Palacete de S. João da Madeira transformado em hotel 4 estrelas com 16 milhões de euros da Hoti
O grupo português Hoti Hoteis transformou o Palacete Conde Dias Garcia num hotel quatro estrelas e propôs-se hoje recuperar em 15 anos o investimento de 16 milhões de euros nessa unidade de São João da Madeira.
Redação
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O novo hotel da marca Meliá do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto foi criado ao abrigo do Programa Revive, que, tutelado pelos ministérios da Economia, Cultura e Finanças, confia a parceiros privados a requalificação de património do Estado para fins turísticos.
Mediante uma concessão de 50 anos, foi assim recuperado o imóvel edificado originalmente entre finais do século XIX e inícios do XX, no estilo de construção português conhecido como “arquitetura dos brasileiros”, por envolver uma combinação de diferentes géneros decorativos apreciados pelos emigrantes regressados do Brasil com fortuna.
“Foi uma obra de alguma dificuldade porque, por um lado, tivemos que observar certos cuidados na preservação do palacete e, por outro, os empreiteiros não puderam trabalhar ao ritmo pretendido, dada a habitual falta de mão-de-obra que lhes atrapalha a capacidade de resposta”, declara à Lusa o presidente e fundador do Hoti Hoteis, Manuel Proença.
O edifício original ficou reservado para receção, bar, restaurante e suite presidencial, mantendo em frente o pátio centenário idealizado por António Dias Garcia (1859-1940), mas em redor a propriedade com mais de 5.000 metros quadrados de área bruta de construção passou a incluir um novo bloco de traça contemporânea, com cinco pisos à superfície e um semi-subterrâneo.
Essa disposição garante ao hotel um total de 93 quartos, parte dos quais reunidos num piso especialmente vocacionado para estadias ‘corporate’ coletivas, e deixa-o também equipado com salão de eventos, salas de reuniões, ginásio, spa com circuito de águas e uma piscina exterior.
Para gerir esses recursos foram criados 35 novos postos de trabalho, mas, também a esse nível, Manuel Proença admite constrangimentos. “O setor não tem pessoas suficientes para as necessidades do mercado e tivemos que deslocar alguns dos nossos recursos humanos, que vieram de outras unidades, como a de Aveiro, para exercer em São João da Madeira”, explica.
Contando receber turismo familiar, mas antecipando sobretudo estadias de negócios, dada “a relevância empresarial e industrial da região”, o presidente do Hoti Hoteis antecipa: “Se tudo correr dentro da normalidade, devemos recuperar o investimento em 15 anos, avançando sempre com novos hotéis ao mesmo tempo”.
“Já em obra, com as fundações”, está a unidade de Viana do Castelo, que, com a aquisição do terreno, terá um custo na ordem dos 18 milhões de euros, e “no início de 2026” devem arrancar depois os trabalhos na Avenida da Boavista, no Porto, onde 30 milhões permitirão construir um hotel Meliá e também um prédio de habitação da marca Residence – o que, juntamente com projeto idêntico em Aveiro, constituirá a estreia da Hoti no ramo imobiliário de caráter residencial.
Segue-se a unidade hoteleira de “Famalicão, com terreno já adquirido”, e hotéis também em Coimbra, Porto e outras cidades, porque “o crescimento tem que ser contínuo”, mesmo perante entraves como “os tempos da justiça portuguesa – que são um exagero”.
“Um problema muito sério que o país continua sem resolver e que atrasa e impede o investimento é o facto de não haver prazos para a justiça”, esclarece Manuel Proença, referindo como exemplo o projeto do hotel previsto para o Largo do Rato, em Lisboa, que “está parado há oito anos devido a uma providência cautelar”, num diferendo entre Procuradoria Geral da República e câmara municipal.
“São milhões de euros que ficam parados indefinidamente e que não se podem realocar a outros projetos nem rendem juros”, diz o empresário. “As empresas estrangeiras não compram nada cá com receio de ficar sujeitas a isto e o Estado Português continua sem reformar a justiça, como se não percebesse que estas falhas são um grande constrangimento para os investidores e uma ameaça ao progresso geral”, argumenta.
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