Ribau Esteves ordena abate de árvore de Natal de Aveiro
Numa decisão que deixou os aveirenses perplexos e ao mesmo tempo nostálgicos, Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, anunciou o abate imediato da árvore de Natal gigante instalada no Cais da Fonte Nova. "É uma questão de coerência", afirmou o autarca, visivelmente satisfeito por conseguir manter a reputação de serial killer de árvores da Cidade.
Estagiário
EntretenimentoA árvore, feita inteiramente de ferro e luzes LED, foi classificada como "um insulto à paisagem urbana" pelo próprio presidente. "Não importa que seja metálica. Árvore é árvore e árvore, em Aveiro, tem um destino: a motosserra!", declarou.
A decisão foi tão desoladora que Rosinha, curadora do Herbário do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, teve de ser internada de urgência no hospital. Médicos confirmaram tratar-se de uma "síncope botânica", provocada por stress arborístico extremo.
Já Pedro Pires da Rosa, ou simplesmente PPR para os seus fãs, mostrou-se dividido. Morador ao lado da estrutura, celebrou o regresso da sua vista panorâmica para a ria, mas lamentou a perda de um dos seus melhores temas para as redes sociais. "Agora vou ter de voltar a tirar fotos a rotundas e, francamente, aquilo não me dá tanto engajamento", desabafou.
Fontes próximas da Câmara Municipal garantem que o ferro da árvore será reciclado para aumentar o monumento evocativo da muralha da cidade, pois Ribau considera que “ainda não é suficientemente grande para esconder a Sé de Aveiro”. Já a secção local do PSD sugeriu outra aplicação: "Que tal uma escultura representando as dívidas deixadas pelos socialistas? Assim fazemos algo artístico e educativo", declarou Simão Santana com brilho nos olhos.
A Ria já tentou contactar a presidente da concelhia do PS-Aveiro, mas Paula Urbano Antunes pediu mais uns dias para responder a estas acusações, pois os serviços de consultoria de Alberto Souto de Miranda estão suspensos para preparação do seu novo livro.
Ribau, por sua vez, já confirmou presença no evento de lançamento do livro. “É uma homenagem ao meu antecessor e à sua capacidade única de transformar a realidade em ficção literária”, declarou com um sorriso irónico. “Espero que o livro venda bem, porque alguém tem de ajudar a pagar as dívidas antigas.” A plateia riu, mas ninguém conseguiu perceber se era ironia, nostalgia ou apenas o espírito natalício em Aveiro.
Recomendações
Páscoa na família Souto: falha de comunicação provoca excesso de cabrito no almoço de domingo
Luís Souto, aproveitou este domingo de Páscoa para lançar um vídeo onde ensina os seguidores a cozinhar chanfana. O vídeo é tão longo e didático que a dada altura fazia lembrar as suas aulas de Genética ainda com Power Point em Comic Sans. Fontes próximas admitem que só a introdução demorou mais do que as promessas de Luís Montenegro para a requalificação do Hospital de Aveiro. O vídeo acumula já 13 visualizações, das quais 11 são da esposa do próprio Luís, que o partilhou em todos os grupos de Facebook onde é admin e comentou “meu presidente <3” em cada publicação. Já Alberto Souto, armado em chef rústico, atirou-se ao tradicional cabrito no forno de lenha. Só que a lenha estava molhada - tal como os olhos dos eleitores aveirenses sempre que se lembram do seu último mandato. O vídeo, filmado ao estilo "como acender um forno com zero dignidade", mostra Alberto a soprar brasas com a mesma convicção com que se defendia das críticas sobre endividamento municipal. A dada altura, ouvimos “isto com a antiga equipa da Câmara não acontecia”, mas o cabrito continuou cru e o almoço parece que vai passar a lanche. Fontes próximas garantem que os irmãos não falaram entre si sobre o menu, o que resultou numa quantidade de carne suficiente para alimentar todas as demissões no PSD-Aveiro. A comida era tanta que tiveram de improvisar um novo convidado: Paulo Jorge Ferreira, reitor da Universidade de Aveiro, que, agora em fim de mandato, anda a aceitar tudo o que seja petiscos e tainadas. Os irmãos Souto, sempre atentos às oportunidades, ponderam agora lançar um outro familiar para reitor da UA. Entretanto, Ribau Esteves, depois de uma semana de recuperação em casa pelas violentas dores de costas que o impediram de sair da cadeira no Hotel Meliá na apresentação de Luís Souto, já foi visto novamente muito irritado com toda a situação. Fontes próximas afirmam que já viu os vídeos e deixou claro que não apoia nenhum dos irmãos. Sobre Alberto diz que “continua igualzinho, a gastar dinheiro em lenha sem critério”. De Luís afirma que “tem mais vocação para chefe de cozinha do que para presidente”. Ribau terá ainda acrescentado: “o Luís foi o único aveirense que acreditou que as obras do Hospital arrancam esta ano… deve pensar que a Câmara é como a Bimby: é carregar num botão e esperar milagres”. O almoço terminou sem intoxicações alimentares, mas não por falta de sorte. Felizmente, como as urgências do Hospital de Aveiro estão encerradas neste domingo de Páscoa, ninguém se atreveu a repetir o prato. “Mais vale prevenir do que precisar de médico”, terá dito um dos convivas, enquanto escondia o tupperware com sobras de cabrito no porta-bagagens.
PCP-Aveiro avança com moção de censura pelo atraso no anúncio do cartaz da Feira de Março 2025
“A maior festividade do concelho está a ser gerida com mais segredo do que a escolha de Luís Souto de Miranda como candidato à Câmara Municipal de Aveiro (CMA)", acusou o partido em comunicado, reforçando que "a Feira de Março deve pertencer ao povo e não ser um privilégio das elites que sabem o cartaz antes do resto da população". Apesar de oficialmente ainda não haver confirmações, o PCP-Aveiro jura a pés juntos que já sabe que Diogo Piçarra, Bárbara Tinoco e Richie Campbell fazem parte do alinhamento. “Se nós já descobrimos, não nos venham com histórias de que ainda estão a fechar contratos”, disparou um dirigente comunista, visivelmente indignado por não haver ainda um anúncio oficial. Quem não perdeu tempo a reagir foi o atual presidente da CMA. Ribau Esteves garantiu que "o cartaz será revelado quando for a altura certa”, mas relembrando os aveirenses que “se fosse pelo PCP, a Feira de Março era animada pelos Cante Alentejano e terminava com um debate sobre a luta sindical”. Fontes internas do município garantem que o grande motivo para o atraso na divulgação do cartaz tem nome: MC Soutinho, a dupla escolhida para cabeça de cartaz. A escolha não terá agradado a todos os elementos do Executivo Municipal. Segundo as mesmas fontes, Ribau Esteves terá mostrado algum desagrado, confessando que a sua escolha para cabeça de cartaz seriam os Irmãos Verdades, pois, segundo ele, "o alinhamento político e musical seria mais consistente". Perante a insistência da sua equipa, Ribau terá admitido: "Se queriam uma dupla de irmãos, ao menos que fosse uma que tivesse êxitos nos tops e não nas jogatanas políticas”. Já Rogério Carlos, atual vice-presidente da autarquia, mostrou-se mais soltinho depois de ter sido afastado da corrida à liderança da CMA. “Se querem animar o cartaz da Feira de Março deste ano, pelo menos que sejam mais originais. Eu sugiro um dia dedicado aos cantares ao desafio com um despique amigável entre Catarina Barreto e Ângela Almeida ou Filipe Neto Brandão e Manuel Sousa”, afirmou no meio de gargalhadas irónicas enquanto se preparava para assistir ao debate parlamentar que poderá ditar novas eleições legislativas em Portugal. Outro momento alto será o show "Banda das Coligações", onde diferentes partidos políticos se juntam em leilão ao som do hit musical “eu estou à venda”. Fontes próximas garantem que será uma atuação curta, porque nem sempre conseguem tocar a mesma música até ao fim. Entretanto, os aveirenses continuam sem cartaz oficial, mas já têm uma certeza: o verdadeiro espetáculo da Feira de Março não está no palco, está mesmo na política local.
Estagiário: Sérgio Ribau Esteves avança com candidatura independente ao Município de Aveiro
Em exclusivo para a página do Estagiário da Ria, Sérgio quis juntar-se ao “verdadeiro espetáculo circense que se assiste na cidade” e declarou que “num momento particularmente difícil para o meu irmão, eu não podia deixar de dizer presente”. “Os Soutos querem mostrar que controlam esta cidade, mas se estamos nessa onda, então vão ter que levar com os Ribaus”, afirmou enquanto apertava um fato axadrezado emprestado pelo seu irmão, relembrando que, tal como Luís Souto, também ele é cronista no Diário de Aveiro. Ribau Esteves também quis prestar declarações ao Estagiário da Ria: "Sim, posso confirmar que o meu mano avisou-me previamente da sua candidatura." Confrontando pelo Estagiário da Ria relativamente ao facto de Luís Souto não ter contactado Alberto Souto antes do anúncio da sua candidatura, Ribau Esteves afirmou no meio de gargalhadas irónicas: "Olhe, essa pergunta tem que fazer ao Luís Souto, não é ele que se apresenta como especialista em genética?" Enquanto isso, o recém-lançado candidato Sérgio Ribau Esteves parece apostado em criar uma “irmandade eleitoral” para melhorar a imagem da cidade, recordando os aveirenses que tem experiência muito útil em gestão de irmandades. “Se sei gerir a irmandade dos ovos moles, acha que será muito diferente gerir um Município? É tudo uma questão de doçura”, afirmou. O candidato independente aproveitou para dizer, com aquele sorriso de quem domina matemática, que, diferentemente do Alberto Souto – "que se contenta com 101 ideias para Aveiro" – ele tem “mil e uma ideias”. “Não acha que as minhas ultrapassam as do candidato socialista? E não são apenas devaneios mirabolantes, são planos de verdade para mudar a cidade", afirmou enquanto olhava para o programa eleitoral desenhado pelo seu irmão com 1001 árvores preparadas para abate. Agora, Aveiro aguarda ansiosamente para ver se esta súbita multiplicação de irmãos candidatos irá resultar numa revolução familiar na política local… ou apenas num almoço de domingo com demasiadas conversas sobre urnas de voto e propostas mirabolantes. O Estagiário da Ria continua atento a mais novidades, enquanto espreita para ver se ainda resta alguma vaga para ser candidato a sobrinho, primo ou cunhado dos Soutos & Ribaus.
Ribau Esteves negoceia com Fábio Coentrão instalação do viveiro de marisco na Ria de Aveiro
"Durante os meus mandatos batemos todos os recordes de turismo. Demos uma nova vida aos nossos canais com os moliceiros elétricos e amigos do ambiente. Agora está na altura de dar o próximo passo: Aveiro precisa de marisco premium e quem melhor que o Fábio Coentrão para ser o rosto desta nova fase?", declarou Ribau Esteves, enquanto tirava uma fotografia ao lado de uma lagosta gigante, com Rogério Carlos a tentar reproduzir o movimento. Entretanto, o reitor da Universidade de Aveiro também já reagiu à mais recente notícia, revelando interesse em localizar o novo viveiro nas marinhas da UA. “Já falei com o presidente da Câmara Municipal de Aveiro e dei-lhe nota da nossa intenção”, declarou Paulo Jorge Ferreira. Confrontado pelos jornalistas sobre a reação de Ribau Esteves, o reitor da UA realçou: “Gostou muito da iniciativa. Afinal de contas, ainda há dias anunciou o início da construção de uma nova residência privada para os estudantes. Ora todos sabemos o tipo de estudantes que procuram estas residências. Colocar o novo viveiro junto à UA pode ser uma excelente oportunidade para atrair ainda mais estudantes deste mercado”. Quem já reagiu a esta nova investida do edil aveirense foi Alberto Souto de Miranda. “Com sinceridade, desta vez tenho que reconhecer que é uma excelente iniciativa de Ribau Esteves. Todos nós vimos a cara avermelhada com que o presidente terminou a arruada de São Gonçalinho. Penso que se continuar a tirar fotos ao lado de lagostas, certamente que o seu tom de pele não irá dar tanto nas vistas” atirou o candidato à CMA, enquanto escrevia a centésima segunda ideia do livro que só ele leu.
Últimas
GrETUA arranca 2026 a “jogar” com Linda Martini e promove kit de sobrevivência de criação artística
Depois de ter arrancado o ano letivo num exercício mais contemplativo, a pensar na caminhada e na deambulação, o GrETUA tenta agora uma vertente mais interativa, relacionada com os jogos. No editorial que acompanha a programação, João Garcia Neto, diretor artístico do grupo, procura explicar o raciocínio por detrás da temática: “Se já sabemos que o teatro se aprende fazendo, interessa-nos agora aprender desmontando. Olhar para o teatro como um brinquedo: um objeto complexo, feito de peças visíveis e invisíveis, que pode ser aberto. Como uma criança cuja inocência entra em crise e que decide desmontar os seus brinquedos, para entender como funcionam por dentro; munindo-se, assim, do conhecimento dos seus mecanismos internos, podendo ela mesma contribuir para a fabricação do jogo”. Assim, conforme explica à Ria, a ideia do jogo acaba por também “aparecer à boleia do Kit [de sobrevivência de criação artística]”. Este novo instrumento formativo será uma forma de “desdobramento da formação contínua” com um “conjunto de cinco oficinas de áreas para lá da interpretação”. “Mais do que acumular competências, este gesto procura ampliar o campo de jogo, multiplicar as entradas possíveis na criação e tornar visíveis as engrenagens que a sustentam”, explica o editorial. A primeira formação a ocorrer é a oficina de escrita, que acontece a 14 de fevereiro, e tem o nome de “DICTAFONE”. A formadora Mariana Dixe é quem escreve e encena a peça “Obrigada por terem vindo”, que será apresentada no GrETUA nos dias 12 e 13 de fevereiro. Na semana seguinte, o designer de iluminação Rui Monteiro dá uma oficina de desenho de luz, que ocorre entre sexta e sábado, dias 20 e 21. A 28, é a vez da artista plástica Sofia Moço Novo ser responsável por uma oficina de iniciação à costura. O músico Pedro Melo Alves, que passará pelo GrETUA em residência artística com o seu projeto POSTPOSTPOST! ao longo do quadrimestre, vai estar a cargo da oficina de multimédia reativa, onde, no dia 15 de março, os participantes vão “desenvolver experiências audiovisuais que reagem em tempo real à música, à voz e ao corpo em movimento através da experimentação com sensores, câmaras, microfones, algoritmos e ferramentas digitais”. A cenógrafa Ana Gormicho encerra o ciclo com uma oficina de cenografia que decorre entre os dias 10 e 11 de abril. O objetivo é que os conhecimentos adquiridos sejam posteriormente postos em prática com a contribuição para a criação anual do GrETUA. O trabalho vai começar a ser preparado já este semestre e culmina na estreia de um espetáculo encenado por Joana Magalhães, em maio. As inscrições para os vários módulos do Kit são limitadas, cada formação tem duração entre cinco e nove horas e custa entre 20 e 30 euros. O Kit completo, que corresponde a 35 horas de formação, tem custo variável entre os 50 e os 150 euros, sendo gratuito para os colaboradores do GrETUA. As formações do quadrimestre não terminam no Kit, uma vez que o GrETUA volta a apresentar os Recursos de Formação Teatral, o segundo momento de formação teatral para a intérpretes promovido pelo grupo. Entre fevereiro e março, são dadas novas formações que servem não só quem já está a frequentar o Curso de Formação Teatral de 2025, mas também novas pessoas que procurem inscrever-se. Este “recurso” conta com módulos de laboratório de criação, voz, interpretação, movimento e sobre o papel do jogo nas artes performativas. O “recurso” completo, que dura um total de 44 horas, tem um custo variável entre os 120 e os 180 euros. Cada módulo individualmente custa entre 30 e 70 euros. O nome mais sonante da programação do GrETUA entre os meses de janeiro e abril é o dos Linda Martini, “velhas glórias do pós-punk”, como os apresenta o grupo. Numa digressão a que chamam de ‘Liga de Clubes’ – um nome que alinha na perfeição com a temática da programação, como faz notar João Garcia Neto -, o concerto da banda, que acontece no próximo dia 5 de fevereiro, quinta-feira, pelas 21h30, é complementado pelo set da DJ Maria Vai Com Todas. No campo musical, destaca-se ainda a passagem do Super Bock Super Nova pelo GrETUA, ainda com artistas e data a anunciar, bem como a atuação dos minhotos “xauxau dôdô”. Os responsáveis dão ainda nota de duas noites tripartidas: uma entre Anastasia Coope, Collignon e Myria, outra com Ahana, Montanha e DJ Artures. Conforme já mencionado, haverá também lugar a uma residência artística de Pedro Melo Alves no âmbito do projeto POSTPOSTPOST!. De acordo com nota de imprensa enviada à Ria, a ideia é “concebida como uma plataforma de pensamento focada nas questões ontológicas do pós-humanismo e toma forma simultaneamente como uma incubadora de arte digital e como uma performance multimédia”. O produto acabado passará pelo GrETUA no final do ano de 2026. Fazendo jus ao tema da programação, o quadrimestre começa com uma noite de jogos de tabuleiro, a 22 de janeiro, com a colaboração da associação aveirense “Ria Joga”. Resta também dizer que, de forma a articular todas as sessões, a agenda-jornal para os primeiros quatro meses do ano contem em si umas palavras cruzadas, cujas pistas podem ser encontradas no bilhete para cada evento. As primeiras três pessoas a enviar uma fotografia das palavras cruzadas completas para [email protected] vão poder escolher um bilhete gratuito para um dos eventos do quadrimestre de maio a julho. No cinema, o ciclo “Juventude Sónica” aparece repartido entre três diferentes sessões: na primeira, são apresentadas as curta-metragens portuguesas “O Banho”, de Maria Inês Gonçalves, “À Tona d’Água”, de Alexander David e “Conseguimos fazer um filme”, de Tota Alves – realizadora que, no final, vai estar à conversa com os presentes; na segunda sessão, é projetado “Gummo”, de Harmony Korine; na terceira, é apresentado o filme “O Espírito de Colmeia”, de Victor Erice. Já no teatro, a principal atração é o espetáculo “Obrigada por terem vindo”, monólogo de Mariana Dixe que vai ser interpretado por Mariana Lobo Vaz. Para além deste espetáculo, Mariana Dixe marca ainda presença em mais uma edição da rubrica “Boca a Boca”, uma rubrica itinerante de leitura de textos de teatro em que, numa outra edição, também vai participar Joana Magalhães. Os percursos “Field Stages” não ficam esquecidos neste quadrimestre depois do arranque em setembro. Se, na primeira edição, a ideia era trazer os alunos da Universidade de Aveiro (UA) a descobrir o espaço que liga a instituição e o GrETUA em linha com a ideia da programação anterior, num exercício de contemplação e descoberta, esta segunda apresentação pretende seguir “o mote do jogo e do lúdico”. Mais voltada para a cidade, “Meio muro em Babel” é um passeio sonoro com dramaturgia de Inês Hermenegildo e com a voz de Pedro Sottomayor. Este quadrimestre contará ainda com a exposição Pista, da autoria de Gonçalo Fialho (UIVO), no teto do foyer do GrETUA. Na dança, o espaço receberá o espetáculo Budô, de Joana Couto e Leo Calvino, que cruza a dança com as artes marciais – no final, acontece uma oficina aberta ao público, conduzida pelos criadores, que cruza as duas realidades. Regressa ainda a rubrica “Fora do Armário”, dedicada aos livros e à literatura, em parceria com a Ria e com a Livraria Snob, que, com a ajuda dos convidados João Paulo Guimarães e Inês Cardoso, também vai procurar o tema do quadrimestre. Todas as reservas e inscrições para os espetáculos e para as formações encontram-se disponíveis em gretua.pt.
Casa Martelo fecha portas no centro de Aveiro após quase oito décadas por falta de clientes
Marina Vieira era, até recentemente, a gerente da Casa Martelo, uma drogaria situada na Rua dos Combatentes da Grande Guerra, número 137, em pleno centro da cidade. O estabelecimento encontrava-se naquele local há cerca de 75 anos, embora, em conversa com a Ria, a gerente admita que a casa é ainda mais antiga, uma vez que abriu portas inicialmente na Rua Eça de Queirós. O negócio foi fundado pelo avô de Marina e passou posteriormente para o seu pai. Contudo, devido a problemas de saúde, este acabou por se afastar, o que levou Marina a entrar no negócio de forma algo "forçada". Arqueóloga de formação, partilha, entre risos, que chegou a frequentar cursos de gestão e marketing para conseguir acompanhar as exigências da atividade comercial. Na última semana de 2025, Marina teve de tomar a decisão que mais temia: encerrar a Casa Martelo, consequência direta da falta de clientes. Desde o primeiro dia de 2026, encontra-se afixada na porta uma folha com dois números de contacto apenas para transportadoras. O cenário atual confirma o encerramento definitivo: através dos vidros é possível ver caixas de papel empilhadas, um sinal claro de que a histórica casa fechou as suas portas. Apesar de o encerramento só se ter concretizado agora, Marina Vieira sublinha que o problema é bem anterior. Remonta a “cerca de década e meia” atrás, período em que, segundo a aveirense, o centro da cidade se encontrava “extremamente desagradável”. “O facto de estarmos no centro da cidade fez com que tivéssemos cada vez menos clientes. O centro esteve muitos anos em declínio. Hoje está novamente melhor do ponto de vista urbanístico- mais bonito e com mais pessoas-, mas há década e meia aquela zona estava extremamente degradada e não era apelativa”, afirma. Na tentativa de contrariar esse cenário, conta que a Casa Martelo chegou a procurar “reinventar-se e resistir”, tendo fundado, juntamente com outros comerciantes, a Associação Acorda, que abrangia a Rua Direita e áreas adjacentes. “Tinha dois significados: ‘acorda para a vida’ e também ‘a corda’, porque achávamos que juntos conseguiríamos fazer algo melhor ali, naquela zona”, recorda. A iniciativa resultou numa “série de atividades” e na realização de eventos, entre os quais o Vivó Bairro, desenvolvido em parceria com a Universidade de Aveiro. “Tentámos dar mais vida àquela zona, mas, efetivamente, as condições globais não são propícias ao comércio de proximidade”, reconhece. Entre os principais constrangimentos, aponta a “falta de mobilidade suave na cidade”. “As pessoas esperam chegar de carro a todo o lado”, refere. Ainda assim, sublinha que existia um parque de estacionamento mesmo ao lado do estabelecimento, que raramente era utilizado. “Chegámos a oferecer o estacionamento no parque e, mesmo assim, eram poucas as pessoas que lá colocavam o carro, porque não gostavam das condições existentes”, explica. Marina Vieira garante que a Casa Martelo não sofria de falta de notoriedade. “As pessoas sabiam que éramos a Casa Martelo, o que vendíamos, mas não chegavam até nós”, afirma. A escassez de transportes públicos e de infraestruturas cicláveis é, para si, determinante. “Quando as pessoas circulam a pé ou de bicicleta têm muito mais tendência a consumir no comércio de proximidade. Aqui assistimos, ao longo dos anos, a uma progressiva desertificação do centro da cidade por parte dos aveirenses”, observa. Ainda que o problema já seja bastante anterior, a gerente garante que a principal batalha do negócio começou com a chegada da Covid-19. “Foi realmente quando nós notamos o maior declínio”, admite. Após cerca de seis anos a situação não melhorou o que ditou ao encerramento no início deste ano. “Quando não se tem clientes, mesmo que se tenha feito o possível e o impossível,não se consegue manter uma casa aberta que não consegue pagar os salários dos funcionários”, reage. Atualmente, empregava seis pessoas. “A pessoa que estava há menos tempo estava desde o início do século, portanto, os trabalhadores já faziam parte da família e foi sempre a pensar neles que se continuou a lutar para que as portas estivessem abertas, mas realmente não foi possível mais tempo”, lamenta. Agora, restando apenas um papel afixado na porta, Marina refere que os últimos dias têm sido marcados por uma verdadeira enchente de chamadas. Partilha também que tem acompanhado as diferentes reações nas redes sociais. “Há uns anos, no Natal, ainda durante a pandemia, fizemos um vídeo sobre as pessoas se lembrarem de nós antes de fecharmos e, na altura, esse vídeo teve alguns milhares de visualizações. Acho que muitas pessoas acreditam que as coisas são eternas e não percebem que, por vezes, é mesmo preciso acarinhar aquilo de que se gosta para que continue a existir”, exprime. Questionada sobre um eventual regresso da Casa Martelo no futuro, Marina Vieira descarta “de todo” essa possibilidade. “A partir do momento em que encerramos, já não faz sentido voltar a abrir. Sinto que cumpri a missão de levar esta casa até onde foi possível, uma casa que já tinha quase oito décadas”, sublinha. Deixa ainda um alerta para o futuro de Aveiro: “A cidade não está planeada para as pessoas e não está planeada para que os aveirenses vivam o centro da cidade”. Por fim, prestes a terminar a conversa e antes de as portas da Casa Martelo se fecharem, novamente, pedimos a Marina que nos fizesse chegar uma fotografia sua no estabelecimento. Apesar de ter algumas sozinha, preferiu enviar uma em que, além dela, surgem todos os funcionários que integraram a casa. Justifica que, para si, essa imagem faz mais sentido, já que foram sempre eles os verdadeiros rostos do negócio.
Ribau Esteves apresentou plano de ação para a CCDR-C com promessa de “uma nova dinâmica de trabalho”
O documento a que a Ria teve acesso, intitulado “Linhas Gerais de Ação 2026/2029 da CCDRC”, foi enviado a todos os membros das Câmaras Municipais, Assembleias Municipais e Juntas de Freguesia da região abrangida pela comissão: as pessoas que escolhem o principal representante da CCDRC. Recorde-se que José Ribau Esteves, ex-presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), é candidato único à presidência do órgão nas eleições do próximo dia 12 de janeiro, segunda-feira, e deve fazer-se acompanhar dos vice-presidentes Nuno Nascimento e Jorge Conde – o primeiro a ser eleito pelos presidentes de Câmara e o segundo a ser eleito no Conselho Regional. De acordo com a reorganização em curso, o Governo deve ainda designar outros cinco vice-presidentes. No texto enviado constam 14 pontos que constituem, cada um, prioridades para a ação da CCDRC. De acordo com Ribau Esteves, o objetivo é “imprimir uma nova dinâmica de trabalho e de relevância institucional e política da CCDRC”. De entre as propostas do ex-autarca, destaca-se a ideia do “desenvolvimento de uma operação especial de gestão dos Fundos Comunitários do PRR e do Centro 2030, com pressão na execução”. Da mesma forma, o candidato quer preparar o Quadro Pós-2027, “com o devido enquadramento no Quadro Financeiro Plurianual 2028/2034 da União Europeia”. Com a nova reorganização do órgão, Ribau Esteves prioriza também o “desenvolvimento dos processos conducentes à boa instalação das novas áreas de trabalho da CCDRC, nomeadamente Educação e Saúde”. Por outro lado, propõe ainda a “concretização de uma Agenda Especial sobre a Floresta da Região Centro” com “todas as entidades públicas e privadas relevantes” e defende a “criação de um Conselho de Aconselhamento e Reflexão, constituído pelo presidente e pelos ex-presidentes da CCDRC”. Noutros pontos, o candidato único à presidência da comissão propõe ainda estudos e projetos com a participação direta das Instituições de Ensino Superior da região, “realização de um ponto de situação de organização e atividades da CCDRC e de um Plano de Ação 2026, com partilha de resultados com o Conselho Regional, no primeiro trimestre de 2026” ou a “realização do Congresso da Região Centro de dois em dois anos”.
UA: DFis celebra 50 anos e diretor alerta para desinteresse na Física e a “lei do menor esforço”
No decorrer da intervenção de João Miguel Dias, o responsável fez notar que, apesar de “o número elevado de alunos [do Departamento] ser crescente nos últimos anos”, houve “problemas” no último ano. Recorde-se que, na 1ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao ensino superior, a quebra no número de candidatos afetou vários cursos da Universidade de Aveiro (UA), como é o caso da licenciatura em Meteorologia, Oceanografia e Clima, no DFis, em que apenas um estudante ficou colocado. À margem da sessão, a Ria esteve à conversa com o responsável do Departamento, que caracteriza a situação como “preocupante”. “Sentimos que há um desinteresse das camadas mais jovens pelas áreas da ciência. Os alunos mais novos não percebem a utilidade da ciência, não percebem a necessidade de se esforçarem e estão a enveredar por áreas que requerem menor esforço (…) Uma área como a Física requer fortes conhecimentos matemáticos, de física, de matemática… É impossível dominar estas áreas sem bastante trabalho”, sublinha. O desafio do DFis é “inverter a situação” para que as camadas mais jovens “percebam que o esforço compensa”. Identificada uma crescente procura pelas áreas da gestão, da economia ou das ciências sociais, que João Miguel Dias considera também “muito importantes”, é necessário “mostrar aos jovens a importância da diversificação e que o conhecimento em física é muito importante”. Não obstante, o diretor considera que os alunos “procuram cada vez mais o que é imediato” e que, por isso, “é difícil passar uma mensagem numa sociedade que está pela lei do menor esforço”. Por seu lado, Paulo Jorge Ferreira, reitor da UA, centrou o seu discurso no futuro do Departamento. Nas palavras do responsável, é consensual que “estamos num momento de extraordinária importância para a física e para a ciência em geral”. Parte disso, destaca, passa pela aposta na Inteligência Artificial. Dando nota do efeito que esta ferramenta tem na ciência, Paulo Jorge Ferreira mencionou o caso do ‘AlphaFold’, que valeu o prémio Nobel da Química 2024 a Demis Hassabis e John Jumper. O programa criado pelos investigadores da Google DeepMind permitiu prever a estrutura tridimensional de uma proteína a partir de uma determinada sequência de aminoácidos. Segundo refere, este foi “o primeiro grande problema a ser resolvido com a ajuda da Inteligência Artificial” e motivou um “acelerar enorme do progresso” na área. Como na Química, o reitor sublinha que “um Departamento de Física é uma peça-chave da nossa realidade”. “Estamos num momento de viragem e tenho a inteira certeza de que o Departamento se irá adaptar-se de forma exemplar, como fez nas últimas cinco décadas”, sublinha. À conversa com a Ria, João Miguel Dias foi cauteloso na forma como se exprimiu sobre o tema: “[A IA] veio para ficar, quem achar o contrário está redondamente enganado. Vai-nos permitir chegar mais longe, (…) mas não veio para nos substituir”. Para o diretor do Departamento, é necessário um “espírito muito crítico” sobre os resultados que se obtêm da Inteligência Artificial, algo que só é possível se houver conhecimento de base. Segundo avalia, “sem o conhecimento de base passaremos a ser meros recipientes do que a IA nos dá. Um mero recipiente não vai fazer avançar o conhecimento, (…) precisamos de somar em cima do que já sabemos”. Entre outros desafios para o futuro, o responsável do DFis referiu a necessidade de trazer de volta os estudantes para o ensino presencial: “Muitas vezes os alunos têm uma perceção de que basta estarem nas redes sociais, na Inteligência Artificial, no Google ou no YouTube e encontram informação. Esquecem-se de que é muito importante o convívio, a interação e que o conhecimento só se obtém de forma consolidada”. Para o campo da investigação, destaca a aposta em novos materiais e equipamentos de topo para os centros de investigação. Entre as áreas apontadas como prioritárias para o futuro, João Miguel Dias mencionou os semicondutores, a modulação, as redes, a ótica, a metodologia, a cinografia, a análise de riscos, a adaptação às alterações climáticas e a sustentabilidade. Quem também falou foi Helena Nazaré, professora emérita do Departamento e antiga reitora da Universidade de Aveiro. A docente recordou os primeiros tempos do Departamento e, à semelhança do diretor, aproveitou para deixar uma palavra a Manuel Fernandes Thomaz. Nas suas palavras, o já falecido ‘pai’ do DFis era uma “pessoa afável”, mas que, “quando franzia o sobrolho, punha em sentido”. A professora disse também ter sido convidada por João Miguel a participar com um artigo de opinião na coluna semanal de textos que será publicado no Diário de Aveiro. Com o título “Para que serve a Física?”, Helena Nazaré adianta escrever que “a física tem de ser entendida como parte da formação universitária”. Na sua ótica, a área vai além do trabalho realizado em laboratório, mas deve ser entendida como uma “experiência da mente” que mede impactos na sociedade. Como exemplo refere a Teoria da Relatividade ou a experiência do Gato de Schrödinger: “Ninguém meteu o gato na gaiola nem ninguém o tapou, mas alguém foi capaz de imaginar isso”. A sessão serviu ainda para apresentar Linha do Tempo do DFis, um projeto onde é apresentada toda a cronologia da atividade do Departamento de Física da Universidade de Aveiro desde o seu nascimento. No programa de aniversário, que se estende ao longo de todo ano, constam também iniciativas como o ciclo de debates “Física à Conversa”, o patrocínio às equipas desportivas do Núcleo de Estudantes de Engenharia Física (NEEF) e do Núcleo de Estudantes de Ciências do Mar (NECM) na Taça UA ou a inauguração de oito novos laboratórios de investigação no Complexo Interdisciplinar de Ciências Físicas Aplicadas à Nanotecnologia e à Oceanografia (CICFANO).