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Beira-Mar vê adversários a reforçar-se enquanto espera por desfecho das negociações com investidor

A indecisão relativamente ao processo de constituição da sociedade desportiva do SC Beira-Mar tem atrasado a preparação do clube para a temporada 2026/2027, que ainda não oficializou nenhuma das caras no novo plantel. Por outro lado, entre as equipas que se devem cruzar no trajeto dos auri-negros, há quem já tenha anunciado mais de 15 jogadores. Para perceber o ponto de situação do SC Beira-Mar, a Ria analisou o momento de todos os clubes.

Beira-Mar vê adversários a reforçar-se enquanto espera por desfecho das negociações com investidor

A menos de dois meses do arranque oficial da temporada do SC Beira-Mar – que, como a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) já anunciou, arranca no fim-de-semana de 16 de agosto, com a primeira jornada do Campeonato de Portugal –, o clube aveirense continua num impasse.

Conforme já noticiado pela Ria, o Beira-Mar está em negociações com Marcel Boekhoorn, investidor neerlandês conhecido pela aposta NEC, terceiro classificado da ‘Eredivisie’ na temporada passada, mas as partes ainda não chegaram a nenhum entendimento.

Na passada semana, o Diário de Aveiro avançou que peça fundamental do acordo seria a Câmara Municipal de Aveiro (CMA), que tinha de dar a sua validação sobre algumas questões relacionadas com o Estádio Municipal de Aveiro – em entrevista à Ria, Luís Souto de Miranda, presidente da autarquia, confirmou esta informação e lembrou que a Câmara “tem de defender os interesses de Aveiro”.

Da última vez que falou à Ria, no final do mês de maio, Nuno Quintaneiro, presidente da direção do SC Beira-Mar, dizia que “tudo o que tem a ver com futebol sénior vai depender do desfecho da negociação”. Apesar de o Diário de Aveiro já ter dada como “praticamente certa” a continuidade de Fabeta, técnico da equipa principal, ainda não foi oficializado nenhum nome que vá fazer parte da estrutura na próxima temporada.

Até agora, pelo que a Ria conseguiu apurar, ainda são poucos os jogadores que, depois de na última época terem representado o Beira-Mar, já têm destino traçado. Os únicos casos conhecidos são os de Pedro Neves - guarda-redes que só participou num jogo da equipa principal em 2025/2026 e que, de acordo com o portal zerozero.pt, já está a caminho do Vista Alegre – e o lateral Bruno Cruz, que, através da sua conta de Instagram, falou em “fim de ciclo” e agradeceu ao clube beiramarense.

A Ria procurou contactar Nuno Quintaneiro, presidente da direção do clube, para tentar saber mais sobre a preparação da nova época do clube, mas não obteve resposta.

Por esta altura, ainda não é certo o leque de equipas que a SC Beira-Mar vai defrontar na temporada que se avizinha. Não obstante, atendendo à distribuição geográfica e às condicionantes previstas nos regulamentos da competição, a página ‘Campeonato das Oportunidades’ fez uma simulação do que devem ser as séries deste ano do Campeonato de Portugal: de acordo com a publicação, o Beira-Mar deve voltar a disputar a Série B, desta feita com o AD Camacha, o Estrela da Calheta FC, o AD Machico (AF Madeira), o SC Salgueiros, o FC de Alpendorada, a UD Sousense (AF Porto), o CD Cinfães, o Castro Daire (AF Viseu), o CF União de Lamas, o Florgrade FC, a AD Sanjoanense, a AD Ovarense (AF Aveiro) e o Guarda FC (AF Guarda).

O que muda em relação a 2025/2026?

Em comparação coma última temporada, salta imediatamente à vista uma maior dispersão territorial na Série B. O mais flagrante é o caso das equipas da Madeira, que está previsto regulamentarmente: todas as formações da AF Madeira são concentradas na Série A ou na Série B de forma alternada a cada ano. Ou seja, como no ano passado houve três equipas madeirenses na Série A, este ano estão todas na Série B – pese embora o Camacha tenha vindo das distritais, rendendo o Ribeira Brava, que desceu. As equipas da Madeira jogam sempre nas séries mais a norte devido à proximidade ao Aeroporto Sá Carneiro, no Porto.

As entradas das equipas madeirenses fazem saltar para a Série A as equipas do AC Vila Meã e do Rebordosa AC – que no ano passado tinha ido à Fase de Promoção. Por outro lado, o Leça FC, que tinha ficado em segundo da Série B na época transata, conseguiu a subida à Liga 3, ao passo que Anadia FC, Aparecida FC, GD Resende, SC Vila Real e GD Gouveia caíram às distritais.

Entram ainda os recém-promovidos às competições nacionais Sousense (subiu da AF Porto), Ovarense (subiu da AF Aveiro), Castro Daire (AF Viseu) e Guarda (AF Guarda). A AD Sanjoanense, que tinha participado em todas as edições da Liga 3 até agora, acabou por não conseguir a manutenção.

A nova temporada traz notícias que podem vir a ser boas para o SC Beira-Mar, caso o objetivo volte a ser o mesmo das últimas épocas. No sentido de aumentar o número de equipas a competir no Campeonato de Portugal, passam agora a ser menos as equipas que descem às distritais. Até aqui, caiam cinco equipas de cada série, mas agora passa a haver duas descidas diretas e um playoff de despromoção com os 11º e 12º - o 11º da Série A cruza com o 12º da Série B (e vice-versa) e, numa eliminatória a duas mãos, quem ganhar mantém-se e quem perder desce.

Ovarense enche-se de experiência da Liga 3 e é quem tem o plantel mais completo; Machico, Cinfães, União de Lamas e Sanjoanense também já têm estrutura montada

Entre todas as equipas que se imagina que vão competir na Série B este ano, a Ovarense é quem tem mais jogadores oficializados. Depois de assinar com o técnico Hélder Castro, que começou a última temporada a orientar os comandos do Florgrade e que acabou no Chipre como treinador-adjunto do Olympiakos Nicosia, a turma de Ovar não perdeu tempo para montar o plantel de ataque ao Campeonato de Portugal.

Sem descurar a continuidade do plantel que ajudou a subir o clube aos campeonatos nacionais, a Ovarense renovou com Agostinho Carvalho (central que somou 24 jogos em 25/26), Luís Cacheira (extremo que somou 39 jogos, 12 golos e 15 assistências), Diogo Almeida (guarda-redes que fez 29 jogos), Bavikson Biai (médio com 31 jogos) e com Kwanku Boateng (lateral que realizou 31 partidas). No mercado, o clube aproveitou as quedas do Marco 09, onde recrutou Nandinho, da Sanjoanense, a quem foi buscar Vasco Gomes e João Monteiro.

Diogo Barbosa, do São João de Ver, e Rafael Tavares, que esteve um ano na primeira liga de Malta, foram também contratações do clube que ainda recorreu à concorrência direta do Campeonato de Portugal: da Florgrade chegaram Fil e Gonçalo Costa, do recém-subido Sousense chegou Quayson Arthur e do Rebordosa ingressou Sandro Fonseca. Leandro Tigre, ex-Ermesinde, foi o único jogador contratado a uma equipa que ainda milita nas distritais.

Na mesma senda, o Machico também se apressou a garantir rapidamente os alicerces da equipa, embora com uma preocupação redobrada em manter os protagonistas que deram a manutenção na época anterior: para além da renovação do treinador António Oliveira, mantêm-se também Rui Encarnação (20 jogos em 25/26), Wesley (28 jogos), Willian Gomes (27 jogos e dois golos), Nuno Campos (29 jogos e três golos), Leo Andrade (19 jogos), Emanuel Santos (27 jogos e um golo), Diogo Castro (13 jogos e um golo), João Faria (seis jogos), Francisco Aguilar (28 jogos e três golos), Ouvido Lourenço (25 jogos e 10 golos), Roberto Gouveia (14 jogos) e Dany (24 jogos e quatro golos).

O Machico promoveu ainda os regressos de Rudy e Rodrigo Freitas, bem como a promoção do júnior António Sousa à equipa principal.

O Cinfães, por seu lado, tomou de assalto a estrutura do Vila Meã: recrutou o treinador Pedro Campos, o diretor desportivo Vítor Hugo – que jogou cinco épocas com o emblema do Cinfães ao peito – e os jogadores Amadeu e Madureira. As movimentações do mercado do clube passaram ainda por Vila Real, de onde vem Chiquinho, Santo Tirso, que cede Mangá, e Oliveira do Hospital, onde atuava Pedro Cardoso. Da época transata, o Cinfães já garantiu que mantém Serginho, Rúben Vale, Chico Afonso e Tomazé.

O União de Lamas, também repetente na Série B do Campeonato de Portugal, está a fazer o mesmo que o Cinfães e, no mercado, alimenta-se do Vila Meã: as duas únicas contratações oficializadas até agora foram Diogo Santos e Pedro Meneses, ambos oriundos do clube nortenho. Entretanto, o emblema de Santa Maria de Lamas renovou com o treinador Tiago Leite e com os jogadores Alex Brandão, Dani Almeida, Lourenço Pinto e João Barros.

Apesar da descida da Liga 3, a Sanjoanense volta a apostar em Pedro Hipólito para dirigir a equipa – o técnico fez sucesso n’O Elvas’, mas depois teve uma má experiência no Cinfães e acabou a época a comandar uma já muito aflita Sanjoanense. A equipa de São João da Madeira já renovou com Edu Pinheiro (26 jogos e três golos em 25/26), Rafa Gomes (nove jogos), Gonçalo Sá (seis jogos e um golo), André Duarte (nove jogos) e Rúben Cardoso (11 jogos) e contratou Junilson Cá (ex-Anadia), Raúl Cepeda (ex-Marialvas) e Andrezo (ex-AR S. Martinho).

SC Beira-Mar não está sozinho: Embora haja quem já tem um projeto definido, muitos ainda só oficializaram o treinador

Camacha, Salgueiros (de acordo com o Jornal de Notícias), Sousense e Guarda (segundo o Jornal ‘O Interior’) já garantiram que mantêm a mesma equipa técnica de 2025/2026, mas pouco mais se sabe sobre estas equipas.

O Camacha vive um conflito com a autarquia de Santa Cruz que pode colocar em causa a direção do clube – algo que, naturalmente, pode estar a afetar a preparação da próxima temporada. O Salgueiros viu o histórico capitão Diogo Valente pendurar as botas – chegou a calçar pelo FC Porto num ‘clássico’ contra o Sporting, é peça fundamental na Taça de 2012 da Académica e tem passagens pelos campeonatos turco e romeno – e assumir o lugar de diretor desportivo, mas ainda nenhuma contratação foi anunciada. O Sousense, que só acabou a temporada em meados de maio, só anunciou a renovação do capitão Tiago Gomes. O Guarda, de acordo com o zerozero.pt, também já assinou com Nuno Machado, ex-Oriental, mas não se sabe mais nada.

No Alpendorada, a única informação disponível é de que o comando técnico passou das mãos de Nuno Barbosa para Daniel Ferreira, ex-Tirsense. Mais uma vez, segundo o zerozero.pt, sabe-se também que o novo técnico do Florgrade é Fábio Vieira, que no ano passado liderou o Ovarense na primeira metade da temporada – deixando o clube na liderança isolada da divisão principal da AF Aveiro – e depois sucedeu a Luís Tralhão na liderança dos sub-23 do Torreense.

O Castro Daire apenas anunciou a não continuidade do treinador Rogério Sousa, mas a comunicação social viseense adianta a contratação do médio Tiago Marques ao Oliveira de Frades. Não há qualquer informação disponível sobre a atividade do Estrela da Calheta.

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