Mário Centeno diz que é preciso "explicar todas as decisões" ligadas ao descongelamento das propinas
Aos jornalistas, o antigo Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno pediu mais explicações sobre as motivações para o descongelamento das propinas. No que toca à diminuição do financiamento europeu, o antigo ministro das Finanças, adianta uma possível vontade do Governo de “fechar o sistema bancário português à União Bancária”.
Maria Rego
JornalistaÚltimas
Durante a conferência ‘UA 2030: Pensar o Futuro’, o antigo Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, debruçou-se sobre “o papel das universidades num novo ciclo europeu”.
À margem, aos jornalistas, o antigo ministro das Finanças do Governo de António Costa, falou sobre o setor da educação. Mário Centeno relata que se olha “muitas mais vezes para o copo vazio do que para a parte cheia do copo” e que, nesta pasta, é preciso “olhar e acarinhar” a “transformação profundíssima da nossa população com mais educação, mais universidades, maior investimento”. No entanto, deixa claro: “Não acredito em reformas milagrosas”.
Apesar de reconhecer que este papel “tem de ser feito com os ministros”, este “não passa apenas pelos ministros”. “O ministro só por si - e eu não estou a falar de nenhum em particular - não se pode intrometer nesta evolução”, expõe. Mário Centeno considera que as “alterações têm de ser pensadas, faseadas, graduais”, ainda assim, questiona-se “se passaram por todos esses estádios”. “Deparámo-nos com problemas que não existiam antes no contexto de uma alteração. Alguma coisa falhou e acho que é preciso todos pensarmos no que falhou. Está na mão deste ministro fazer isto”, remata.
Questionado sobre o descongelamento das propinas apresentado na proposta do Orçamento de Estado para 2027, o antigo Governador do Banco de Portugal, diz que, no seu entendimento, “em termos de pensamento genérico, gosto mais da ação social a responder às dimensões sociais do que a propina propriamente dita”. “Agora têm de se explicar todas as decisões. Porque é que se avança num sentido, porque se calhar também se está a avançar no sentido da ação social… É o equilíbrio, é o papel do ministro e espero que ele o faça bem”, concluiu aos jornalistas.
Mário Centeno adianta possível “desejo deste Governo” de “fechar o sistema bancário português à União Bancária”
Mário Centeno abordou ainda a questão da diminuição do financiamento europeu. Para o antigo ministro das Finanças, é importante ter em atenção que “ser europeu é uma coisa tangível” e que “se pomos em causa a própria integração e a construção da Europa, vamos pôr em causa também os seus financiamentos”. Esta visão, no entanto, explica, “tem sido a resposta fácil, mas errada, que muitos deram até hoje”.
Assim, Mário Centeno reitera que “tudo o que fizemos em nome da Europa em Portugal não diminui a soberania portuguesa, aumenta essa soberania, dá o exemplo do nosso compromisso”, e apela aos “agentes políticos portugueses” que “acompanhem esse processo de integração”.
Pegando no exemplo da União Bancária, que Mário Centeno considera “um ideal muito importante de regulação e de construção do sistema financeiro e bancário da Europa”, o antigo Governador do Banco de Portugal, atira que “não podemos depois ter ideias em Portugal que são pequeninas, porque só pensam em Portugal”. E adianta: “Não podemos fechar o sistema bancário português à União bancária. Ainda há poucos dias ouvi uma ideia de que isso poderia ser um desejo deste Governo. Não pode ser”.
Mário Centeno lembra que a União Europeia trouxe “melhorias e alargou os nossos horizontes de uma forma que o país sozinho não conseguia fazer”, admitindo que “essa Constituição da Europa tem de ser levada a sério”.
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