RÁDIO UNIVERSITÁRIA DE AVEIRO

Universidade

A revolução de Artur Silva na equipa reitoral e nos serviços da UA: A estratégia do novo reitor

A chegada de Artur Silva à reitoria da Universidade de Aveiro (UA) marcou um novo ciclo face aos mandatos de Paulo Jorge Ferreira. Na primeira grande entrevista de mandato concedida à Ria, Artur Silva explica a linha de raciocínio que conduziu às alterações na equipa reitoral, nos cargos de diretor-delegado dos Serviços de Ação Social (SAS) e de administrador da Universidade e nos serviços da UA.

A revolução de Artur Silva na equipa reitoral e nos serviços da UA: A estratégia do novo reitor

A primeira decisão tomada pelo novo reitor Artur Silva com impacto na vida da Universidade foi a escolha da nova equipa reitoral. Face aos docentes que tinham acompanhado Paulo Jorge Ferreira, mudou quase tudo – até o número de vice-reitores - sendo que a única constante foi a professora Sandra Soares.

Aquando do fim do seu segundo mandato, o anterior reitor tinha a seu lado cinco vice-reitores: Alexandra Queirós, João Veloso, Ana Isabel Lillebø, Sandra Soares e Artur Silva. Agora, são três: Sandra Soares, Luís Filipe Castro e Mara G. Freire.

“Uma equipa mais curta significa que é uma equipa mais coesa”, justifica o agora reitor, que acredita que a redução do número de vice-reitores também representa uma oportunidade para delegar mais responsabilidades noutros intervenientes: “Estou a pensar em assessores, estou a pensar numa gestão descentralizada e em que nós temos de pôr também maior responsabilidade nos nossos serviços”.

Os três vice-reitores escolhidos estarão divididos pelas áreas que, na opinião de Artur Silva, são as “fundamentais” da UA: Ensino e Aprendizagem, Investigação e Qualidade. Por estratégia, o reitor passou a não contar com alguém exclusivamente dedicado à Cooperação – função até aqui desempenhada por João Veloso.

“A visão que eu tenho [é de que a investigação deve] ser algo global […] Nós temos muita investigação pensando no ADN da Universidade, […] [que] é a colaboração com a sociedade, é a colaboração com a região, com Portugal, com o mundo. Foi por aí que [decidi que] nós temos uma vice-reitora enquadrando tudo [Investigação e Cooperação] e depois temos uma pró-reitora que está mais dedicada à Cooperação [Anabela Silva]”.

“Acho que a Universidade e até o mundo não iria perceber se nós mantivéssemos uma reitoria de continuidade durante 16 anos”

Sobre os anteriores vice-reitores, que regressam agora ao corpo docente da Universidade, Artur Silva deixa apenas uma palavra de “louvor” ao trabalho desempenhado. A substituição de alguns nomes era, no seu entender, inevitável, dado que, entende, um novo ciclo pede “gente com ideias mais frescas e diferentes”.

Sem comprometer a continuidade, que “começa pelo reitor”, que foi vice-reitor durante os últimos oito anos, o responsável acredita que agora é tempo de “consolidar” o que já foi feito e “dar mais um salto qualitativo”. “Eu acho que a academia, o mundo, estaria à espera de que esta nova reitoria tivesse gente nova. […] Gente nova, gente fresca, com ideias frescas para vir renovar a gestão da Universidade”, atira.

Seguindo a mesma tónica, Artur Silva também promoveu uma revolução na equipa de pró-reitores. Se antes havia três escolhidos por Paulo Jorge Ferreira - uno Lopes, Filipe Nunes e Carlos Santos -, o responsável passa a contar com quatro pessoas, das quais só se mantém Carlos Santos – juntam-se Anabela Silva, Hugo Rodrigues e Susana Sardo.

Na globalidade, o reitor considera que formou uma “equipa reduzida”. Embora a intenção seja manter o trabalho nos moldes agora definidos, Artur Silva promete “não meter a cabeça na areia” caso esta opção se venha a verificar como um erro: “Se eu sentir que é necessário acrescentar, nós podemos sempre aumentar e nomear mais um vice-reitor ou um pró-reitor. Não é isso que está no meu pensamento, mas se a experiência com a equipa reduzida me levar a esse caminho […] Se eu sentir que é necessário, eu atualizo a equipa”.

Artur Silva escolheu Pedro Jesus para administrador por querer “alguém da área da gestão”; Ana Braga chega para os Serviços de Ação Social como “conhecedora” da UA

Não foi só na equipa reitoral que a revolução de Artur Silva foi levada a cabo. Uma das primeiras medidas do novo reitor, ainda com pouco mais de um mês de mandato, passou por não reconduzir o administrador da Universidade, Mário Pelaio, e o diretor-delegado dos Serviços de Ação Social (SAS), João Ribeiro – o lugar dos dois responsáveis foi tomado por Pedro Jesus e Ana Braga, respetivamente.

No que ao cargo de administrador diz respeito, Artur Silva diagnostica que, ao longo dos últimos anos, os administradores da UA têm vindo da área do Direito. No entender do órgão máximo da instituição, a “complexidade” da Universidade exige um gestor, traçando-se assim o perfil pretendido.

“Fui à procura, fiz as minhas consultas, e, […] [na primeira reunião com Pedro Jesus], ele veio para me ouvir e saiu daqui com um problema pelo desafio que eu lhe coloquei. É alguém que tem experiência em termos de empresas, em termos internacionais, é nosso antigo aluno, é um gestor novo…”, realça Artur Silva.

Recorde-se que Pedro Jesus tem 36 anos, nasceu no Funchal e terminou em 2013 a licenciatura em Contabilidade no Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA), tendo depois concluído o mestrado em Finanças e Fiscalidade da Faculdade de Economia da Universidade do Porto. No seu currículo destacam-se as funções de Diretor Financeiro da Herculano Alfaias Agrícolas, Auditor Financeiro Sénior na PricewaterhouseCoopers, Diretor Executivo de Medicina Dentária do Grupo Trofa Saúde e Diretor Executivo e Membro do Conselho de Administração do Grupo Sosoares.

Já no que à diretora-delegada dos SAS diz respeito, Artur Silva sublinha que Ana Braga já estava a desempenhar outras funções na Universidade e que também tinha experiência nos Serviços de Ação Social de outra Instituição de Ensino Superior. A nova responsável, licenciada em Novas Tecnologias da Comunicação pelo Departamento de Comunicação e Arte (DeCA) da UA, exerceu funções como chefe de divisão de Compras e Logística dos Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra (SASUC), diretora-delegada dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra, administradora hospitalar do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Vouga e, nos últimos anos, ocupava o cargo de chefe de divisão da Área de Aquisições e Contratos, na Universidade de Aveiro.

A não continuidade de João Ribeiro no cargo deveu-se ao “desgaste” do anterior responsável, que já estava em funções há oito anos, segundo Artur Silva.

O facto de tanto Ana Braga como Pedro Jesus serem antigos alunos da Universidade de Aveiro é uma “mais-valia”, entende o reitor, que acredita que é positivo que as pessoas já tenham estado nos corredores da Universidade. Embora reconheça a aposta como um sinal de aproximação aos alumni, o reitor nota que “se tivesse encontrado alguém que não fosse ex-aluno, também não ia tirá-lo da equação”.

Artur Silva quer que Gabinete do Reitor termine funções no fim do mandato do reitor; Funções transversais a mandatos devem passar para Serviço de Apoio à Administração e à Reitoria

Na sessão de apresentação pública da candidatura, Artur Silva avançou algumas das mudanças que quer fazer à estrutura da Universidade, começando pela criação do Serviço de Apoio à Reitoria e Administração. Em entrevista, o reitor explica que, na sua visão, o “Gabinete do Reitor deve ser uma estrutura simples e ágil” que se desfaz quando o mandato termina, “tipo ‘Missão Impossível’”.

“Atualmente, o Gabinete do Reitor tem muitas outras estruturas lá dentro e são estruturas que são de apoio à Reitoria e de apoio à Administração. Elas vão existir independentemente do reitor que estiver. Do Artur, do Paulo, do Joaquim, do André, etc. Ou seja, o reitor sai, mas vamos continuar a precisar de uma Divisão de Internacionalização. Nós vamos continuar a ter o Núcleo de Apoio à Gestão. E, por isso, deve estar num serviço que existe independentemente do reitor”, sustenta Artur Silva, que acredita que tudo o que é necessário ao trabalho da reitoria e da administração deve estar concentrado num serviço que se prolongue no tempo.

Outra das alterações preconizadas por Artur Silva foi a saída do dossiê de Estrutura e Organização de Eventos dos Serviços de Comunicação, Imagem e Relações-Públicas (SCIRP). A ideia passa por juntar todas as pessoas que lidam com a gestão de espaços num único Serviço – o Serviço de Desporto, Cultura e Eventos: “Nos SCIRP, na organização, temos um grupo de pessoas que trabalha com espaços. Por que não criar um núcleo, neste caso vai ser um serviço, que tenha todos os espaços? Podem ser desportivos, pode ser de sala de aulas, pode ser para organização de conferências, etc. […] Tudo isto é a ocupação de espaços e é a organização dos espaços. Nós temos que fazer também render esses nossos espaços em termos financeiros e, por isso, este também é o objetivo”.

UA está em fase de contratação de uma nova diretora para os SCIRP; Reitor quer Plano Estratégico para a comunicação

Um dos setores de que Artur Silva foi mais crítico na construção do Programa de Ação da sua candidatura foi a comunicação da Universidade. No documento, escrevia que “a ação comunicacional atual liderada pelos SCIRP carece de maior proatividade, sistematização e posicionamento estratégico, assim como de uma gestão mais articulada das narrativas institucionais” e defendia que “acrescem fragilidades ao nível do rigor editorial e da qualidade da informação produzida e divulgada”.

Durante a entrevista concedida à Ria, o reitor adiantou que a UA está em fase de contratação de uma nova diretora dos SCIRP e disse querer que a “comunicação interna e externa faça parte da gestão da Universidade”. Depois de um primeiro período de auscultação a grupos representativos dos vários segmentos da comunidade académica, Artur Silva aponta que a reitoria quer continuar a “escutar”, o que faz com que a comunicação seja estratégica para a gestão da Universidade.

“A seguir eu vou querer escutar muito mais, eu vou querer escutar as unidades orgânicas, eu vou querer passar também a essas unidades orgânicas as nossas decisões. E, por isso, nós vamos tentar que as decisões estratégicas sejam algo construído ouvindo a nossa comunidade e comunidades orgânicas, unidades de investigação. Ouvindo e depois também transmitindo e usando a comunicação como algo estratégico na gestão da reitoria”, frisa.

Pensando para fora das paredes da UA, Artur Silva destaca a função que a comunicação tem na “valorização” da instituição para “captar talento”, passando por novos estudantes, docentes, investigadores e pessoal técnico, administrativo e de gestão (TAG).

Para conseguir levar a cabo uma estratégia de maior projeção da Universidade, o reitor aponta que é preciso maior organização – algo que, explica, passa por um “plano estratégico […] [para] organizarmos de top down e bottom up”. “Se nós tivermos esse plano, nós temos as linhas mestras para fazer a organização […] Quando alguém elabora um artigo para sair, uma notícia, [é preciso saber] como é que essa notícia é elaborada, como é que essa notícia é checkada, como é que nós vamos à procura das notícias…”, concretiza.

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