Direção do SC Beira-Mar anuncia pré-acordo com empresário brasileiro Breno Silva para criação da SAD
Breno Dias Silva, um empresário de nacionalidade brasileira, residente em Londres, com “vasta experiência na orientação de empresas em processos de expansão internacional” – segundo a nota de imprensa enviada pelo clube, foi o investidor escolhido para a constituição da sociedade desportiva pela direção do SC Beira-Mar. O nome foi revelado, no final do jogo deste domingo, 19 de janeiro, em conferência de imprensa no Auditório António José Bartolomeu, no Estádio Municipal de Aveiro - Mário Duarte, por Nuno Quintaneiro, presidente do clube aveirense.
Redação
Segundo Nuno Quintaneiro, a proposta apresentada por Breno Silva destacou-se pelo “amplo consenso dentro do clube”. “A partir daí, encetamos os nossos contactos e tivemos várias reuniões. De destacar o grande envolvimento do Breno e da sua equipa (…) que desde logo procurou envolver-se connosco para perceber muito bem o trabalho do Beira-Mar, o projeto e as pessoas… (…) Todo este somatório fez com que não tivéssemos dúvidas de abraçar a proposta (…)”, explicou.
Neste momento, de acordo com o presidente do SC Beira-Mar existe já um “pré-acordo” para a constituição da sociedade, sendo que o processo deverá estar concluído até “ao final do mês de abril”, tal como, anteriormente, avançado pela Ria.“Aquilo que vamos fazer ao longo dos próximos meses (…) é começar a trabalhar juntos no presente para reestruturar a questão da negociação do passivo, dos recursos humanos, de dotar o clube de alguns equipamentos (…) e de libertar também alguns recursos financeiros do clube para apoiar as modalidades que também têm sentido algumas dificuldades”, desvendou. “Portanto, há um caminho, há um plano estratégico em que estamos absolutamente alinhados e a partir daqui queremos trabalhar juntos (…)”, continuou.
Para a SAD ser constituída, Nuno Quintaneiro relembrou que é necessário que os associados do clube aprovem os instrumentos jurídicos que irão regular o funcionamento da mesma. “Aquilo que agora vamos ter de fazer é preparar esses instrumentos jurídicos (…)”, avançou. “Para nós ‘Beira-Mar’ este é um momento muito importante da nossa história. Acreditamos que numa altura em que ainda estamos na ressaca dos 100 anos já estamos a construir o Beira-Mar dos próximos 100 anos (…)”, esperançou.
Breno Silva, começou por assegurar, na conferência de imprensa, que “Aveiro já é uma cidade e uma região que está no meu coração por vários motivos, seja pelos empreendimentos que já temos aqui [das suas empresas], seja pelo acolhimento das pessoas” e garantiu aos adeptos e sócios do SC Beira-Mar que podem esperar “muito trabalho”. “Não queremos fazer falsas promessas, mas vamos ter muito trabalho e muito suor porque há muito a fazer pela frente. Nós temos um grupo que é qualificado para este desafio (…)”, assegurou. Nesse grupo de trabalho, o empresário brasileiro destacou os seus sócios, as pessoas da direção do SC Beira-Mar e outros que “vamos trazer para trabalharem connosco ao longo da jornada”, afirmou.
Questionado pelos jornalistas sobre a sua experiência no mundo do futebol, Breno realçou que já teve, anteriormente, experiência com o futebol através do agenciamento de alguns jogadores e no futebol semi-profissional no Brasil. “Esta vai ser a nossa primeira experiência no futebol profissional europeu, mas trazendo pessoas qualificadas e com experiência que trabalham connosco”, frisou. Sobre como surgiu o contacto com o SC Beira-Mar, o empresário brasileiro explicou que foi por intermédio de um dos seus sócios, neste caso de Simão Calado [natural da região de Aveiro] que conhecia um dos ex-presidentes do clube beiramarense, Hugo Coelho, tendo sido “através dele que chegamos ao contacto com o Nuno [Quintaneiro]”.
Relativamente ao valor do investimento no clube aveirense, Breno Silva revelou que rondará os “dez milhões de euros”, sendo que este valor inclui “assumir o passivo do clube”, um “investimento até 3,5 milhões de euros para constituição de um centro de excelência e performance e um investimento de 5 milhões de euros no futebol sénior ao longo de 5 anos”, conforme consta nos prossupostos para a constituição da sociedade. O empresário adiantou ainda que sua participação na SAD do SC-Beira-Mar será “maioritária”.
Breno Silva garantiu ainda que, no plano desportivo, pretende “potenciar o que está a ser feito”, reconhecendo, no entanto, que “o futebol é global” e que “não podemos perder boas oportunidades no mercado internacional, mas a ideia é que essas oportunidades também venham para agregar valor e potenciar o nosso trabalho local, regional e nacional”.
Nuno Quintaneiro, em resposta à comunicação social, assegurou ainda que também a autarquia esteve envolvida, “ao longo dos últimos meses”, neste processo. “Aquilo que nós apresentamos à Câmara Municipal acaba por ser um desafio grande porque a nossa sociedade desportiva (…) foge um pouco dos parâmetros normais que em Portugal estamos habituados. Geralmente o padrão é chega um investidor, paga um x, assume a gestão e o clube fica ali a acenar na porta como se fosse a ‘rainha de Inglaterra’, mas que deixa de ter aqui uma participação e um envolvimento direto na gestão. Neste caso, não. Desde o início houve esse alinhamento e houve uma disponibilidade nossa e houve um interesse do Breno em termos uma gestão partilhada (…) E a Câmara Municipal neste processo também tem de entrar com esta perspetiva que é ajudar o clube e a sociedade desportiva, numa relação tripartida, a ter sucesso”, frisou.
No caso dos associados do clube não aprovarem os instrumentos jurídicos do clube, o presidente do SC Beira-Mar frisou que um “eventual chumbo” será uma “traição” por parte dos sócios perante os atuais órgãos sociais. “O que significa que não confiam no trabalho da atual direção e, portanto, eu desde logo, ditarei que, com um cenário hipotético desses, dará eleições antecipadas no clube”, garantiu, comprometendo-se que “não endividará o clube”.
Os pressupostos para a constituição da sociedade desportiva para o SC Beira-Mar foram aprovados, na Assembleia Geral do dia 22 de novembro de 2024, no Auditório António José Bartolomeu [Estádio Municipal de Aveiro - Mário Duarte] com um voto contra e duas abstenções.
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Miguel Gomes deixa coordenação da IL Aveiro e Tomás Pereira avança como candidato
De acordo com uma nota de imprensa enviada à Ria esta quinta-feira, 8 de janeiro, a demissão dos coordenadores ocorreu no passado dia “11 de dezembro”. Miguel Gomes confirmou esta sexta-feira que a decisão foi tomada após o ciclo das eleições autárquicas. “Depois das eleições autárquicas conseguimos eleger os nossos primeiros representantes na Assembleia Municipal e na Junta de Freguesia da Glória e Vera Cruz. Quando vi que os nossos autarcas já estavam em pleno, percebi que era o momento certo para avançar com esta renovação”, explicou. Recorde-se que Miguel Gomes foi o candidato à Câmara de Aveiro pela IL estas eleições autárquicas. Apesar de abandonar a coordenação, Miguel Gomes continuará ligado à estrutura, integrando a lista de Tomás Pereira, até agora vice-coordenador, como tesoureiro. Sobre o estado atual do núcleo, considera que o grupo está “bastante completo” e em crescimento, mas sublinha que há ainda desafios a ultrapassar. “O que falta é continuar a crescer em quantidade e qualidade de quadros e ganhar experiência política. Esta renovação serve também para trazer mais experiência política aos membros da Iniciativa Liberal e aos próximos integrantes do Grupo de Coordenação”, afirmou. Além de Miguel Gomes, a lista candidata à coordenação integra outros membros da anterior estrutura: Diogo Gomes, que assume agora o cargo de vice-coordenador; Cláudia Rocha, como secretária; e Rui Vieira Martins, que transita da coordenação para a mesa do plenário. Miguel Gomes acrescenta ainda que o período pós-autárquicas é particularmente adequado para iniciar um novo ciclo de trabalho. “Esta é a melhor altura para o próximo Grupo de Coordenação Local começar a trabalhar, de forma que, dentro de dois anos, se inicie a preparação das próximas eleições autárquicas”, sublinhou. Também em entrevista à Ria, Tomás Pereira recordou o seu percurso no núcleo aveirense. Entrou na estrutura em 2020 e integrou o primeiro grupo de coordenação local. “Ainda nem tinha 18 anos quando fui eleito vice-coordenador”, lembrou. Atualmente com 23 anos, jurista de profissão, o aveirense admite querer fazer “mais” pelo núcleo. Entre as prioridades para o próximo mandato, destaca a necessidade de consolidar e ativar os membros. “A Iniciativa Liberal não tem estruturas distritais, mas núcleos territoriais por concelho. O Núcleo Territorial de Aveiro abrange não só membros do concelho, como também de concelhos limítrofes que ainda não têm núcleo próprio. Temos um número significativo de membros que é necessário ativar”, explicou. Um dos principais objetivos passa por envolvê-los de forma mais ativa em eventos e na preparação das próximas eleições autárquicas. Apesar de reconhecer que este grupo de coordenação não será o responsável direto pelas eleições autárquicas daqui a quatro anos, Tomás Pereira quer deixar “um trabalho de preparação”. “Queremos desenvolver trabalho de campo nas freguesias, ativar os membros locais e começar a trabalhar temas e soluções que possam integrar o próximo programa autárquico”, afirmou. Para as próximas eleições autárquicas, a Iniciativa Liberal de Aveiro pretende ainda alargar a sua presença. “Neste último mandato ainda falhámos quatro freguesias, mas concorremos a muitas mais do que na primeira vez”, explicou. Com o prazo de entrega de candidaturas a decorrer até hoje, 9 de janeiro, e as eleições marcadas para 24 de janeiro, Tomás Pereira admite que, até ao momento, é candidato único, embora não saiba se surgirão outras listas a concorrer.
Buscas da PJ na Câmara de Aveiro relacionadas com o Plano de Pormenor do Cais do Paraíso
De acordo com as mesmas fontes, a operação incide sobre decisões e procedimentos associados à alteração de instrumentos de ordenamento do território naquele espaço, no âmbito de uma investigação por suspeitas de prevaricação e violação de regras urbanísticas, que motivou o cumprimento de vários mandados de busca na autarquia. Apesar de a Polícia Judiciária não confirmar oficialmente a ligação ao Plano de Pormenor do Cais do Paraíso, remetendo apenas para o comunicado divulgado, a Ria ouviu várias fontes relacionadas com a investigação que confirmam essa ligação. Recorde-se que o Plano de Pormenor do Cais do Paraíso tem sido um dos processos urbanísticos mais controversos no concelho de Aveiro nos últimos meses, tendo gerado forte contestação pública, política e cívica. Em causa está a proposta de requalificação daquela zona da cidade, junto ao Canal Central, que prevê a possibilidade de construção de um hotel até 12 andares, bem como alterações significativas ao uso do solo e à frente lagunar. O plano tem sido alvo de críticas quanto ao impacto ambiental, à compatibilidade com instrumentos superiores de ordenamento do território e à ausência de Avaliação Ambiental Estratégica. A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal de Aveiro, então liderada por Ribau Esteves, permanecendo desde então no centro do debate público local. Mais recentemente, já no novo mandato autárquico de Luís Souto, o tema voltou à reunião de Câmara, com a apresentação de uma proposta de revogação do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso pelos vereadores do Partido Socialista. A proposta contou com os votos contra dos vereadores da coligação ‘Aliança com Aveiro’ (PSD/CDS) e com o voto favorável do vereador do Chega. Como a coligação ‘Aliança com Aveiro’ não dispõe de maioria no atual mandato, a revogação acabou por ser aprovada em reunião de Câmara, mas não passou no último e decisivo teste - a Assembleia Municipal de Aveiro - onde PSD e CDS detêm maioria.
PJ faz buscas na Câmara de Aveiro por suspeitas de prevaricação e violação de regras urbanísticas
Segundo a Polícia Judicária, "estão em causa decisões e procedimentos adotados em alterações de instrumentos de ordenamento do território”. A operação, conduzida pela Diretoria do Centro, visa o cumprimento de vários mandados de busca, com o objetivo de “recolher diversos elementos probatórios relevantes para o esclarecimento dos factos sob investigação”. No mesmo comunicado, a Polícia Judiciária refere que “a investigação prosseguirá, procedendo à análise da prova entretanto recolhida, de natureza documental e digital, com vista ao apuramento integral das eventuais condutas criminosas, do seu alcance e à célere conclusão do inquérito”. O inquérito é tutelado pelo DIAP Regional do Porto, sublinhando a PJ que a investigação “continua em curso”.
Casa Martelo fecha portas no centro de Aveiro após quase oito décadas por falta de clientes
Marina Vieira era, até recentemente, a gerente da Casa Martelo, uma drogaria situada na Rua dos Combatentes da Grande Guerra, número 137, em pleno centro da cidade. O estabelecimento encontrava-se naquele local há cerca de 75 anos, embora, em conversa com a Ria, a gerente admita que a casa é ainda mais antiga, uma vez que abriu portas inicialmente na Rua Eça de Queirós. O negócio foi fundado pelo avô de Marina e passou posteriormente para o seu pai. Contudo, devido a problemas de saúde, este acabou por se afastar, o que levou Marina a entrar no negócio de forma algo "forçada". Arqueóloga de formação, partilha, entre risos, que chegou a frequentar cursos de gestão e marketing para conseguir acompanhar as exigências da atividade comercial. Na última semana de 2025, Marina teve de tomar a decisão que mais temia: encerrar a Casa Martelo, consequência direta da falta de clientes. Desde o primeiro dia de 2026, encontra-se afixada na porta uma folha com dois números de contacto apenas para transportadoras. O cenário atual confirma o encerramento definitivo: através dos vidros é possível ver caixas de papel empilhadas, um sinal claro de que a histórica casa fechou as suas portas. Apesar de o encerramento só se ter concretizado agora, Marina Vieira sublinha que o problema é bem anterior. Remonta a “cerca de década e meia” atrás, período em que, segundo a aveirense, o centro da cidade se encontrava “extremamente desagradável”. “O facto de estarmos no centro da cidade fez com que tivéssemos cada vez menos clientes. O centro esteve muitos anos em declínio. Hoje está novamente melhor do ponto de vista urbanístico- mais bonito e com mais pessoas-, mas há década e meia aquela zona estava extremamente degradada e não era apelativa”, afirma. Na tentativa de contrariar esse cenário, conta que a Casa Martelo chegou a procurar “reinventar-se e resistir”, tendo fundado, juntamente com outros comerciantes, a Associação Acorda, que abrangia a Rua Direita e áreas adjacentes. “Tinha dois significados: ‘acorda para a vida’ e também ‘a corda’, porque achávamos que juntos conseguiríamos fazer algo melhor ali, naquela zona”, recorda. A iniciativa resultou numa “série de atividades” e na realização de eventos, entre os quais o Vivó Bairro, desenvolvido em parceria com a Universidade de Aveiro. “Tentámos dar mais vida àquela zona, mas, efetivamente, as condições globais não são propícias ao comércio de proximidade”, reconhece. Entre os principais constrangimentos, aponta a “falta de mobilidade suave na cidade”. “As pessoas esperam chegar de carro a todo o lado”, refere. Ainda assim, sublinha que existia um parque de estacionamento mesmo ao lado do estabelecimento, que raramente era utilizado. “Chegámos a oferecer o estacionamento no parque e, mesmo assim, eram poucas as pessoas que lá colocavam o carro, porque não gostavam das condições existentes”, explica. Marina Vieira garante que a Casa Martelo não sofria de falta de notoriedade. “As pessoas sabiam que éramos a Casa Martelo, o que vendíamos, mas não chegavam até nós”, afirma. A escassez de transportes públicos e de infraestruturas cicláveis é, para si, determinante. “Quando as pessoas circulam a pé ou de bicicleta têm muito mais tendência a consumir no comércio de proximidade. Aqui assistimos, ao longo dos anos, a uma progressiva desertificação do centro da cidade por parte dos aveirenses”, observa. Ainda que o problema já seja bastante anterior, a gerente garante que a principal batalha do negócio começou com a chegada da Covid-19. “Foi realmente quando nós notamos o maior declínio”, admite. Após cerca de seis anos a situação não melhorou o que ditou ao encerramento no início deste ano. “Quando não se tem clientes, mesmo que se tenha feito o possível e o impossível,não se consegue manter uma casa aberta que não consegue pagar os salários dos funcionários”, reage. Atualmente, empregava seis pessoas. “A pessoa que estava há menos tempo estava desde o início do século, portanto, os trabalhadores já faziam parte da família e foi sempre a pensar neles que se continuou a lutar para que as portas estivessem abertas, mas realmente não foi possível mais tempo”, lamenta. Agora, restando apenas um papel afixado na porta, Marina refere que os últimos dias têm sido marcados por uma verdadeira enchente de chamadas. Partilha também que tem acompanhado as diferentes reações nas redes sociais. “Há uns anos, no Natal, ainda durante a pandemia, fizemos um vídeo sobre as pessoas se lembrarem de nós antes de fecharmos e, na altura, esse vídeo teve alguns milhares de visualizações. Acho que muitas pessoas acreditam que as coisas são eternas e não percebem que, por vezes, é mesmo preciso acarinhar aquilo de que se gosta para que continue a existir”, exprime. Questionada sobre um eventual regresso da Casa Martelo no futuro, Marina Vieira descarta “de todo” essa possibilidade. “A partir do momento em que encerramos, já não faz sentido voltar a abrir. Sinto que cumpri a missão de levar esta casa até onde foi possível, uma casa que já tinha quase oito décadas”, sublinha. Deixa ainda um alerta para o futuro de Aveiro: “A cidade não está planeada para as pessoas e não está planeada para que os aveirenses vivam o centro da cidade”. Por fim, prestes a terminar a conversa e antes de as portas da Casa Martelo se fecharem, novamente, pedimos a Marina que nos fizesse chegar uma fotografia sua no estabelecimento. Apesar de ter algumas sozinha, preferiu enviar uma em que, além dela, surgem todos os funcionários que integraram a casa. Justifica que, para si, essa imagem faz mais sentido, já que foram sempre eles os verdadeiros rostos do negócio.
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Município de Ílhavo com orçamento de 77,2 milhões de euros para 2026
O presidente da Câmara sublinhou que o documento “marca o início de um novo ciclo de governação local, numa gestão pautada pelo rigor financeiro”. O autarca referiu-se a “restrições financeiras herdadas do mandato anterior”, com compromissos de 11 milhões de euros, relativos a investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Ao expor as prioridades par 2026 sublinhou o investimento de 17 milhões de euros na educação, destinados à requalificação da Secundária Celestino Gomes, e das escolas básicas Fernando Martins e Ferreira Pinto Basto. Na habitação estão inscritos 10 milhões de euros, afetos ao programa Primeiro Direito, e na saúde seis milhões de euros, para a requalificação dos Centros de Saúde de Ílhavo e da Gafanha de Nazaré. “Alguns projetos não poderão arrancar já, em 2026”, assumiu Rui Dias, dando como exemplos a requalificação das instalações desportivas e a ampliação da zona industrial da Mota, entre outros. João Campolargo, do movimento “Unir para Fazer” (UPF), anunciou a abstenção, para não bloquear a gestão autárquica, mas reagiu à referência às “restrições financeiras herdadas”. “O executivo atual também herdou mais de 29 milhões de euros em fundos comunitários”, lembrou o anterior presidente da Câmara, que assumiu o lugar de vereador da oposição. João Semedo, do mesmo movimento, expressou “satisfação pela continuidade das grandes obras e o reconhecimento” do trabalho anterior, "apesar do discurso de campanha ter sido diferente”. Mariana Ramos, também do UPF, observou que as GOP e Orçamento não refletem compromissos relativos a candidaturas do Grupo de Ação Costeira (GAC), uma das quais liderada por Ílhavo. A vereadora do PS, Sónia Fernandes, justificou a abstenção “por responsabilidade institucional”, mas lamentou que propostas estruturantes apresentadas pelo PS tenham sido ignoradas. Conforme referiu, o PS propunha a criação de um gabinete de medicina dentária nos centros de saúde, em vez da opção pelos cheques-dentista da proposta do PSD, dotada apenas com 10 mil euros. Sónia Fernandes criticou também que a oferta de manuais de apoio seja apenas para alunos dos escalões de menores rendimentos, por entender que as crianças devem ter tratamento igual. Quanto ao pacote fiscal, já aprovado por maioria na Assembleia Municipal, com 12 abstenções, a taxa de IMI mantém-se no mínimo de 0,3%, e a derrama em 1,5%, sendo a participação variável no IRS agravada de 4% para 4,5%. A Câmara de Ílhavo é presidida por Rui Dias (PSD/CDS), tendo a coligação PSD/CDS três eleitos e o movimento independente UPF três vereadores, enquanto o PS possui apenas um vereador no executivo.