Nos 50 anos, reitor realça que “2/3” dos estudantes do DLC-UA entraram na primeira opção
Paulo Jorge Ferreira, reitor da Universidade de Aveiro (UA), enalteceu o bom trabalho do Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro (DLC-UA) e apontou que “2/3” dos estudantes que estudam no Departamento entraram na sua primeira opção. A ressalva foi feita no âmbito das comemorações do cinquentenário do DLC.
Gonçalo Pina
Últimas
Foi na tarde da passada terça-feira, dia 3, no Auditório Renato Araújo, no Edifício Central e da Reitoria da Universidade de Aveiro (UA), que Paulo Jorge Ferreira começou por fazer um elogio ao trabalho dos responsáveis do Departamento que, segundo o próprio, “está a fazer muita coisa certa”.
Olhando para os números do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior do passado verão, o responsável indicou alguns dados. Apesar de só ter “157” vagas, o que corresponde a “5%” de todas as vagas disponibilizadas a cursos de humanidades em Portugal, “12%” dos que procuraram estes cursos escolheram a Universidade de Aveiro. Da mesma forma, “6%” dos que tinham notas de acesso superiores ou iguais a 16 também escolheram a UA.
O reitor aponta que os quatro cursos do Departamento trouxeram para a instituição “4,4” candidaturas por vaga, o que contrasta com a média dos 69 cursos de humanidades nacionais: “1,9”. Paulo Jorge Ferreira diz ainda que “2/3” dos admitidos tinham na Universidade de Aveiro a primeira opção e que, se se fizesse a média da opção em que entraram os estudantes do DLC, o resultado seria de “1,5”.
Numa reflexão sobre o lugar que o Departamento ocupa, o responsável da UA referiu que Portugal já não é hoje um país “periférico” e que pode ser visto como “eixo central”. Nesse sentido, apontou à ligação que o DLC estabelece com a Ásia – nomeadamente, à China. “Há, em certa medida, cada vez menos periferias. O nosso lugar no mundo não é ditado pela geografia, mas pelas escolhas que fazemos. E a nossa liberdade de escolher decorre de uma das mais importantes conquistas da modernidade académica, a autonomia das universidades", aponta.
O reitor entende que essa autonomia, que diz que “se pratica e renova”, se define no momento em que um Departamento de Línguas e Culturas assume o papel de “consciência crítica da Universidade”.
A autonomia, aponta, também passa pela afirmação do português como “língua de conhecimento e cultura”. “O que custa ao português e a outras línguas um quase monolinguismo académico que nós vemos hoje tão bem instalado em todas as áreas à nossa volta?”, questiona, assumindo que a língua é “o nosso único ativo global”.
Nas comemorações do cinquentenário, Ana Margarida Ramos, diretora do Departamento, explicou que “ao longo destes 50 anos o DLC se transformou profundamente” e que “o mosaico de línguas se expandiu”. Apesar de “mais cosmopolita”, salienta que a “cultura de atenção, o cuidado e a proximidade” foi sempre uma constante.
Se o DLC já habitou dois edifícios ao longo da sua história e a ambição de um novo espaço “mais moderno e mais eficiente” é uma realidade, Ana Margarida Ramos também aponta que “não são as paredes que fazem o departamento”.
Tolentino Mendonça nota “multiplicidade” do DLC para “perceber complexidade mundial”
Apesar de não poder estar presente na celebração do cinquentenário do DLC, o cardeal e poeta Tolentino Mendonça foi cabeça-de-cartaz da sessão. Durante o discurso, que durou pouco menos de meia-hora, procurou refletir sobre a importância das humanidades e do saber universitário nos dias de hoje, perspetivando também o futuro do Departamento.
“O típico do saber universitário não é subtrair, através de mecanismos de especialização. Pelo contrário, em vez de encapsular ou confiscar, o saber universitário devolve conhecimento à comunidade […], alarga a multiplicidade de perspetivas e coloca-as ao serviço de todos”, começou por apontar o também Doutor Honoris Causa da UA.
A Universidade, diz Tolentino Mendonça, “não vive de fragmentos autónomos, mas considera todos os saberes como ferramentas ao serviço da nossa comum humanidade”. Segundo explica, a realidade é “heterogénea, descontínua e complexa”, pelo que são necessárias “ferramentas múltiplas”. “É essa multiplicidade que o Departamento [de Línguas e Culturas] fomenta e sistematiza, que permite que se manifeste em cada estudante […] um interesse pela humanidade e um amor ao mundo”, conclui.
O cardeal destaca também que a transição cultural que estamos a viver “constitui um acelerador histórico que não volta para trás”. Com isso em mente, afirma que, neste contexto, o papel das Universidades passa por “ajudar cada um a viver na primeira pessoa”.
Nas palavras de Tolentino Mendonça, “as sociedades do futuro potenciam sempre mais a importância e a centralidade do conhecimento, que é a matéria-prima da Universidade, porventura recorrendo a paradigmas mais interdisciplinares e colaborativos, certamente acentuando a vantagem do trabalho em rede. O futuro não dispensa esses laboratórios de equidade, pensamento e inovação que as universidades e os departamentos constituem”.
Últimas
Recomendações
Cultura na UA: Reitor propõe que “Festival dos Canais pode vir até à Universidade”
Entre a possibilidade de uma passagem do Festival dos Canais pela UA e projetos que estão para vir nos “próximos tempos”, o reitor da Universidade de Aveiro quer apostar na cultura como ponte entre os Campi e a cidade.
Cursos da Universidade de Aveiro terão pelo menos uma cadeira com IA incorporada por semestre
Em entrevista à Ria, Artur Silva, reitor da Universidade de Aveiro (UA), avançou que, em breve, sairá um despacho do reitor que indica que, pelo menos, “20%” das unidades curriculares de cada curso devem passar a ter Inteligência Artificial incorporada a partir do próximo ano letivo. Segundo explica o responsável, o objetivo é que não haja “nenhum estudante [que] passe pela UA que não saiba utilizar bem e fazer bem algo usando esta ferramenta”.
RJIES: Artur Silva alerta para dificuldade em mobilizar alumni para votar nas eleições para reitor
Sem se mostrar a favor ou contra o novo modelo de eleição do reitor definido pelo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, Artur Silva, novo reitor da Universidade de Aveiro (UA), manifestou alguma preocupação face à implementação do voto dos antigos alunos. O responsável assinala que pode ser difícil recensear centenas de milhares de pessoas e que uma eleição pouco participada pode ser “condicionada”.
Nave ‘Caixa UA’: Artur Silva quer “rentabilizar” espaço e defende retirada das máquinas de ginásio
Em entrevista à Ria, Artur Silva, reitor da Universidade de Aveiro (UA), defendeu uma maior “rentabilização” da Nave ‘Caixa UA’, com mais eventos “científicos, académicos, desportivos e culturais”. Para o responsável, é necessário retirar as máquinas de ginásio do equipamento para “dar outra versatilidade à Nave”.