Oposição em Aradas reafirma que não quer lugares no executivo, apenas garantias de transparência
Depois de Catarina Barreto, presidente eleita pela ‘Aliança com Aveiro’, ter assegurado à Ria que na reunião negocial tinha ficado acordado o executivo proposto, a oposição - Movimento Independente ‘Sentir Aradas’, Partido Socialista (PS) e Chega - veio esclarecer que o encontro teve caráter informal e que ficou decidido que só seria materializado por via de um documento escrito e assinado por todos. Apesar das divergências e da suspensão dos trabalhos, as três forças políticas garantem que continuam disponíveis para o diálogo e não conseguem perceber qual o motivo que faz Catarina Barreto não aceitar a realização de uma auditoria.
Redação
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Tal como avançado pela Ria, a sessão de instalação dos novos órgãos autárquicos, em Aradas, que aconteceu esta sexta-feira, 24 de outubro, na sede da Junta de Freguesia, durou apenas cerca de meia hora. Catarina Barreto suspendeu os trabalhos logo após a reprovação da proposta do primeiro vogal do futuro executivo. Assim, mantém-se em gestão corrente o atual órgão executivo, estando prevista a marcação de uma nova Assembleia de Freguesia, embora sem uma data prevista.
Questionada pelos jornalistas, à margem da sessão de instalação dos novos órgãos autárquicos, a oposição, em Aradas, não se mostrou surpreendida com a curta duração da reunião. “A partir do momento em que nós não recebemos resposta positiva à proposta de acordo, que foi remetida ontem para a senhora presidente, era uma situação que poderia, eventualmente, acontecer”, exprimiu Gilberto Ferreira, eleito pelo Movimento Independente ‘Sentir Aradas’ para a Assembleia de Freguesia. Interpelado ainda sobre a impossibilidade de intervir durante a Assembleia, Gilberto acrescentou com ironia: “Aqui, o processo democrático funciona sempre muito bem. Estas situações são um bocadinho recorrentes. (...) Infelizmente, Aradas é uma terra atípica nesse processo e a democracia aqui tem uns passos largos para dar e para se consolidar”.
Confrontados com o alegado acordo atingido na primeira reunião negocial, conforme defendeu Catarina Barreto, Sónia Aires, eleita pelo Partido Socialista (PS), sublinhou que “não existia nenhum acordo”. “Nós enviamos o acordo de entendimento, depois da reunião, tal como o combinado. (…) Havia alguns pontos que a senhora presidente queria retirar e, portanto, nesse aspeto não houve qualquer acordo, (…) não está nada escrito, nem nada vinculado”, sublinhou. Recorde-se que, tal como noticiado pela Ria, a oposição em Aradas tinha-se mostrado disponível para aprovar um executivo integralmente constituído por elementos da coligação ‘Aliança com Aveiro’. Para tal, tinha imposto um conjunto de condições, com destaque para a realização de uma auditoria financeira independente e o acesso integral à documentação que levou a Junta de Freguesia a ser condenada em Tribunal. Esta sexta-feira, em entrevista à Ria, à margem da sessão, Catarina Barreto assegurava que tinha reunido, “na passada quarta-feira”, 23 de outubro, com a oposição e que tinha ficado acordado a aprovação do executivo proposto.
No seguimento, Ricardo Nascimento, eleito pelo Chega para a Assembleia de Freguesia de Aradas, deu ainda nota à comunicação social de que “não” foi convidado pela presidente para a reunião negocial. “Fui convidado pelo Gilberto e pela Sónia. (…) No começo da reunião eu estava a responder a uma mensagem para a minha esposa e ela fez questão de perguntar se eu estava a gravar. (…) Nós é que fomos muito inocentes em entrar dentro da sala para fazer essa reunião informal”, exprimiu. “Uma reunião informal não tem acordo nenhum. Foi ela que ditou fazermos um acordo e ela não aceitou o acordo formal que enviamos, nem fazer a auditoria”, continuou Ricardo.
Conforme noticiado pela Ria, quando questionada pelo acordo apresentado pela oposição, Catarina Barreto mostrou-se inflexível quanto à possibilidade de o aceitar. “A postura da ‘Aliança com Aveiro’ mantém-se”, assegurou. Questionados sobre a possibilidade da autarca continuar a recusar as condições exigidas pela oposição, Sónia vincou: “nós nunca recusamos o diálogo”. “Não aceitando o acordo, nós continuamos a dialogar e, tal como o Gilberto estava a referir, não temos nada a opor e é unânime que a ‘Aliança’ ganhou. (…) A questão essencial é a capacidade que não existe de diálogo com as outras forças políticas e movimentos independentes. Esse é o grande problema”, alertou. “Somos todos a favor da governabilidade, agora, sem transparência, pelo menos, aqui não se anda”, acrescentou Ricardo Nascimento, reforçando que a oposição não pretende qualquer lugar no executivo, mas apenas “garantias de transparência”.
Sem responderem, diretamente, à questão se aceitarão ou não “renegociar” o acordo, no caso de Catarina Barreto não ceder, o eleito pelo Chega acrescentou ainda: “Eu acho que ainda é muito cedo para falar. (…) Ela está no calor da tensão. Toda a gente aqui quer que Aradas seja melhor. Eu acredito que ela também queira” e que, por isso, venha a ceder.
Entretanto, a oposição fez também já chegar um email à comunicação social, este sábado, 25 de outubro, em forma de resposta aos acontecimentos da Assembleia de Freguesia desta sexta-feira. No comunicado, aproveitam para reafirmar as declarações prestadas à comunicação social, à margem da sessão, e para responder à autarca sobre a resposta por escrito que fez chegar, na passada quinta-feira, pelas 19h23, por email, à oposição, onde propunha uma “revisão integral do acordo e das suas cláusulas”. Segundo as três forças políticas, a posição da autarca demonstra “clara e inequivocamente, a impossibilidade de negociação sobre os assuntos que consideramos de importância fulcral e de relevo máximo para as decisões a tomar num futuro próximo, uma vez que são instrumentos relevantes para aferição do estado da gestão financeira da freguesia, tendo em conta que, nos mandatos anteriores, estes aspetos sempre estiveram envoltos em suspeição e polémica”.
No seguimento, sugerem que a “humildade democrática vale para todos, não apenas para alguns”. “A responsabilidade do que hoje sucedeu recai exclusivamente em Catarina Barreto que, além de mais uma vez faltar à verdade e numa atitude antidemocrática, impediu outros eleitos de se manifestarem e de usarem a palavra para rebater as afirmações por ela proferidas, negando o direito de resposta, de forma pública e esclarecedora, conduta que repetiu, aquando do pedido de declaração de voto, após leitura da ata”, lê-se no comunicado.
Na nota, a oposição reforça que continuará “disponível” para o diálogo, “por forma a que se dissipem todas as dúvidas”, terminando com a seguinte questão: “Será que os seus pares eleitos pela Aliança com Aveiro e em situação idêntica geririam a situação da mesma forma e aprovariam esta conduta?”
Comunicado na íntegra da oposição em Aradas
"Para esclarecimento de todos os Aradenses, pela transparência e lealdade que nos merecem sempre, em nome do respeito pela Democracia e pela Verdade, o Movimento Independente 'Sentir Aradas', o Partido Socialista e o Partido Chega, emitem conjuntamente o presente comunicado com o objetivo de dar a conhecer a verdade dos factos que conduziram à não viabilização do executivo da Junta de Freguesia de Aradas a 24 de outubro de 2025.
1. Em reunião efetuada em 22 de outubro de 2025, agendada por Catarina Barreto e na qual participaram o Movimento Independente 'Sentir Aradas', o Partido Socialista e o Partido Chega, representados, respetivamente, por Gilberto Ferreira, Sónia Aires e Ricardo Nascimento, foram discutidos vários pontos de interesse geral para a Freguesia e para os Aradenses, com o objetivo de procurar consensos que pudessem conduzir a uma situação de governabilidade estável, no respeito absoluto pelos resultados eleitorais de 12 de outubro passado e nunca por meros e mesquinhos interesses pessoais em lugares ou cargos;
2. Tal reunião, necessariamente informal, priorizava ouvir Catarina Barreto e as linhas orientadoras para o novo mandato, bem como, eventualmente, e se tal fosse por todos considerado importante, dar contributos para desbloquear consensos;
3. No seguimento da reunião, foi solicitado pela mesma o envio da proposta de acordo via email, a fim de posteriormente se proceder à assinatura da referida proposta;
4. Procedeu-se ao envio do email a Catarina Barreto, no qual se explanavam as condições que as partes envolvidas consideravam como essenciais e obrigatórias para que um executivo por si liderado pudesse ser viabilizado, anexando ao referido email a proposta de acordo e dando nota de que a assinatura do mesmo deveria ocorrer até às 18h00 do dia 24 de outubro de 2025, dia da Tomada de Posse;
5. Entre os vários pontos elencados e considerados de relevo para o estabelecimento de uma boa gestão autárquica na Freguesia de Aradas, numa perspetiva de diálogo e cooperação, assinalam-se três que consideramos inegociáveis:
a) Auditoria externa a contratar em 30 dias úteis após a instalação e tomada de posse da Assembleia de Freguesia e respetivo Executivo, efetuada por entidade independente;
b) Resolução, em definitivo, da questão laboral litigiosa entre as funcionárias e a Junta de Freguesia de Aradas, a qual originou inspeção por parte da Inspeção Geral de Finanças, restabelecendo o normal funcionamento e execução das tarefas anteriormente efetuadas pelas trabalhadoras, tendo em conta o respeito pelas mesmas e pelos seus postos de trabalho;
c) A apresentação imediata da documentação várias vezes requerida e nunca facultada pelo Executivo da Junta de Freguesia de Aradas, dando assim cumprimento à sentença do Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro de julho de 2025.
6. No entendimento de Catarina Barreto, os pontos atrás referidos deveriam ser retirados do acordo, conforme resposta por escrito da própria no dia 23 de outubro de 2025, não demonstrando disponibilidade para chegar a entendimento. Esta posição demonstra, clara e inequivocamente, a impossibilidade de negociação sobre os assuntos que consideramos de importância fulcral e de relevo máximo para as decisões a tomar num futuro próximo, uma vez que são instrumentos relevantes para aferição do estado da gestão financeira da freguesia, tendo em conta que nos mandatos anteriores estes aspetos sempre estiveram envoltos em suspeição e polémica;
7. Respeitamos e reconhecemos a vitória da Aliança com Aveiro, fá-lo-emos sempre, da mesma forma que exigimos respeito pela maioria dos Aradenses que não lhe confiaram a maioria.
A humildade democrática vale para todos, não apenas para alguns. A responsabilidade do que hoje sucedeu recai exclusivamente em Catarina Barreto que, além de mais uma vez faltar à verdade e numa atitude antidemocrática, impediu outros eleitos de se manifestarem e de usarem a palavra para rebater as afirmações por ela proferidas, negando o direito de resposta, de forma pública e esclarecedora, conduta que repetiu aquando do pedido de declaração de voto após leitura da ata.
Da nossa parte, continuaremos disponíveis para o diálogo, por forma a que se dissipem todas as dúvidas.
Por fim, deixamos a seguinte questão: será que os seus pares eleitos pela Aliança com Aveiro e em situação idêntica geririam a situação da mesma forma e aprovariam esta conduta?
Movimento 'Sentir Aradas', PS-Aradas, CHEGA
24 de outubro de 2025"
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