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Lucros da Brisa Concessão Rodoviária sobem 17,8% para 325,9 ME em 2024

A Brisa Concessão Rodoviária (BCR) registou, no ano passado, lucros de 325,9 milhões de euros, um aumento de 17,8% em relação ao período homólogo, adiantou em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Lucros da Brisa Concessão Rodoviária sobem 17,8% para 325,9 ME em 2024
Redação

Redação

08 mar 2025, 16:34

De acordo com a Brisa, o tráfego médio diário (TMD) durante o ano foi de 24.386 veículos por dia, “o que representa um aumento de 4,9% em comparação com o período homólogo”, sendo que “a circulação aumentou 5,2%, beneficiando do facto de 2024 ser um ano bissexto”.

De acordo com a BCR, “a análise do tráfego por tipo de veículo mostra uma evolução mais favorável dos veículos pesados face aos ligeiros”, destacando que o “crescimento do TMD registado nos veículos pesados foi de 5,7% e nos veículos ligeiros de 4,8%”. Ainda assim, os veículos ligeiros representaram 93,7% do total do tráfego.

No final do ano, os rendimentos operacionais da BCR totalizaram 843,4 milhões de euros, “um acréscimo de 7,4% face ao período homólogo”, com as receitas de portagem a atingir os 806,5 milhões de euros, mas 7,6% em relação a 2023.

Já as receitas relacionadas com as áreas de serviço atingiram os 30,6 milhões de euros, uma subida de 4,7%.

Segundo a BCR, o resultado operacional (EBITDA) no final de 2024 foi de 689,9 milhões de euros, “o que representa um acréscimo de 8,9% face ao período anterior”.

A BCR realçou ainda que os gastos operacionais, excluindo amortizações, depreciações, ajustamentos e provisões, atingiram os 153,4 milhões de euros em 2024, registando-se um aumento de 1,2% face ao período homólogo.

No ano passado, o investimento (capex) na rede concessionada totalizou 61,8 milhões de euros, “em linha com o valor do período homólogo”, indicou, acrescentando que este montante inclui 40,3 milhões de euros “referentes a grandes reparações, maioritariamente relacionadas com trabalhos de pavimentação na A1, A2, A3 e A6, mas também com intervenções em viadutos e outras estruturas, com destaque para a reabilitação de viadutos na A1 e A3. Foram ainda realizados trabalhos de estabilização de taludes e estruturas de contenção inseridos na A1”, referiu.

Em 31 de dezembro de 2024, a dívida bruta da BCR era de 1.384 milhões de euros. Segundo a BCR, “cerca de 59% da dívida está sujeita ao regime de taxa de juro fixa e cerca de 41% ao regime de taxa de juro variável”.

A concessionária revelou ainda que “em 2024, o número de vítimas mortais em acidentes rodoviários na rede BCR caiu 56,3% face a 2019, ano de referência para esta década (14 em 2024 vs. 32 em 2019)” e que “o número de feridos graves diminuiu 40,2% face ao mesmo ano (61 em 2024 vs. 102 em 2019)”.

A empresa revelou que “o número de mulheres no conselho de administração da BCR subiu para 33,3%, sendo ainda de salientar, no pilar da governança, que, do total de administradores, 25% são independentes”.

Poroutro lado, “o número de mulheres em cargos de liderança fixou-se nos 33% em 2024, sendo objetivo da BCR chegar a 39% até 2029”, indicou.

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Mau tempo: Cerca de 2.600 ocorrências no continente devido à passagem da depressão Kristin
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Mau tempo: Cerca de 2.600 ocorrências no continente devido à passagem da depressão Kristin

A passagem da depressão Kristin causou hoje cerca de 2.600 ocorrências no continente, sobretudo queda de árvores e de estruturas e inundações, afetando principalmente os distritos de Leiria, Coimbra, Lisboa e Santarém, disse a Proteção Civil. Segundo Daniela Fraga, adjunta do Comando de operações nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), tratou-se de um fenómeno extremo, com muitas ocorrências em simultâneo, com cerca de 2.600 registos entre as 00:00 e as 10:30. A responsável, que falava aos jornalistas na sede da ANEPC, no concelho de Oeiras, acrescentou que os operacionais estão no terreno desde o início da noite, mas admitiu que “vai ser difícil repor a normalidade”. “Neste momento existem muitos constrangimentos, nomeadamente no que diz respeito às comunicações, às vias de circulação, à distribuição de rede elétrica. Existem muitas árvores caídas a impedir a circulação rodoviária. Existe muita queda de estruturas e também, neste caso, a poder obstruir a circulação rodoviária e os diferentes acessos”, afirmou. A passagem da depressão causou duas mortes, uma das quais devido à queda de uma árvore em cima de um veículo em Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa, e a segunda em Monte Real, em Leiria, devido à queda de uma estrutura. As sub-regiões mais afetadas até ao momento são Leiria, Coimbra, Lisboa, Península de Setúbal, Oeste, Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Aveiro. Foram ativados o plano distrital de Coimbra e foram ativados os planos municipais de Coimbra, Mira, Tomar, Ourém, Ferreira do Zêzere, Lourinhã, Alcobaça, Nazaré, Óbidos, Proença-a-Nova, Castelo Branco e Sertã. A Proteção Civil vai manter-se em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, até hoje à tarde, podendo ser prolongado consoante avaliação das condições.

Mau tempo: 1.700 clientes sem energia elétrica às 16h00
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Mau tempo: 1.700 clientes sem energia elétrica às 16h00

De acordo com informação enviada pela E-Redes à agência Lusa, Bragança, Leiria e Portalegre são os distritos mais pressionados. No balanço anterior, feito às 11:30, dez mil clientes estavam sem eletricidade, a maioria nas regiões centro e norte litoral. A E-Redes, empresa do grupo EDP que opera as redes de distribuição de energia em Portugal continental, informa que tem 400 operacionais no terreno e que reforçou “todas as equipas” para enfrentar “eventuais agravamentos no impacto na rede de distribuição”. Hoje, em conferência de imprensa, a Proteção Civil alertou para o impacto que a passagem de uma nova depressão, Kristin, poderá ter nas redes de distribuição, tendo sugerido que fornecedores e distribuidoras reforcem os operacionais e elevem o seu estado de prontidão. O presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Cívil, José Manuel Moura, antecipa que a passagem da nova depressão “vai afetar sobretudo a vulnerabilidade das redes” de transportes, elétrica, etc., apelando à população que garanta “adequada fixação de estruturas soltas”. A depressão Kristin passará por Portugal na próxima madrugada, com maior impacto entre as três e as seis da manhã, acompanhada de vento muito intenso, podendo as rajadas atingir os 140 quilómetros por hora. A Proteção Civil decidiu elevar o estado de prontidão especial para nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, para fazer face à nova depressão meteorológica que atravessará Portugal na próxima madrugada. O distrito de Coimbra, até Aveiro, a norte, e até Leiria, a sul, será a zona de maior risco à passagem de Kristin, que sucede à depressão Joseph e que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) qualificou como “ciclogénese explosiva”, termo utilizado para depressões de forte intensidade, tanto em vento como em chuva. Em contacto com terra, a ciclogénese explosiva “tem um potencial de estrago, de dano muito significativo, num curto espaço de tempo”, alertou José Manuel Moura. O estado de prontidão de nível 4 mobiliza os dispositivos de resposta até 100%, “num prazo de 12 horas”, adiantou, reconhecendo que aguardam um “fenómeno complexo” e “com potencial destrutivo muito significativo”.

Frio traz novo recorde no consumo diário de energia
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Frio traz novo recorde no consumo diário de energia

Na sexta-feira passada, dia 23, registou-se um consumo diário de 198,1 GWh (gigawatt-hora), um novo máximo, segundo revelou hoje a REN em comunicado, recordando que "ao longo do mês de janeiro foram-se estabelecendo novos máximos no consumo diário de energia no sistema elétrico nacional, superando o máximo de anos anteriores". O primeiro recorde registou-se no dia 06 de janeiro, com 186,2 GWh, sendo que o máximo anterior era de janeiro de 2021, depois em 07 e 08 de janeiro (188,1 GWh e 192,4 GWh), mais tarde no dia 20 (com 193,9 GWh), no dia 22 (com 195,5 GWh) e finalmente na passada sexta-feira. A REN adianta que também a potência máxima solicitada ao sistema elétrico nacional registou novos máximos, no dia 06 e subindo no dia 20 de janeiro às 19:45 para 10254 MW (megawatt). No acumulado do mês de janeiro, de 01 a 25, o consumo de energia elétrica subiu 8,5% face ao mesmo período homologo do ano anterior. A semana passada foi marcada pela passagem da depressão Ingrid e Portugal continental começou esta segunda-feira a sentir os efeitos da depressão Joseph, com chuva, neve, vento e agitação marítima no Minho e Douro Litoral, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Mau tempo: Mais de 20 estradas nacionais e municipais fechadas
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Mau tempo: Mais de 20 estradas nacionais e municipais fechadas

Segundo dados enviados à agência Lusa pela GNR, estão interditadas ao trânsito a Estrada Nacional (EN) 9-1 (Estrada da Lagoa Azul) no Linhó, concelho de Sintra, EN 10 Torres do Mondego, em Coimbra, EN 262 em São Romão do Sado, em Setúbal, e EN 365 na Golegã, em Santarém. Estão também suspensas à circulação a EN 3-2 em Valada, no Vale de Santarém, EN 8-2 em Casal Lourim, na Lourinhã, EN 205-1, em Rio Tinto, em Braga, e EN 301 em Argela, em Viana do Castelo, e EN 358-2 em Constância, no distrito de Santarém. De acordo com a GNR, estão igualmente fechadas vias na Serra da Estrela, a Nacional 102, ao quilómetro (km) 53,4, em Torre de Moncorvo (Bragança), EN 316 ao quilómetro 37, em Macedo de Cavaleiros (Bragança), a Estrada Municipal (EM) 511 em Merujal (Arouca), EM 1227 Noninha em Arouca, ER 326 em Cando, ER 311, Rio Douro, Cabeceiras de Basto e Várzea (Braga). Estão ainda fechadas a EM 1133, Estrada de Santo António, em Riba de Mouro (Viana do Castelo), EN 110 km 4,8 entre Penacova e Coimbra, EM 1416 em Moradias, Pampilhosa da Serra, EM 547 em Alto do Fajão, Vila Pouca de Aguiar (Vila Real), EN 344 em Castanheira da Serra (Coimbra), EM 1355 em Covanca, em Pampilhosa da Serra, EN 236 em Casal Novo (Coimbra), e EM 1374 em Barrica Grande-Portela de Unhais (Covilhã). A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou quase 100 ocorrências entre as 00:00 e as 06:30 relacionadas com o mau tempo por causa da depressão Joseph, a maioria quedas de árvore e inundações. De acordo com informação disponível no ‘site’ da ANEPC, às 06:30, as zonas mais afetadas foram a Área Metropolitana do Porto, Alto Minho, Região de Aveiro, Coimbra, Leiria, Oeste e Grande Lisboa. A maioria das ocorrências deveu-se a quedas de árvores, inundações de estruturas ou superfícies por precipitação intensa, limpezas de via, queda de estruturas e movimentos de massa.

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Jovem detido em Estarreja por pornografia de menores
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Jovem detido em Estarreja por pornografia de menores

Em comunicado, a PJ esclareceu que o suspeito, estudante, foi detido por "fortes indícios da prática do crime de pornografia de menores". Segundo a Judiciária, o jovem obtinha e partilhava na Internet ficheiros multimédia (vídeo e imagem) nos quais surgem crianças, algumas de tenra idade, em práticas sexuais explícitas com adultos. "Os referidos ficheiros eram obtidos e partilhados através de grupos criados em aplicações de troca de mensagens e ficheiros, prática que o suspeito exercia com elevada frequência", refere a mesma nota. Na sequência da busca domiciliária realizada na casa do suspeito, numa das freguesias da periferia do concelho de Estarreja, foram apreendidos, para além do telemóvel e computador portátil utilizados na atividade delituosa, ficheiros multimédia de pornografia de menores. A PJ refere ainda que o detido será presente às autoridades judiciárias da Comarca de Aveiro para lhe serem aplicadas as devidas medidas de coação.

Mau tempo: UA não sofre danos graves e mantêm-se apenas alguns problemas de energia
Universidade

Mau tempo: UA não sofre danos graves e mantêm-se apenas alguns problemas de energia

Em declarações à Ria, Mário Pelaio confirmou que não houve danos maiores, esta madrugada, registando-se apenas “algumas quedas de árvores, alguns problemas no Jardim da Ciência e nos estaleiros”. O administrador da UA adiantou ainda que ontem, durante a tarde, a instituição registou algumas falhas de energia em alguns espaços como no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT), na Biblioteca, no Departamento de Matemática (DMat) e nos Serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (STIC). Segundo o responsável, o corte de energia deveu-se a problemas com o “porto de transformação”. Apesar desta interrupção, Mário Pelaio assegurou que, esta quarta-feira, o fornecimento de eletricidade está a ser garantido em todos os espaços anteriormente referidos, através do recurso a um gerador. A resolução definitiva do problema deverá ocorrer ainda “hoje”. O administrador adiantou também que, no âmbito dessa intervenção, poderá verificar-se um novo corte momentâneo durante a tarde. Recorde-se que, face à previsão de agravamento significativo do estado do tempo para a passada madrugada, o Município colocou uma equipa da Polícia Municipal no terreno, em permanência durante toda a noite, “para verificação, avaliação e atuação das condições nos pontos mais críticos do concelho”.  

IA na UA: Reitoria quer integração contra desejo de proibir, mas alunos criticam falta de preparação
Universidade

IA na UA: Reitoria quer integração contra desejo de proibir, mas alunos criticam falta de preparação

A discussão foi desencadeada pelo “Manifesto contra o uso da ‘inteligência’ artificial generativa”, subscrito por 28 professores de instituições de Ensino Superior de Norte a Sul do país. Conforme noticiado pela Ria, os docentes querem “promover a humanização do Ensino Superior e banir o uso da Inteligência Artificial Generativa (IA) nos processos de ensino-aprendizagem”. Entre as quase três dezenas de docentes subscritores do documento está Miguel Viegas, do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) da UA. À Ria, o professor fala num “grito de alerta” e esclarece que a ideia não é eliminar a inteligência artificial do seio das instituições, até porque é algo que considera “absurdo” e “impossível”, mas sim do próprio processo de aprendizagem. “Isto tem a ver com o estímulo de determinadas partes do cérebro que depois são fundamentais para garantir o processo de aprendizagem, mas também para garantir a tal capacidade do cérebro de raciocínio que depois o aluno leva para a sua vida profissional. Portanto, é mais na questão do processo de aprendizagem do que banir uma ferramenta de forma universal, coisa que não fazia sentido”, refletiu.  Da mesma forma, o docente, pegando no exemplo da programação informática, explica que “é fundamental que numa primeira fase (…), haja um espaço na aula em que o aluno seja obrigado (…) a escrever o código, passo por passo, para que ele entenda a lógica intrínseca da programação. (…) É este passo que não podemos eliminar”. Para já, Miguel Viegas entende que o objetivo inicial do manifesto “está cumprido”, uma vez que já foi suscitada a discussão sobre o tema. Pela forma como a questão tem motivado a atenção da comunicação social e de algumas figuras públicas, o docente acredita que foi possível chamar a atenção para a questão e “interpelar as pessoas”. “Estou em diálogo com o Luís Aguiar-Conraria, que escreveu uma crónica no Expresso e que pegou nesta questão. Enviei-lhe um mail a responder (…) e já estamos a convergir”, adiantou.  Quem também já reagiu foi Paulo Jorge Ferreira, reitor da Universidade de Aveiro, e Joana Regadas, presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), que abordaram a questão na passada sexta-feira, dia 23, na sessão de tomada de posse dos novos órgãos sociais da AAUAv. Para a dirigente estudantil, “é com alguma estranheza” que vê que as instituições de Ensino Superior sejam “um dos meios com mais receio dos avanços tecnológicos”. “As universidades devem ser espaços de promoção de inovação, não espaços com receio de mudanças”, defendeu. Por seu lado, Paulo Jorge Ferreira considerou que, “se a sociedade usa certas ferramentas, é nosso dever e obrigação facultar aos nossos estudantes acesso e conhecimento acerca dessas ferramentas” e frisou que este tipo de pensamento “nunca vingará” na Universidade de Aveiro. Tal como avançado pelo Notícias UA, desde o início do ano, a Universidade de Aveiro está a disponibilizar “à sua comunidade o acesso gratuito a serviços de inteligência artificial através da plataforma IAEdu, no âmbito de uma parceria com a FCCN”. A ação destina-se a “estudantes, docentes, investigadores e pessoal técnico, administrativo e de gestão”. Às declarações do reitor, Miguel Viegas responde que o pensamento “vinga” na instituição, uma vez que o próprio pensa assim e trabalha na UA. Para o docente, a existência do contraditório é positiva, embora seja necessária “uma síntese (…), uma fórmula integradora que, no fundo, possa integrar um conjunto de preocupações que não podemos ignorar”. Ao defender que o “aspeto disruptivo” da inteligência artificial vai alterar o paradigma da sala de aula e que isso merece uma reflexão, o professor aponta que se avizinham vários perigos para além da não capacitação dos alunos. “Ao pedir ao ChatGPT para me fazer uma pequena revisão, corrigir o português, traduzir o inglês… este conteúdo deixa de ser meu. (…) Eu estou, de forma inocente, a colocar conhecimento produzido por mim, que depois poderá (…) ser reproduzido por outras pessoas noutros contextos”, acrescentou.  No mesmo sentido, Miguel Viegas alerta que “se abraçarmos de forma acrítica esta onda avassaladora que aí vem, corremos o risco de ficar reféns de interesses que estão muito acima de nós. (…) Estamos a falar de uma tecnologia que é controlada por meia dúzia de empresas e que, no fundo, se não tivermos cautela (…), pode levar para coisas extremamente delicadas e perigosas”. Outro risco assumido pelo docente prende-se com os impactos ambientais da IA, dada a “pegada ecológica que representa”. A recusa do manifesto por parte do reitor foi também abraçada por Sandra Soares, vice-reitora responsável pelas matérias atinentes ao ensino e formação na UA, que diz que a postura é “absolutamente transversal” a toda a Universidade. “A proibição não nos parece ser o caminho razoável quando a IA já está integrada nas mais diversas plataformas ou aplicações. Para além de que sabemos que é usada no contexto de trabalho e é nossa obrigação enquanto instituição preparar os estudantes para esses contextos”, refletiu.  Segundo explica, desde 2019 que tem sido desenhada uma estratégia no seio da instituição no sentido de apoiar os professores nas transformações tecnológicas do ensino. No contexto da inteligência artificial, a responsável destaca que, no passado mês de dezembro, foi lançada a AcademIA, “um programa que tem uma série de ações (…), dedicado a apoiar os docentes, a transformar as suas práticas, usando a IA para um uso ético e responsável e para uma perspetiva não mecânica de uso”. No mesmo sentido, sublinha que existe uma “comunidade prática IA, em que docentes de diversas áreas partilham recursos e reflexões sobre o uso da inteligência artificial nas suas práticas pedagógicas”. Além dos “inúmeros programas de desenvolvimento pedagógico” que, diz Sandra Soares, a UA tem desenvolvido, as preocupações dos docentes não se esgotam na forma como lecionam e passam também por adaptar as avaliações às novas tecnologias. Conforme aponta, “o relevante não é introduzir IA apenas, mas reconfigurar competências através de práticas ricas em interpretação, comparação”. “Os docentes não podem ficar sossegados no conforto das suas práticas de sempre, precisam de conhecer e saber como usar [IA] da melhor forma”, atentou a vice-reitora. Por seu lado, o professor Miguel Viegas considera que a formação que tem sido dada aos docentes da Universidade de Aveiro “é mais na ótica do utilizador”. “Nós vamos assistindo a formações que nos ajudam a perceber como é que esta ferramenta trabalha e como é a outra ferramenta, mas, relativamente aos riscos, e, sobretudo, relativamente às cautelas que é necessário ter, eu acho que ainda há muito trabalho a fazer”, acrescentou. Não obstante, o professor nota que a UA tem procurado constituir um comité para redigir um código de conduta sobre esta matéria, pelo que reconhece que a instituição “está atenta a este problema”. Sandra Soares “lamenta” as críticas do professor do DCSPT e nota que, nas várias formações que têm sido dadas, “nunca as questões de natureza ética e uso responsável não foram a tónica”. Seguindo a mesma lógica, a vice-reitora argumenta que os objetivos do programa AcademIA estão focados na reflexão crítica, no uso ético e pedagógico das ferramentas em causa. “No contexto do Conselho Nacional de Inovação Pedagógica - que integro e onde tenho a oportunidade de coordenar o grupo de IA na Educação - estamos a finalizar um diagnóstico relativamente a estas questões para depois fazer sugestões à tutela. Desse diagnóstico percebemos que o que mais maduro está [no Ensino Superior global] é a dimensão do uso ético e responsável”, nota a professora. No Campus da Universidade, os estudantes que falaram com a Ria não reconhecem o esforço da UA para a formação do corpo docente no uso da IA. É o que diz Vasco Mil-Homens, estudante da Licenciatura em Biologia na Universidade de Aveiro, que diz que, do lado dos professores, “não há incentivo, não explicam como é que podia ser utilizada [a IA]” e “podia haver mais” preocupação com as questões éticas em torno da tecnologia. A frequentar a mesma licenciatura, Lua Feliciano relata que já houve uma professora que, em duas cadeiras diferentes, procurou dar tarefas que envolvam a Inteligência Artificial e, por isso, admite que já há quem tente ensinar “a usar a IA não como resposta, mas como ajuda”. Não obstante, a maioria dos docentes tenta “oprimir ao máximo” o uso das ferramentas em contexto de sala de aula e tenta esconder as suas potencialidades. “Parece um tabu. (…) Se não falarem, parece que nós não as estamos a usar. (…)  [Dentro da sala de aula] não é tema”, reflete. Recém-chegado à Universidade de Aveiro, João Ferreira, da licenciatura em Engenharia Mecânica, conta também que não tem sido instruído sobre a utilização de IA ao longo do primeiro semestre. Embora explique que é algo que todos usam e que já é tido como “mais uma ferramenta que está na mochila quando vamos para as aulas”, o estudante não vê que esta seja uma preocupação dos professores, que continuam a usar “os mesmos powerpoints de há cinco anos”. O aluno do Departamento de Engenharia Mecânica afirma que só uma professora tem incentivado o uso de Inteligência Artificial, mas sem uma orientação para que tipo de ferramentas usar em cada circunstância. Ainda sem ter visto docentes a orientar para a utilização das ferramentas, João Ferreira “espera” que seja algo que aconteça ao longo do curso. Em Engenharia Computacional, Miguel Vicente admite que já começa a haver alguma abertura da parte dos professores para as novas tecnologias. Segundo afirma, é dito que a IA é “importante”, embora “sem abusar”, e que deve ser feita sempre ser feita referência à utilização. No entanto, o estudante também diz que os professores “não ensinam” como recorrer à Inteligência Artificial e que a componente ética “ainda não foi muito incutida”.  

Mau tempo: Cerca de 2.600 ocorrências no continente devido à passagem da depressão Kristin
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Mau tempo: Cerca de 2.600 ocorrências no continente devido à passagem da depressão Kristin

A passagem da depressão Kristin causou hoje cerca de 2.600 ocorrências no continente, sobretudo queda de árvores e de estruturas e inundações, afetando principalmente os distritos de Leiria, Coimbra, Lisboa e Santarém, disse a Proteção Civil. Segundo Daniela Fraga, adjunta do Comando de operações nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), tratou-se de um fenómeno extremo, com muitas ocorrências em simultâneo, com cerca de 2.600 registos entre as 00:00 e as 10:30. A responsável, que falava aos jornalistas na sede da ANEPC, no concelho de Oeiras, acrescentou que os operacionais estão no terreno desde o início da noite, mas admitiu que “vai ser difícil repor a normalidade”. “Neste momento existem muitos constrangimentos, nomeadamente no que diz respeito às comunicações, às vias de circulação, à distribuição de rede elétrica. Existem muitas árvores caídas a impedir a circulação rodoviária. Existe muita queda de estruturas e também, neste caso, a poder obstruir a circulação rodoviária e os diferentes acessos”, afirmou. A passagem da depressão causou duas mortes, uma das quais devido à queda de uma árvore em cima de um veículo em Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa, e a segunda em Monte Real, em Leiria, devido à queda de uma estrutura. As sub-regiões mais afetadas até ao momento são Leiria, Coimbra, Lisboa, Península de Setúbal, Oeste, Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Aveiro. Foram ativados o plano distrital de Coimbra e foram ativados os planos municipais de Coimbra, Mira, Tomar, Ourém, Ferreira do Zêzere, Lourinhã, Alcobaça, Nazaré, Óbidos, Proença-a-Nova, Castelo Branco e Sertã. A Proteção Civil vai manter-se em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, até hoje à tarde, podendo ser prolongado consoante avaliação das condições.