Filas na Cantina de Santiago chegam a uma hora de tempo de espera e preços vão aumentar
O campus da Universidade de Aveiro (UA), em Aveiro, conta com dois espaços de serviço de refeição social: a Cantina de Santiago e a Cantina do Crasto. Nestas duas unidades alimentares geridas pelos Serviços de Ação Social da Universidade de Aveiro (SASUA), o preço praticado na refeição social é de 2,65 euros para estudantes. Na segunda semana de aulas, a cantina mais central - a de Santiago - registou uma fila com tempo de espera de cerca de uma hora, o tempo que a maioria dos estudantes da academia aveirense possuem para almoçar, segundo os mesmos.
Ana Patrícia Novo
JornalistaFaltam dez minutos para as 13h00. A Ria decide juntar-se aos estudantes que estavam na fila para a cantina, na Zona Técnica Central [Catacumbas]. Somos, por breves instantes, os últimos na fila. A chuva vai caindo e os estudantes vão chegando. Júlia Ferreira e Tânia Costa frequentam o segundo ano do curso de Administração Pública e são duas dessas estudantes. “É uma situação recorrente”, refere Júlia. “É sempre assim. A esta hora a fila está sempre assim e, às vezes, até chega a dar ali a volta e temos que nos enrolar naquele canto”, descreve Tânia. A situação, garantem, é “normal” e até “calma”, em comparação com outras situações já vividas.
A Ria foi falar com os SASUA que garantem que estão a par da situação. João Ribeiro, o diretor delegado destes serviços, afirma mesmo que o problema “já é recorrente e antigo”. As cantinas recebem, neste momento, números “superiores a 1000 estudantes à hora do almoço” e “cerca de 500 à hora de jantar”, afirma o diretor. A tendência, assume, é que os números venham a aumentar.
Como causas para o problema, João Ribeiro refere que os SASUA estão “limitados pelos recursos” e “pela antiguidade do edifício”. A Cantina de Santiago está “dimensionada para 800 refeições por hora”, revela João Ribeiro. “Se nós tivermos 2500 alunos a virem, entre as 13h00 e as 14h00, é impossível [evitar a fila]”, lamenta o diretor delegado.
A solução passa então por escoar os estudantes. O alargamento do horário de funcionamento das cantinas, bem como a alteração dos horários das aulas dos estudantes, para prevenir os fluxos, foram então algumas das soluções encontradas e já implementadas. Segundo João Ribeiro, essas alterações já foram introduzidas, em articulação com a reitoria, mas levaram a um novo desafio a ser superado. “Foi um grande esforço, em termos de articulação de todo o processo de preparação das refeições, para conseguirmos abrir mais cedo”, desabafa o diretor delegado. A cantina passou então a abrir mais cedo, às 11h45, e a fechar às 14h30. Isso, explica, “criou um problema que também já resolvemos”: o descanso dos operacionais.
Wilson Carmo, presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) reconhece também que a “redução de staff” é problemática. “Mas isso para os estudantes [que estão na fila] não importa”, refere o dirigente associativo. Apesar de expressar compreensão pela falta de operacionais, sublinha que “a UA tem de garantir que os estudantes conseguem aceder à refeição social na sua hora de almoço”.
Na fila, as estudantes de Administração Pública alertam ainda para um outro problema: o não funcionamento – ou o mau funcionamento – das máquinas para carregar os cartões. “Muitas vezes temos de pagar a refeição normal, sem ser ao preço de estudante, porque não temos o cartão carregado, o que não faz sentido nenhum: a culpa não é nossa de as máquinas não estarem a funcionar”, refere Júlia Ferreira.
“O Crasto é a solução”
A Cantina de Santiago, mais central no campus, atrai para si a maioria dos estudantes. “Eu não vou lá à cantina [do Crasto] porque fico na biblioteca e dá-me mais jeito ficar aqui nesta cantina” referem as companheiras de fila do mesmo curso. “Até porque temos aulas aqui no departamento 12”, concluem.
João Ribeiro alerta que com a Cantina do Crasto “o serviço está duplicado” O edifício não tão central tem capacidade para servir “mil e tal” refeições por hora. “Estamos a falar de outra dimensão” diz. “O Crasto é a solução. O Crasto evita isto [as filas]”, refere o diretor.
“A nossa função é avaliar continuamente e tentar encontrar soluções para que se resolva este problema. Já o fizemos no passado, temos um novo problema, vamos tentar implementar novas”, começa por dizer João Ribeiro. O diretor refere-se às bicicletas que estão disponíveis à comunidade académica. O objetivo é atrair os estudantes à Cantina do Crasto através da diminuição do tempo de viagem. João Ribeiro adianta que, por enquanto, há cinco bicicletas disponíveis. A curto prazo o objetivo é “disponibilizar mais”. Já a médio e longo prazo o diretor acredita que a solução pensada “vai criar uma coisa: provavelmente o hábito das pessoas irem ao Crasto”.
Dinis Sampaio, estudante do primeiro ano da licenciatura de Engenharia Aeroespacial, chegou recentemente à academia aveirense. Para ele ir ao Crasto é uma opção “num dia normal, se a fila estiver grande”. “Principalmente se for de bicicleta - não demoro muito”, salienta. Nos dias de chuva, no entanto, admite, que a Cantina do Crasto “até poderia ter uma fila menor”, mas a ideia de “enfrentar o tempo de chuva, ficar todo ensopado para ir comer e voltar” não é algo que esteja disposto a enfrentar.
O presidente da AAUAv acredita também que a solução das bicicletas é “uma medida interessante”. Contudo, alerta que é uma medida que apenas “faz sentido na teoria, porque na prática não será suficiente o número de bicicletas que estamos a falar”. “Há cinco estudantes que podem ir e voltar de forma mais célere, mas são só cinco de cada vez”, refere.
Wilson Carmo aponta outras soluções para a diminuição do tempo da fila de espera na cantina. Refere já ter sugerido “mais agilidade das linhas, nomeadamente com a colocação de mais caixas de pagamento, de forma a acelerar o fluxo das pessoas”. Outras das medidas que sugere é a “preparação prévia dos tabuleiros”, evitando “o tempo que os estudantes demoram a pegar no tabuleiro, na proteção do tabuleiro, nos talheres, nos guardanapos, etc”. “Sei que estamos a falar de pequenos segundos, mas quando falamos em centenas de refeições servidas é muito tempo de espera”, conclui.
Aumento do preço da refeição social está em cima da mesa
O preço da refeição social na UA, apesar de fixada atualmente a 2,65 euros, vai sofrer alterações. O diretor delegado dos SASUA assume que está previsto um aumento de 15 cêntimos. O novo valor de 2,80 euros, assume, deveria ter entrado em vigor no início deste ano letivo. João Ribeiro justifica que a medida se deve, “ao valor da inflação”.
A medida foi contestada pela direção da AAUAv. “Fomos contra”, refere Wilson Carmo. “Estes 15 cêntimos por refeição, tendo em conta o número das refeições totais servidas, resultará num aumento das receitas dos SASUA, claro que sim, mas não terá um impacto tão significativo que justifique esta alteração do preço”, argumenta. O presidente assume, contudo, que quando confrontados com a votação, em reunião do Conselho de Ação Social, e apercebendo-se de que não conseguiriam travar o aumento, decidiram criar uma salvaguarda. “Fizemos uma proposta de haver um prato simples que componha então o prato (a proteína, os hidratos e a salada) e o pão”, refere. Esta refeição, mais simples, teria o custo de 2,20 euros e, na sua visão, é uma medida que se justifica porque “há muitos estudantes que optam, muitas vezes, por não terem uma sopa ou por não terem uma sobremesa ou os dois e, portanto, têm aqui a oportunidade, se quiserem, de ter uma refeição mais barata”. “Não é completo, como a refeição com a sopa e sobremesa”, admite, “mas é uma solução para que os estudantes tenham sempre, pelo menos, a possibilidade de ter uma refeição ao almoço e ao jantar, contornando o aumento dos preços”.
Com ou sem aumento do preço da refeição social, as filas continuam a crescer. O tempo vai passando e são vários os estudantes que desistem de ficar na fila da cantina. Passeiam pelo campus com sandes de panado na mão. “Se voltarmos daqui a uma hora isto está vazio, mas temos que ir para as aulas”, vai-se ouvindo.
Recomendações
GrETUA lança podcast e abre livraria a conversa sobre jogos e literatura
Nesta edição, a conversa parte do mote do quadrimestre para explorar o tema do jogo. Em debate estarão tanto o jogo na literatura como os jogos enquanto objeto de leitura artística e cultural. A proposta passa por refletir sobre este ritual lúdico que acompanha a humanidade desde sempre, questionando o significado dos seus mecanismos na contemporaneidade, sem ignorar as possibilidades criativas abertas pelos videojogos e por novas formas de jogo. Os convidados desta sessão são João Paulo Guimarães, doutorado pela Universidade de Buffalo e investigador nas áreas da poesia experimental e da literatura comparada, e Inês Cardoso, investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa e membro do conselho editorial da revista Skhema. A moderação estará a cargo de David Calão e Vítor Alves Silva. A conversa nasce do armário-livraria dinamizado pelo GrETUA em parceria com a Livraria Snob. Para cada edição é preparado um pequeno lote de livros dedicado ao tema em destaque, estando a partir deste domingo disponível uma seleção dedicada ao jogo nas suas múltiplas ramificações. Esta é a segunda sessão do ciclo “Fora do Armário”, que ficará igualmente disponível em podcast. O primeiro episódio, já publicado, foi dedicado à figura do flâneur e à deambulação, contando com a participação de Diogo Marques. A entrada é livre.
TFAAUAv “promete celebrar o amor com muita música e encanto” na XXIV Noite de Serenatas Femininas
Na última noite de fevereiro, quatro tunas de diferentes geografias passam por Aveiro para o festival: a TunaMaria - Tuna Feminina da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Tuna Feminina de Medicina da Universidade de Coimbra (TFMUC), a Tun’ao Minho - Tuna Académica Feminina da Universidade do Minho e a TUNAF- Tuna Feminina do Orfeão Universitário do Porto. Conforme explica Rita Sequeira à Ria, os “prémios de palco”, como o de Melhor Porta Estandarte ou de Melhor Pandeireta, serão decididos por um júri escolhido pela direção artística da TFAAUAv. Para além do concurso, a responsável conta ainda que estarão presentes a Tuna Universitária de Aveiro (TUA) e a Tuna Feminina Veterana de Aveiro. Nas suas palavras, “a relação com a TUA já é antiga e é sempre bom reforçar”, tanto que “estão sempre e estiveram durante bastante tempo interligados com a TFAAUAv”. No mesmo sentido, Rita Sequeira destaca também a importância de contar com a Tuna Veterana, que “é basicamente uma extensão da TFAAUAv”. “Elas são tanto TFAAUAv como nós”, acrescenta. De acordo com a nota de imprensa, o festival, cujos bilhetes já estão à venda no Glicínias Plaza, “promete celebrar o amor com muita música e encanto”. O público pode também adquirir bilhetes no Centro de Congressos, no dia do evento.
Começa hoje I Conferência Nacional em Justiça Ambiental na Universidade de Aveiro
A conferência propõe-se a reunir um conjunto alargado de especialistas, incluindo investigadores, gestores públicos, agentes políticos e representantes de organizações da sociedade civil, com atuação em áreas como o ambiente, a saúde e o direito, de acordo com a nota enviada pela Universidade. O objetivo passa por “promover o debate e a reflexão em torno dos desafios e oportunidades relacionados com a justiça ambiental”. Os responsáveis explicam ainda que querem “discutir as múltiplas dimensões da justiça ambiental no contexto nacional, nomeadamente as suas implicações sociais e económicas, a sua relação com os direitos humanos, as dinâmicas de planeamento e governação, bem como os enquadramentos legais e as políticas públicas com impacto na justiça social e ambiental”. Depois da sessão de abertura, que tem início marcado para as 9h30, toma a palavra Enda Hayes, da University of the West of England, em Bristol. Seguem-se dois painéis de cerca de uma hora em torno da temática das “Dimensões sociais e económicas da justiça ambiental”. As atividades da parte da tarde arrancam com nova conversa, desta feita com Massimo Zortea, da Universidade de Trento, como protagonista.Depois, como de manhã, ocorrem duas sessões de cerca de uma hora, agora subordinadas ao tema “Planeamento, governação e justiça ambiental”. No mesmo registo, a manhã de sexta-feira arranca com a intervenção de Heloísa Oliveira, da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que dá depois lugar a duas sessões com o tema “Acesso à informação, participação pública, educação e consciencialização ambiental”. Da parte da tarde começa por falar Maria Paixão, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. O evento termina depois com duas sessões diferentes: primeiro, sobre “Legislação, políticas ambientais e justiça social”, e a seguir sobre “Futuro e evolução da justiça ambiental”.
UA abre “2.427” vagas no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, mais “39” do que em 2025
Dizem os números comunicados pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) que a Universidade de Aveiro (UA) subiu em “1,63%” o número de vagas que vão ser disponibilizadas no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior. Recorde-se que, para o ano letivo 2025/2026 , foram abertas “2.388” vagas. Este ano a Universidade decidiu abrir “2.427”. A maioria das vagas abertas estão relacionadas com a abertura de duas novas licenciaturas. No DMat, a licenciatura em Matemática Aplicada e Computação arranca com "22" vagas. Já na ESAN, a licenciatura em Engenharia de Software Industrial começa com "20" vagas. No entanto, há alguns cursos da UA cujas vagas vão ser reforçadas. Nesse campo, o destaque vai para as licenciaturas em Educação Básica e em Engenharia Civil, com mais "12" e "dez" vagas, respetivamente. Na licenciatura em Engenharia Biomédica abrem "três" novas vagas e Gestão e Psicologia ganham "uma" vaga cada. Por outro lado, fruto da falta de adesão que se registou no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior do último ano letivo, há vários cursos em que há um decréscimo no número de vagas. O curso de Biologia, que antes disponibilizava "98" vagas - sendo que, em 2025/2026, 42 ficaram por preencher na primeira fase do concurso -, passa agora a abrir apenas "90". Relativamente ao último ano, os cursos de Ciências do Mar, Engenharia Física, Geologia e Matemática disponibilizam menos "cinco" vagas cada e o curso de Meteorologia, Oceanografia e Clima perde "duas" vagas. Em todos os outros cursos disponibilizados pela Universidade de Aveiro, o número de vagas manteve-se inalterada em relação ao ano passado. Nota para o curso de Medicina que, recorde-se, por decisão da agência de acreditação, só poderá passar das atuais 40 para 50 vagas após receber a acreditação final. Após o lançamento do curso com 40 lugares, a reitoria tinha previsto aumentardez vagas por ano até atingir 100 colocados. No total, serão "78.283” vagas para o ano letivo 2026/2027. Conforme refere a agência Lusa, destaca-se o reforço nas licenciaturas em Educação Básica, commais 147 lugares,e em Medicina, com mais 62. Em comunicado, o MECI precisa que as Instituições de Ensino Superior (IES) disponibilizam "56.790 vagas” através do Regime Geral de Acesso (RGA) e "21 493”através dos Regimes e Concursos Especiais", sendo os aumentos de “834” e “631” vagas, respetivamente. De acordo com uma nota do Instituto para o Ensino Superior, também divulgada pelo MECI, das 13 instituições de ensino universitário, apenas a Universidade do Algarve diminui o número de vagas no próximo ano letivo, contando com menos cinco lugares e ficando com um total de1.651. A Universidade da Madeira mantém o número de vagas, 714, e todas as restantes universidades, bem como o ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, contarão com mais lugares, registando os maiores aumentos as Universidades de Coimbra (mais 163 para um total de 3.905) e Nova de Lisboa (mais 119 para 2.991). Quanto ao ensino politécnico, das 15 instituições, incluindo as Escolas Superiores Náutica Infante D. Henrique e de Hotelaria e Turismo do Estoril, uma mantém o número de lugares (o Instituto Politécnico de Beja, 519) e seis terão menos vagas no ano letivo 2026/2027, com os Institutos Politécnicos da Guarda e de Viana de Castelo a registarem as maiores diminuições, menos 126 e 119 vagas respetivamente. O primeiro passará a contar com um total de 728 lugares e o segundo com 960. Os maiores aumentos ocorrem no Instituto Politécnico do Porto (mais 152 lugares para um total de 3.393) e no de Coimbra (mais 136 para 2.367). O ministério destaca a "diversificação das vias de acesso" ao ensino superior através do "aumento de 19% das vagas para titulares de Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP)". Segundo o comunicado, os Institutos Politécnicos disponibilizam 21.949 vagas através do RGA, mais 26 em relação ao ano letivo 2025/2026, "mas oferecem mais 706 vagas nos Concursos Especiais". Destacadas são também as vagas em licenciaturas em Educação Básica no Concurso Nacional de Acesso, que voltam a aumentar, desta vez 12%, para um total de 1.344 lugares, o que significa mais 147. O aumento resulta dos "contratos-programa assinados pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação com 10 IES para o reforço da formação inicial de professores, através da majoração do financiamento". O MECI adianta que, para atenuar afalta de professores existente no país, oferece 2.500 bolsas anuais no valor da propina a "novos estudantes matriculados nas licenciaturas e mestrados conducentes à habilitação profissional para a docência". Em relação ao curso deMedicina, foram fixadas 1.656 vagas para o próximo ano letivo, mais 62 do que no presente, 40 das quais devido à abertura de um novo curso na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e 22 de um reforço na Universidade de Coimbra. O Instituto para o Ensino Superior assinala também que foram "fixadas 9.290 vagas em 2026 nos cursos que visam formação em competências digitais". Incluindo o privado, com um total de 29.315 vagas (mais 1.417 em relação ao presente ano letivo), "o sistema de Ensino Superior disponibiliza um total de107.598 vagas, o que corresponde a mais 2.882 em relação a 2025", adianta o MECI.
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SC Beira-Mar quer continuar invicto em 2026: Clube procura ser o primeiro a ganhar ao Rebordosa
No novo ano civil, o Beira-Mar ainda não sabe o que é perder. O 1-0 frente ao Anadia em fim-de-semana de São Gonçalinho embalou os aurinegros para uma série de cinco jogos sem perder, atingindo o seu melhor momento no último fim-de-semana: a turma de Aveiro deslocou-se à freguesia de Torno, em Lousada, para golear o Aparecida por cinco bolas a uma. Trabalhar em cima de bons resultados é mais fácil e tem deixado os jogadores “mais motivados, animados e de sorriso no lábio”. Quem o diz é Fábio Barros, Fabeta no mundo do futebol, técnico da equipa principal do SC Beira-Mar: “Não vou dizer que estão mais empenhados, porque felizmente temos um grupo que se empenha sempre [...] [Mas] acreditamos que isto nos dá mais forças para encarar os próximos jogos”. Tiago Melo, o homem que normalmente enverga a braçadeira de capitão, corrobora as palavras do treinador. Conforme explica, “respira-se confiança” no balneário e os treinos têm sido um espaço “mais feliz” e de “maior alegria”. O próximo alvo é o Rebordosa, a quem o jogador diz que os beiramarenses “vão dar a primeira derrota”. Em primeiro lugar na Série B do Campeonato de Portugal, o adversário do SC Beira-Mar na partida deste domingo soma já 42 pontos: são 12 vitórias, seis empates e zero derrotas em 2025/2026. Na mesma frequência que o capitão, Fabeta garante que o clube vai lutar para que os três pontos fiquem no Mário Duarte. “Acredito que vai ser um um grande jogo [...] Tenho assistido a muitas das equipas que vêm a Aveiro com uma estratégia de baixar linhas, muitas vezes não jogam o jogo pelo jogo e tentam apostar mais na transição. Acredito que o Rebordosa não vai fazer isso, até porque não são as características deles”, explica, ciente de que a missão é “muito dura”. O diagnóstico de Nuno Quintaneiro, presidente do clube, dita que o elemento crucial na mudança de paradigma tem sido a melhoria da eficácia da equipa. Ao invés do que estava acontecer até dezembro, em que a equipa saía recorrentemente prejudicada por uma “pontinha de azar”, agora pode falar-se numa “pontinha de sorte” de um conjunto mais mortífero na hora do frente-a-frente com o guarda-redes. Embora ainda sem estar no momento ideal - Quintaneiro aponta que jogadores como Panda, Sérgio Silva, Pedra e Tomás Sério ainda estão entregues ao departamento médico -, o presidente dá nota de que a equipa também já não está tão condicionada pelas indisponibilidades como esteve noutros momentos da época. Para Fabeta, é mesmo o alargar do plantel, que vê jogadores a regressar física e mentalmente de lesões complicada, que justifica a boa fase. Na ótica do treinador não há nenhum jogador do plantel com lugar cativo no 11 titular: “Não há um jogador que se sinta confortável a dizer «Eu tenho neste momento o lugar agarrado por indisponibilidade do colega concorrente de posição». Todos obrigam com que o nível competitivo interno aumente”. Não tão feliz foi o mercado de inverno, onde, devido às restrições financeiras que o clube enfrenta, o SC Beira-Mar não foi capaz de se reforçar como ambicionava. Só integraram o clube Givon e Finisterra, dois jovens jogadores que já tinham passado pelas quadros do clube. Fabeta lembra que já ambos lhe tinham passado pelas mãos e fala numa aposta pessoal “para duas posições em que [o Beira-Mar] precisa de mais competitividade”, mas reconhece que “as mexidas não foram tão cirúrgicas como gostaria”. O que continua a pesar é a falta de um investidor que consiga dar outra folga ao clube, nota o presidente. Recorde-se que, para a direção do SC Beira-Mar, tem sido prioritária a constituição de uma Sociedade Desportiva por Quotas (SDQ). Depois de uma primeira tentativa de acordo com Breno Dias Silva, que acabou por sair gorada, o SC Beira-Mar assumiu em finais de outubro que já tinha novo parceiro. No entanto, contactado pela Ria em janeiro, o presidente do clube afirmou que o processo estava “atrasado” e não deu garantias de que se fosse concretizar. Mês e meio depois, Quintaneiro afirma que as coisas não evoluíram e diz “continuar na expectativa de encontrar soluções rápidas”. Para isso, afirma, é importante que o Beira-Mar garanta a manutenção, de forma a que o foco possa voltar-se para fora das quatro linhas. A passar um momento particularmente positivo da sua vida, Tiago Melo não só está há cinco jogos sem perder como foi herói na receção ao Resende, onde marcou o golo solitário da partida. Depois do tento, colocou a bola por dentro da camisola e apontou para a bancada - era a dedicatória à filha que viria a nascer poucos dias depois. Apesar de as coisas estarem a correr bem, o jogador é cauteloso em relação ao futuro próximo: “O Beira-Mar olha jogo a jogo e quer ganhar todos os jogos. O nosso objetivo definido no início da época era a manutenção, mas jogo a jogo”. A oito jogos do fim, com 24 pontos por disputar, os aurinegros estão a apenas seis pontos dos lugares que atiram o clube para os distritais e a nove pontos do segundo classificado, que vai disputar a fase de acesso à Liga 3. “Primeiro garantir o primeiro objetivo e a seguir poderemos olhar para cima”, atira Tiago Melo. Apesar de estar focado no próximo desafio, frente ao Rebordosa, o jogador não esconde que os dois primeiros lugares estão sempre na mente da equipa. No seu entendimento, num clube como o Beira-Mar, é “obrigação” do plantel ter em vista uma possível subida de divisão. Tiago Melo reconhece que “não foram competentes” para depender apenas de si mesmos, mas salienta que “no futebol tudo é possível”. A fazer contas por alto, Nuno Quintaneiro afirma que devem faltar cerca de seis pontos para que o Beira-Mar garanta a manutenção, sendo que a principal prioridade é alcançar o objetivo “o mais rapidamente possível”. Questionado sobre a possibilidade de, após conquistados estes seis pontos, o clube ainda procurar outros objetivos, o presidente cita António Gedeão: “O sonho comanda a vida”. “Nunca seremos candidatos, não somos minimamente favoritos. Portanto, é acreditar sempre que a equipa, pela ambição que tem, pelo caráter que tem, pela sua personalidade, vai querer sempre lutar pelos três pontos. No final fazemos as contas”, remata. Da mesma maneira, Fabeta também diz que o mais urgente é garantir que o clube não fica abaixo da linha de água. Mas, embora a distância seja de nove pontos para os lugares cimeiros e já não existam muitos jogos para disputar, o técnico afirma que, “se der algo mais, fantástico”. O jogo entre o SC Beira-Mar e o Rebordosa, que se joga este domingo, pelas 15h00, pode ser acompanhado com transmissão e relato no YouTube da Ria.
GrETUA lança podcast e abre livraria a conversa sobre jogos e literatura
Nesta edição, a conversa parte do mote do quadrimestre para explorar o tema do jogo. Em debate estarão tanto o jogo na literatura como os jogos enquanto objeto de leitura artística e cultural. A proposta passa por refletir sobre este ritual lúdico que acompanha a humanidade desde sempre, questionando o significado dos seus mecanismos na contemporaneidade, sem ignorar as possibilidades criativas abertas pelos videojogos e por novas formas de jogo. Os convidados desta sessão são João Paulo Guimarães, doutorado pela Universidade de Buffalo e investigador nas áreas da poesia experimental e da literatura comparada, e Inês Cardoso, investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa e membro do conselho editorial da revista Skhema. A moderação estará a cargo de David Calão e Vítor Alves Silva. A conversa nasce do armário-livraria dinamizado pelo GrETUA em parceria com a Livraria Snob. Para cada edição é preparado um pequeno lote de livros dedicado ao tema em destaque, estando a partir deste domingo disponível uma seleção dedicada ao jogo nas suas múltiplas ramificações. Esta é a segunda sessão do ciclo “Fora do Armário”, que ficará igualmente disponível em podcast. O primeiro episódio, já publicado, foi dedicado à figura do flâneur e à deambulação, contando com a participação de Diogo Marques. A entrada é livre.
Deputados do PS eleitos por Aveiro querem situação de calamidade para Castelo de Paiva e Anadia
Numa nota enviada à Lusa, os deputados do PS/Aveiro referem que questionaram o ministro da Presidência sobre os danos provocados pela tempestade Kristin nos concelhos de Castelo de Paiva e Anadia e pedem que se avalie a declaração da situação de calamidade naqueles municípios. Os deputados socialistas dizem que estes dois municípios do distrito de Aveiro remeteram ao Governo uma exposição formal dando conta da dimensão dos estragos sofridos, solicitando a declaração de situação de calamidade, enquanto instrumento essencial para agilizar mecanismos excecionais de resposta e apoio. Recordam ainda que a ausência de enquadramento formal neste regime poderá limitar o acesso a instrumentos financeiros e logísticos indispensáveis à reposição da normalidade, colocando estes concelhos numa situação de particular vulnerabilidade. Os deputados do PS pretendem obter esclarecimentos do ministro da Presidência sobre qual a razão pela qual os concelhos de Castelo de Paiva e Anadia não foram incluídos entre os concelhos em situação de calamidade e que avaliação foi realizada relativamente aos danos provocados pela tempestade Kristin naqueles municípios. Perguntam, portanto, se o Governo tem conhecimento da extensão dos danos sofridos naqueles concelhos e se, nesse sentido, tenciona alargar aos mesmos a declaração de situação de calamidade. Para além disso, questionaram sobre que medidas de apoio foram ou estão a ser mobilizadas para apoiar as populações e as atividades económicas afetadas, que mecanismos de financiamento poderão ser acionados para apoiar a recuperação de infraestruturas e a reposição da normalidade e de que forma está a ser assegurada a articulação com estes dois municípios no levantamento de necessidades e na implementação de respostas. Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas. A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
Espetáculo de dança propõe “entrega à fragilidade” esta noite no Teatro Aveirense
Nas palavras de Hugo Calhim Cristóvão, um dos diretores, coreógrafos, dramaturgos e formadores do espetáculo, “Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil” apresenta a transição de “qualquer coisa que nos dá uma sensação de impotência, como a velhice, a guerra ou o genocídio”, para, a partir daí, “uma entrega ao presente e à fragilidade”. “Eu acho que o público pode esperar sentir-se bastante tocado, de certa maneira confrontado e comovido”, explica. Segundo afirma, o próprio espetáculo foi pensado para “reagir” ao que existe em torno da dança, mesmo do ponto de vista político, nomeadamente a “movimentos que não nos agradam e que podem pôr em causa a nossa liberdade de criar, de estar alegres, vivos e de ter esperança”. A ideia de presente frágil vive, para os responsáveis, entre a urgência de acontecer e a necessidade da pausa. Hugo reflete que, para que haja uma “pausa real”, é necessário ter bastante movimento antes: “Temos que ter bastante vida e, aí, a pausa cria-se sozinha”. Nesse sentido, defende que “a pausa é uma necessidade orgânica do corpo, que precisa de compreender aquilo que lhe aconteceu [...] Na coreografia acontece isso. Há momentos de extremo movimento, só que depois não é movimento por movimento. É qualquer coisa que toca às bailarinas, que nos toca a nós. Isso obriga a uma pausa para compreender”. Como tem sido hábito no trajeto dos coreógrafos, o espetáculo é envolvido numa série de referências relacionadas com a filosofia portuguesa, com a poesia, com a literatura e com a pintura - tanto assim é que contam com a colaboração do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto há dez anos para “fazer a ponte entre a filosofia e a dança”. Se, normalmente, o foco costuma estar em figuras femininas, Hugo conta que para este espetáculo a inspiração esteve em “figuras de sobrevivência” ou então em “figuras a que a Taciturna [a tal figura sombria que representa a impotência] ganhou”. Algumas das principais inspirações são Jacqueline du Pré, violinista britânica que, após perder a sensibilidade nas mãos, continuou a tocar, ou Paul Celan, poeta romeno sobrevivente do Holocausto. Dentro da cultura portuguesa, o espetáculo toma como referência intelectuais como Camilo Pessanha, Venceslau de Morais e Herberto Helder. Nesta que é a primeira experiência em Aveiro, Hugo Calhim Cristóvão conta que a relação tem sido “bastante boa”. A masterclass que os coreógrafos ministraram na passada quarta-feira, dia 18, contou com a presença de “15, 16 pessoas”, o que “não é tão comum assim”, e Hugo tem sentido “carinho” da parte do Teatro, o que também é “raro” num ramo “não discursivo” da cultura. No que diz respeito à sala, o responsável afirma que a relação “é um bocadinho demasiado próxima” em relação que estava à espera, mas não considera que seja necessariamente um ponto negativo: “Vai permitir ao público ter uma proximidade cinestésica e tátil com as bailarinas e com a dança [...] Vai ser um privilégio, de certa forma”. Para além do espetáculo de dança “Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil”, que é hoje apresentado pelas 21h30, a programação do fim-de-semana do Teatro Aveirense conta também amanhã com um concerto de Camané, pelas 21h30.