Movimento Estudantil preocupado com peso dos votos de antigos estudantes no RJIES
O movimento associativo estudantil expôs no passado sábado, 21 de dezembro, ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, alguma preocupação quanto à percentagem proposta para os antigos estudantes no novo modelo de eleição do reitor proposto pelo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES). O documento foi apresentado ao movimento estudantil, no passado sábado, na Universidade do Minho (UMinho), pelo próprio ministro.
Redação
Ao longo de duas horas, Fernando Alexandre explicou a importância da proposta de revisão do RJIES e ouviu as principais preocupações do movimento associativo estudantil. A percentagem atribuída aos antigos estudantes para a eleição do reitor; o impedimento previsto para contratação de doutorados, como docentes ou investigadores, nos três anos subsequentes à obtenção do grau de doutor na instituição que lhe conferiu esse grau; ou os Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP) poderem ser também ministrados pelas universidades foram os três temas mais abordados no encontro que decorreu na UMinho.
Relativamente à eleição do reitor em que Governo propõe [com a revisão do RJIES] retirar a competência aos conselhos gerais na eleição e tornar o processo mais inclusivo e abrangente, nomeadamente, com a inclusão dos antigos estudantes, Wilson Carmo, presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) realçou, em entrevista à Ria, que o movimento associativo concordou com o “voto universal”, no entanto, manifestou alguma preocupação com a percentagem proposta [25%] para o peso dos antigos estudantes na eleição. “Inclusivamente tive a oportunidade de dizer ao ministro a preocupação... A verdade é uma: as universidades têm muitos antigos estudantes, aliás, têm mais antigos estudantes do que estudantes e valorizá-los é importante. No entanto, também sabemos (…) da dificuldade de mobilizar antigos estudantes, principalmente, cinco anos após o término da sua formação. Muitos destes antigos estudantes acabam por sair da região de Aveiro (…) e deixam de ter um envolvimento tão grande com as Instituições de Ensino Superior (IES). A partir desse momento - e sabendo à priori que não há uma grande rede, para já, de antigos estudantes ligados com a universidade - o risco que nós tomamos é de ter cerca de cinco, seis, sete mil estudantes, por exemplo, a votarem numa eleição do reitor e a valerem 25%, e, em contrapartida, termos 300, 400, 500 antigos estudantes a votarem também na mesma eleição e a valerem também 25%. O que quer dizer que estes antigos estudantes vão valer muito mais do que um estudante. Essa é a preocupação. O facto dessa rede não estar fomentada”, explicou.
Em resposta, Fernando Alexandre garantiu ter consciência dessa dificuldade e que a sugestão [dos 25%] foi “propositada” para que as universidades comecem a trabalhar a rede de antigos estudantes “em condições”. Ao movimento estudantil assegurou ainda que está disposto a “discutir” e a “alterar” a percentagem, mas que esta nunca poderá ser de “5 ou de 10%”. Sobre a proposta só contemplar os antigos estudantes que tenham obtido, há mais de cinco anos, pelo menos um grau académico na sua IES e nela não estejam matriculados e inscritos, o ministro da educação sublinhou que quis assegurar que estes não teriam uma “intimidade tão grande com a instituição quanto os estudantes”.
No entanto, apesar das justificações, para o presidente da AAUAv a percentagem continua a ser elevada. “Acho que podíamos ter aqui uma fase transitória com uma percentagem menor e depois desta rede estar criada uma percentagem maior (…) Se eu soubesse que todos os antigos estudantes vinham votar a percentagem era totalmente justa (…)”, frisou.
Sobre os passos que se seguem, após reunir com o movimento associativo estudantil, Fernando Alexandre solicitou ao mesmo movimento para que enviem as propostas de alteração “até ao dia 17 de janeiro”, seguindo-se uma segunda ronda de reuniões com as mesmas entidades. Ao movimento estudantil, deu ainda a entender que pretende fechar a proposta de lei “no primeiro trimestre do ano”. “Nós aquilo que vamos fazer enquanto movimento associativo (…) é tentar fazer algumas cedências para termos uma propostas para o novo RJIES o mais completa e consensual possível” avançou Wilson Carmo.
O RJIES, que regula o funcionamento e organização das Instituições de Ensino Superior (IES) em Portugal, tanto públicas como privadas, não é revisto desde a sua implementação em 2007. A revisão do regime foi iniciada pela ex-ministra do anterior Governo do Partido Socialista, Elvira Fortunato, com a criação de uma comissão de avaliação. O processo conhece agora novos avanços sob a liderança de Fernando Alexandre, após a entrada do novo Governo liderado por Luís Montenegro.
Recomendações
Joana Regadas nomeada para a Comissão de Educação e Ciência da EUSA
Joana Regadas, atual presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), foi nomeada para integrar a Comissão de Educação e Ciência da Associação Europeia do Desporto Universitário (EUSA) no mandato 2026-2029, reforçando a presença portuguesa nas estruturas internacionais do desporto universitário.
Investigação da UA desenvolve microagulhas que podem melhorar terapias celulares
Uma equipa da Universidade de Aveiro desenvolveu microagulhas microscópicas inovadoras que poderão aumentar a eficácia das terapias de entrega de células, abrindo novas perspetivas na área da medicina regenerativa.
ABIC-Aveiro sai à rua a pedir contratos de trabalho para os investigadores
Cerca de duas dezenas de bolseiros e investigadores da Universidade de Aveiro (UA) estiveram esta tarde, dia 27, numa tribuna pública na meia-lua da Alameda da UA a reivindicar a extinção do Estatuto do Bolseiro de Investigação. A concentração integrou um movimento nacional da associação no sentido de recolher assinaturas para uma carta aberta dirigida ao Governo.
Após obras do PRR, residências da UA acumulam queixas de estudantes
Requalificados no âmbito do PRR, os blocos A1 e R1 do Complexo Residencial de Santiago, na Universidade de Aveiro, estão a gerar queixas dos estudantes, que denunciam falta de água quente, ausência de aquecimento, sinais de degradação em alguns quartos e a manutenção de mobiliário com cerca de 40 anos consecutivos de uso. Do lado da reitoria, Alexandra Queirós, vice-reitora com a tutela das obras de construção e manutenção na UA, fala em “problemas pontuais a serem resolvidos” e garante que “a aposta na manutenção das residências é contínua”, ao passo que Joana Regadas, presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), diz que, apesar de já desconfiar da “superficialidade” da intervenção, ficou “bastante alarmada” com os novos relatos.
Últimas
Autocarros com tarifa única na Região de Aveiro a partir de hoje
O sistema de tarifa única da rede de transportes públicos rodoviários, entra hoje, dia 1, em vigor, na Região de Aveiro, permitindo a circulação em toda a rede intermunicipal, avança a agência Lusa.
Joana Regadas nomeada para a Comissão de Educação e Ciência da EUSA
Joana Regadas, atual presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), foi nomeada para integrar a Comissão de Educação e Ciência da Associação Europeia do Desporto Universitário (EUSA) no mandato 2026-2029, reforçando a presença portuguesa nas estruturas internacionais do desporto universitário.
Câmara de Espinho anuncia obras de 1,6 milhões na Nave Polivalente
A Câmara Municipal de Espinho anunciou obras de 1,6 milhões de euros na Nave Polivalente, com o que se propõe hoje, dia 31, proceder à reabilitação do equipamento local que, utilizado sobretudo para eventos desportivos, está em avançada degradação, avança a agência Lusa.
Pai do menor acusado de matar a mãe em Vagos não se opôs à medida tutelar proposta pelo MP
De acordo com a agência Lusa, o Tribunal de Aveiro esclareceu hoje, dia 31, que o pai do jovem acusado de matar a mãe em Vagos não se opôs à medida tutelar educativa de internamento proposta pelo Ministério Público (MP).