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Residências do Crasto: UA afirma que abertura total depende de “intervenções complementares”

Três das cinco novas residências construídas no Campus do Crasto no âmbito do PRR ainda não estão disponíveis aos estudantes. Em resposta escrita às questões colocadas pela Ria, Artur Silva, reitor da Universidade de Aveiro (UA), afirma que a entrada em funcionamento da totalidade das novas camas “está dependente da conclusão de um conjunto de intervenções complementares” – nomeadamente, a aquisição de mobiliário e a empreitada para a execução de infraestruturas da área envolvente. Quando terminado o investimento no Campus do Crasto, “estima-se que cerca de 68% do consumo energético total do Campus do Crasto seja assegurado por fontes renováveis”, segundo o reitor.

Residências do Crasto: UA afirma que abertura total depende de “intervenções complementares”

O início do ano letivo 2026/2027 marcou a abertura das primeiras duas residências do Crasto ao público. Conforme explica Artur Silva à Ria, dois dos novos edifícios começaram a receber estudantes a 13 de setembro, sendo que a “entrada em funcionamento dos restantes três edifícios está ainda dependente da conclusão de um conjunto de intervenções complementares, indispensáveis à sua plena utilização”. “Está em curso o procedimento para a aquisição do respetivo mobiliário e está igualmente a ser preparada uma empreitada para a execução das infraestruturas da área envolvente, que contempla, designadamente, as redes de abastecimento e drenagem e os arranjos exteriores”, explica o reitor.

Nas palavras do responsável, a execução dos trabalhos “está condicionada pela empreitada da Rede de Calor” – que integra uma central de biomassa e um parque de painéis solares térmicos “permitirão assegurar toda a energia térmica necessária para o aquecimento das novas residências e para a produção de água quente sanitária”. Esta empreitada, conforme aponta o reitor, mantém abertas algumas valas na proximidade das residências – ou seja, a entrada em funcionamento dos três edifícios restantes só pode acontecer mediante a “articulação entre diferentes empreitadas e procedimentos”.

Recorde-se que o projeto foi tornado público em 2022 e, segundo adiantava Alexandra Queirós, antiga vice-reitora da Universidade de Aveiro, ao Jornal de Notícias (JN), esperava-se uma construção faseada com abertura prevista da primeira residência no ano letivo 2023/2024. Na altura, a UA esperava contar com o financiamento do PRR – que se veio a confirmar – e com o dinheiro da venda já concretizada de um imóvel na cidade para fazer face à despesa de mais de 12 milhões de euros.

A abertura do concurso público para a empreitada, no entanto, só viria a acontecer em 2023, com o prazo de execução de 548 dias. A empreitada para as primeiras duas residências viria a ser adjudicada em fevereiro de 2024, com o prazo de execução de 487 dias (até junho de 2025); para as restantes, foi adjudicada em agosto de 2024, também com o prazo de execução de 487 dias (até dezembro de 2025).

Em janeiro de 2025, em declarações à Ria, Alexandra Queirós afirmava os primeiros três blocos das residências deviam ficar terminadas até fevereiro de 2026 e que os últimos estariam prontos até julho de 2026, sendo que, no início do ano letivo de 2025/2026, 128 das 320 novas camas já deveriam estar disponíveis.

Vestígios da ocupação humana no Neolítico, Calcolítico e Idade do Ferro têm atrasado a instalação da Rede de Calor

Segundo avança o reitor, a obra atualmente mais visível prende-se com a instalação da Rede de Calor, que motivou a abertura das valas para a colocação dos edifícios – algo que obriga ao acompanhamento arqueológico, visto que, na zona, foram “identificados vestígios de ocupação humana datáveis do Neolítico, Calcolítico e Idade do Ferro, com importância significativa e que, como já é sabido, têm vindo a ser estudados nos últimos anos”.

O reitor adianta que o acompanhamento exige que a obra “respeite os tempos necessários para a análise e o registo dos achados por parte da equipa de arqueologia” e, portanto, o ritmo dos trabalhos acabou por ficar condicionado. A empreitada na envolvente das residências poderá avançar a partir do momento em que fique concluída esta intervenção e em que sejam fechadas as valas – nomeadamente a “conclusão das redes de abastecimento e drenagem e os arranjos exteriores.

Obra deve terminar com 68% do consumo energético do Campus do Crasto a ser sustentado por energias renováveis

De acordo com o reitor, apesar de esta intervenção não ter em vista a autonomia energética, trata-se de um “investimento muito significativo em infraestruturas que contribuirão para a descarbonização e para a eficiência energética do campus, aumentando substancialmente a utilização de fontes renováveis e reduzindo a dependência de fontes convencionais”.

Para além da Rede de Calor, que é composta por uma central de biomassa e por um parque de painéis solares térmicos que “permitirão assegurar toda a energia térmica necessária para o aquecimento das novas residências e para a produção de água quente sanitária”, está a ser também instalado um parque fotovoltaico com uma potência máxima de cerca de 1,2 MW, “destinado à produção de eletricidade para autoconsumo no campus”. Conforme adianta Artur Silva, o sistema “incluirá também armazenamento em baterias”, de forma a “aproveitar de forma mais eficiente a energia produzida e reforçar o abastecimento energético do Campus do Crasto”.

“Este investimento integra ainda outras medidas de sustentabilidade no Campus do Crasto, nomeadamente um plano de eficiência hídrica e uma intervenção no sistema de AVAC da Cantina do Crasto. O conjunto destas intervenções permitiu alcançar uma classificação energética A+”, avança o reitor, que estima que, quando finalizado o conjunto das intervenções, “68% do consumo energético total” deve ser assegurado por fontes renováveis.

O reitor aponta ainda que tanto a Central de Biomassa como o parque fotovoltaico estão dimensionados para satisfazer as necessidades do Campus do Crasto, mas que, em períodos de menor consumo – designadamente, nas férias de verão -, poderá existir produção excedentária, mesmo considerando a capacidade de armazenamento das baterias. Nesse sentido, explica, “está a ser analisada a melhor forma de gerir esses excedentes e a possibilidade de os utilizar noutros edifícios da Universidade, fora do Campus do Crasto”.

“Esta solução deverá também ser enquadrada numa perspetiva mais ampla. A Universidade dispõe de outros sistemas de produção fotovoltaica, pelo que importa avançar para uma gestão cada vez mais integrada da energia que produzimos e consumimos nos diferentes espaços da UA. O objetivo é aproveitar da forma mais eficiente possível a capacidade de produção instalada e aumentar progressivamente o peso das fontes renováveis no consumo energético da Universidade”, completa.

De acordo com Artur Silva, a conclusão do Parque de Painéis Fotovoltaicos está prevista para meados de outubro e a Rede de Calor deve estar terminada até final de novembro, sendo que ambas as obras estão condicionadas aos timings do acompanhamento arqueológico.

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