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Lucro da Corticeira Amorim cai 31,7% para 25,2 ME no primeiro semestre

Segundo a Agência Lusa, o lucro da Corticeira Amorim caiu 31,7%, para 25,17 milhões de euros, no primeiro semestre em termos homólogos, penalizado por encargos com a reestruturação do segmento de pavimentos e com o ajustamento da estrutura de custos.

Lucro da Corticeira Amorim cai 31,7% para 25,2 ME no primeiro semestre

“Após resultados atribuíveis aos interesses que não controlam, a Corticeira Amorim encerrou o primeiro semestre de 2026 com um resultado líquido de 25,2 milhões de euros [36,836 milhões de euros no primeiro semestre de 2025], refletindo o impacto de custos não-recorrentes relacionados com a implementação da reestruturação do segmento de pavimentos da Amorim Cork Solutions e com iniciativas de ajustamento da estrutura de custos face aos atuais níveis de atividade (14,7 milhões de euros)”, lê-se num comunicado enviado, esta quarta-feira, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Considerando apenas o segundo trimestre deste ano, o lucro da Corticeira Amorim recuou 51,9%, para 9,809 milhões de euros, face aos 20,413 milhões de euros do mesmo período de 2025.

De janeiro a junho, as vendas consolidadas da empresa de Mozelos, Santa Maria da Feira, somaram 445,8 milhões de euros, uma redução de 5,8% face ao período homólogo.

Segundo a Corticeira, a evolução das vendas foi “penalizada pela depreciação do dólar”. Excluindo este efeito, o decréscimo teria sido de 4,6%.

“A atividade permaneceu condicionada pela contração dos volumes, transversal a todas as unidades de negócio, e por um ‘mix’ de produto menos favorável na Amorim Cork, em particular no segmento de rolhas para vinhos tranquilos”, indica o comunicado.

Segundo detalha, na Amorim Cork Solutions o segundo trimestre “evidenciou uma melhoria significativa da atividade”, com as vendas a crescerem 5,3% e a inverterem a tendência do início do ano, impulsionadas pela “evolução positiva dos segmentos aeroespacial, selagem e aplicações desportivas, que ajudaram a compensar a contração registada no segmento de pavimentos”.

A pressionar a evolução das vendas da Amorim Cork Solutions esteve também o efeito depreciação do dólar, sem o qual teriam crescido 2,4% no primeiro semestre.

Nos primeiros seis meses do ano, o EBITDA (resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) consolidado da Corticeira Amorim recuou 5,5%, para 82,14 milhões de euros.

A empresa destaca que, “apesar dos efeitos adversos da desalavancagem operacional e do ‘mix’ de produto”, a margem EBITDA se manteve em 18,4%, beneficiando da redução dos preços de consumo de matérias-primas cortiça e de um “rigoroso controlo dos custos operacionais”.

No final de junho, a dívida remunerada líquida da Corticeira Amorim somava 63,6 milhões de euros, menos 12,3 milhões do que final de 2025, apesar do pagamento de 46,6 milhões de euros em dividendos, do investimento de 13,7 milhões em ativo fixo, das aquisições realizadas no valor de 8,3 milhões de euros e dos 4,6 milhões de euros aplicados no programa de recompra de ações.

Relativamente ao processo de reestruturação do segmento de pavimentos, iniciado em maio de 2024, a corticeira salienta que “visa proteger a rentabilidade e assegurar a viabilidade de longo prazo do negócio”.

O processo passa por um “ajustamento da estrutura produtiva e das áreas de suporte à atual dimensão das vendas “ e por um “reposicionamento do negócio, através da disponibilização de um portefólio mais diferenciador, rentável e sustentável”.

Prevê ainda uma “evolução do modelo de distribuição, passando de uma estrutura assente em filiais próprias no exterior para uma rede de distribuidores”.

Neste contexto, a Corticeira Amorim diz ter feito um “ajustamento gradual do modelo de distribuição nos diferentes mercados de pavimentos”, que se conclui com a “alteração do modelo de distribuição na Alemanha, que passa a ser gerido como mercado direto, implicando uma reestruturação da entidade local, com vista ao alinhamento da sua estrutura física, níveis de inventários e recursos humanos”.

“Apesar de se manter alguma estrutura local de suporte na Alemanha, esta mudança permitirá a migração de serviços para as Áreas Centrais em Portugal, promovendo uma maior proximidade entre a equipa – nomeadamente de investigação e desenvolvimento – e os clientes finais”, explica.

Segundo salienta, este processo é “um importante suporte à evolução estratégica do portefólio atualmente em curso, assente na melhoria contínua dos produtos para pavimentos e no desenvolvimento de novas gamas mais orientadas para a cortiça”.

Citado no comunicado, o presidente e presidente executivo (CEO) da Corticeira Amorim considera que o desempenho no segundo semestre “voltou a demonstrar a resiliência do modelo de negócio e a solidez do balanço” do grupo.

“Num contexto de mercado desafiante, marcado pela transformação dos hábitos de consumo e pela redução do consumo mundial de vinho, continuamos focados em reforçar a proposta de valor da cortiça através da inovação, da diversificação e da valorização das suas vantagens técnicas e credenciais de sustentabilidade”, afirma António Rios de Amorim.

O CEO destaca o reforço feito na presença nos Estados Unidos, através da criação da ‘joint venture’ Scott Premium Closures, e a compra de posições minoritárias em empresas do grupo, que lhe permitirão “aumentar a flexibilidade organizacional, simplificar estruturas de decisão e reforçar a eficiência operacional”.

Defendendo que "o potencial da cortiça vai muito além do setor vitivinícola e que as suas aplicações industriais oferecem oportunidades de crescimento", Rios de Amorim manifesta ainda disponibilidade para colaborar com “parceiros internacionais, nomeadamente nos Estados Unidos e na Ásia, que possam contribuir com conhecimento, escala e acesso a novos mercados".

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