Cursos da Universidade de Aveiro terão pelo menos uma cadeira com IA incorporada por semestre
Em entrevista à Ria, Artur Silva, reitor da Universidade de Aveiro (UA), avançou que, em breve, sairá um despacho do reitor que indica que, pelo menos, “20%” das unidades curriculares de cada curso devem passar a ter Inteligência Artificial incorporada a partir do próximo ano letivo. Segundo explica o responsável, o objetivo é que não haja “nenhum estudante [que] passe pela UA que não saiba utilizar bem e fazer bem algo usando esta ferramenta”.
Gonçalo Pina
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A integração transversal da inteligência artificial generativa e de outras ferramentas digitais nos modelos pedagógicos era uma das prioridades estabelecidas no Programa de Ação da candidatura a reitor apresentada por Artur Silva em abril passado. A visão plasmada no documento segue aquilo que já tinha vindo a ser o discurso do anterior reitor Paulo Jorge Ferreira - que, recorde-se, na tomada de posse da presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), disse que “se a sociedade usa certas ferramentas, é nosso dever e obrigação facultar aos nossos estudantes acesso e conhecimento acerca dessas ferramentas”.
Nesse sentido, quando questionado pela Ria sobre quais os avanços que a Universidade de Aveiro tem previstos neste campo, Artur Silva começou por falar sobre o recém-aprovado Referencial para Avaliação das Aprendizagens na Era da Inteligência Artificial (IA), que dará “indicações concretas aos docentes de como nós pretendemos que vá funcionar [a implementação da IA no ensino]”.
Conforme noticiado pela Ria, a vice-reitora Sandra Soares também já tinha referido que este documento, a ser implementado a partir do próximo ano, adota uma abordagem “centrada na aprendizagem, recusando uma lógica de proibição ou deteção e promovendo a utilização intencional, transparente e alinhada com as competências a avaliar”.
Da mesma forma, adiantou o reitor, a partir do próximo ano, é intenção da Universidade de Aveiro que “pelo menos uma unidade curricular de cada curso e de cada semestre tenha, de alguma forma, incorporada a Inteligência Artificial”. Salientando que a medida, em breve publicada em despacho do reitor, corresponde a cerca de “20%” do programa curricular de cada estudante, Artur Silva explica que o objetivo é que não haja “nenhum estudante [que] passe pela Universidade de Aveiro que não saiba utilizar bem e fazer bem algo usando esta ferramenta”.
O reitor repara ainda que a IA não condiciona apenas o ensino, mas também a investigação, sendo que já há algumas unidades – como o CICECO (Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos) ou o TEMA (Centro de Tecnologia Mecânica e Automação) – a fazer uso destes instrumentos.
“Vai haver um evento também em setembro em que nós vamos procurar fazer um Observatório do que é que está a ser feito já na Universidade, para também darmos um corpo e uma organização para continuar nesse desígnio da Inteligência Artificial”, acrescenta ainda o reitor.
Pode ouvir a entrevista na íntegraaqui.
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