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Manuela Azevedo, ilustração científica e marionetas no CAE de Vale de Cambra até julho

De acordo com a agência Lusa, o Centro de Artes e Espetáculos (CAE) de Vale de Cambra vai receber, até final de julho, teatro de marionetas, uma oficina de ilustração científica e concertos como o de Manuela Azevedo com a Orquestra de Jazz de Matosinhos.

Manuela Azevedo, ilustração científica e marionetas no CAE de Vale de Cambra até julho

Essa programação sucede-se ao primeiro ano de atividade do espaço cultural do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto que abriu ao público em 2025, mediante um investimento de 3,78 milhões de euros para reconversão de um cinema, que, inaugurado inicialmente na década de 1970, teve depois diferentes utilizações comerciais, até ser adquirido pela autarquia em 2016, já a pensar na sua vocação atual.

“Desde a abertura do CAE, temos procurado trabalhar no sentido de construir uma programação que cruze linguagens, escalas e formas de aproximação à arte – criando um lugar onde a criação contemporânea dialoga com a memória”, declara à Lusa o diretor artístico da sala, João Aidos. “Ao fim deste primeiro ano, começa a tornar-se nítido que o CAE já não é apenas o lugar onde a programação acontece – é um lugar que vai ganhando sentido na experiência de quem o frequenta”, acrescenta.

A cantora Manuela Azevedo sobe ao palco já esta sexta-feira, para apresentar, com a Orquestra de Jazz de Matosinhos, o que a direção do CAE descreve como “um conjunto de canções marcantes da música nacional e internacional, recriadas através de novos arranjos para ‘big band’”. O concerto combinará assim “universos tão distintos como os de Tom Waits, The Beatles, Elvis Costello, Chico Buarque, Sérgio Godinho, Queens of the Stone Age ou Serge Gainsbourg”.

Segue-se, a 16 de junho, “O rei e as moscas”, peça em que a companhia de teatro de marionetas Historioscópio recorre ao imaginário dos contos de fadas para criar um espetáculo também com técnicas de ‘clown’ e música clássica, “num registo cómico e interativo” que reflete sobre os papéis sociais de personagens que marcam o universo da infância.

A proposta seguinte é o 'workshop' de ilustração científica “As cores da Natureza”, conduzido no Parque da Cidade por técnicos do Centro Interpretativo da Serra da Freita. Dedicada à botânica, a oficina desafiará os participantes a representar plantas, identificando as suas caracterís­ticas morfológicas e experimentando técnicas mistas como aguarela, lápis de cor e guache.

No mesmo dia há duas outras iniciativas relacionadas com o universo natural, em concreto o dos rios: à tarde, o percurso interpretativo “Derivas do Caima”, na freguesia de Rôge, e, à noite, a exibição do filme-concerto participativo “Záguia Sul”, pelo Space Ensemble, que irá desvendar curiosidades sobre o território nacional e os seus rios, inclusive os de Vale de Cambra.

No dia 27, o CAE recebe depois o espetáculo “oLARé?!”, de Ricardo Falcão, que, após uma residência artística com a comunidade sénior local, irá combinar música, desenho, teatro, movimento e manipulação de objetos numa reflexão “sobre o envelhecimento, o isolamento e a ideia de lar”.

Para julho estão anunciadas mais duas propostas: no dia 3, o concerto “Musico em ação”, resultante de três dias de exploração musical em que Paulo Zé Neto trabalhou com alunos do 1.º ao 5.º grau da Academia de Música de Vale de Cambra; e, no dia 11, “Siga & Sonar”, em que o cantor e compositor local Edgar Oliveira se junta ao músico e produtor Ivo Paiva para um espetáculo em que a identidade sonora do primeiro, “marcada pela melancolia, pela nostalgia e por influências de grunge, emo-rock, alternative rock e indie”, se alia ao estilo do segundo, caracterizado pela ligação à guitarra e pela abordagem “muito pessoal” à exploração de diferentes géneros.

Entre abril de 2025 e igual período de 2026, o CAE de Vale de Cambra acolheu 59 eventos e 12.297 espectadores, o que representa uma taxa de ocupação média de 63%. Das diferentes atividades levadas a essa sala, a procura pela música destacou-se com 6.422 espectadores, seguida pelo teatro, com 1.923, e as exposições, com 950. A restante distribuição de públicos atribui 631 espectadores à ‘stand-up comedy’, 548 às diferentes propostas do serviço educativo, 318 à dança, 201 ao teatro de objetos, 160 aos cafés-concertos, 154 ao cinema, 145 à opereta e 59 ao novo circo. Nas atividades em escolas participaram ainda centenas de crianças e jovens.

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