Nuno Barreto sobre Festivais de Outono: "Nunca cruzámos tantos recursos de acessibilidade juntos"
Estão em marcha, desde o passado domingo, os Festivais de Outono da Universidade de Aveiro. À Ria, o coordenador do Núcleo de Eventos dos Serviços de Comunicação, Imagem e Relações-Públicas, Nuno Barreto explica a importância de “trabalhar para todos os públicos”, tornando esta edição mais acessível, sustentável e inclusiva e os desafios que vêm com esta implementação.
Maria Rego
JornalistaÚltimas
Coletes hápticos, sistemas de ring loops, audiodescrição e língua gestual. Estes são alguns dos recursos que estão disponíveis para que todos possam disfrutar dos concertos presentes nos Festivais de Outono, que tiveram início no passado domingo, dia 25, e se estendem até 27 de novembro.
Este sábado, dia 31 de outubro, no concerto da Ana Moura, o coordenador do Núcleo de Eventos dos Serviços de Comunicação, Imagem e Relações-Públicas, adianta que vão existir todos os recursos em simultâneo, algo inédito, uma vez que, admite, “nunca cruzámos tantos recursos de acessibilidade juntos”.
A par com a vontade de “trabalhar para todos os públicos” e melhorar condições de acessibilidade, acrescem medidas sustentáveis. Tudo isto com uma questão de fundo: “como é que ambientalmente somos responsáveis, como é que economicamente somos efetivos e como é que socialmente conseguimos trabalhar com todos os públicos”.
Rádio Ria: Já está em curso a 22ª edição dos Festivais do Outono, que começaram este domingo, com abertura por parte da Orquestra Filarmonia das Beiras. E para percebermos um pouco mais sobre o que está a ser feito, no que toca a acessibilidade e inclusão nestes festivais, falamos hoje com Nuno Barreto, coordenador do Núcleo de Eventos dos Serviços de Comunicação, Imagem e Relações-Públicas da Universidade de Aveiro. Nuno Barreto, seja muito bem-vindo. Começava por perguntar-lhe o que é que foi pensado ao nível da acessibilidade e inclusão para que todo o público possa desfrutar dos Festivais do Outono?
Nuno Barreto: Boa tarde, Maria. É uma pergunta que para nós tem grande significado, porque a partir do momento que certificamos os nossos eventos na norma ISO 20.121, esta parte social é uma parte a que nos dedicamos muito, porque no fundo queremos trabalhar para todos os públicos. E é isso que nos traz cá, e mais do que o tamanho do evento, é deixar um legado e que os eventos sejam cada vez mais, com o máximo de condições, para todos os públicos.
Relativamente a esta edição dos Festivais do Outono, todo o processo é organizado com práticas de acessibilidade, quer na escolha do staff, inclusivo, quer nas informações que passamos para o público. Disponibilizamos uma página de acessibilidades por espaço, para as pessoas saberem o que é que podem contar em termos de acessibilidades físicas e recursos de acessibilidades em cada espaço, e temos o concerto da Ana Moura, onde vamos fazer um cruzamento destas componentes tecnológicas de acessibilidades.
Ou seja, vamos ter para as pessoas cegas, audiodescrição ao vivo; para as pessoas surdas, vamos disponibilizar coletes hápticos, que vão simular frequências de som, de maneira as pessoas surdas conseguirem ter pelo menos um ritmo que lhes transmita alguma sensação. Juntamente com isso, vamos conseguir ter sistemas de Ring Loops…O que é que é isso? O sistema Ring Loop é um sistema que para pessoas com aparelhos auditivos, o som é direcionado diretamente para esse aparelho, conseguindo que as pessoas que tenham algum tipo de deficiência auditiva, terem uma componente sonora muito mais saudável. Relativamente também a isso, temos língua gestual e vamos ter legendagem nos ecrãs.
Rádio Ria: Estes recursos de acessibilidade de que me fala... está agora a falar mais concretamente do concerto da Ana Moura, mas nos restantes eventos dos Festivais de Outono, existe também esta preocupação? Que recursos é que existem de acessibilidade?
Nuno Barreto: Nós temos procurado ao longo do tempo, sobretudo na parte dos Festivais, ir testando componentes. No ano passado, no concerto do Amaro Freitas, testámos os coletos hápticos. Já tínhamos testado audiodescrição ao vivo, onde para cada pessoa cega tem um pocket e tem uma pessoa a descrever o que está a ouvir. Também já tínhamos experimentado, mas em separado, nunca cruzámos tantos recursos de acessibilidade juntos.
E achámos que já temos tudo testado, já tivemos o feedback dos públicos - pessoas cegas, pessoas surdas - e agora, o que estamos a tentar neste concerto da Ana Moura, é cruzar todos esses recursos de acessibilidade, de maneira, como eu disse no início da entrevista, conseguir mais do que o tamanho do evento, deixar um legado. Não só nesta questão de acessibilidades, mas em todas as componentes que nós nos regemos na norma, que é a parte ambiental: com redução de desperdícios, utilização de equipamentos com eficiência energética, saber se gastamos o mesmo num evento ou noutro, comparar valores, para diminuir sempre a componente da pegada ecológica. Na parte económica, a mesma coisa.
Quando chegamos à parte social, que é a parte que diz respeito a estas questões da inclusão e da acessibilidade, achámos que já tínhamos experimentado os recursos todos, que seria uma boa oportunidade de cruzar estas ferramentas todas. Eu costumo dizer que nós temos um lema, que é: mais do que o tamanho do evento, é mesmo o legado que fica. Qual é a sensação que cria, quer num público normal, quer num público com algum tipo de deficiência.
É para isso que trabalhamos, porque fazer bem os eventos, nós já o fazíamos, acho eu, éramos organizados. Quando resolvemos certificar os eventos, é para lhe darmos uma componente mais profissional e para conseguirmos avaliar o nosso trabalho. Porque a Maria sai de um evento e diz assim, ou correu bem ou correu mal. Sim, mas nós temos muito mais que isto, que é como é que ambientalmente somos responsáveis, como é que economicamente somos efetivos e como é que socialmente conseguimos trabalhar com todos os públicos.
Nós não temos, por exemplo, desperdício alimentar nos nossos eventos. Nós trabalhamos com associações… há sobras, estão no final dos eventos, levam-nos. E essa é a componente social. E temos estabelecido muitas parcerias, quer com a ACAPO [Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal], que está em curso, com o Plantar o Futuro, na questão ambiental, com a Associação Moliceiro Solidário para doar os nossos excedentes alimentares para os sem-abrigos. Estamos a tentar normalizar um sistema onde já organizávamos eventos… como é que vamos tornar isto um processo?
Fechar o processo, ambientalmente estamos a cumprir todos os requisitos, nunca tivemos uma não conformidade em todas as auditorias que tivemos. Vou-lhe dar um exemplo, o Rock in Rio é organizado com a mesma norma que nós e tem não conformidades. Nós não tivemos e temos três eventos com tipologia diferentes.
Mas temos muitas oportunidades de melhoria, sobretudo na parte social, que é uma parte que ainda está em desenvolvimento, quer para a Universidade de Aveiro, quer para qualquer instituição que esteja preocupada com estes recursos. Resolvemos, então, no Concerto da Ana Moura, cruzar toda a tecnologia que já tínhamos testado e cruzar um novo concerto só.
Rádio Ria: Mas apenas para esclarecer uma dúvida, são 15 concertos aqui nos Festivais do Outono, estas condições de acessibilidade estão só centradas no único Concerto da Ana Moura ou existem também mais ferramentas de acessibilidade ao longo do resto dos concertos na edição?
Existem identificadas as condições de acessibilidade. Existe um mapa de acessibilidade, ou seja, que condições cada espaço tem, porque nós para cruzarmos esta tecnologia toda é preciso recursos. E são públicos que nem sempre estão recetivos. Nós praticamente os convidamos a vir, porque têm um carácter diferente. Também estão um bocado expostos, portanto convidamos as pessoas surdas a vir e as pessoas cegas, de maneira a termos o feedback deles e começar a ser uma prática antes de ramificar isto para todos os Festivais, porque mesmo economicamente também tinha um impacto.
Agora no futuro, quando estas ferramentas todas estiverem cruzadas, devidamente testadas, são ferramentas que os próprios auditórios já têm de ter para fornecer esta acessibilidade de carácter geral. Mas isso envolve recursos técnicos, recursos humanos e ainda ninguém faz isto tudo ao mesmo tempo. E quando se fazem [é nos] grandes festivais para outro tipo de massas. Nos Festivais de Outono, apesar desta ser uma preocupação de melhoria quantificada nos nossos relatórios, neste momento o que estamos a fazer para os Festivais de Outono na sua globalidade é, por cada espaço, as condições que cada espaço tem. Fora a parte legal que temos de obedecer, como, se uma pessoa de mobilidade reduzida compra um bilhete, tem um bilhete gratuito, mas isso é legislação.
Rádio Ria: Mas o que me está a dizer é que existe esta preocupação de introduzir também estas pessoas e mostrar-lhes que isto está a ser feito aqui?
Nuno Barreto: Certo, a preocupação é essa, porque nós chegamos à conclusão de que, por exemplo, que as pessoas surdas têm uma característica de personalidade diferente das pessoas cegas, porque no fundo estão ali muito expostas, não deixam de ser um objeto, um colete que vai estar ali, que é um bocado intrusivo, e as pessoas podem se sentir um bocado mais tímidas. Então experimentámos no concerto do Amaro Freitas, a recetividade foi boa, [então] vamos agora alargar para mais pessoas. Pronto, vamos ver o resultado.
Rádio Ria: De que forma é que estas pessoas podem ter acesso a estes recursos? O que é que estas pessoas têm de fazer antes de chegarem a um concerto? Têm de fazer algum tipo de contacto prévio?
Nuno Barreto: Podem fazer o contacto prévio, mas na nossa página de acessibilidade já têm os recursos todos que vão ter à sua disposição, mas os recursos não são infinitos. Por exemplo, nós, ao nível de pockets de audiodescrição, temos 20, portanto nós conseguimos perceber também pelos bilhetes que vão ser adquiridos, porque têm várias categorias, como já pode ter constatado.
Rádio Ria: Que tipo de investimento é que existiu para que toda esta panóplia de vertentes que me está aqui a dizer fossem possíveis integrar?
Nuno Barreto: O investimento comparado com o resultado que nós procuramos obter é mesmo muito diminuto, porque no fundo, sem ser os recursos humanos, são tudo recursos de baixo custo, que não significa nem um porcento do orçamento do Festival.
São recursos que já estão à disposição, são recursos de baixo custo, mas toda esta logística de trazer as pessoas cá, pessoas para as receber, fazer reconhecimentos de palco - como vamos ter- já envolve outro tipo de estrutura e cuidado… se calhar é um cuidado diferente do que abrirmos a porta para si, que tem todas as condições para desfrutar de um concerto com o máximo de condições. Abrimos [a porta], você senta-se, vai ouvir o concerto, acaba o concerto e vai embora. As pessoas cegas, já vão ser recebidas, vamos pôr o pocket, vai ser testado o pocket, vai ser encaminhada para um lugar, portanto, tem de se ter outro tipo de cuidados, que só quando temos as ferramentas todas à nossa disposição é que podemos... relativamente à parte financeira, acho que é mesmo muito residual.
Rádio Ria: Este é um investimento que procuram manter e integrar em outros eventos da Universidade de Aveiro?
Nuno Barreto: Sim, a ideia quer da Universidade de Aveiro, quer de qualquer instituição que se preocupe com estas temáticas, é no futuro isto ser um recurso que esteja em qualquer auditório ou qualquer espaço e que não seja uma coisa temporária. Para que no futuro se possa dizer que num auditório da Universidade de Aveiro nós temos pockets com audiodescrição, mas que envolve também uma audiodescritora profissional. Não é só o recurso tecnológico, é o recurso humano que tem de estar disponível para fazer a audiodescrição.
E a descrição para uma pessoa cega tem outros requisitos que não tem para uma pessoa “normal”. O futuro é isso, que nós ou os colegas que trabalham em cultura, nos espaços estarem dotados de coletes hápticos, de ter sítios para mobilidade reduzida, ter salas para neuro divergentes e por aí fora.
Rádio Ria: Estava há pouco a dizer-me que já no ano passado existiu um concerto em que foram introduzindo alguns destes mecanismos. Esta é a primeira vez que estou a perceber que vão existir todos em simultâneo, mas há algum que seja novo também nesta junção? Ou são tudo ferramentas que já foram utilizadas no ano passado?
Nuno Barreto: Começamos com a audiodescrição propriamente dita num evento institucional, que se calhar até faz mais sentido, mas é uma discussão que temos de ter. Depois testámos os coletes hápticos, os Ring Loops e a língua gestual no concerto do Amaro Freitas, no Campo Jazz do ano passado e achámos que era a altura de cruzar todas estas ferramentas.
Rádio Ria: Passando para a sustentabilidade, o que é que está a Universidade de Aveiro a fazer agora concretamente aqui nos Festivais de Outono?
Nuno Barreto: Nos Festivais de Outono, como eu comecei a dizer, não é um evento certificado, que temos normas específicas a cumprir, mas todo o processo, quer de estabelecimento de objetivos, quer sejam de comunicação, de público ambiental, sociais, económicos, também estão traçados. E nós vamos monitorizá-los e medi-los no fim para percebermos, dentro da norma, se estamos a cumprir, não estamos a cumprir e o que é que temos de melhorar. É melhoria contínua, é como qualquer processo de qualidade.
Rádio Ria: Mas o que é que está concretamente a ser feito no terreno?
Nuno Barreto: No terreno, por exemplo, coisas simples. Não compra água nos nossos eventos. Não compra. Não temos água à venda, mas fornecemos. É um princípio simples. Água é um direito. Temos dispensadores de água, disponibilizamos copos. As orquestras, por exemplo, não utilizam garrafas de plástico. É-lhes fornecida uma garrafa. Explicamos que têm dispensadores. Estou-lhe a dar um exemplo muito menor, mas só para perceber a mecânica. Porque se tiver uma orquestra a ensaiar quatro dias, a beber garrafas de água, é muito plástico. Então nós fornecemos dispensadores, quer para o público, quer para os artistas, e damos-lhes um briefing do que é que está associado o nosso processo, a nossa ISO, o que é que nos estamos comprometidos e até os nossos fornecedores, antes de entrarem, têm parâmetros que têm de cumprir.
Portanto, isto é para o público, que tem de se despertar a consciência individual de cada um, quer para estas três componentes: ambiental, social e económico, quer para os fornecedores, que têm de estar alinhados com a nossa ISO, quer nos transportes que utilizam, nos materiais que utilizam. Isto é mesmo muito vasto.
Rádio Ria: E têm sentido recetividade?
Nuno Barreto: Temos. Isto também é um tema que já foi atual, a sustentabilidade, agora se calhar já não é assim tão atual, porque toda a gente fala em sustentabilidade, mas agora estamos na fase realmente de como é que conseguimos mesmo ser sustentáveis.
Por quem se junta ao Festival, do público pelos inquéritos que fazemos - em termos de mobilidade, segurança, se a mensagem passou ou não - todos esses indicadores estão registados e têm tido uma evolução desde a nossa certificação, que tinha objetivos… era o primeiro ano, não sabíamos bem como é que havíamos de traçar os objetivos. Em 2025, tudo foi muito mais sistematizado em termos do que propomos fazer e como é que vamos medir o que fazemos.
Em termos de público, sentimos que realmente as pessoas estão comprometidas, que a mensagem passa e em termos de projeção externa, por exemplo, nós, como temos uma universidade, uma única universidade que está certificada nesta norma, é um tema um pouco mediático que as pessoas querem falar, porque realmente é um tema diferente. Como é que uma universidade tem eventos certificados? Isto não é só para os Festivais? Ou não é só para a Iberdrola, que também tem um evento certificado? Como é que vamos integrar isto numa componente que é um bocado mais formal?
Vou-lhe dar um exemplo. Nós fomos para a Futurália de 2025. O nosso stand de 8 metros era inteiramente feito em papel. Qual foi o resultado? Estamos no Guia para Eventos Sustentáveis e Climaticamente Neutros da cidade de Lisboa como um exemplo de boas práticas no stand de 2025. Depois, tem outras componentes externas, como a UNAI, que é a United Nations Academic Impact, que estuda casos de estudo com algum impacto nas academias. Nós saímos nessa componente da ONU. Temos mais de 60 notícias publicadas em meios de comunicação social. Este projeto foi prémio TAG, ou seja, foi instituído pela universidade. Foi um prémio que a universidade atribuiu para o pessoal técnico, administrativo e de gestão que tem projetos de impacto na sociedade.
E, sobretudo, porque desde que criamos e disponibilizamos a nossa informação toda no site dos eventos sustentáveis, o que nós notamos na universidade é que cada vez mais vêm ter connosco e [perguntam-nos] como é que podemos organizar um evento sustentável? Toda a gente pode organizar um evento com características de sustentabilidade porque nós disponibilizamos manuais de organização de um evento sustentável. Mas ainda há pouco tempo - não referindo o nome - queriam fazer um evento e certificá-lo. Isso não dá para fazer a curto prazo. Isto é um processo de certificação, de sistematização documental de todos os processos, como uma norma de qualidade. Depois tem de medir o que faz. Portanto, o que nós disponibilizamos, toda a nossa informação, é que a universidade, apesar de outras unidades orgânicas, departamentos, associações, se quiser um evento sustentável, toda a informação para organizar está disponível no nosso site. Certificar é outra questão porque passa por um sistema de gestão que tem de ser documentado.
Rádio Ria: Ao nível da bilheteira existem vários valores tabelados. Como é que chegaram a esta disposição?
Nuno Barreto: Existe uma política de bilheteira que é instituída pelo, neste caso, tudo o que são políticas de preços ou de espaços. Existe um órgão na universidade que estabelece esses valores. Neste caso, foi em consonância com a parte cultural, que é o Conselho de Gestão, e que definiu este preçário mais alargado para que consigamos abarcar, não em termos de preço, mas todas estas vicissitudes da comunidade UA que são bastantes. Vicissitudes no sentido de termos a comunidade UA, temos estudantes e tudo isso está consagrado nesta bilheteira com tantos componentes.
Rádio Ria: Mas parece-lhe que é importante ter todas estas especificidades?
Nuno Barreto: Sim, há pessoas que chegam ao pé de nós e [dizem] que podia estar mais simplificado. Não é muito comum ter tantas tipologias como nós temos, mas a preocupação, [que] podemos avaliar, no final do Festival, é [se] ter o maior número de categorias de bilhetes [é] adequada realmente às necessidades das pessoas. Temos packs-famílias, temos concertos de famílias, temos a questão das pessoas com algum tipo de deficiência, depois todas essas componentes.
Rádio Ria: Esta edição conta com a direção artística de Pedro Rodrigues. Esta foi uma escolha óbvia?
Nuno Barreto: O Pedro [Rodrigues] já é diretor artístico há algum tempo. Este ano manteve a direção artística, até porque nós trabalhamos com alguma antecedência e o programa antes desta reitoria nova até já estava fechado. Acho que houve uma continuidade saudável de um trabalho que tem sido positivo e que tem tido uma evolução.
Acho que em todos os capítulos, quer em termos de público, quer em termos do cartaz, na multidisciplinaridade dos cartazes, dos espaços que ocupamos, com a componente de que agora temos um espaço que tem de ser utilizado que é a Caixa UA e que temos procurado dimensionar os concertos, neste caso o diretor artístico, à amplitude dos espaços. Para se fazer um concerto na Caixa UA tem de ser um artista que realmente tenha essa envergadura, porque estamos a falar de uma lotação de 1.300 pessoas.
Rádio Ria: Este, como dizia inicialmente, é um evento que já vai nas suas 22 edições de existência. Aquilo que lhe pergunto, e sei que o festival já começou, é o que podem esperar todas as pessoas que queiram vir até aos Festivais de Outono para o resto dos eventos que estão assinalados?
Nuno Barreto: Eu acho que podem contar a nível de programação, porque eu também sou público, e há muitos concertos que até são as colegas que estão a trabalhar, não sou eu, e que faço questão de assentir, é que vão ter a oportunidade de juntar a música a outro tipo de artes, como a dança, a poesia, projeções feitas por alunos de mestrado. É, no fundo, trazer a música e misturar várias componentes de outras artes que podem criar um concerto diferente.
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