Raquel Barros: Da viral “menina das pastilhas” a estudante de marketing na UA
Cerca de 22 mil euros e 300 quilómetros separavam Raquel Barros do seu grande sonho: viver e estudar na Universidade de Aveiro (UA), no curso de marketing. Sem possibilidades financeiras para o concretizar, a jovem de 18 anos, natural de Oeiras, prometeu a si mesma que não ia desistir. Custasse o que custasse. Assim o fez. Ao longo dos últimos meses, foi para o Parque dos Poetas, na sua área de residência, vender pastilhas elásticas. Cada pacote tinha o custo de um euro. A história de Raquel não tardou a ficar viral nas redes sociais. Ficou conhecida como a “menina das pastilhas”. Entre um crowdfunding, a venda de pastilhas elásticas e as doações de dinheiro, a jovem oeirense juntou, no total, 16 mil euros, para prosseguir os seus estudos no ensino superior. No dia 23 de agosto, recebeu o resultado que tanto ansiava: colocada, na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior de 2024, em Marketing, no Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA).
Isabel Cunha Marques
JornalistaA conversa estava marcada para as 10h30. Raquel Barros chegou à Universidade de Aveiro com uma antecedência de 30 minutos. Não gosta de atrasos. Enquanto entrava pelas portas do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) era visível o nervosismo que sentia. “É a minha primeira vez na Universidade de Aveiro. Não acredito”, exprimia. Tinha chegado à cidade há menos de 24 horas. Referia que desconhecia o vento que se fazia sentir. Não tinha trazido casaco. Enquanto aguardava que os estúdios estivessem prontos para a conversa, comentava que tinha saído de casa, pelas 9h00, para apanhar o autocarro, em Ílhavo, e ter a certeza que chegava com tempo. Está, neste momento, a morar em casa de uma senhora [em Ílhavo], com tudo pago, que conheceu a sua a história através de um programa de televisão. “Foi o sobrinho dela que entrou em contacto comigo. Explicou-me que a tia morava sozinha, que tinha ficado sensibilizada com a minha história e que queria que eu ficasse lá a morar”, recorda Raquel, com um sorriso, enquanto repetia, mais uma vez, que ainda não se acreditava que ali [UA] estava.
Ao contrário do que seria esperado, decidiu só aos 17 anos que queria prosseguir os estudos no ensino superior. Na altura, frequentava o curso de multimédia da Escola Profissional Val do Rio, no Estoril e fazia um intercâmbio, com todas as despesas asseguradas, em Milão. Logo após essa experiência, embarcou num estágio curricular numa empresa de marketing. Foi aí que percebeu o que realmente queria. Na altura, falou com a professora responsável pela orientação e foi aí que se cruzou, pela primeira vez, com o nome da Universidade de Aveiro. Apesar do “amor à primeira vista”, mesmo sem conhecer a cidade, Raquel Barros sabia o que a mudança de casa implicava: dinheiro, no mínimo, para a alimentação, para o alojamento e para as propinas. “Comecei logo a fazer contas e a pesquisar online. Vi que os quartos mais baratos, em Aveiro, rondavam os 250/300 euros… Com a alimentação, o gasto aumentava para os 500/600 euros, por mês. Esse valor, pelos três anos, dá à volta de 22 mil euros”, relata.
Sem possibilidade para suportar os custos, a jovem de 18 anos prometeu a si mesma que não ia desistir. A solução viria a surgir, mais tarde, através de uma ida ao shopping com uma amiga. “Enquanto ela não chegava recordo-me que fui a um supermercado comprar umas bolachas. Nessa ida passei pelo corredor das pastilhas elásticas e vi uma embalagem com quatro pacotes de chicletes que custava 1.39 euros. Comecei a pensar que se comprasse e vendesse cada um a um euro conseguia ter lucro”, recorda Raquel, com um sorriso rasgado. Não tardou em fazê-lo. No dia seguinte, voltou ao supermercado, desta vez, com o pai. Obra do destino ou não, nesse dia, deparou-se com uma embalagem de seis pacotes de chicletes, em que poderia lucrar até 4.5 euros, por cada pacote que vendesse. Decidiu, nessa hora, ainda que a timidez a “assombrasse”, que iria comprar 18 embalagens para vendê-las no jardim que a viu crescer: o Parque dos Poetas, em Oeiras. “Os meus pais não se opuseram, mas também não acharam muito viável a ideia. Disseram-me que vender pastilhas para a Universidade não ia resultar, mas decidi arriscar na mesma”, recorda. Assim o fez, mesmo que nunca as tivesse provado e que nem fosse grande “fã” de chicletes. “Vendias como se fossem as melhores”, comenta, entre risos.
“Bom dia, quer comprar um pacote de pastilhas? Estou a juntar dinheiro para universidade” tornou-se a frase chave de Raquel Barros, ao longo de vários meses. Vendia cada pacote a um euro. “É engraçado porque inicialmente não dizia porque andava a vender pastilhas. Dizia só bom dia, quer comprar um pacote de pastilhas? Foi uma senhora que me viu, no Parque dos Poetas, e que me aconselhou a fazê-lo”, realça, admitindo que desde aí as vendas começaram a aumentar substancialmente. “Acho que como as pessoas compreenderam a minha mensagem passaram-me a ajudar mais”, desabafa. Ainda assim, as vendas continuavam aquém do que precisava para prosseguir o seu grande sonho: entrar na UA.
Consciente da importância das redes sociais, por influência de uma disciplina no curso profissional que frequentava, a jovem de Oeiras não demorou em contar a sua história também por este meio. Neste caso, no linkedin, uma plataforma online direcionada para o negócio e para o emprego. Na altura, optou por partilhar uma fotografia sua, com um cartão, onde se lia “pastilhas 1 euro”, juntamente, com uma pequena descrição. “Mal publiquei começou logo a ter um alcance enorme. Houve várias pessoas, na plataforma, que até me aconselharam a criar o crowdfunding. Assim, o fiz”, conta. “Coloquei um limite de três mil euros, mas rapidamente o ultrapassei”, continua Raquel. Através do linkedin, foi ainda contactada pela Lusiteca, uma empresa portuguesa que produz e exporta guloseimas, detentora da marca Gorila e dos rebuçados da Penha. “Deram-me pastilhas elásticas e rebuçados para que os pudesse vender. Mal cheguei a casa comecei a dividi-los em sacos transparentes. Por cinco pastilhas individuais, cobrava um euro”, recorda. Conseguiu, no total, angariar 16 mil euros, entre o crowdfunding, a venda de pastilhas elásticas e as doações de dinheiro. “Sei que dividindo pelos três anos dá 450 euros, por mês”, partilha a jovem.
Agora, oficialmente, colocada em Marketing, na Universidade de Aveiro, no ISCA-UA, não descarta a possibilidade de trazer as pastilhas elásticas até à sua nova cidade. “Neste momento, estão em casa [Oeiras]. Qualquer coisa apanho um autocarro e vou buscá-las”, admite, com uma risada. Até lá, Raquel já começou a ter em vista, além dos estudos, um part-time, para fazer face às despesas extra que lhe possam surgir.
Recomendações
Equipas da UAveiro antecipam Campeonatos Nacionais Universitários a sonhar com Europeus em Itália
Decorreu esta tarde, dia 1, na Alameda da Universidade de Aveiro (UA), a apresentação das seis equipas da UAveiro que vão competir nos Campeonatos Nacionais de Aveiro (CNU) de Viseu, que acontecem entre 13 e 24 de abril. Dirigindo-se ao público, todos os representantes manifestaram a intenção de trazer um “bom resultado” e houve quem aparecesse já a sonhar com boas prestações no Europeu de Salerno, Itália.
Prazo de entrega de candidaturas a reitor da Universidade de Aveiro termina sem candidatos
O prazo para a apresentação de candidaturas a reitor da Universidade de Aveiro terminou na passada sexta-feira, 27 de março, sem que tenha sido submetida qualquer proposta, apurou a Ria.
Joana Regadas nomeada para a Comissão de Educação e Ciência da EUSA
Joana Regadas, atual presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), foi nomeada para integrar a Comissão de Educação e Ciência da Associação Europeia do Desporto Universitário (EUSA) no mandato 2026-2029, reforçando a presença portuguesa nas estruturas internacionais do desporto universitário.
Investigação da UA desenvolve microagulhas que podem melhorar terapias celulares
Uma equipa da Universidade de Aveiro desenvolveu microagulhas microscópicas inovadoras que poderão aumentar a eficácia das terapias de entrega de células, abrindo novas perspetivas na área da medicina regenerativa.
Últimas
Câmara de Aveiro contrata direção do Teatro Aveirense através de associação sem histórico na área
A Câmara Municipal de Aveiro (CMA) contratou a direção artística e programação do Teatro Aveirense através de uma associação cultural sem histórico conhecido nesta área, num contrato de cinco meses no valor de 19.500 euros, levantando dúvidas sobre o modelo adotado e os critérios da escolha.
Equipas da UAveiro antecipam Campeonatos Nacionais Universitários a sonhar com Europeus em Itália
Decorreu esta tarde, dia 1, na Alameda da Universidade de Aveiro (UA), a apresentação das seis equipas da UAveiro que vão competir nos Campeonatos Nacionais de Aveiro (CNU) de Viseu, que acontecem entre 13 e 24 de abril. Dirigindo-se ao público, todos os representantes manifestaram a intenção de trazer um “bom resultado” e houve quem aparecesse já a sonhar com boas prestações no Europeu de Salerno, Itália.
Prazo de entrega de candidaturas a reitor da Universidade de Aveiro termina sem candidatos
O prazo para a apresentação de candidaturas a reitor da Universidade de Aveiro terminou na passada sexta-feira, 27 de março, sem que tenha sido submetida qualquer proposta, apurou a Ria.
Câmara Municipal diz que Feira de Março 2026 regista “melhor arranque de sempre”
De acordo com os dados avançados pela organização, o primeiro domingo da certame registou a presença de cerca de “24.000” visitantes, assinalando o melhor dia de abertura de que há registo.