RÁDIO UNIVERSITÁRIA DE AVEIRO

Universidade

Joana Regadas toma posse na presidência da AAUAv e diz ser necessário “sair da ilha para ver a ilha”

Joana Regadas tomou posse novamente como presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) na passada sexta-feira, 23 de janeiro. Pela segunda vez à frente dos comandos da Associação, a representante citou José Saramago para falar sobre o futuro, assumindo que “é preciso sair da ilha para ver a ilha”.

Joana Regadas toma posse na presidência da AAUAv e diz ser necessário “sair da ilha para ver a ilha”
Isabel Cunha Marques

Isabel Cunha Marques

Jornalista
26 jan 2026, 15:17

Foi com o Auditório Renato Araújo lotado, no edifício da Reitoria, na Universidade de Aveiro, que Joana Regadas voltou a tomar posse como presidente da direção depois de ter vencido as eleições da AAUAv com 86,24% dos votos.

Apesar do nervosismo, Joana Regadas começou o seu discurso a fazer uma retrospectiva daquele que foi o seu mandato ao longo do último ano. Um capítulo que, conforme descreveu, pautou-se pela “humanização”. “Quando cada uma das palavras, passos e atividades, foi pensada com os estudantes no centro. Quando reconhecemos cada um dos que faz parte desta grande casa, quando expandimos o projeto ‘Tutores por Amor’ e criamos o projeto ‘Amigos por Amor’”, referiu.

A atual presidente descreveu ainda que este foi um mandato de “valorização da estrutura”, assim como dos dirigentes, em que “cada um dos estudantes decide ir mais além, quando as propostas discutidas em momentos de formação sobre o Regulamento de Estudos da UA se encontram cada vez mais próximas de verem a luz do dia”.

No seguimento, Joana Regadas relembrou ainda, entre outros aspetos, o “restabelecer de parcerias” como com a Câmara Municipal de Aveiro, a “extensão do Dia Nacional do Estudante a uma semana de atividade”, o “Docturando”, a “inclusão de modalidades de desporto adaptado na Taça UA Glicínias Plaza” ou o “mês de integração”. “Em menos de 25 dias contou com 33 atividades, dinamizado exclusivamente por estudantes, com atividades de desporto, de consciencialização de novos hábitos, em que a cultura foi mote de integração, e onde o grande objetivo era todos ‘Fazerem Parte’”, afirmou, apontando também a expansão do Conselho para a internacionalização e a intenção de candidatura aos Jogos Europeus Universitários 2032.

Face à exposição, a presidente da direção resumiu o último ano pela palavra “proatividade”. “Assumimos a responsabilidade em pensar nas soluções. Soluções para Aveiro quando lançamos a agenda estudantil para a cidade. (…) Soluções para a cultura, um dos pilares que nos moveu e continuará a mover, com a construção do tão querido DOCA UA, uma visão para a cultura académica até 2036, uma visão não da direção, mas de todos os que fazem parte do Conselho Cultural, uma visão para a universidade e para a região”, vincou.

Para falar sobre o futuro da AAUAv, Joana Regadas socorreu-se do escritor José Saramago relembrando que “é preciso sair da ilha para ver a ilha”. Assumiu que é com esse desconforto que avança com o “compromisso de mais um ano”. “Um novo ano, onde a voz de cada um dos 18 mil estudantes da UA continua a assumir o papel de personagem principal, um novo ano não de conformismos, mas de responsabilidade em assumir o desconforto como necessário para o crescimento”, assegura.

De seguida, a presidente da AAUAv deixou um conjunto de reflexões que incluíram, entre outras temáticas, o “incumprimento do Plano Nacional para o Alojamento do Ensino Superior”, a “temática assombrada” do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), os “problemas inerentes aos Serviços de Ação Social” ou os “transportes da Região de Aveiro”.

Sem esquecer a notícia de há cerca de uma semana que dava conta de um texto assinado por 28 professores contra o uso da inteligência artificial generativa nas Instituições de Ensino Superior, Joana Regadas mostrou “estranheza” com a atitude. “É com alguma estranheza que vemos também ser este um dos meios com mais receio dos avanços tecnológicos, onde docentes pedem a proibição da inteligência artificial, indicando ser esta a razão da transformação dos alunos em, e passo a citar, ‘cretinos digitais’”, exprimiu. “As universidades devem ser espaços de promoção de inovação, não espaços com receio de mudanças. Um ensino centralizado nas formas da avaliação não é centrado na aprendizagem, é um ensino que falha no seu primeiro e principal propósito”, continuou.

Apesar de considerar que a UA se tem afirmado como “exemplo em quase todas as áreas”, a presidente da AAUAv deixou também algumas oportunidades de “florescimento” como com a “formalização do Instituto de Ensino e Aprendizagem”, a “aproximação à cidade e à região” ou as eleições para o próximo reitor. “Eleições que serão ainda no modelo antigo, mas que nem por isso devem de ser menos partilhadas com toda a comunidade”, atentou.

Tendo como lema “Unidos pela Voz”, Joana Regadas comprometeu-se ainda a ser “audaz”. “A voz que pretendemos usar não se irá fechar dentro dos campi, não se irá fechar dentro das oportunidades óbvias, mas pretende ser audaz, chegar onde ainda não conseguimos projetar, chegar a uma região, chegar a Aveiro, Águeda, Oliveira de Azeméis, a Ílhavo, quer chegar a toda a comunidade intermunicipal da região de Aveiro”, afirmou. “Quer em conjunto com todos os que fazem parte da comunidade UA pensar na região universitária, pensar numa região que cresce com os estudantes, que promove sinergias, que cresce no sentido da simbiose”, rematou.

Na cerimónia, Paulo Jorge Ferreira, reitor da UA, admitiu estar com o “coração cheio de alegria” ao se dirigir a todos. “Fala-me mais ao coração porquê? Porque uma universidade é sobretudo o conjunto dos seus estudantes, as vivências desses estudantes e a forma como se consegue posicionar de forma que anunciada e aplaudida proximidade entre a universidade e a região seja também uma manifestação de proximidade com as suas pessoas e com os seus estudantes”, refletiu.

À semelhança da presidente da AAUAv, Paulo Jorge Ferreira deixou também algumas palavras do seu discurso para comentar o manifesto contra a inteligência artificial nas universidades. Admitiu ser “avesso a proibições”. “Não devemos temer aquilo que é novo. Devemos sim transformá-lo. Os nossos estudantes não temem o futuro. Os nossos estudantes vão criá-lo e não o podem fazer abstendo-se de usar por decreto ou proibição ferramentas que lá fora na sociedade, no dia a dia, são das mais importantes que temos visto e absolutamente transformacionais para a nossa realidade”, vincou.

No seguimento, lembrou que a função de uma universidade pública é servir o “bem público”. “Tem a responsabilidade disso. Se a sociedade usa certas ferramentas é nosso dever e obrigação facultar aos nossos estudantes acesso e conhecimento acerca dessas ferramentas”, argumentou. “Pedir que se proíbam ainda para mais usando uma linguagem violenta e agressiva classificando os possíveis resultados como ‘zombies digitais alienados’ ou ‘cretinos digitais’ não me parece nem digno, nem próprio de uma instituição de ensino superior”, opinou Paulo Jorge, deixando a nota que este tipo de pensamento “nunca vingará” na UA.

No seu último discurso de tomada de posse, enquanto reitor, Paulo Jorge Ferreira deixou ainda um agradecimento aos estudantes admitindo que muito do seu percurso foi “marcado pelas interações” que teve com estes. “Tenho também muita admiração por aqueles que tomaram posse como a senhora presidente, Joana Regadas. Tem sido uma grande presidente, uma grande líder e certamente continuará a ser”, afirmou.

Dirigindo-se diretamente aos novos estudantes possantes, o reitor da UA comparou a Associação Académica a um laboratório de “cidadania e de democracia”. “Serão pessoas mais completas passando por esse laboratório do que seriam se por ele não tivessem passado. (…) Uma universidade não são só salas de aulas apenas. Não são cadeiras apenas e a Associação Académica pode muito bem ser uma das mais exigentes dessas cadeiras. Aquilo que aprendem nela, ao contrário do que noutras se aprende, fica para a vida”, garantiu.

Face à cerimónia de tomada de posse, a AAUAv renovou a sua estrutura com a entrada de 36 novos órgãos sociais.

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