de Portugal, o que foi hoje, dia 15, contestado pela empresa Unimadeiras.

Câmara de Ílhavo celebra contratos de 700 mil euros com freguesias
Região
15 abr 2026, 10:11

Câmara de Ílhavo celebra contratos de 700 mil euros com freguesias

O Município de Ílhavo assinou contratos interadministrativos com as quatro juntas de freguesia, “num investimento global de 700 mil euros”, revelou hoje, dia 15, a Câmara, à agência Lusa.

Feira recria invasões francesas que em 1809 mataram 71 pessoas em Arrifana
Região
14 abr 2026, 17:14

Feira recria invasões francesas que em 1809 mataram 71 pessoas em Arrifana

Santa Maria da Feira acolhe de sexta-feira a domingo cerca de 20 propostas de animação relacionadas com as invasões francesas na freguesia de Arrifana, recriando com 100 figurantes o assassinato de 71 habitantes por ordem do general Stoult, segundo avança a agência Lusa.

Marcelo Rebelo de Sousa inicia terça-feira em Águeda “Ciclo aulas-debate” em escolas
Região
13 abr 2026, 16:32

Marcelo Rebelo de Sousa inicia terça-feira em Águeda “Ciclo aulas-debate” em escolas

O anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lançou hoje um novo sítio oficial na Internet e vai iniciar na terça-feira, em Águeda, distrito de Aveiro, um “Ciclo aulas-debate” com alunos do básico e secundário.

Últimas

Fases Finais CNU, Dia 3: UAveiro fecha fase de grupos com ‘chave de ouro’ e vai a todas as ‘meias’
Universidade
15 abr 2026, 20:26

Fases Finais CNU, Dia 3: UAveiro fecha fase de grupos com ‘chave de ouro’ e vai a todas as ‘meias’

A vitória da equipa feminina de andebol, que garantiu o acesso às ‘meias’, foi ouro sobre azul nesta primeira semana de campanha aveirense nos Campeonatos Nacionais Universitários (CNU). Todas as quatro equipas do UAveiro em competição estão na próxima fase e jogam já amanhã, dia 16, a ida à final.

Câmara de Sever do Vouga suspende atividade florestal para Rali de Portugal
Região
15 abr 2026, 16:21

Câmara de Sever do Vouga suspende atividade florestal para Rali de Portugal

Segundo a agência Lusa, a Câmara de Sever do Vouga decidiu suspender a atividade florestal em determinados troços, devido ao Rali de Portugal, o que foi hoje, dia 15, contestado pela empresa Unimadeiras.

Basquetebol Masculino: Academia aveirense chega às meias-finais dos CNU a pensar no título
Universidade
15 abr 2026, 16:10

Basquetebol Masculino: Academia aveirense chega às meias-finais dos CNU a pensar no título

A segunda equipa do UAveiro a conseguir garantir o acesso às meias-finais dos Campeonatos Nacionais Universitários (CNU) foi a turma do basquetebol masculino. Em entrevista à Ria, Pedro Cura, treinador da equipa, garante que o grupo é “ambicioso” e que revalidar o título de campeão nacional.

SC Beira-Mar: Investidor voltou a cair, mas Nuno Quintaneiro quer sociedade desportiva até junho
Cidade
15 abr 2026, 15:06

SC Beira-Mar: Investidor voltou a cair, mas Nuno Quintaneiro quer sociedade desportiva até junho

O SC Beira-Mar garantiu este fim-de-semana a manutenção no Campeonato de Portugal, mas, fora do plano desportivo, as coisas continuam difíceis para os aveirenses. O novo investidor, anunciado em outubro pela direção, incorreu em incumprimento e obrigou o clube a voltar ao mercado. Nuno Quintaneiro, presidente da direção, diz à Ria que quer poder anunciar outro parceiro até junho, de forma que a próxima temporada já possa ser equacionada com objetivos mais ambiciosos.