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Aveiro 5.º município mais competitivo do país, mas com fragilidades na dívida municipal e habitação

Aveiro surge como o 5.º município mais competitivo de Portugal no Ranking de Competitividade Municipal 2025, elaborado pelo Instituto Mais Liberdade, destacando-se sobretudo pela qualidade do seu capital humano e pelo dinamismo do tecido empresarial. No entanto, o município continua a apresentar várias fragilidades, especialmente na “habitação” e na “fiscalidade e endividamento autárquico”, encontrando-se nesta última nos 20 piores municípios num total de 186 avaliados pelo ranking.

Aveiro 5.º município mais competitivo do país, mas com fragilidades na dívida municipal e habitação

Segundo o estudo, que avalia 186 municípios com mais de 10 mil habitantes, Aveiro alcançou uma pontuação global de 53,6 pontos, ficando atrás apenas de Lisboa, Oeiras, Porto e Coimbra. O ranking mede o desempenho municipal em 10 dimensões - que vão desde o rendimento das famílias à habitação, passando pela educação, cultura, fiscalidade e endividamento autárquico ou serviços públicos - e inclui ainda um fator de “competitividade envolvente”, que avalia o efeito da vizinhança de municípios mais ou menos competitivos.

De acordo com o Instituto Mais Liberdade, “o Ranking de Competitividade Municipal compara a atratividade e a qualidade de serviços e infraestruturas dos 186 municípios com mais de 10 mil habitantes em Portugal. O objetivo é oferecer informação clara e comparável para famílias, empresas e decisores públicos, evidenciando padrões, boas práticas e fragilidades a nível local. Procura-se assim estimular o desenvolvimento de cada município e valorizar aqueles que apresentam melhores indicadores em cada dimensão de análise.”

O Instituto Mais Liberdade, que se apresenta como uma organização independente dedicada à promoção de políticas públicas baseadas em evidência, tem tido ao longo dos anos nos seus órgãos sociais várias figuras conhecidas da direita portuguesa, entre as quais Cecília Meireles (CDS), Lídia Pereira (atual eurodeputada do PSD), Fernando Alexandre (atual ministro da Educação), Adolfo Mesquita Nunes (ex-CDS), Ana Rita Bessa (CDS) e Carlos Guimarães Pinto (Iniciativa Liberal).

No ranking publicado esta quarta-feira, 1 de outubro, entre os pontos fortes de Aveiro, destaca-se o capital humano, que ocupa a 3.ª posição nacional, refletindo uma população ativa e qualificada, com elevada proporção de residentes com Ensino Superior e baixo desemprego. Também no capital produtivo, Aveiro aparece em 5.º lugar, beneficiando de uma forte densidade empresarial, da presença de empresas inovadoras e de um tecido económico diversificado. No que toca aos rendimentos familiares, o município surge em 10.º lugar, sinal de um nível de rendimentos superior à média nacional.

Já a "Habitação" e a "Fiscalidade e Endividamento Autárquico" são duas das áreas que mais penalizam Aveiro no Ranking de Competitividade Municipal 2025, refletindo desafios estruturais para a qualidade de vida dos residentes e a competitividade do concelho.

Na Habitação, a avaliação é feita a partir de cinco indicadores com igual peso (20% cada): o valor mediano das rendas por metro quadrado de novos contratos de arrendamento, o valor mediano das vendas de habitação nos últimos 12 meses, o número de fogos licenciados em construções novas para habitação por cada 10 mil habitantes, a percentagem de alojamentos sobrelotados e a percentagem de alojamentos com necessidades de reparação. Esta abordagem permite medir não só os preços da habitação, mas também a resposta da oferta e a qualidade do parque habitacional existente.

Aveiro surge na 136.ª posição nesta categoria, penalizada sobretudo pelos preços elevados da habitação, tanto no mercado de compra como no de arrendamento, que dificultam o acesso à casa, em especial para jovens e estudantes. A pressão sobre o mercado imobiliário é um dos fatores que mais prejudicam a competitividade do município, aproximando-o de grandes centros urbanos como Lisboa ou Porto, que enfrentam problemas semelhantes.

Já a área de Fiscalidade e Endividamento Autárquico avalia o impacto direto das políticas municipais nas famílias e empresas, também com base em quatro indicadores igualmente ponderados (25% cada): o total de impostos cobrados pelas câmaras municipais per capita, a taxa de IMI, a taxa normal da derrama municipal e a dívida municipal per capita. Estes critérios medem tanto a pressão fiscal como a sustentabilidade financeira das autarquias.

Neste domínio, Aveiro tem um desempenho ainda mais negativo, ocupando o 166.º lugar entre os 186 municípios avaliados, refletindo uma carga fiscal mais elevada e um nível de endividamento municipal superior ao registado em muitos concelhos do país. Este resultado contrasta com a boa performance de Aveiro em áreas como o capital humano e o capital produtivo e evidencia que o concelho combina dinamismo económico com desafios significativos no que toca a garantir um ambiente fiscal mais favorável e contas públicas equilibradas.

O relatório do Instituto Mais Liberdade sublinha que os municípios mais competitivos continuam a concentrar-se nos grandes centros urbanos, que beneficiam de maior densidade populacional, tecido empresarial diversificado, mão de obra qualificada e melhor acesso a serviços públicos e privados. Ao mesmo tempo, alerta para desigualdades persistentes no território, sobretudo no que respeita ao custo da habitação e à capacidade fiscal das autarquias.

Para Aveiro, os resultados do ranking são um sinal do dinamismo económico e académico do município, mas também um aviso de que o crescimento sustentado depende de políticas que enfrentem os desafios do acesso à habitação e à saúde, dois setores que mais penalizam a qualidade de vida local.

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