Reitor da UA destaca “esforço assinalável” para reduzir a precariedade nos investigadores
O reitor da Universidade de Aveiro (UA) promoveu, esta segunda-feira, 6 de janeiro, no auditório Renato Araújo, um balanço do último semestre do ano 2024, recordando o Plano Estratégico da UA em vigor e destacando alguns dos números da comunidade UA. Ao longo da apresentação, Paulo Jorge Ferreira realçou ainda alguns dos projetos que marcaram o último semestre na UA.
Isabel Cunha Marques
JornalistaÚltimas
Numa fase inicial, o reitor da UA começou por recordar o atual Plano Estratégico da Universidade de Aveiro para o quadriénio 2023/2026 que se baseia em duas questões: Que futuro espera a universidade e que universidade para o futuro? Começando por descodificar o documento, Paulo Jorge Ferreira destacou que a comunidade académica da UA se reparte, atualmente, por três componentes: uma componente nacional local, uma componente nacional não local e uma componente internacional. Segundo o reitor cada uma destas componentes tem apresentado, nos últimos anos, “ritmos de crescimento próprios”. “A componente próxima de Aveiro cresce num ritmo muito baixo, a componente afastada de Aveiro cresce num ritmo maior - de 5 a 10% em alguns casos - e a componente internacional acima disso”, constatou.
Relativamente ao futuro, Paulo Jorge Ferreira destacou, entre os vários pontos apresentados, a importância crescente da requalificação e da formação ao longo da vida. “O perfil do estudante da Universidade alterar-se-á por causa disso. O estudante que procura a UA, em geral, neste momento, tem um perfil muito compatível com aquele estudante do concurso nacional de acesso. É um perfil homogéneo (…) No futuro, com uma componente de requalificação cada vez maior, teremos um perfil bastante mais heterogéneo com expectativas, línguas e culturas”, reconheceu.
Ainda sobre o plano estratégico, o reitor da UA sublinhou que este tem como tema central a “sustentabilidade”. Para este a Universidade de Aveiro deve ser atrativa “para aqueles que cá estão”, entre eles, os coordenadores, investigadores, professores e estudantes. “Hoje, aqui devem sentir que esta é a Universidade na qual querem passar mais tempo e investir do ponto de vista das carreiras... Deve ser estável financeiramente e fazer uma estratégia nesse sentido e deve ter uma dimensão ambiental bem cuidada (…)”, atentou.
“Houve progresso, mas não houve progresso ainda suficiente”
Particularizando sobre alguns números de 2024 e tendo como comparação o ano de 2018 [ano em que tomou posse enquanto reitor da UA], Paulo Jorge Ferreira começou por dar nota que, atualmente, a UA tem cerca de “209” trabalhadores com idade inferior aos 35 anos. “Em 2018, quando assumi funções como reitor tínhamos 70 trabalhadores (…)”, salientou. No que toca aos docentes, o reitor da UA destacou que o número de professores auxiliares e adjuntos são hoje uma “espécie em extinção” e que, por sua vez, o número de professores associados e catedráticos tem vindo a aumentar [na Universidade de Aveiro]. No que toca ao género destes, apesar de haver um maior equilíbrio, nos dias de hoje, o reitor da UA reconheceu que “nem tudo está bem” e que o número “está péssimo do ponto de vista dos [professores] catedráticos”. Nesta matéria o reitor afirma que “houve progresso, mas não houve progresso ainda suficiente”. “Acho que estão lançadas as bases para que este gráfico daqui a algum tempo se volte a equilibrar. Neste momento, ainda revelam uma tendência que temos de conseguir inverter com novos concursos”, continuou.
Mais de 90 investigadores têm hoje contratos por tempo indeterminado
Ao longo da apresentação, Paulo Jorge Ferreira deixou ainda algumas reflexões sobre a variação do número de investigadores na UA. Segundo este - desde junho de 2018 a 31 de dezembro de 2024 - registou-se um crescimento de “280%” do número de investigadores na Universidade. “Uma parte antes de ser investigador era bolseiro. Isto foi aquela operação de satisfazer a lei - entre junho de 2018 e 31 de agosto de 2018 - que transformou esses bolseiros em trabalhadores da UA, embora, com contratos a termo. Quando se fala disto diz-se que há muita precariedade, mas eu gostava de vos mostrar uma coisa sem contestar que há muita precariedade…. Houve um esforço assinalável (…) em reduzir essa precariedade. Este é o número desses investigadores que tem contratos por tempo indeterminado… Não subiu 280%, subiu 1157%”, constatou. “Na altura [em 2018], eram salvo erro sete (…) hoje são mais de 90… São mais perto de 100” [investigadores com contrato por tempo incerto]. Ainda assim, o reitor reconheceu que muitos dos investigadores “têm contratos a termo”.
Neste seguimento, Paulo Jorge Ferreira realçou ainda que a UA concorreu à primeira edição do FCT-Tenure [para garantir cofinanciamento para a contratação de investigadores doutorados] com “102 candidaturas”, com o objetivo de “estabilizar os vínculos de alguns desses trabalhadores” e só obteve “31 lugares”.
Após a análise do Plano Estratégico para o quadriénio 2023/2026, o reitor da UA pormenorizou ainda algumas atividades, projetos e obras que marcaram o último semestre na Universidade de Aveiro. O encontro terminou com um brinde e bolo-rei no edifício da Reitoria.
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