Entrevista: Leonor Lopes defende mais oposição e proximidade na AAUAv
Com a proximidade das eleições para os órgãos sociais da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) marcadas para esta semana, a Ria inicia um conjunto de entrevistas às duas candidatas à direção da associação. Nesta conversa, Leonor Lopes, candidata pela lista D, explica as motivações da sua candidatura, aponta críticas à atuação da atual direção e apresenta as principais propostas do seu projeto.
Isabel Cunha Marques
JornalistaPara Leonor concorrer à direção da AAUAv não é uma novidade. A candidata já havia tentado apresentar uma candidatura em 2024, então pela Lista M, que acabou por não ser aceite por “não cumprir o disposto no Regulamento Eleitoral e nos Estatutos da AAUAv”.
À Ria, Leonor Lopes admitiu que esta candidatura nasce da vontade de assegurar oposição dentro da associação. “Sabemos que quando há uma lista única, a AAUAv tem uma postura diferente, tanto na campanha como no seu mandato. (…) É necessário haver oposição, até porque o que se verifica, nos últimos anos, é que a lista de continuidade do mandato cessante da AAUAv é que normalmente vence as eleições”, reconheceu.
No seguimento, a candidata apontou que a Lista D apresenta posições “muito concretas” nas quais discorda da atual direção da AAUAv. “Temos o objetivo de, principalmente, questionar a Associação Académica sobre os pontos que consideramos importantes, neste caso, a reivindicação dos direitos dos estudantes”, sublinhou.
Apesar de reconhecer uma “melhoria” na transição do mandato de Wilson Carmo para o de Joana Regadas, Leonor Lopes apontou críticas à proximidade da AAUAv com os estudantes. “Houve uma queda de candidaturas, há cada vez mais estudantes a desistir do Ensino Superior (…), a AAUAv tem falado disso, mas quando se trata de fazer alguma coisa, nomeadamente, manifestações (…) sinto que a associação peca nisso atualmente”, atentou. Questionada sobre possíveis soluções, a candidata defendeu, entre outras medidas, que os núcleos devem assumir-se como um “ponto de contacto ainda mais próximo com os estudantes”.
No manifesto, a Lista D defende ainda a necessidade de criar mais momentos de participação estudantil, como a Assembleia Geral de Alunos (AGA). Relativamente à AGA, embora reconheça que estas têm sido mais divulgadas, Leonor Lopes deixou críticas à forma como é apresentado o “ponto de informações”. “Pelo menos, eu sinto que quando divulgam os pontos das AGA’s, que é normalmente o segundo ponto que abordam, é um bocadinho vago”, referiu.
Ao longo da entrevista, a candidata abordou também as longas filas na Cantina de Santiago e a necessidade de existirem “mais cantinas a preço social”. “Existe a Cantina de Santiago, a Cantina do Crasto - que às vezes volta e meia fecha também por falta de funcionários -, mas existem outros espaços de cantina que poderiam estar também a servir aos estudantes que queiram almoçar a um preço adequado para uma refeição social completa (que todos os estudantes têm direito)”, reforçou. Como exemplo, apontou a “cantina dos grelhados” ou o “restaurante universitário”. “Eu acho que a prioridade seria garantir que todos os estudantes têm acesso às refeições a preço acessível”, vincou.
Tal como avançado pela Ria, a partir de fevereiro, a Cantina do Crasto vai passar a disponibilizar um prato simples com o preço de 2,20 euros. Face ao aumento, no início deste ano, da refeição social para 2,80 euros, Leonor considera que o prato simples era uma “solução realista” face à impossibilidade do valor da refeição social ser reduzido. Ainda assim, defendeu que a AAUAv “tem o papel de fazer pressão junto da administração da universidade para que estes problemas sejam resolvidos”. “Não acho que haja necessidade de aumentar o preço da refeição social. Em conversa com os estudantes, senti muito descontentamento em relação a essa medida. (…) [O papel da AAUAv] passa por fazer pressão e por não baixar a cabeça, porque o papel da associação é representar os estudantes e contribuir para que tenham uma vida mais digna enquanto estudantes”, atentou.
Ao longo da conversa, a candidata abordou ainda a proposta do Governo para a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) e recordou que uma das medidas defendidas pela Lista D passa pela eliminação da quota de sócio. “Eu percebo que possa ser uma das fontes de rendimento para a Associação Académica, mas, atualmente, a quota de sócio serve quase exclusivamente para conseguir um desconto no preço do bilhete da semana académica, do Enterro, e uma obrigatoriedade para participar, por exemplo, na Taça UA, um evento organizado pela Associação Académica”, explicou.
Numa fase final da entrevista, Leonor Lopes falou ainda sobre a sustentabilidade financeira da AAUAv e sobre o protocolo da associação com a Câmara Municipal de Aveiro. A entrevista, na íntegra, pode ser ouvida no Spotify.
As eleições para os órgãos sociais da AAUAv acontecem já esta quinta-feira, 18 de dezembro.
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