Luís Souto pede fim da representação dos partidos no executivo municipal, mas ministro não acompanha
Está hoje, dia 29, a decorrer a conferência “A Arquitetura do Poder Local”, organizada pela Associação Nacional de Assembleias Municipais (ANAM) na Universidade de Aveiro (UA). Na sua intervenção inicial, Luís Souto, presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), defendeu que o aumento do poder fiscalizador das assembleias municipais deve vir acompanhado do fim da representação pluripartidária nos executivos. Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, argumentou que “ninguém tem tanto poder como o presidente da Câmara”.
Gonçalo Pina
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A reivindicação de Luís Souto foi dirigida ao ministro da Coesão Territorial, que também marcou presença na conferência que está a decorrer no Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO). Luís Souto reiterou que é “vital” que haja uma reforma da “arquitetura do poder local” e apontou que são necessárias alterações.
O autarca referiu que é preciso “confiar nas autarquias” e que o coração de debate dos municípios deve ser a Assembleia Municipal. Na sua ótica, para além de reforçar o poder fiscalizador das assembleias, é também necessário “deixar de lado arqueologia do pós-25 de abril” – ou seja, de forma a garantir a estabilidade governativa, Luís Souto defendeu que os partidos devem deixar de ter acento no executivo municipal.
“Quem está no executivo está para governar. Se eu me candidatei […], tal como o Governo, em nome de um programa político, vou ser responsabilizado por esse programa. O termo «executivo» é executar um programa. […] Não faz sentido termos os partidos representados no executivo municipal […] Em muitos municípios, essa regra traz condicionamentos que subvertem a natural capacidade de […] poder resolver as questões das pessoas”, assumiu.
Na resposta, o ministro Manuel Castro Almeida garantiu que o Governo “confia” nas autarquias e deu o exemplo de um projeto de decreto-lei – ainda à espera da decisão do Conselho de Ministros - que vai fazer com que as Câmaras, quando têm que pedir uma declaração de utilidade pública para expropriação de um terreno, não tenham de passar pelo ministério.
No entanto, e apesar de frisar que “é muito sensível” à questão da governabilidade das autarquias, considerou que “a falta de condições de governabilidade, não é o maior dos problemas”.
“Quando alguém muito bem formado e muito bom condutor conduz melhor é quando sabe que o carro da polícia vem imediatamente atrás. Para benefício da boa condução, é útil sentir a polícia perto”, sugeriu o ministro.
No mesmo sentido, Castro Almeida considerou que “ninguém tem tanto poder como o presidente da Câmara” e sugeriu a Luís Souto que “aproveitasse” os possíveis 12 anos de governação que pode vir a ter pela frente.
Fernando Santos Pereira, presidente da ANAM, também tocou no assunto, mas sem se posicionar. O líder da associação alertou que os vários sistemas têm falhas, mas incentivou os responsáveis políticos a agir para reformar a arquitetura do poder local.
Outra nota dada pelo presidente da Câmara Municipal de Aveiro foi de que é “utópica” a estrutura de remuneração da administração local, uma vez que, afirma, é impossível que as autarquias se mantenham “competitivas” quando outras organizações conseguem oferecer mais. Da mesma forma, Luís Souto nota que são “precisos mecanismos de flexibilidade na contratação”.
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