UA: Ex-ministra desafia reitor a reformar, apesar de saber que “ninguém goste de mudar”
A segunda metade da Conferência UA 2030 – “Pensar o futuro”, realizada durante a tarde desta quarta-feira, dia 14, arrancou com a intervenção de Maria Manuel Leitão Marques, ex-ministra da Modernização Administrativa. Dirigindo-se a Artur Silva, reitor da Universidade de Aveiro (UA) atualmente a desenhar o Plano Estratégico da UA para o quadriénio 2027-2030, a oradora desafiou o responsável a tentar inovar, porque “o risco vale a pena”.
Gonçalo Pina
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Maria Manuel Leitão Marques foi a quarta oradora do dia dedicado a pensar o futuro da Universidade de Aveiro, assumindo o microfone depois das intervenções de Mário Centeno, ex-ministro das Finanças, ex-presidente do Eurogrupo e ex-governador do Banco de Portugal, Maria Manuel Leitão Marques, ex-ministra da Presidência e da Modernização Administrativa e ex-eurodeputada, Carlos Coelho, ex-eurodeputado e ex-deputado à Assembleia da República.
Assumindo o tema “O impacto da Inteligência Artificial (IA) na Administração Pública”, Maria Manuel Leitão Marques assumiu desde cedo na conversa que a sua especialidade não é a inteligência artificial, mas sim a inovação dentro da administração pública. Sobre a IA, a ex-ministra deixou apenas nota de que existem perigos – nomeadamente, os enviesamentos que podem condicionar o funcionamento da Universidade -, mas que a Universidade não pode deixar de aproveitar as novas ferramentas para libertar a comunidade de tarefas mais burocráticas e para aproximar os estudantes da estrutura, criando caminhos mais “personalizados”.
Mais adiante, Maria Manuel Leitão Marques dirigiu-se diretamente ao reitor da Universidade de Aveiro, Artur Silva, avisando como procederia se ela mesmo fosse reitora e tivesse à sua responsabilidade a elaboração do Plano Estratégico. Assinalando que, no processo, a reitoria deve sempre “envolver todos”, “experimentar” e “liderar”, a ex-ministra afirma que a “primeira coisa que faria” se fosse reitora era “reunir os investigadores mais relevantes… os que sabem mais de Inteligência Artificial, que conhecem bem a casa, que sabem de planeamento, de administração pública e de gestão” para questionar: “O que acham que podíamos mudar aqui dentro?”
Recorde-se que, desde a tomada de posse, em maio passado, o reitor Artur Silva conduziu um processo de auscultação com vários grupos representativos da comunidade académica – nomeadamente, docentes e investigadores, a associação de estudantes, antigos reitores e autarcas das cidades onde a UA tem implantação. Já no âmbito do atual Plano Estratégico ainda em elaboração, Artur Silva tem reunido com as unidades orgânicas da instituição, como explicou no discurso inaugural da conferência. Não obstante, Artur Silva referiu: “Ouvir não significa procurar apenas consensos. E participar não significa que todas as propostas possam ser concretizadas. Construir uma estratégia exige fazer escolhas, definir prioridades e assumir compromissos. Não queremos ouvir a comunidade para confirmar decisões que já tomámos”.
Maria Manuel destacou que, apesar do que se “normalmente se diz nestas conferências”, “ninguém gosta de mudar” e que, por isso, é necessário mudar a cultura da instituição. “É muito difícil mudar, mas não é impossível. As pessoas têm de sentir [a mudança] na parte. A grande mudança é cultural […] Eu nunca fiz nenhum projeto por falta de dinheiro nem por resistência dos funcionários públicos”, sublinha.
O caminho deve fazer-se também, no entendimento da ex-ministra, pela formação de dirigentes, funcionários, professores e estudantes da UA em IA – Maria Manuel sugere que, no fim de cada formação, os responsáveis devem ser desafiados a, a curto prazo, utilizar as ferramentas de IA para resolver problemas que identifiquem no seu trabalho na Universidade.
O Plano, por seu lado, devia ser apresentado com um “nome sonante” e com muita “pompa e circunstância”, festejando mais tarde as metas atingidas e refletindo em relação ao que não seja concretizando – embora sempre com “disponibilidade para errar”. “Quem inova e acerta sempre é porque inova pouco […] Esse risco vale a pena”.
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