Hospital: Luís Souto pressiona e Hugo Soares reage: “País sabe que é preciso escolher prioridades”
A cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos da concelhia do PSD-Aveiro para fazer foi o local escolhido para que Luís Souto fizesse chegar a Hugo Soares, secretário-geral do PSD, algumas das reivindicações do Município – como a urgência da ampliação do Hospital, da concretização do eixo Aveiro-Águeda ou a necessidade de um novo edifício para o Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Aveiro. O dirigente do PSD respondeu que levaria o “caderno de encargos” a Luís Montenegro e manifestou a intenção de ajudar a fazer avançar os projetos. Em conversa com a Ria, disse que Luís Souto “não vai dar descanso ao Governo”, mas deu nota de que “os aveirenses sabem que é preciso escolher prioridades”.
Gonçalo Pina
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O momento atual, em que o PSD governa a autarquia e o País, é uma “oportunidade única”, considerou ontem, dia 7, o presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA) e da Comissão Política da Secção (CPS) concelhia de Aveiro do partido. No discurso de tomada de posse enquanto presidente da estrutura local, Luís Souto não esqueceu as lutas municipais e aproveitou para as colocar na agenda do secretário-geral do seu partido.
O primeiro assunto a ser mencionado pelo autarca foi a ampliação do Hospital Infante D. Pedro – uma obra que foi incluída no programa do atual Governo. Luís Souto garantiu que “não vai tolerar adiamentos e atrasos sucessivos” neste dossier e enalteceu que os aveirenses “não vão ficar passivos”.
O mesmo se passa relativamente à necessidade de um novo edifício para o TAF de Aveiro. Depois de já ter exposto esta reivindicação em reunião com Rita Júdice, ministra da Justiça, o autarca também voltou a trazer o assunto para cima da mesa em frente ao líder da bancada parlamentar dos sociais-democratas. Para além de reforçar que “acredita” que o problema se vai resolver com este Governo, Luís Souto afirmou que “quase tem vergonha” que o Estado português instale os profissionais de justiça nas condições atuais.
Não poderia também faltar a exigência da concretização do eixo Aveiro-Águeda, que tem estado na ordem do dia da política local. Luís Souto disse que o assunto “já está na agenda há demasiado tempo” e reiterou que o empenho do executivo municipal é “total e diário”.
A lista do presidente não ficou por aqui: Luís Souto destacou a intenção de dotar a GNR de novas instalações para que a seu atual quartel possa servir de alternativa de habitação na cidade, de reativar o aeródromo municipal de São Jacinto, de criar condições para que Aveiro tenha um Centro Cultural e de Congressos “à medida das suas necessidades e “colocar na agenda” a ligação de alta velocidade entre Aveiro, Viseu, Guarda e Salamanca.
Na sua vez de subir ao púlpito, Hugo Soares assumiu que tinha “um bom caderno de encargos para entregar ao Governo” e deu garantias à plateia: “Contem comigo, no papel de secretário-geral [do PSD] para procurar fazer a pressão possível para que o Governo possa responder aos anseios”. “Quando temos primeiro-ministro e presidente da Câmara que se tratam por tu, estou convencido de que não vai faltar nada”, rematou.
À Ria, o secretário-geral disse que o partido leva as reivindicações de Luís Souto “com a urgência que elas merecem, que é muita”, e fez questão de enfatizar que os aveirenses não têm motivo para estar preocupados, uma vez que o presidente “tem as prioridades muito bem definidas e […] não vai dar descanso ao Governo até atingir os resultados, que são justos e que Aveiro precisa e merece”.
Recorde-se que, no caso do Hospital, há cerca de um ano, Luís Montenegro chegou a dizer que “o processo de construção da nova unidade ambulatória, que constitui também a ampliação do hospital”, já estava “em curso” e que esperava que, à data da tomada de posse de Luís Souto como presidente da Câmara – que aconteceu em outubro – “isso já esteja mesmo na fase de obra”. Na altura, o primeiro-ministro foi prontamente desmentido por José Ribau Esteves, na altura presidente da autarquia, que clarificou que houve um “equívoco” e apontou para “outubro do ano que vem [2026] se o projeto correr bem”.
Confrontado com a falta de avanços no processo desde então, Hugo Soares afirmou que “terá de haver [desenvolvimentos]”, mas notou que “os aveirenses sabem e o país sabe que é preciso escolher e definir prioridades a cada momento”. “A política é isso mesmo, a definição de prioridades, sendo que as preocupações de cada comunidade são altamente legítimas”, concluiu.
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