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Viagem Medieval da Feira não revela receita ou afluência, mas garante “sucesso absoluto”

A organização da Viagem Medieval, que terminou, esta segunda-feira, de madrugada em Santa Maria da Feira, não revelou números concretos de faturação ou afluência, mas disse que as entradas pagas aumentaram e que o evento foi “um sucesso absoluto”.

Viagem Medieval da Feira não revela receita ou afluência, mas garante “sucesso absoluto”

Organizada pela referida autarquia do distrito de Aveiro, em parceria com a empresa municipal Feira Viva e a Federação das Coletividades de Cultura e Recreio do Concelho de Santa Maria da Feira (FecoFeira), a recriação histórica que este ano celebrou três décadas teve início a 28 de julho, com entrada livre apenas nessa data, e prolongou-se depois por 12 dias de acesso pago.

No recinto de 37 hectares trabalharam cerca de 2.000 pessoas por dia, o que permitiu a apresentação de 88 espetáculos diários, a dinamização de dezenas de áreas temáticas e a gestão de centenas de bancas de venda e espaços alimentares, a maioria dos quais a cargo de coletividades locais.

Nisso, a organização gastou este ano 2,1 milhões de euros, o que representou um corte de 200.000 euros face à edição de 2025, que tinha registado um prejuízo superior a 160.000 euros. Quanto à edição deste ano, a autarquia não quis revelar à Lusa qual foi a faturação global do evento ou o número de acessos nas suas várias modalidades – entre as quais bilhetes diários a seis ou oito euros, e pulseiras livre-trânsito, cuja venda a preço ‘early bird’ este ano se prolongou para além do prazo inicialmente anunciado.

“O sucesso desta edição da Viagem Medieval não se esgota num único indicador”, disse o presidente da Câmara, Amadeu Albergaria, referindo que se mede “pelo impacto na economia local, pela projeção nacional de Santa Maria da Feira, pela qualidade da programação, pelo envolvimento das escolas, das associações e dos voluntários e, de forma muito particular, pela extraordinária adesão dos feirenses”.

“O evento foi, em todas as suas dimensões, um sucesso”, garantiu.

O autarca social-democrata não referiu como o evento recuperou da quebra de 11.364 visitas registada em 2025 face à afluência então prevista, na ordem dos 600.000 acessos em 12 dias, mas, sem revelar os números envolvidos nos seus cálculos, disse que o balanço é positivo também ao nível financeiro.

“O crescimento de mais de 2% no número de entradas pagas confirma a forte adesão a esta edição e acompanha um resultado financeiro que nos deixa muito satisfeitos – um resultado particularmente importante num projeto que, 30 anos depois, mantém uma enorme capacidade de mobilização”, defendeu.

Paulo Sérgio Pais, diretor-geral da Feira Viva, acredita na “robustez do modelo de gestão da Viagem Medieval” e explicou: “O crescimento de 2,21% no número de entradas pagas (via pulseiras e bilhetes), conjugado com as opções de gestão adotadas, permitiu assegurar a autossustentabilidade económica. Conseguimos, assim, conjugar uma programação de elevada qualidade com uma gestão rigorosa dos recursos”.

Esse responsável notou que o programa dedicado ao período final do Condado Portucalense foi “muito forte”, envolvendo vários espetáculos e cortejos “que mobilizaram milhares de pessoas e que mostram a capacidade da Viagem Medieval para renovar a experiência sem perder a sua identidade”.

Joaquim Tavares, presidente da FecoFeira, salientou, por sua vez, que a edição do 30.º aniversário voltou a demonstrar “a enorme capacidade do movimento associativo feirense para se envolver, mobilizar e contribuir para o sucesso de um evento com esta dimensão”.

Amadeu Albergaria notou que para isso contribuíram não apenas os profissionais, voluntários e outros cidadãos afetos à realização do evento, mas também os moradores e comerciantes que, no recinto e fora dele, manifestaram o seu apoio à iniciativa decorando casas e estabelecimentos comerciais com os pendões da Viagem Medieval, que exibem o brasão dos Condes da Feira.

“Santa Maria da Feira demonstrou, mais uma vez, que sabe organizar, sabe receber e sabe transformar um grande evento numa verdadeira afirmação do território”, defendeu.

A edição de 2027 ainda não tem data marcada, mas o período histórico a recriar já está escolhido: a ‘Viagem’ irá evocar o reinado de D. Afonso Henriques, na sequência da autonomização de Portugal após a Batalha de São Mamede e a assinatura do Tratado de Zamora.

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