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Governo vai criar grupo de trabalho para valorizar Calçada Portuguesa

O Governo vai criar um grupo de trabalho para a Calçada Portuguesa, com o objetivo de estudar a situação desta prática profissional e artística e propor medidas que a valorizem, anunciou hoje o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto.

Governo vai criar grupo de trabalho para valorizar Calçada Portuguesa
Redação

Redação

16 jan 2026, 12:32

“O Governo prepara-se para criar um Grupo de Trabalho para a Valorização dos Calceteiros e da Calçada Portuguesa. A iniciativa pretende proteger, dignificar e assegurar a continuidade deste património cultural imaterial que é único no mundo e candidato à classificação pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade”, indicou à Lusa fonte oficial do ministério de Margarida Balseiro Lopes.

O grupo de trabalho vai ser formado por representantes nomeados pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto e pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, tendo um prazo de seis meses para apresentar um relatório final, a contar a partir da entrada em vigor do despacho do Governo.

Segundo o Governo, "este grupo “terá como missão analisar a realidade dos calceteiros, apresentar propostas concretas e fazer recomendações legislativas que assegurem a salvaguarda, a valorização e a sustentabilidade da profissão e da Calçada Portuguesa”.

Inscrita no inventário nacional do Património Cultural Imaterial desde 2021 com necessidade de salvaguarda urgente, por proposta da Associação da Calçada Portuguesa, esta prática foi alvo de uma resolução da Assembleia da República, de 2018, que recomendava a adoção pelo Governo, “em parceria com o poder local, [de] políticas de conservação da calçada portuguesa que minimizem a sua degradação, sem prejuízo da incorporação de materiais que melhorem a sua mobilidade, aderência e conforto, tanto nas zonas históricas como nas zonas recentes”.

Essa recomendação incluía, já, a proposta de promoção da “candidatura da calçada portuguesa a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, atenta a sua singularidade, internacionalmente reconhecida”.

Em março do ano passado, a candidatura à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) foi entregue à Comissão Nacional, envolvendo a Associação da Calçada Portuguesa, com mais de 50 calceteiros, a colaboração de oito municípios – Braga, Estremoz, Faro, Funchal, Lisboa, Ponta Delgada, Porto de Mós e Setúbal -, e o apoio de mais de 20 instituições nacionais públicas e privadas.

“A Calçada Portuguesa traduz-se numa forma de produção e manutenção de pavimentos por meio de um saber-fazer tradicional que está em forte declínio, devido à idade avançada dos detentores deste património imaterial. A arte de calcetar é milenar, mas a produção de Calçada Portuguesa inicia-se como uma técnica específica na primeira metade do séc. XIX, em Lisboa, […] expandindo-se por todo o país e por vários continentes”, pode ler-se na documentação patente no inventário nacional do Património Cultural Imaterial.

Com uma matéria-prima fornecida por extratores e transformadores de pedra, esta é executada no chão pelos calceteiros “com a sua mestria, por tradição viva, transmitida de pais para filhos ou adquirida, enquanto aprendiz, no exercício da profissão com outros calceteiros”.

“A dureza do trabalho, que é realizado em qualquer altura do ano, a baixa remuneração e algum estigma social associados a quem a produz, tem, contudo, afastado os mais jovens de se iniciarem nesta atividade, ao mesmo tempo que os mestres calceteiros vão desaparecendo. Assim, urge a valorização dos saberes ligados à Calçada Portuguesa, através do reforço da valorização dos donos de tais saberes: os calceteiros”, refere o mesmo texto no inventário nacional.

“Se Lisboa chegou a ter 400 calceteiros no ativo, em 1927, passaria para menos de 30, em 1979 e tem hoje pouco mais de uma dúzia (além de 4 cantoneiros de arruamento), todos em idade já avançada, além de enorme desgaste rápido das suas condições físicas, o que revela uma clara tendência para a extinção eminente desta técnica tradicional”, segundo o mesmo documento, datado de 2020 e muito focado em Lisboa.

Além de Portugal, a calçada portuguesa está presente em locais de Espanha, Gibraltar, Bélgica, Chéquia, China, com particular incidência no território de Macau, Malásia, Timor-Leste, Angola, Moçambique, África do Sul, Brasil, Estados Unidos e Canadá.

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Portugal atingiu em 2025 o maior número de nascimentos da última década
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Portugal atingiu em 2025 o maior número de nascimentos da última década

Segundo os dados do Programa Nacional de Rastreio Neonatal (PNRN), coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), foram rastreados no ano passado 87.708 recém-nascidos, mais 3.077 do que em 2024 (84.631). Os dados indicam que a Madeira e Santarém foram as únicas regiões do país que registaram menos nascimentos em 2025 comparativamente ao ano anterior, totalizando, respetivamente, 1.704 (menos 48) e 2.852 (menos 22). Lisboa foi a cidade que rastreou mais recém-nascidos, somando 26.595, mais 739 do que em 2024, seguida do Porto, com 15.255 (mais 733) e de Braga, com 6.534 (mais 246). O “teste do pezinho” é feito através de análises de sangue, a partir do 3.º dia de vida e se possível até ao 6.º, através de uma ou duas picadas no calcanhar do bebé. De acordo com os dados, o menor número de exames foi registado nos distritos de Portalegre, com 574, e Bragança, com 587, mas ambos apresentaram um aumento de 27 e 93 rastreios, respetivamente, face ao ano anterior. Os dados indicam ainda que julho foi o mês que registou o maior número de bebés rastreados (8.118), seguido de outubro (8.104) e de setembro (7.886). Desde 1979 e até final de 2025, foram rastreados 4.396.889 recém-nascidos e identificados 2.963 casos de doenças raras, segundo dados do INSA avançados à agência Lusa. Estes testes permitem identificar as crianças que sofrem de doenças, quase sempre genéticas, como a fenilcetonúria ou o hipotiroidismo congénito, que podem beneficiar de tratamento precoce Em 2025, foram identificados 57 casos de doenças hereditárias do metabolismo, 26 casos de hipotiroidismo congénito, seis casos de fibrose quística, 10 casos de atrofia muscular espinal, um caso de imunodeficiência combinada grave e 47 casos de drepanocitose, perfazendo um total de 147 casos. O Programa Nacional de Rastreio Neonatal é coordenado pelo INSA, através da sua Unidade de Rastreio Neonatal, Metabolismo e Genética, do Departamento de Genética Humana.

CCDR: Autarcas Sociais Democratas destacam forte participação para novas lideranças regionais
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CCDR: Autarcas Sociais Democratas destacam forte participação para novas lideranças regionais

Numa nota hoje divulgada, o presidente dos Autarcas Social Democratas (ASD), Amadeu Albergaria, refere que a forte participação dos autarcas “reforça a legitimidade das escolhas efetuadas, num contexto em que as CCDR assumem responsabilidades acrescidas no apoio ao desenvolvimento regional”. Na eleição realizada segunda-feira, de forma simultânea nas Assembleias Municipais do continente, confirmou-se a escolha do social-democrata Álvaro Santos para a presidência da CCDR Norte, do social-democrata Ribau Esteves no Centro e dos socialistas Teresa Almeida em Lisboa e Vale do Tejo, Ricardo Pinheiro no Alentejo e José Apolinário no Algarve. Como notam os ASD, os resultados refletem o acordo previamente estabelecido entre o PSD e o PS quanto às lideranças das CCDR. “Houve um entendimento político claro e esse entendimento foi cumprido. Isso garante estabilidade e permite que as CCDR se concentrem agora no que é essencial: apoiar as autarquias e as regiões e executar investimento”, afirmou Amadeu Albergaria, citado na nota. O presidente dos ASD sublinhou ainda que os responsáveis agora eleitos reúnem o perfil adequado à exigência das funções, num período em que a gestão eficiente dos fundos europeus será determinante. “As autarquias têm hoje um papel central na concretização das políticas públicas e na aplicação do investimento no terreno. A perda de oportunidades de financiamento pode comprometer o desenvolvimento regional e, consequentemente, o futuro do país”, considerou. O líder dos ASD deixou uma palavra de reconhecimento aos autarcas pela forma como participaram neste processo eleitoral e endereçou votos de bom trabalho aos novos presidentes das CCDR, defendendo uma relação próxima, exigente e orientada para resultados entre o poder local e as estruturas regionais. Cerca de 10 mil autarcas elegeram na segunda-feira os presidentes e um vice-presidente das CCDR do Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. Em termos globais, votaram na escolha dos cinco presidentes das CCDR 9.827 autarcas, 91,26% do universo total (10.768), com uma abstenção de 8,7%, segundo os resultados provisórios divulgados hoje pela Direção-Geral da Administração Local (DGAL). A CCDR do Norte foi a única a ter dois candidatos, um dos quais apresentou-se como independente. Todos os restantes candidatos foram propostos por PSD e PS, num acordo eleitoral nacional que dividiu entre os dois partidos a direção destes organismos e que foi criticado por alguns setores partidários regionais. Os presidentes das CCDR são eleitos para um mandato de quatro anos por colégios eleitorais de autarcas das respetivas regiões, constituídos pelos presidentes de câmara, presidentes das assembleias municipais, vereadores eleitos e deputados municipais, incluindo os presidentes das juntas de freguesia. Os vice-presidentes, um por cada região, são eleitos por um colégio eleitoral constituído pelos presidentes das 278 câmaras municipais do continente. Além destes dirigentes eleitos indiretamente, cada CCDR terá um outro vice-presidente escolhido pelo conselho da região (exceto autarcas) e mais cinco nomeados pelo Governo para as áreas da educação, saúde, cultura, ambiente e agricultura, que reportam diretamente ao executivo nacional.

Governo investe mais de 180 ME até 2030 para intervir em rios
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O Pró-Rios foi hoje apresentado em Lisboa numa sessão presidida pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, que especificou que ao todo estarão afetos a obras em cursos de água 187 milhões de euros, o que dá uma média de 46 milhões de agora até 2029. Só para os rios e ribeiras do Algarve e Alentejo estão previstos 52,5 milhões de euros, disse Maria da Graça Carvalho, que pediu ambição e rapidez na apresentação e concretização dos projetos. Deverão ser intervencionados mil quilómetros de rios e ribeiras, em mais de 80 intervenções, segundo a estimativa hoje apresentada. O Pró-Rios pretende controlar e reduzir risco de inundações, reforçar a adaptação às alterações climáticas, melhorar o estado ecológico dos ecossistemas, recuperar a biodiversidade e habitats degradados e valorizar os territórios para uso das populações.

Cinemas tiveram em 2025 menor número de espectadores do século exceto pandemia
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De acordo com dados do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e do Instituto Nacional de Estatística, com exceção do período entre 2020 e 2022 devido à pandemia de covid-19, só em 1996 se encontra um valor mais baixo de espectadores de cinema em Portugal, de 10,4 milhões. No campo das receitas, o valor atingido no ano passado foi de 70,5 milhões de euros, uma redução de 3,9% em comparação a 2024. Segundo dados do ICA divulgados hoje, o filme mais visto do ano foi “Lilo e Stitch”, de Dean Fleischer Camp, por 667 mil espectadores, seguindo-se o filme de “Minecraft”, de Jared Hess, com 503 mil, e “Zootrópolis 2”, de Byron Howard e Jared Bush, com 428 mil. Em quarto lugar surge a única presença lusófona nos 10 filmes mais vistos em Portugal: o brasileiro “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, com 385 mil entradas. A produção portuguesa mais vista do ano foi “O Pátio da Saudade”, de Leonel Vieira, com 69 mil espectadores, do mesmo autor de “O Pátio das Cantigas”, de 2015, que contou com 608 mil.

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Segundo uma nota de imprensa enviada pela autarquia às redações, o apoio pretende assumir-se como um “estímulo à proatividade dos alunos do Ensino Básico”. Para esta edição foram acolhidas “18 candidaturas”. “Com o intuito de se desenvolverem competências empreendedoras, os alunos, com o acompanhamento dos seus professores, deverão, num primeiro momento, analisar o contexto em que estão inseridos (escola e/ou comunidade envolvente) na identificação de necessidades ou oportunidades. Com base nesse diagnóstico, alunos e professores são desafiados a apresentar ideias e a materializá-las em ações, através da conceção e implementação de projetos coletivos”, lê-se no comunicado.

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Numa nota de imprensa enviada às redações, a autarquia justifica a atribuição dos três espaços pela “dinamização da economia local”, bem como pela “ocupação das lojas existentes no Mercado Manuel Firmino”. A abertura de procedimento por hasta pública foi aprovada esta quinta-feira, 15 de janeiro, na reunião camarária privada da Câmara de Aveiro. Em comunicado, o Município esclarece que as bancas 3A e 3B serão destinadas ao “comércio a retalho de peixe, crustáceos e moluscos” e a bancaf2 “para venda a retalho de flores, plantas e fertilizantes”. A autarquia refere ainda que a hasta pública terá lugar no próximo dia 11 de fevereiro, pelas 10h30, na sala 5, do piso 2, no Centro de Congressos de Aveiro.

Aveiro: Grandes Opções do Plano registam taxa de execução abaixo dos “30%” até outubro de 2025
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Numa nota de imprensa enviada às redações, o Município dá nota que o Relatório “sintetiza a gestão financeira municipal num ano marcado pela realização de eleições autárquicas e pela consequente alteração do Executivo Municipal”. O documento com “carácter meramente informativo e provisório” resulta de um “fecho contabilístico não definitivo”, estando ainda sujeito a “ajustamentos decorrentes de operações de regularização e apuramentos finais, em particular ao nível dos registos patrimoniais”. No comunicado, a Câmara explica que o Município registou, até ao final do mês de outubro, uma “execução global da receita de 41,3%, correspondente a uma cobrança líquida de cerca de 80,3 milhões de euros”. “Considerando a incorporação do saldo de gerência de 2024, a execução da receita ascende a 61,05%, totalizando 113,9 milhões de euros arrecadados”, realça. Do lado da despesa, a autarquia aponta que a taxa de execução se situou nos “36.55%, o que corresponde a pagamentos na ordem dos 69,3 milhões de euros, num orçamento global de cerca de 186,6 milhões de euros”. “As despesas correntes apresentam uma execução de 53,8%, enquanto a despesa de capital atinge 20,1%”, continua. No que toca às GOP, a Câmara realça que teve uma execução de “27,6%”, com destaque para as atividades mais relevantes, “que apresentam uma taxa de execução próxima dos 50%”. “O saldo para a gerência seguinte aumentou em cerca de nove milhões de euros, fixando-se nos 44,6 milhões de euros”, sintetiza. Em termos patrimoniais, o Município de Aveiro atingiu cerca de “435 milhões de euros, mais 3,15% face a 2024, enquanto o Património Líquido cresceu 5,45%, alcançando os 348 milhões de euros”. A Câmara sublinha ainda que o resultado apurado até outubro de 2025 foi de “18.5 milhões de euros”, tendo-se mantido “positivo, apesar de uma redução face ao período homólogo do ano anterior”. Na reunião foi ainda aprovada a 21ª alteração ao Orçamento e às Grandes Opções do Plano de 2025, “no valor global de 1.215.500,00 euros”.

Museu Marítimo de Ílhavo conta atingir 1,5 milhões de visitantes este ano
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Museu Marítimo de Ílhavo conta atingir 1,5 milhões de visitantes este ano

O Museu terminou o ano de 2025 com uma contagem de cerca de 80 mil visitantes, mantendo o crescimento desde a reabertura, em outubro de 2001, após obras de ampliação e remodelação, refere uma nota de imprensa. A estrutura museológica integra atualmente o Navio-Museu Santo André, o Aquário de Bacalhaus e o Centro de Religiosidade Marítima, inaugurado em 2021. O Museu, que nasceu em 1937 com cariz etnográfico, foi depois transformado no seu discurso museológico, centrando-se na história da pesca do bacalhau no Atlântico Norte e nas tradições da ria de Aveiro. Desde a redefinição do seu conceito, o Museu Marítimo de Ílhavo passou de seis mil visitantes anuais para mais de 70 mil, tendo o recorde sido atingido em 2019, com a entrada de 88.903 pessoas. A sua missão consiste em preservar a memória do trabalho no mar e promover a cultura e a identidade marítima dos portugueses. Museu, Aquário e Investigação e os polos Centro de Religiosidade Marítima e Navio Museu Santo André resumem o atual museu, uma instituição dedicada a todas as comunidades costeiras. O Museu Marítimo apresenta-se como “testemunho da forte ligação dos Ílhavos ao mar e à ria de Aveiro e a pesca do bacalhau nos mares da Terra Nova e Gronelândia, as fainas da ria e a diáspora dos Ílhavos ao longo do litoral português são as suas principais referências patrimoniais”.