Yazaki Saltano avança com despedimento coletivo de 163 trabalhadores em Ovar
A Yazaki Saltano vai despedir 163 trabalhadores na fábrica de Ovar, após ter dispensado mais de 300 em meados de 2025, tendo comunicado a decisão aos visados na quinta-feira, com efeitos imediatos, disse hoje à Lusa fonte sindical.
Redação
Últimas
“Ontem [quinta-feira] chamaram os trabalhadores, comunicaram que iam avançar com o despedimento coletivo e já os dispensaram de se apresentarem ao trabalho hoje”, disse à agência Lusa Justino Pereira, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente (Site) - Centro Norte.
De acordo com o dirigente sindical, a justificação avançada pela multinacional – que produz cablagens e sistemas elétricos e eletrónicos para as grandes marcas europeias – “não foge muito às alegações feitas no ano passado”, nomeadamente a aposta num maior desenvolvimento tecnológico, na robótica e na inteligência artificial.
“Depois, como é evidente, colocam aqui também a questão de que desde a [pandemia de] Covid a recuperação a nível global foi mais lenta do que era expectável, do peso que agora tem a China no setor automóvel e dos custos com os salários, porque em Portugal ganhamos muito”, ironizou.
Segundo Justino Pereira, o facto é que, dos 163 trabalhadores abrangidos pelo despedimento coletivo, “só sete é que são de áreas especializadas, o resto é tudo produção, manutenção, logística ou qualidade”, ou seja, “trabalhadores que têm os salários mais baixos, que ganham 3% ou 4% acima da tabela, quando há quadros superiores e administrativos que ganham 200% e 300% acima”.
Lembrando que em meados do ano passado a Yazaki Saltano tinha já despedido 304 trabalhadores em Ovar, o dirigente do Site-Centro Norte contrapõe que, “nos últimos 10 anos, a empresa teve lucros líquidos para cima de 60 milhões de euros, numa média de seis milhões por ano”.
Neste contexto, o sindicato diz já contactado os ministérios do Trabalho e da Economia, defendendo que “é preciso colocar mãos a isto” e lamentando que, no ano passado, a posição do Governo tenha sido “simplesmente de que isto está nas mãos da DGERT [Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho], que vai lá mediar a negociação”.
“Mais do que mediar, entendemos que é preciso também fiscalizar estes processos, analisar a fundamentação económica e tudo isso”, sustenta o dirigente sindical, contrariando o argumento de que “o trabalhador depois pode reclamar para o tribunal”: "Qual é a capacidade que um trabalhador individualmente, ou mesmo o sindicato, têm de chegar a informação que possa contradizer aquilo que a empresa justifica?”, questiona.
Para Justino Pereira, se "o primeiro-ministro diz que neste país é preciso alterar a legislação laboral porque é muito rígida e é difícil despedir", o caso da Yazaki Saltano é "a prova de que isso não é verdade".
Últimas
Recomendações
Santa Maria da Feira vai instalar videovigilância em locais prioritários do centro da cidade
Santa Maria da Feira vai ter videovigilância nas entradas da cidade e em pontos prioritários do centro histórico, anunciou, esta quarta-feira, a autarquia, que coordenará a instalação e funcionamento do sistema com a PSP, segundo a agência Lusa.
Estudo a 15.000 doentes propõe vacina contra vírus sincicial para evitar morte de idosos
Segundo a agência Lusa, uma investigação envolvendo 15.000 utentes hospitalizados em Santa Maria da Feira recomenda a vacinação obrigatória de maiores de 60 anos contra o Vírus Sincicial Respiratório, após concluir que um em cada cinco doentes com essa patologia morreu no internamento.
Oliveira de Azeméis vai renovar espaços desportivos de duas escolas em 90 dias
Os polidesportivos exteriores de duas escolas de Fajões e Cucujães vão ser requalificados em 90 dias, anunciou, esta sexta-feira, a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, que investirá para o efeito mais de 209.000 euros, segundo a agência Lusa.
Movimento Cívico pela Linha do Vouga diz que estudo força escolha entre “mau e pior”
O Movimento Cívico pela Linha do Vouga defendeu, esta quinta-feira, que o estudo para modernização dessa linha férrea do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto só considera más alternativas, para forçar a escolha entre “mau e pior”, de acordo com a agência Lusa.